Que vantagem dezenas de anos acompanhando o futebol e, mais propiramente o Santos, podem me dar? Talvez nada palpável, concreto, cem por cento verdadeiro, posto que o futebol é chama de intensidade absurdamente irregular. Porém, há o fio condutor, a essência lógica que permeia todas as batalhas em campo. E quando se consegue captá-la, pode-se dizer que alcançamos ao menos o chamado feeling. E se ele não me diz, neste exato momento, quanto será o resultado de hoje à noite, na tenebrosa altitude de La Paz, ele ao menos me tranquiliza, pois me garante que o Santos jogará bem.

Vejo o time mais atento hoje, contra o Bolívar, do que contra o The Strongest, no início desta Copa Libertadores. E mais atento no ataque significa gols, assim como uma maior atenção na defesa quer dizer menos oportunidades ao adversário. Vejo Neyamr em meus sonhos flutuando por entre os montanheses, como um pássaro de fogo, que brilha, mas também fere. Vejo Ganso planando sua elegância entre os homens da montanha e vejo também um Santos aplicado, determinado a vencer.

Neymar pode fazer o seu centésimo gol pelo Santos

Hoje Neymar, que já tem 99, pode fazer o seu centésimo gol com a camisa do Santos – uma marca extraordinária para um rapaz de apenas 20 anos. Para ajudá-lo nesta tarefa ele terá como companheiros Rafael, Maranhão, Edu Dracena, Durval e Juan; Adriano, Arouca, Elano e Ganso; Neymar e Borges. Os desfalques serão Fucile e Henrique. Na verdade, considero Fucile o único desfalque e rezo para que os deuses protejam Maranhão.

O time boliviano deverá ser escalado pelo técnico argentino Ángel Hoyos com Marcos Arguello; Rodríguez, Frontini e Valverde; Álvarez, Flores, Cardozo, Campos e Lizio; Arce e Ferreira (Cantero). Não jogarão o volante Walter Flores e o atacante uruguaio William Ferreira, artilheiro do time.

Quem é mesmo o melhor time de todos os tempos?

Acho engraçado a maneira açodada com que alguns analistas enxergam a história do futebol. Bastou o Barcelona ganhar alguns títulos e o time já foi comparado, simplesmente, ao melhor de todos os tempos, ou seja, o Santos dos anos 60. Ora, a recente derrora para o Real Madrid no Campeonato Espanhol e a eliminação, ontem, na Liga dos Campeões, com o empate em 2 a 2 com o Chelsea – com o decantado Messi perdendo um pênalti – mostra que o time catalão ainda está longe de ser imbatível.

Na verdade, está longe até mesmo das crises, pois já se fala em demissão do ótimo técnico Pep Guardiola. Lembro que o Santos foi pentacampeão brasileiro legítimo – de 1961 a 1965 – na época de ouro do futebol brasileiro, e ganhando quatro finais nos campos do adversário: Bahia, em Salvador, e Botafogo, Flamengo e Vasco no Rio de Janeiro. Além de enfrentar os melhores times do mundo, na época, o Alvinegro Praiano os vencia em suas próprias casas, coisa que esse Barcelona está longe de conseguir.

Confrontos entre Santos e Bolívar

Por Wesley Miranda

O Santos enfrentará o Bolívar pela quarta vez em sua rica história. O retrospecto é de duas vitórias e uma derrota, 13 gols pró e quatro gol contra.

16/01/1971 – Bolívar 0 x 4 Santos – Hernando Siles (La Paz) Amistoso
16/02/2005 – Bolívar 4 x 3 Santos – Hernando Siles (La Paz) Libertadores
11/05/2005 – Santos 6 x 0 Bolívar – Vila Belmiro (Santos) Libertadores

Santos na Bolívia

O embaixador do futebol já jogou 12 vezes em solo boliviano, vencendo em nove oportunidades e perdendo em outras 3. O Santos marcou 39 gols e sofreu 21. Apesar da boa vantagem histórica, dos 4 últimos jogos em solo boliviano, foram 3 derrotas.

O artilheiro do confronto

O artilheiro santista no confronto é o atacante Deivid, com três gols. Revelado no Nova Iguaçu e projetado para o Brasil pelo Santos em 1999, Deivid teve duas ótimas passagens pela Vila Belmiro. Em 140 jogos marcou 60 gols, sendo 21 deles só na campanha do oitavo título brasileiro santista, em 2004 (sem contar os diversos gols legais anulados naquele campeonato). Além do apurado faro de gol, Deivid tinha a velocidade de um ponta e a inteligência de um meia. Com todos esses atributos, ganhou o apelido de garçom, devido às suas perfeitas assistências.

