Ainda bem que Neymar, Paulo Henrique Ganso e Rafael foram dispensados da Seleção Brasileira para poderem atuar pelo Santos na segunda partida contra o Vélez Sarsfield, pelas quartas de final da Copa Libertadores. Qualquer outra medida seria tremendamente injusta com o Alvinegro Praiano, o time que mais se sacrificou pela Seleção Brasileira.

Quem acompanha a história do Santos sabe que, mesmo tendo direito adquirido, ele não disputou as edições da Libertadores de 1966, 67 e 69. A versão corrente é de que o time não se interessava pela competição, que era deficitária, pois a renda ficava para o clube mandante. Mas esta é apenas meia verdade.

Está certo que jogar fora do Brasil, com estádio lotado, e depois enfrentar essas mesmas equipes na Vila Belmiro, com um público pequeno, era prejuízo certo para o Santos. Até porque o clube poderia aproveitar as datas da Libertadores para ganhar uma fortuna com as excursões. Porém, os santistas também sabiam que o título sul-americano dava direito a disputar o título mundial e este sim era importante, pois aumentava ainda mais a bolsa pedida pelo Santos para os jogos amistosos – dinheirão que mantinha o Alvinegro Praiano com um dos melhores elencos do mundo.

CBD desestimulava a participação do Santos na Libertadores

Campeão da Taça Brasil de 1965, o Santos tinha direito de mais uma vez representar o Brasil na Libertadores, mas como o primeiro semestre de 1966 foi usado pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) para selecionar os jogadores e preparar o time que representaria o Brasil na Copa da Inglaterra, no meio do ano, o Santos foi desestimulado pela CBD de participar da competição sul-americana (mais de meio time do Alvinegro Praiano foi inscrito no elenco final que disputou a Copa: Gylmar dos Santos Neves, Orlando Peçanha, Zito, Lima, Pelé e Edu).

A mesma história se repetiu em 1969, quando o primeiro semestre foi utilizado pela CBD para os jogos eliminatórios para a Copa de 1970, no México, e o técnico João Saldanha, depois de anunciar que o Santos seria a base da Seleção, convocou nove jogadores santistas: Cláudio, Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel Camargo, Rildo, Clodoaldo, Pelé, Toninho Guerreiro e Edu (só não foram chamados os santistas Manoel Maria, que chegou a fazer parte da lista dos 40 finalistas, e o meia Negreiros).

Em todos os seis jogos das Eliminatórias a Seleção Brasileira teve seis titulares do Santos: Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel Camargo, Rildo, Pelé e Edu. O goleiro Cláudio só foi cortado porque se machucou em um jogo no Campeonato Paulista, e Toninho Guerreiro só foi cortado porque houve pressão do presidente Garrastazu Médici para convocar Dario Maravilha.

Portando, além das Libertadores que disputou, na maioria delas alcançando no mínimo a semifinal, o Santos deixou de jogar a competição em 1966, 1969 – e também em 1967, pois foi o vice da Taça Brasil de 1966, quando a Libertadores já aceitava também o vice-campeão de cada país.

Assim, permitir que o Santos jogue completo as partidas da Libertadores é o mínimo que a CBF, herdeira da CBD, pode fazer. O justo mesmo seria dar ao Santos o crédito de três participações na Libertadores, pois o clube jamais foi ressarcido pelas vezes em que, para ajudar a Seleção Brasileira, abdicou de lutar pelo título mais importante do continente.

Isso, sem contar 2005

Isso tudo sem contar 2005, em que o Santos foi tremendamente desfalcado pela Seleção antes do jogo de volta contra o Atlético Paranaense, na Vila Belmiro. Uma vitória de 1 a 0 ou 2 a 1, em casa, bastaria para levar o Alvinegro Praiano à semifinal, em que enfrentaria um Chivas Guadalajara só com reservas, pois o clube privilegiaria o Campeonato Mexicano. Porém, o técnico Carlos Alberto Parreira convocou Robinho e Léo para um amistoso chinfrin e tirou do Santos a possibilidade de disputar mais um título sul-americano (o que mais doeu é que Léo nem entrou em campo).

Entrevista para Wanderley Nogueira sobre a história do Santos

http://jovempan.uol.com.br/videos/odir-cunha-fala-dos-livros-que-escreveu-para-o-centenario-do-peixe-65663,1,0

Você não acha que a Seleção ainda está em débito com o Santos?