É bonito ver um time ter maior posse de bola e acuar o adversário que joga em casa, como o Santos fez ontem com o Internacional.

É bonito ver um time tocando a bola com calma, esperando a oportunidade para chegar ao gol, contra um adversário retrancado.

É bonito ver um time que, mesmo podendo jogar pelo empate, busca mais o gol do que o adversário e merece a vitória, como o Santos ontem.

É bonito ver Neymar indo pra cima dos zagueirões do Inter o tempo todo, criando inúmeras jogadas de gol e não se intimidando com as entradas violentas.

É bonito – e limpo – ver um time marcando muito bem sem dar pontapés, cometendo apenas um terço das faltas do adversário.

É bonito ver o veterano Edu Dracena anulando o decantado centroavante Leandro Damião jogando apenas na bola, sem cometer faltas.

É bonito ver um time visitante jogar com soberania e calar uma multidão vermelha cujo cântico de guerra, sintomaticamente, é uma paródia da música “Pelados em Santos”.

É bonito constatar que, ao menos no futebol, a arte e o talento ainda vencem o jogo feio e sujo.

Mas é feio – e sujo – ver um time querer ganhar na intimidação, dando tapas pelas costas, como Tinga, Dagoberto e Cléber Chicletinho fizeram, aproveitando cada dividida para machucar os santistas.

É feio – e sujo – promover a caça ao melhor jogador do Brasil, revezando-se nas faltas ao garoto Neymar.

É feio – e sujo – incluir os gandulas no plano de jogo, orientando-lhes para repor rapidamente a bola que é favorável ao Inter, mas retardando a reposição quando o lance favorece o Santos.

É feio – e sujo – um técnico como Dorival Junior, responsável pelo surgimento dessa nova geração de Meninos da Vila, pedir ou permitir a seus jogadores que parem Neymar na base da violência.

É bonito – e limpo – finalmente ver uma transmissão profissional e isenta da TV Globo, com repórteres, comentarista e narrador preocupados em retratar apenas o espetáculo, sem segundas intenções, sem o interesse de bajular um ou outro time. Parabéns Luiz Roberto e Caio Ribeiro!

É bonito – e limpo – ver que este jogo foi para a tevê aberta por méritos próprios, pela grandeza dos adversários, e não para satisfazer nebulosos interesses de marketing.

É bonito ver que o futebol sul-americano pode proporcionar grandes espetáculos, que só são possíveis porque clubes como o Santos e o Internacional se recusam a se desfazer de seus craques.

É feio – e sujo – lembrar que o Norte e o Nordeste do Brasil foram obrigados a ver um outro jogo, de nível técnico bem inferior, no qual um time brasileiro deu novo vexame.

É feio – e sujo – descobrir, conforme noticiado pelo Blog do Perrone, que a construtora Odebrecht doou dois milhões de reais para o desfile da escola de samba Gaviões da Fiel que homenageava o presidente Lula. E que ainda houve um desvio de 300 mil reais nessa doação.

É feio – e sujo – constatar que tantas instituições brasileiras que deveriam ser confiáveis e respeitosas, fazem parte de uma mesma rede de interesses que coloca o jogo bonito e limpo em segundo plano.

Mas é bonito – e limpo – manter a esperança de que tudo isso mude um dia e que o futebol e o Brasil possam novamente valorizar o mérito, a ética, a beleza e o jogo limpo, como o do Santos de Neymar.


É bonito ver que apesar das rígidas imposições paternas, as crianças que entraram em campo vestidas de vermelho, adoram mesmo o craque do Alvinegro Praiano. Parabéns aos neymarzetes colorados.

Reveja os melhores momentos de Santos e Internacional:

http://youtu.be/mNCV3kaDHqA

E pra você, o que foi limpo e o que foi sujo no jogo de ontem?