Esta ilustração é do artista Juliano Trentin, que colabora com o site canelada.com.br Ela exprime um sentimento que invade muitos santistas: o que mais querer do futebol, a não ser a arte, a beleza, já que o Santos já conquistou tudo? O Santos tem a sorte de contar com grandes ilustradores e temos de aproveitar o Centenário para organizar uma exposição com charges, caricaturas e ilustrações em geral.

O alemão Paul Breitner, que como jogador de futebol lembrava o Dunga, está no Brasil como cartola da Fifa e ao visitar as obras do Itaquerão não perdeu a oportunidade para engrossar o lobby europeu que quer Neymar e todos os jovens craques brasileiros jogando lá no velho continente. Breitner chegou a dizer que o Brasil terá poucas chances de ganhar a Copa do Mundo de 2014 se Neymar não for para a Europa. Nossa, como eles pensam que somos idiotas!

O engraçado é que Breitner criticou o fato de os jovens craques brasileiros ficarem no Brasil devido aos altos salários que recebem por aqui, como se não tivesse sido o mesmo vil motivo que conseguiu mudar o eixo do melhor futebol do mundo da América do Sul para a Europa, a partir da década de 1970.

Sim, o dinheiro foi a única ignóbil razão que fez astros emergentes do mundo inteiro se dirigirem para o futebol europeu. E o mesmo dinheiro, desta vez para uma causa mais justa, pode manter os garotos bons de bola no Brasil e começar uma revolução que já foi vislumbrada e por isso amedronta os europeus.

Além da riqueza secular de seus países e de seus cidadãos, o sucesso do futebol europeu se deve a uma propaganda poderosa, que envolve desde os principais veículos de imprensa do continente, até o prêmio anual de “melhor jogador do mundo”. E se todos são convencidos de que lá se pratica o melhor futebol do planeta, obviamente isso atrai o apoio milionário das maiores marcas do esporte e contribui para a venda de seus campeonatos para centenas de países, engrossando o faturamento.

A “teimosia” de Neymar e do Santos pode representar a fissura no grande dique europeu, que deverá começar a fazer água ainda este ano, devido às dificuldades econômicas que só tendem a crescer por lá.

Ah, Breitner ainda disse que o Brasil ganhou duas Copas nos últimos 15 anos porque os melhores jogadores brasileiros estavam na Europa, como se os brasileiros tivessem que ir para lá para aprender a jogar futebol. E o pior é que nenhum jornalista contestou o alemão. É que ele estava no Itaquerão. Vai dizer isso na Vila Belmiro, um templo do melhor futebol brasileiro, para ver o que ouviria de resposta. Ah se eu estivesse lá… Um dia ainda vou entrevistar esses caras aqui no blog. Aí eles vão ver o que é bom pra tosse.

Não é preciso ir à Europa para aprender e praticar o futebol solidário

Na primeira vitória do Santos no Campeonato Paulista, um 6 a 3 sobre o alvinegro da capital, no longínquo mês de junho de 1913, o técnico Urbano Caldeira, em um relatório para a diretoria, já dizia que tinha sido o jogo de passes curtos, harmonioso e coletivo, o segredo da ótima vitória.

Da mesma forma jogava o Santos dos anos 60, o melhor time de todos os tempos, aquele que ganhava 80% dos seus títulos no campo do adversário, com torcida contra. E o segredo daquele time, como de todos os grandes esquadrões do futebol, é que não se jogava só com a bola no pé. Quando preciso, todos marcavam, todos diminuíam o espaço dos adversários.

Este é o singelo e eficiente segredo do Barcelona, o único time que realmente se destaca no futebol europeu. E se destaca porque é um fenômeno de harmonia e técnica que começou nas divisões de base do clube. Não há como aprender ou praticar o estilo do Barcelona a não ser que se tenha tempo, filosofia e jogadores à altura.

Eu diria que é mais fácil para o Santos assimilar o que há de bom no estilo do Barcelona, sem deixar de jogar o futebol brasileiro, do que para a maioria dos times europeus, que não possuem jogadores do mesmo nível do Alvinegro da Vila.

A grande vitória é manter os craques aqui

Esperto, Breitner tenta amedrontar o torcedor brasileiro ao dizer que o Brasil perderá a Copa jogando em casa, a não ser que seus jovens craques se mudem para a Europa. Ora, isso é jogar baixo, é apostar na pouca inteligência de um povo recentemente colonizado, que ainda não acredita em suas próprias possibilidades. Esta semente jogada pelo alemão infelizmente encontrará solo fértil em algumas cabeças não pensantes, mas, estou certo, nenhum santista entrará nessa.

Ganhar ou perder a Copa depende de tantos fatores, que não será um estágio na Europa que mudará as chances da Seleção. Ao contrário. Provavelmente o espírito do verdadeiro futebol brasileiro aproveite este evento para voltar a brilhar, triunfante, sobre o resto do mundo. Eu acredito.

E de que adianta ganhar uma Copa com jogadores que vêm nos visitar e depois vão embora? Eu prefiro ter um bom futebol o ano inteiro, todos os anos, do que torcer para um time a cada quatro anos e passar o resto do tempo testemunhando o sofrimento de nossos clubes em busca da sobrevivência.

Na terça, lançamento em São Paulo de “100 anos de futebol arte”

O livro “100 anos de futebol arte”, que foi lançado segunda-feira no salão de mármore da Vila Belmiro, será lançado em São Paulo na próxima terça-feira, na Fnac de Pinheiros. O Pelé não estará presente, mas levarei outros cobras do melhor time de todos os tempos. Não será preciso convite. Mas aqui está ele:

E você, o que achou do papinho do alemão Breitner?