De uniforme novo, azul-turquesa, e com o time completo – única exceção é a entrada de Adriano no lugar de Fucile –, o Santos enfrenta logo mais, às 19h45m, o The Strongest, da Bolívia, que o venceu por 2 a 1 no seu primeiro jogo nesta Libertadores. Uma vitória e o Alvinegro Praiano, que tem 10 pontos ganhos, assegurará a primeira colocação do Grupo 1. No mesmo horário jogarão, no Peru, o Juan Aurich, que tem três pontos, e o Internacional, com sete. A Fox transmitirá o jogo do Santos.

Sem Fucile, que torceu o pé, Muricy escalará Henrique na lateral-direita e fará entrar Adriano na cabeça de área. O Santos só não passará para a próxima fase se perder por cinco gols de diferença hoje e se o Internacional vencer o Juan Aurich.

A arbitragem será de Julio Quintana, do Paraguai, auxiliado pelos também paraguaios Rodney Aquino e Hugo Martínez. Os times deverão iniciar a partida com as seguintes formações:

Santos: Rafael, Henrique; Edu Dracena; Durval e Juan; Adriano, Arouca, Elano e PH Ganso; Neymar e Borges; Técnico: Muricy Ramalho. The Strongest: Vaca, Parada; Marchesini; Méndez e Torrico; Lima, Soliz, Chumacero e Cristaldo: Pablo Escobar e González; Técnico: Eduardo Villegas.

Hoje Orlando Duarte lança o livro “Pioneiros” no Museu do Futebol

Hoje, das 19 às 22 horas, no Museu do Futebol, o notável jornalista esportivo Orlando Duarte lança o livro “Pioneiros, a história do futebol através do tempo”. Com um currículo riquíssimo, que inclui a cobertura de 14 Copas do Mundo, Orlando Duarte acompanhou o Santos em várias viagens internacionais.

No livro, Orlando registra, em 165 páginas, a história do futebol através do tempo; a chegada de Charles Miller e a introdução do futebol no Brasil; a fundação dos principais clubes em São Paulo e a criação da Liga Paulista de Futebol; detalhes do primeiro campeonato paulista em 1919; a formação dos tradicionais times do Rio e São Paulo; os clubes mais antigos do Brasil ainda em atividade; os primeiros confrontos entre São Paulo e Rio; e a história de fundação dos principais times de cada estado brasileiro. A obra também mostra a evolução das regras, a história de fundação dos principais clubes de futebol no Brasil e traz imagens históricas e fotografias.

Pena eu não poder ir, pois estou em Ribeirão Preto, mas desejo sucesso ao amigo e grande profissional Orlando Duarte, em quem eu já votei várias vezes como o melhor comentarista do rádio de São Paulo. Sei lá como um profissional como ele não está em uma grande emissora. Mas, fazer o quê. Parece que vivemos uma grande inversão de valores na imprensa esportiva.

Há cem anos um grande naufragava em águas gélidas
e outro maior ainda surgia no litoral do Atlântico Sul

Texto de Carlos Lyra

Em 14 de abril de 1912, três esportistas da cidade convocaram uma assembleia na sede do Clube Concórdia a fim de criar um clube de futebol. Estava fundado o Santos Futebol Clube.

Representado pelas cores preta (nobreza) e branca (paz), o time que hoje se torna centenário, mal sabia a gloriosa história que estava por trilhar.

História que foi contada nos pés de Siriri, Camarão e Evangelista, no ataque dos 100 gols na década de 20. Um time naturalmente ofensivo que já contava em seu elenco, com a magia do atacante Feitiço. Sem esquecer Araken Patusca, que em 1935 faria um dos gols na final do primeiro título paulista.

Como contar a história desse time sem mencionar o ataque mais famoso do mundo. Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Linha de frente que de tão citada até poderia virar música.

Anos dourados que começaram antes mesmo da chegada do Rei. Pagão e Pepe já estavam no segundo título paulista vinte anos depois do debute estadual. O futebol arte.

Futebol que encantava multidões, que conquistava o país, a América e o Mundo. Arte que parou guerras. Zito, Clodoaldo, Ramos Delgado, Carlos Alberto, Gilmar, Toninho Guerreiro, Edu, Djalma Dias e Abel artistas que complementavam o espetáculo, viajaram o mundo fascinando os súditos da realeza.

Expoente máximo do futebol brasileiro, base da Seleção campeã em três Copas do Mundo, se reinventou após a parada do Rei. Continuou formando artistas da bola, craques precoces, Meninos da Vila. Juary, Nilton Batata, Pita e Ailton Lira ganharam o décimo quarto-título paulista para o Glorioso, mostrando que a fonte era inesgotável.

Anos 80 e título em cima do maior rival. O irreverente Serginho Chulapa, o uruguaio Rodolfo Rodriguez, Zé Sérgio e Paulo Isidoro comemoravam o que seria a última conquista em muitos anos.

O gigante adormeceu. Não conseguiu mais se impor perante seus rivais. Hibernou. Quase acordou em 1995 sob a batuta de Giovanni, o Messias. O árbitro não deixou.

Teve leves sorrisos no fim da década de noventa com dois títulos de menor expressão, mas mesmo assim não bastava. Era muito pouco para o time considerado o melhor da América do Sul no século XX.

Precisava do diferente, da alegria, da molecada. Dos Novos Meninos da Vila. Precisava do cerebral Diego, do habilidoso Robinho, do consistente Renato e do vibrante Elano. Da fera Fábio Costa e de muitas pedaladas. O Brasil era novamente Alvinegro Praiano. O gigante acordara. E ganharia o Brasil novamente dois anos mais tarde.

Títulos e jogos internacionais voltaram a fazer parte do cotidiano santista. Bi-campeão paulista, aplausos de pé na Colômbia. Algo grande estava pra acontecer. E aconteceu.

O terceiro raio caiu. Neymar e a terceira geração de meninos brilhantes. Ao lado de Ganso, André, Wesley e Robinho (eterno Menino da Vila) enchiam os torcedores de orgulho e os adversários de gols. Goleadas históricas. 10 a 0, 9 a 1, 6 a 3… Título paulista com jogo dramático e Copa do Brasil com ar de superioridade. Degraus necessários para a reconquista da América. Que chegou no ano seguinte, destacando-se também o seguro Rafael, outra prata da Casa.

Parabéns Santos! Comemore seu centenário da mesma maneira que tem vivido toda sua história. Com alegria, ousadia e arte!

E você, o que espera de Santos e Strongest?