Hoje, às 16 horas, no Morumbi, o Santos terá uma grande oportunidade de passar pelo São Paulo e caminhar para o seu Tri-Tri. Porém, mais do que confiar na maior categoria e experiência de seu elenco, o Santos precisará ser humilde, dedicando-se à marcação com o mesmo afinco com que ataca.

Sem os laterais titulares Fucile e Juan, o time jogará com Maranhão e Léo. O primeiro, apesar de estar fazendo gols, não é dos melhores marcadores, e Léo está voltando de uma cirurgia no joelho. Se não tiverem uma boa ajuda na marcação, encontrarão dificuldades contra o rápido ataque tricolor.

Mesmo sem o artilheiro Luís Fabiano, o São Paulo é um time jovem e impetuoso, qualidades que o técnico Émerson Leão sabe aproveitar bem. Outros fatores positivos para o time da capital são o cansaço maior do Alvinegro Praiano, que no meio da semana teve de subir a montanha para enfrentar uma guerra em La Paz (enquanto o São paulo refugou o seu jogo contra a Ponte Preta), e a torcida a favor, já que apenas 3.800 ingressos foram destinados aos santistas.

Enfim, pelas circunstâncias, não dá para dizer que o favoritismo é do Santos. O que se pode afirmar a favor do time de Muricy Ramalho é que ele tem mais experiência em jogos decisivos do que o rival – e costuma se sair muito bem neles. Outra vantagem é que o Santos tem dois jogadores fora de série: Neymar e Ganso. Além de Borges, um artilheiro que pode desencantar a qualquer momento, e de um meia que está louco para mostrar que merece continuar no time, que é Elano.

Enfim, vejo um jogo equilibrado, disputado até o final, em que um time mais experiente e com maior categoria enfrentará outro jovem e vibrante que poderá complicar-lhe a vida. A vontade maior de um ou outro deverá decidir quem jogará a final deste Campeonato Paulista.

Times prováveis

São Paulo: Denis; Piris, Paulo Miranda, Rhodolfo e Cortez; Denílson, Casemiro, Cícero e Jadson; Lucas e Willian José (Fernandinho)
Técnico: Emerson Leão. Santos: Rafael; Maranhão, Edu Dracena, Durval e Léo; Adriano, Arouca, Elano e Paulo Henrique Ganso; Neymar e Borges (Alan Kardec ou Bruno Rodrigo). Técnico: Muricy Ramalho. Arbitragem: Paulo César de Oliveira (SP), auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho e Vicente Romano Neto (ambos de SP).


Artilheiros do San-São. Clique sobre as imagens para ampliá-las.

Retrospecto de Santos x São Paulo

Por Wesley Miranda

Santos e São Paulo já se enfrentaram 269 vezes, com 91 vitórias do Santos, 63 empates e 115 vitórias do São Paulo. O time alvinegro marcou 383 gols e sofreu 442.

Devido ao longo jejum de títulos estaduais do São Paulo (1957 a 70),que por isso jamais participou da Taça Brasil, o primeiro encontro em Brasileiros aconteceu só em 1967 no Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, que não dependia de critérios de classificação. Em Brasileiros foram 53 jogos, com 19 vitórias do Santos, 12 empates e 22 vitórias do São Paulo. O Peixe marcou 66 gols e sofreu 71.

Confrontos por competições

Total: V, E, D (do Santos)
Campeonatos Brasileiros (1959-2011): 19, 12, 22
Robertão (1967-1970): 1, 3, 0
Nacional (1971-2011): 18, 9, 22
Paulista: 47,41,69
Rio-SP: 8, 3, 9
Sulamericana: 1,1,0
Amistosos e : 16, 6, 15
Outros Torneios

Pelé, o soberano

Com 31 gols no confronto, o rei do futebol é o artilheiro soberano do duelo. Mas o número até poderia ser maior, pois em 1957 o combinado Santos/Vasco jogou contra o São Paulo e empatou em 1 a 1 com gol de Pelé. Apesar do confronto ter acontecido com a base e o uniforme santista, o jogo não é dado como oficial.

Excluindo esse jogo, Pelé jogou contra o São Paulo 45 vezes. O Rei marcou quatro gols na vitória de 6 a 3 em 03/09/1961, pelo Paulista (uma das maiores exibições de Pelé contra o rival) e marcou outros três na vitória de 6 a 2 em 07/03/1962 pelo Torneio Rio-São Paulo. Ao todo, Pelé teve 18 vitórias contra 10 derrotas e 17 empates nos jogos contra o São Paulo.

Na vice artilharia, empate entre outras duas lendas: Pepe e Coutinho! O “Bomba” tem uma história particular do confronto contada logo abaixo.

