Como é mania no nosso Brasil, boa parte dos males do futebol brasileiro vinham sendo imputados a Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Com sua renúncia, após 20 anos no cargo, oportunistas e ingênuos forçam uma comemoração como se o povo tivesse tomado a Bastilha. Demagogia barata! Se os clubes não agirem com responsabilidade nesse momento delicado, e pensarem no todo antes de olharem para seus umbigos, na melhor das hipóteses a estrutura viciada continuará a mesma. Mas poderá piorar.

O grande corruptor do futebol brasileiro não é a CBF, que no máximo quer gerir a Seleção Brasileira. É a TV, que com seus milhões alterna o equilíbrio das competições, muda o hábito do torcedor e influi no aumento das torcidas. Se a TV Globo decidisse não priorizar uma ou outra equipe, aí sim teríamos motivos reais de contentamento. Mas isso não mudará.

Se, com Teixeira, saíssem Andres Sanches e o técnico Mano Menezes, e fossem substituidos por pessoas mais capazes e isentas, talvez pudéssemos celebrar. Como é possível que em uma época em que qualquer garoto tem de ser fazer pós-graduação para conseguir um lugar no mercado de trabalho, além de aprender Inglês e Espanhol, o diretor de seleções da CBF não consiga falar nem o próprio idioma, quanto mais os dos outros? De que tipo de seleção o Andres será diretor? Das estaduais?

E Mano Menezes? Que figura mais incompetente, pretensiosa, enfadonha e ridícula. Técnico de nível B, que jamais fez uma equipe jogar bem na vida. Outro paraquedista guindado ao cargo pelo desinteresse dos mais capazes, este senhor não deixa de servir ao seu ex-clube, desfalcando os adversários do alvinegro da capital às vésperas de jogos importantes.

Espero que a diretoria do Santos fique bem esperta com relação à confluência dos calendários da Seleção Brasileira e da Copa Libertadores, pois é certo que o Alvinegro Praiano será desfalcado de seus principais jogadores, enquanto o time de Sanches e Menezes seguirá intacto em busca de seu sonho secular.

Mas essa relação promíscua entre a CBF, a TV Globo e o alvinegro da capital nem é discutida por muitos que fazem festa pela renúncia de Ricardo Teixeira. Querem fazer crer que os problemas do futebol brasileiro estavam concentrados em um único homem. Ora, não tratem as pessoas como idiotas, por favor.

Marin e o preconceito contra São Paulo

O novo presidente, José Maria Marin, que assume por ser o mais idoso dos vices (79 primaveras), já avisou que não vai mudar nada. Até o ascensorista da CBF continuará a mesmo. Aliás, que sorte do afável político Marin. Caiu de paraquedas no governo de São Paulo e agora despensa em uma das cadeiras mais cobiçadas do País, às vésperas de uma Copa do Mundo.

Não creio que Marin terá iniciativa, energia ou vontade para empreender grandes mudanças na CBF, mas também não posso concordar com a pressão de alguns presidentes de federações para que haja eleições a toque de caixa, a fim de impedir um suposto predomínio político de São Paulo.

Ora, o futebol brasileiro tem sido dominado, historicamente, por cariocas, e nunca vi tamanho movimento para lhes tirar o poder. Várias Copas, como as de 1930, 34, 66 e 74 foram jogadas no lixo pela vaidade e egocentrismo cariocas. Que mal haveria se houvesse uma maior influência paulista na política do futebol brasileiro? Ao menos é o Estado mais desenvolvido da nação, em que o futebol atingiu um nível profissional mais elevado, em que o marketing caminha para ser mais importante do que a política.

E para você, como fica o futebol brasileiro com a renúncia de Teixeira?