Hoje é o dia típico em que o jogo do Corinthians contra o Emelec seria assistido por quase 80% de secadores. A situação é tentadora. O alvinegro paulistano jamais venceu uma Copa Libertadores e hoje pode ser eliminado, em pleno Pacaembu, pelo time do Equador. A tentação de secar dá coceira nas mãos que manuseiam o controle remoto. Porém, não faça isso, ou estará dando munição ao inimigo.

Com base no índice de rejeição do Corinthians, o maior entre times brasileiros, calcula-se que de cada cinco pessoas que assistem aos jogos do time que usa uma âncora de navio como símbolo, três o fazem apenas para secar.

Porém, como o ibope não distingue quem é torcedor e quem não é, esta alta audiência acaba dando à tevê, no caso à Globo, o argumento de que precisa para pagar cotas bem maiores a este clube, em uma atitude que a médio prazo poderá desequilibrar o futebol brasileiro.

Portanto, veja Lanús e Vasco, ou veja qualquer outra atração da tevê, ou, melhor ainda, pegue um livro ou faça alguma coisa com sua mulher (ou homem). Só não vá assistir ao jogo do Pacaembu. O ibope desse confronto no Equador já não foi lá essas coisas. Vamos fazer com que se mantenha baixo hoje. É a única forma de a tevê repensar sua desigual distribuição de cotas.

Um apoio bem estranho

O apoio da Rede Globo ao Corinthians é inexplicável. Primeiro, porque se fosse para dar mais espaço ao time de maior torcida, o privilegiado seria o Flamengo. Depois, porque se a tevê quisesse apenas ter um grande ibope, não distinguiria um time do outro. Quem estivesse se destacando, seria o favorecido. Mas a poderosa rede de tevê usa de todos os artifícios para divulgar esse time, fazendo chamadas dignas do departamento de marketing corintiano.

“Vamos com o Timão vencer o Emelec!”, anuncia o comercial gritado por Cléber Machado. Vamos quem, cara pálida? Ora, que indecência. Há outros times brasileiros na competição. Por que deixar tão evidente a preferência de uma tevê que deveria agir de forma imparcial?

Perceba que nas entrelinhas, nas matérias aleatórias, sempre que possível a Globo dá um jeito de colocar o Corinthians ou um jogador corintiano no meio. Em uma matéria com um atleta olímpico, a repórter fez questão de dizer que o sonho dele era ter sido jogador de futebol… do Corinthians. Em outra, no dia seguinte, ao falar de finanças pessoais, escolheram um jogador de futebol do mesmo time.

Por outro lado, as más notícias do time são tratadas superficialmente, ou ignoradas. O jogador Émerson Sheik foi detido por contrabando. Se isso acontecesse com Neymar ou Paulo Henrique Ganso, a repercussão seria enorme. Porém, no caso do jogador corintiano, o tema foi rapidamente esquecido. Outra pauta importante deixada de lado, a inédita demissão por justa causa de Adriano, e o dinheirão pendente no caso – cerca de sete milhões de reais – foi praticamente ignorada. Isso tudo deixa no telespectador a certeza de que o tratamento da Rede Globo não é igual para todos os grandes times brasileiros.

Essa odiosa preferência da tevê só está conseguindo aumentar o índice de rejeição ao time da Zona Leste paulistana. E, como se sabe, patrocinadores evitam colocar dinheiro em instituições prejudicadas por altos índices de rejeição. Isso também não fará com que a opinião pública deixe de tratar o estádio do Corinthians de Itaquerão, nome já consagrado entre milhões de torcedores.

Como os presidentes dos clubes nada fizeram para evitar esses privilégios da Globo a apenas um ou dois clubes, nós, torcedores, temos de fazer. E o primeiro passo é não assistir mais a jogos do Corinthians na tevê. Com o ibope deles caindo, as partes novamente se sentarão à mesa de negociações para um acordo mais justo e saudável.

Nada contra os jogadores ou os torcedores do rival, que nada têm a ver com isso. Esta é apenas uma ação contra o sistema viciado que tem tomado conta do futebol brasileiro e conspira para consolidar a espanholização e acabar de vez com a competitividade que sempre motivou nosso futebol.

Fera do surfe mundial é santista roxo


O argentino Alejo Muniz, de 22 anos, décimo no ranking mundial de surfe, veio morar no Guarujá há cinco anos e ao assistir um jogo do Alvinegro Praiano se tornou um torcedor entusiasmado. Alejo tem competido no circuico mundial com uma rouba emborrachada que traz o distintivo do Santos. Recentemente visitou o CT Rei Pelé, posou para fotos ao lado de seus ídolos Neymar e Paulo Henrique Ganso e ganhou uma camisa do Santos de presente.

E você, promete que não ligará a tevê no jogo do Emelec?