O gênio Coutinho marcou três gols na vitória de 4 a 1 em 16/12/1961. O jogo foi válido pela última rodada do Paulista. O Santos já entrou como campeão e recebeu as faixas dos jogadores são-paulinos! Reparem na foto do Rei na lista dos artilheiros, recebendo a faixa.

Década a década

A grande diferença nos números do confronto se da nos anos 40, quando o forte São Paulo de Leônidas da Silva venceu 17 dos 25 jogos da década, enquanto o Santos ganhou apenas quatro partidas e empatou outras quatro.

Nos anos 50 houve equilíbrio, com 19 vitórias peixeiras contra 18 tricolores e quatro empates. Nos anos 60, o Santos de Pelé fez valer sua supremacia, vencendo 14 jogos contra apenas cinco do São Paulo e 11 empates. Nos anos 70, o equilíbrio voltou a ser a tônica do clássico com 14 vitórias para cada lado e 11 empates. A terrível década de 80 fez o Santos voltar para os primórdios do confronto. O São Paulo venceu 17 vezes contra cinco do Santos e oito empates.

Na década de 90, o confronto também foi favorávelao São Paulo, mas não tão gritante. Em 40 jogos, 9 vitórias santistas contra 17 tricolores e 14 empates. No novo milênio, vantagem santista, com 17 vitórias do Alvinegro Praiano contra 14 vitórias do time do Morumbi e nove empates.

O Santos perde em números de confrontos para os três da capital, mas ganha no retrospecto de finais contra eles e tem a primazia de ter vencido os três na primeira vez que se enfrentaram.

Os primeiros encontros

O primeiro confronto entre o São Paulo FC, que foi fundado em 1935, foi no ano seguinte, em um amistoso na Vila Belmiro. O Santos, então campeão paulista, venceu por 2 a 0, com gols de Raul Cabral e Antenor. Em Campeonatos Paulistas o primeiro jogo foi em 1936, também na Vila. Nova vitória santista, essa mais dilatada, 4 a 0 com gols três gols de Zé Carlos e um do ídolo Mario Seixas! Uma curiosidade: o Santos também venceu seus primeiros jogos contra o Corinthians (6 a 3) e Palmeiras (7 a 0).

Primeira decisão de título, em 1949

Depois de 12 anos de jejum de títulos oficiais, o Santos voltou a conquistar um torneio e em cima do São Paulo: a Taça Cidade de São Paulo de 1949.

Era um torneio disputado entre os três primeiros colocados do Paulista do ano anterior: o São Paulo, campeão de 1948; o Santos vice, e o Ypiranga, disputaram a taça em um turno único. No primeiro jogo, empate entre Santos e Ypiranga por 2 a 2, em dia 15 de maio de 1949. Na decisão, o Santos venceu o São Paulo por 2 a 0, com gols do arquiteto da bola Antoninho Fernandes e de Juvenal.

O primeiro bicampeonato

O Santos venceu o Paulistão de 1956 em um jogo-extra contra o São Paulo no em 03/01/1957. O rival abriu o marcador aos 9 minutos, mas o defensor Feijó empatou para o Santos aos 27?. Porém, aos 40?, o artilheiro Zezinho apareceu para colocar o tricolor na frente novamente. No segundo tempo, o técnico Lula mudou bem a postura do time para anular Dino Sani, e aos 13 minutos o ponteiro Tite empatou. Aos 24? Del Vecchio virou o jogo e o mesmo Del Vecchio garantiu o título com o quarto gol! Disputado desde 1936, o jogo só ganhou a alcunha de San-São em 1956.

O apelido foi dado por Thomas Mazzoni do jornal a Gazeta Esportiva, depois dos grandes embates entre ambos no certame daquele ano.

Estreias do Rei

O último dia 26 completou 55 anos que Pelé enfrentou o São Paulo pela primeira vez. O rei foi autor do último tento da vitória de 3 a 1, em partida válida pelo Torneio Rio-São Paulo. Era apenas a 18ª partida do menino Pelé, e ele não entrou como titular. Substituiu Dorval na segunda etapa. Neste jogo Del Vecchio e Pagão também marcaram para o Peixe. Dino Sani fez o gol do São Paulo. Essa também foi a primeira partida do Rei no Pacaembu, estádio onde o Santos conquistou tantas glórias e que ontem completou 72 anos. Ao longo de sua carreira Pelé fez 119 partidas no Paulo Machado de Carvalho, anotando 115 tentos. Média semelhante de gols no Santos.

Pepe, o goleiro bomba

Se o maior goleador do confronto tem fama de ter vestido a camisa número um do Santos por 4 oportunidades, o vice artilheiro Pepe também se aventurou no gol. E foi em um Santos x São Paulo, em 1960. O Peixe só precisava de um empate com o São Paulo no Morumbi para comemorar o título antecipado. O lance inusitado aconteceu já perto do final da partida. O jogador tricolor Gonçalo deu um chute no estômago de Pelé. Então Zito e o goleiro Laércio foram para cima de Gonçalo, com socos e pontapés, revidando a agressão ao Rei. O árbitro expulsou os dois e Pepe terminou aquela partida no gol. O Santos perdeu o jogo por 2 a 1 e deixou o título ainda em aberto, mas sacramentou depois a conquista com uma vitó9ria sobre o palmeiras, na Vila Belmiro, por 2 a 1.

