Edu, Lima, Pepe, ídolos que nunca serão esquecidos (fotos de Stefano Maglovsky)

Ontem à noite vivemos novamente momentos de rara felicidade, na Fnac Pinheiros. O livro “100 anos de futebol arte”, produzido pela Editora Magma Cultural, foi lançado em São Paulo com a presença dos astros Pepe, Dorval, Lima e Edu, de celebridades como Zé Geraldo, Paulo Henrique Amorim, Mariana Belém e o promotor Cembranelli, e com a presença maciça dos santistas (e até de muitos que não eram). Não há palavras para exprimir a alegria que se sente ao ver a rica história do Santos devidamente valorizada.

Creio que nós, santistas, acabamos com aquele estigma que acompanhava os velhos ídolos do nosso futebol, invariavelnente esquecidos depois que passavam dos 50, 60 anos. No Santos, graças a esses livros, filmes e toda a mídia esportiva, é como se Pepe, Coutinho, Pelé & Cia ainda jogassem, tamanha a idolatria com a qual são reconhecidos e recebidos pelos fãs.

E ao revitalizarmos a história, é como se o Santos voltasse a ser o melhor time de todos os tempos. O orgulho cresce no peito do torcedor e a história do Time dos Sonhos se consolida, para sempre. Já disse que o museu do Barcelona é uma das maiores fontes de renda do clube. No Brasil, o Santos é o que está mais perto de repetir essa façanha. Por isso, espero que invista mais nisso.

Nosso abraço ao professor Guilherme Nascimento

Há muita gente trabalhando pela manutenção da memória santista e é animador saber que a cada dia mais pessoas se dedicam a essa sagrada tarefa. Há os filmes do Wesley Miranda, as pesquisas sobre jogos internacionais do Leo Devezas, a coleção incrível do Marcelo Fernandes, os filmes do Rachid, a precisão das pesquisas do Guilherme Guarche, o ótimo texto do José Roberto Torero, o Acervo Santista do Kiske, o Evaldo Rodrigues e, acima de tudo, a apuração quase religiosa do professor Guilherme Nascimento. Certamente esqueci alguns nomes. Peço que, caso se lembrem, enviem-nos por meio dos comentários.

Professor da rede pública de Mongaguá, Guilherme Nascimento é o pesquisador que se encarrega de uma obra essencial para a história do Santos, que é o Almanaque, com todos os jogos do Alvinegro Praiano. Sim, todas as fichas técnicas, completas, com as escalações do Santos e do adversário. Uma obra de fôlego, que eu ansiava anunciar nestes dias de comemoração pelo Centenário.

Entretanto, o professor Guilherme Nascimento teve de interromper a finalização do livro devido a um AVC que atingiu sua jovem filha, Carol, que se encontra hospitalizada. Filha com a qual divide, em casa, seu grande amor pelo Santos. Toco nesse assunto porque estou convicto de que a Carol precisa da força de todos nós para se recuperar. Acredito no poder da pé e do pensamento positivo. Voltemos nossas energias para o leito da Carol, no hospital do Servidor Público de São Paulo, e imaginemos sua recuperação, para que o professor Guilherme possa comemorar o grande triunfo de sua vida.

Ontem, na Fnac, percebi, mais uma vez, a irmandade que reúne os santistas, todos adoradores não só do futebol bonito, mas do jogo limpo, da ética, do espírito esportivo. Sentimentos nobres que nos tornam, mais do que amigos, irmãos. E Guilherme Nascimento é um irmão que precisa de nossa força.