O que? Já jogou? Era aquele time de branco? Ah, sim… Que coisa… Não me lembro de o Santos ter sido tão anulado desde o fatídico jogo contra o Barcelona. Teve jogador que tirou o pé, outros entraram com o pé mole, e como consequência disso o aguerrido Vélez Sarsfield dominou o jogo do começo ao fim. 1 a 0 acabou sendo um ótimo resultado para o time de Muricy Ramalho, que merecia perder de mais.

E não se pode dizer que o Vélez tenha tido apenas garra. O time argentino também tocou melhor a bola, teve mais consciência e disciplina tática, foi mais agressivo e poderia ter vencido por 2 ou 3 a 0, o que já teria definido o confronto nessa primeira partida.

O Santos, que sobreviveu graças à luta de seus defensores e da ótima atuação de Adriano, só se lembrou de que prometeu fazer um gol fora de casa quando Óbolo marcou, de cabeça, aos 35 minutos do primeiro tempo, penetrando entre Edu Dracena, Durval e Rafael e cabeceando um centro de Papa que Elano não conseguiu cortar.

A rigor, o Santos não teve uma única boa chance de gol em toda a partida. Neymar foi bem marcado e fez pouquíssimo, assim como Ganso. Elano se cansou e no segundo tempo foi substituído por Felipe Anderson, que entrou apenas para ajudar na marcação e tentar os contra-ataques, o que não conseguiu.

Borges também entrou no segundo tempo, no lugar de Alan Kardec, e o time piorou, pois Kardec ao menos conseguia pegar na bola de vez em quando.

O goleiro Rafael dormiu no gol – só faltou se ajoelhar, à lá Rogério Ceni –, mas depois fez algumas boas defesas. Henrique se limitou a defender e mesmo Juan foi poucas vezes ao ataque. Edu Dracena e Durval estavam mais inseguros do que de costume, já que o Vélez marcou a saída de bola do Santos. Como sempre, o Santos saiu da defesa para o ataque com os chutões do Durval.

Na frente, Neymar, Alan Kardec (depois Borges) e Elano perderam todas as bolas lançadas. No meio, Ganso aceitou a marcação e pareceu se esconder em algumas jogadas. Nem lembrou o maestro que às vezes comanda o time. No meio, os argentinos só deram um pouco de espaço para Arouca e Adriano, pois sabiam que deles dificilmente sai uma boa jogada ofensiva.

Enfim, foi uma derrota técnica, tática e psicológica do Santos, que pareceu displicente, talvez imaginando que o adversário não fosse tão bom. Mais uma lição para o caderninho do Muricy, que hoje tomou outra aula, desta vez de determinação, do treinador do Vélez, o ex-jogador Gareca.

Uma lição também para todo santista que já estava contando com uma goleada em Buenos Aires, como se os times argentinos tivessem o mesmo nível de outros sul-americanos e como se o Santos tivesse fórmulas vencedoras para enfrentar qualquer tipo de adversário. Não é bem assim…

Por sorte, ainda há o jogo de volta, em que não haverá outra alternativa a não ser fazer o que o Vélez fez nessa primeira partida: jogar com vontade e destemor do começo ao fim, como um jogo de Copa Libertadores, ainda mais contra um time argentino, exige.

E você, o que achou de Vélez 1, Santos 0?