O vice artilheiro do confronto é um tal Edson Arantes do Nascimento com 2 gols no primeiro confronto contra a equipe boliviana.

Goleada e uma pintura em La Paz

Apenas três dias depois de derrotar a seleção de Cochabamba por 3 a 2, em 16 de janeiro de 1971 o Santos jogou um amistoso com o Bolívar, estádio Hernando Síles, em La Paz, e venceu por 4 a 0, com 2 gols de Pelé – sendo um deles um dos mas bonitos de sua carreira – um de Edu e outro de Douglas. Depois dessa apresentação de gala, o Santos teve que voltar a Bolívia quatro meses depois, e foi anunciado como “El Mayor Espectaculo Del Mundo”.

Veja o gol antológico do Rei:

A estreia na Libertadores 2005

Pouco mais de 34 anos depois, o Santos voltou a enfrentar “La Academia del Fútbol Boliviano”, como é conhecida o Bolívar. O clube de La Paz passava por um grande momento, já que em 2004 disputara a final da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors. Essa foi apenas a segunda vez que uma equipe boliviana chegava à final de uma competição internacional.

O Santos vivia um bom momento, com a recente conquista do seu oitavo título brasileiro, mas ainda sofria com a perda do seu comandante, Luxemburgo. Em seu lugar assumiu Osvaldo de Oliveira.

Outra novidade era a mudança na meta santista. O então atual campeão da Libertadores com o Once Caldas, o colombiano Juan Carlos Henao, substituía o goleiro campeão brasileiro Mauro. Henao ganhou a posição por ser mais experiente em Libertadores e acostumado com a altitude.

O jogo

Foram necessários apenas dois minutos para o anfitrião balançar as redes do Santos, com o meia Zermatten. O gol trouxe mais confiança para “La Academia ” que passou a pressionar o time santista. Só aos 24 minutos, em rebote do talismã Basílio, o matador Deivid conseguiu o empate.

Na etapa complementar, aos 9 minutos o time boliviano, novamente com Zermatten, passou à frente do marcador. E apenas 2 minutos depois, novamente com Deivid, o Peixe empatou de novo. O prelio se encaminhava para o seu final, quando o artilheiro da noite, o meia Zermatten, marcou o seu terceiro gol. Aos 40 minutos o Santos se via em desvantagem na altitude, e dessa vez Deivid já não estava mais em campo para tentar o empate. Em seu lugar, Osvaldo de Oliveira colocou o meia Rossini. Aos 42 minutos Cabrera ampliou, e aos 45 minutos Robinho deixou sua marca, o que não foi suficiente para evitar a primeira derrota santista para um time boliviano na sua história.

A vingança. Vira 3, acaba 6

Já no fim da primeira fase da Libertadores, era a vez do time boliviano jogar sem seu principal reforço: a altitude de quase 3.700 metros de La Paz. Além desse “desfalque”, o elenco boliviano cobrava de sua diretoria o pagamento de salários atrasados, o que culminou em até um atraso para a apresentação do elenco na viagem.

No comando do Santos, Alexandre Tadeu Gallo substituiu o contestado Osvaldo Oliveira. O time se adaptou bem no comando do ex-jogador santista.

O jogo

Jogando no nível no mar, foi a vez de o Santos abrir o marcador logo aos 2 minutos, com Bóvio. Sem muitas dificuldades, aos 13 minutos foi a vez de Cristiano Ávalos ampliar. Quase no fim do primeiro tempo, um gol insólito do lateral Paulo César fechou a primeira etapa em 3 a 0. Na 2ª etapa, Ricardinho aos 13 ampliou para 4 a 0. Sentindo a facilidade adversária, o técnico Gallo sacou do time Bóvio e colocou o atacante Basílio. E logo aos 25 minutos o veloz atacante marcou seu gol! Para fechar a goleada em 6 a 0, Deivid fez o seu, se tornando o maior artilheiro da história do confronto, empatado com Zermatten, ambos com 3 gols.
Com o resultado, o Santos se consolidou no primeiro lugar do grupo, com 12 pontos, quatro a mais do que a LDU, a segunda colocada. O time boliviano ficou na lanterna do grupo com 6 pontos, 1 a menos do que o uruguaio Danúbio.

E você, o que espera de Santos e Bolívar, hoje, lá no alto da montanha?