Em uma noite de 1996, quando era comentarista da Rádio Record, tive de atravessar por dentro do campo para ir aos vestiários, logo após o final da partida. A opressão que senti foi enorme. O estádio já não estava cheio, mas o clamor da torcida ainda agitava o ambiente. Imaginei como um jogador visitante não deve se sentir esmagado ali. Não é à toa que na Vila o Santos pode vencer qualquer time do mundo.

A energia enfurecida do torcedor passa para o time, que vai pra cima do adversário, insistentemente. Por mais preparado e experiente que seja, a equipe visitante não consegue impedir que o Alvinegro Praiano crie chances para marcar. E quando os gols começam a surgir, vem um atrás do outro. É um desespero. Não há como evitar a avalanche santista.

Times de tradição foram para a Vila Belmiro para um jogo normal de campeonato e saíram de lá marcados para sempre por goleadas históricas. A Ponte Preta, o Ypiranga e a Portuguesa Santista tomaram de 12 a 1; o Botafogo de 11 a 0; o Guarani e o Juventus de 10 a 1; o Nacional e a Portuguesa de Desportos de 10 a 0; o XV de Jaú de 9 a 0… Enfim, não houve um time pequeno ou médio de São Paulo que já não tenha levado uma estrondosa goleada no caliente Urbano Caldeira. Mas os chamados grandes também não tiveram sorte muito diferente.

7 a 1, 6 a 0, 6 a 1, 5 a 1, o alvinegro da capital já sambou muito na Vila

O Palmeiras já perdeu de 7 a 3, o São Paulo de 5 a 1, 4 a 1, mas, dos grandes da capital, o Corinthians é aquele que mais vezes foi goleado na Vila Belmiro: 7 a 1, 6 a 0, 6 a 1, 5 a 2…

Não se pode negar que parece haver um motivação extra dos santistas ao enfrentar o alvinegro da capital. E vencer de goleada, então, é o máximo, a ponto de levar os torcedores a um frenesi coletivo. A Vila já testemunhou várias situações assim.

Um gol parece provocar uma fissura no dique do adversário. E logo vem outro, mais outro, e a represa desmorona. Apesar do relativo equilíbrio técnico entre os times, o Santos tem um ataque melhor, e essa diferença teórica pode provocar uma grande vantagem prática logo no primeiro jogo da semifinal.

Por mais que todo placar possa ser revertido, sabe-se que uma vitória santista por três gols de diferença no primeiro jogo praticamente definirá a vaga para a decisão de mais uma Copa Libertadores. E um resultado assim é mais provável na Vila do que no Morumbi.

Aprecie o Santos de Robinho dando uma goleada frugal no time do Tevez:

Veja agora esses 4 a 0 no Campeonato Nacional de 1972, no Morumbi, com show de Edu:

O Santos ainda não ganhou de oito do Corinthians na Vila Belmiro (só no antigo campo da Companhia Antártica Paulista – 8 a 3, pelo Campeonato Paulista de 1927. Mas as oito pedaladas do Robinho valeram mais do que gols. Ou não? Reveja nessa bela produção:

E você, quer que o Santos jogue na Vila ou no Morumbi?