Que o carrancudo Muricy Ramalho tem pouco tato para lidar com jovens é óbvio. Mas que ele não é bobo e prefere escalar os melhores jogadores, também é evidente. Então, não acho que sua crítica aos altos e baixos de Felipe Anderson na vitória por 2 a 0 dos reservas do Santos sobre a Portuguesa, ontem, no Canindé, foram negativas. Ao contrário. Para mim, ficou evidente que o técnico quer contar mais com o jogador, que vê um bom potencial técnico no garoto, mas que para se firmar no time, e como jogador profissional de futebol, Felipe Anderson tem de ser mais constante, mais regular, e precisa se empenhar e jogar bem a maioria das partidas. Nesse caso, concordo com a rabugice do Muricy.

Como deveriam ser as embaixadas

Semana passada, conversando com o amigo e parceiro José Carlos Peres, fiquei sabendo como era o projeto original das embaixadas santistas, que ele próprio levou ao Santos em 2008: primeiro seriam abertos os consulados e para isso seria preciso que os interessados reunissem apenas 50 associados do Santos. Para se chegar ao nível de embaixada, seriam necessários 100 sócios. “Qual seria o objetivo de qualquer consulado? Seria se tornar um embaixada e para isso haveria empenho do grupo em chegar aos 100 associados”, concluiu Peres.

Achei a proposta bem coerente e melhor do que a atual. Com a obrigatoriedade de conseguir apenas 50 sócios, os consulados pipocariam pelo Brasil, e todos teriam o interesse de chegar a embaixada. Portanto, tratariam de angariar mais associados para o clube.

Sei que já foi aprovada a primeira embaixada, em Brasília. Ótimo. Porém, acho que a idéia de se começar com o consulado, e uma exigência de apenas 50 sócios, é muito boa e poderia ser analisada com carinho pelo clube. Proponho que este seja o tema de uma próxima reunião de conselho. Se está no estatuto, que se vote a mudança do estatuto. A burocracia não pode retardar o crescimento do Santos.

Transformando Neymarzetes em Santistas

Acho que o carinho por Neymar leva, sim, crianças e jovens a se tornarem santistas. O ídolo é um dos fatores essenciais de atração de novos torcedores. Porém, há uma corrente contrária que não quer que isso aconteça. Como sabemos, nada cai de graça no colo do Santos. Para transformar os fãs de Neymar em santistas é preciso mais do que encher o nosso garoto de patrocinadores.

Ótimo que tenha fechado com a Volkswagen, ótimo que o Menino de Ouro já possa ganhar, no Brasil, o mesmo que ganharia na Europa, com a vantagem de que aqui é sol o ano inteiro, não há preconceito e as garotas são mais bonitas. Mas isso não basta.

É preciso uma campanha direta do Santos para atrair novos torcedores, e não é preciso ser um gênio do marketing para perceber que Neymar é o garoto-propaganda que está pingando na boca do gol. A publicidade brasileira é tão talentosa e criativa, que certamente encontrará uma maneira marcante e bem-humorada de fazer isso sem se indispor com as outras torcidas. Como? Sei lá. Vamos pensar juntos?

Neymar está toda hora no celular ou teclando com fãs, principalmente do sexo feminino. É só imaginar um diálogo em que ele pede para a garota torcer para ele. “Vai torcer pra mim, né?”. E se a pessoa do outro lado quiser saber se um dia ficarão juntos, ele pode responder algo do tipo: “Não sei, às vezes a vida nos separa das pessoas que gostamos. Mas espero que, aconteça o que acontecer, a gente sempre tenha algo em comum… um amor em comum”. E aí aparece o logo do Santos, silenciosamente, ou a imagem da torcida santista cantando, enfim, algo que remeta ao Santos.

O papo poderia ser com garotas, garotas, crianças, idosos… Uma série, por que não? Bem, poderia não ser o melhor comercial do mundo, mas seria um passo, uma tentativa direta de usar Neymar e seu carisma para atrair novos torcedores para o Alvinegro Praiano. Algo precisa ser feito nesse sentido, pois o tempo passa e não se percebe claramente o efeito Neymar no crescimento da torcida do Santos.

Como você usaria Neymar para atrair mais torcedores?