O primeiro Tri

O título do Paulista de 1962, e primeiro Tri Paulista do Santos, veio após a vitória frente ao São Paulo por 5 a 2, no Pacaembu, com gols de Dorval (2) Coutinho, Pelé e Pepe! O Santos conquistou o título com três rodadas de antecedência, e ainda terminaria com 11 pontos de vantagem para os vices São Paulo e Corinthians.
O cinquentenário santista foi o ano mais glorioso que um time de futebol possa desejar! Quadriplice coroa, com os títulos Paulista, Brasileiro, Sul-americano (Copa Libertadores) e Mundial!

O último Tri

A conquista do último Tri Paulista da história começou com o certame de 1967, decidido em um jogo extra contra o São Paulo no dia 21/12/1967. O Peixe venceu por 2 a 1, com gols de Toninho Guerreiro e Edu, prolongando a fila do rival, que não era campeão há 10 anos, desde 1957!

E o Santos selou o Tri com a conquista do título de 1969, no empate com o time do Morumbi por 0 a 0, o último confronto do quadrangular com os quatro grandes.

Um lance histórico

No último confronto entre as duas equipes, válido pela primeira fase do Paulista 2012, o atacante Luis Fabiano usou de sua experiência para cavar um pênalti e iludir o árbitro.

No penúltimo encontro de Pelé com o time do Morumbi, em 02/06/74, já perto de encerrar sua carreira no Santos, o Rei do futebol usou de toda malandragem adquirida em 18 anos de futebol profissional para cavar um pênalti e iludir o árbitro Armando Marques. Acho até que o zagueiro são-paulino Samuel ficou na duvida. Brecha cobrou e empatou em 1 a 1 o prélio valido pelo Brasileiro de 74. Dizem que ao correr para a bola, Pelé gritava “largou, largou”, dando a entender que o goleiro tinha deixado a bola escapar e ele ia fazer o gol. Como estava de costas para o seu goleiro, Samuel agiu pelo instinto e segurou Pelé, sem saber que a bola estava tranqüilamente na mão do arqueiro tricolor.

Do outro lado

Na partida valida pela Taça Governador do Estado de 1976 o primeiro gol são paulino foi marcado por Muricy Ramalho e o segundo por Serginho Chulapa. Duas figuras bem conhecidas e queridas da torcida santista. O jogo terminou 3 a 3. Marcaram para o Peixe: Toinzinho, Claudio Adão e Marçal.

Serginho Chulapa foi revelado pelo time da Vila Sônia e é o maior goleador da história do rival, com 242 gols. No Santos, o centroavante é o maior goleador, junto com João Paulo, na era pós Pelé, com 104 gols. Enfim, Chulapa é ídolo dos dois lados. E foram muito os jogadores que atuaram por ambos os lados, mas o Santos leva vantagem na qualidade de jogadores que vieram de lá.

Os Meninos da Vila

Além do futebol alegre, ofensivo, envolvente e surpreendente, qual é a semelhança das três últimas gerações de Meninos da Vila? O São Paulo FC!

Nenhum time sofreu mais nas mãos das três gerações que o do Morumbi!
Entre 1978 e 79, quando aconteceu a disputa do Paulistão de 78, foram 7 jogos com 3 vitórias do Santos, 2 do São Paulo e 2 empates, com o surpreendente título da geração do técnico Formiga. Apesar de um certo equilíbrio nos números, o time de Juary, Pita, Nilton Batata, João Paulo, Clodoaldo e Ailton Lira dava show no rival!
Na surpreendente conquista do Brasileiro de 2002, o Santos do técnico Emerson Leão enfrentou o time do São Paulo três vezes, perdendo a partida na primeira fase (3 a 2), mas vencendo as outras duas, decisivas, nas quartas (3 a 1 e 2 a 1)! O oitavo colocado da primeira fase eliminou o favorito primeiro!

Na última geração, sob o comando do técnico Dorival Junior na conquista do Paulista de 2010, foram três jogos e três vitórias. A duas últimas válidas pelas semifinais (3 a 2 no Morumbi e 3 a 0 na Vila).

Vamos ver então um show de Juary e a técnica de Aílton Lyra em cima de Waldir Peres:

A última decisão

O último triunfo santista em cima do rival veio na semifinal do Paulista do ano passado, quando o Santos bateu o São Paulo, no Morumbi, por 2 a 0 com gols de Elano e Ganso, e passou para a decisão do campeonato. Reveja: