Fico imaginando se o Santos fosse um time europeu. Com a história que tem, com os craques que já vestiram e vestem sua camisa, com os títulos que já conquistou e com dois dos melhores jogadores do mundo – Neymar e Ganso –, como seria tratado, como lotaria estádios onde quer que jogasse… Sim, porque podemos falar tudo dos europeus, mas bom gosto eles têm. Não é à toa que oferecem fortunas para levar nossas jovens revelações.

Enquanto isso, no Brasil e na América do Sul, o Santos é passado para trás por uma estrutura asquerosa que não valoriza o mérito esportivo. Campeão da Libertadores, com o melhor time e os melhores jogadores do continente, é boicotado pela tevê principal do País, prejudicado pela estrutura de poder do futebol brasileiro e perseguido por alguns dos principais formadores de opinião de uma imprensa que se baseia no achismo e não no conhecimento.

Enfim, o Santos é uma pérola jogada aos porcos. Como se sabe, porcos não valorizam pérolas. Não sabem o que fazer com elas. Não reconhecem sua beleza, nada sentem diante de seu encanto. No máximo poderão comê-las, pois só sabem satisfazer suas necessidades básicas. A letra do rock já disse que o povo não quer só comida, mas os porcos não enxergam outra coisa.

A suspeita escolha de Ricci

Porcos não sabem o que é ética, nem fair play. Onde já se viu escalar o árbitro Sandro Meira Ricci para atuar em um jogo de Neymar, a quem Ricci está processando? E isso justo em um jogo decisivo e no campo do adversário, o que fará o garoto jogar duplamente pressionado. É óbvio que esta escolha é um convite à caça a Neymar, que, se cair muito, ou reclamar, ainda correrá o risco de ser punido por Ricci, que já agiu assim no jogo contra o Atlético Goianiense.

Nem vou falar da importância do Menino de Ouro do Santos para o futebol brasileiro. Só não vê quem não quer. Dois desses cegos lúcidos são o apresentador Galvão Bueno e o afetado comentarista gaúcho Rui Osterman, que ontem puderam exercitar sua odiosa perseguição ao atacante do Santos no monocórdio programa Bem Amigos, do Sportv.

Osterman e Galvão concordavam que no Brasil não há nenhum “jogador que faça a diferença”. No mesmo momento, Caio Ribeiro, o mais educado de todos os convidados do programa, interrompeu para lembrar que Neymar faz a diferença. Osterman tentou retrucar, mas o veterano Alberto Helena Junior veio em auxílio do jovem Caio. Foi o suficiente para que o enviado do Sul recorresse ao silêncio e permanecesse deliciosos minutos sem dar um pio.

Ora, vão catar coquinho! Ao mesmo tempo em que endeusam os times europeus, tentam esconder aquele que, todos sabem, é o melhor dos sul-americanos. Fico imaginando do que será que têm medo?

De o Santos ganhar títulos seguidos, formar a maior torcida do Brasil e acabar com a mamata de alvinegros paulistas e rubro-negros cariocas?

De Luis Álvaro Ribeiro ser lembrado para presidir a CBF?

De os clubes brasileiros, a começar pelo Santos, se livrarem do jugo da Rede Globo e da estrutura viciada do nosso futebol?

Sinceramente, não sei dizer, mas que é estranho tanto endeusamento aos times europeus e tanto calculado esquecimento com relação ao Santos, é. Amanhã mesmo, como explicar que o confronto dos melhores times sul-americanos dos últimos anos – Santos e Internacional –, com a presença das maiores revelações do futebol brasileiro, casos de Neymar, Ganso e Leandro Damião, e em um estádio lotado, fervendo de paixão, não seja transmitido ao vivo para todo o País pela TV Globo? Que outro espetáculo poderia ser mais atraente nesta fase da Libertadores?

Bem, não há resposta. Não há uma explicação lógica e ética para isso. Só sei que a solução não é mandar os melhores jogadores brasileiros para a Europa, não é se desfazer das pérolas, como os porcos querem. Talvez o ideal seja mudar o Santos para a Europa. Lá eles sabem valorizar um grande time de futebol.

Você sabe dizer por que o Santos não é valorizado no Brasil?