Para que o Santos de Pelé fosse aceito universalmente como o melhor time de todos os tempos, um passo importante foi conquistar os exigentes críticos argentinos. Lá o Alvinegro Praiano goleou o Racing por 8 a 3, ganhou várias vezes – sempre com exibições marcantes – dos gigantes Boca Juniors e River Plate, e sempre em estádios tomados pela inflamada torcida rival. É esse o quadro que o Santos de Neymar e Ganso terá pela frente, hoje, às 22 horas, contra o Vélez Sarsfield, diante das 50 mil pessoas que deverão lotar o tradicional José Amalfitani, conhecido sugestivamente como El Fortín.

O interessante é que há rivalidade, claro, mas também há muito respeito. Percebe-se nas falas do técnico Ricardo Gareca e dos jogadores uma preocupação talvez excessiva com Neymar, mas também um receio natural pelo que possam fazer Paulo Henrique Ganso e Elano, muito conhecidos por lá.

Por outro lado, todo time argentino merece igual respeito. Até o último colocado do campeonato argentino pode vencer o primeiro do Brasil, dependendo do dia e da motivação. Jogar futebol eles sabem e também costumam lutar até o fim. Mas o que me deixa animado para o jogo de hoje é que o técnico Muricy Ramalho e jogadores como Ganso e Neymar estão tendo a atitude correta, estão falando em jogar para marcar gols, que é mesmo a única maneira de se sair bem contra um time argentino que joga em casa.

Para tornar menos difícil a tarefa de uma vitória ou de um empate com gols nesta noite, o Santos enfrentará um adversário com sérios desfalques. O centroavante Lucas Pratto, o ídolo do time, sofreu uma lesão na coxa direita durante o empate de 0 a 0 com o Boca, domingo passado, e não jogará. O meia Federico Insúa também ficará de fora devido a uma lesão na perna esquerda; da mesma forma que o zagueiro Fernando Ortiz, que padece de uma infecção ainda não muito bem diagnosticada, e do zagueiro reserva Fernando Tobio, com uma contratura na coxa esquerda.

O volante Francisco Cerro está escalado, mas padeceu com um incômodo muscular durante a semana e talvez não consiga jogar o tempo todo. No Santos, a única baixa é o lateral-direito Fucile, que continua recuperando-se de uma lesão no tornozelo esquerdo e nem viajou para a Argentina.

Com o mesmo time que conquistou o histórico tricampeonato paulista, o Santos está escalado com Rafael; Henrique, Edu Dracena, Durval e Juan; Adriano, Arouca, Elano e Ganso; Neymar e Alan Kardec. O recém-contratado Gerson Magrão ficará no banco de reservas (o meia Bernardo, que veio do Vasco, não poderá jogar a Libertadores, mas está inscrito no Brasileiro).

O Vélez deverá iniciar a partida com Barovero; Peruzzi, Cubero, Sebastian Domínguez e Papa; Augusto Fernández, Cerro, Zapata e Cabral; Juan Martínez e Obolo.

A arbitragem ficará a cargo do paraguaio Carlos Amarilla, que será auxiliado por seus compatriotas Rodney Aquino e Dario Gaona (os argentinos gostaram da indicação, o que parece ser mau sinal para o Santos, mas não creio que o experiente Amarilla possa prejudicar o Alvinegro praiano em lances capitais. Veremos…

O respeito da imprensa argentina ao Santos de Neymar

Comparado a um astro do rock, Neymar foi alvo de matérias generosas não só dos periódicos esportivos, mas também dos principais jornais do país. El País escreveu: “Um magnetismo quase tão grande como o de uma estrela do rock”… Os jogadores do Santos foram recebidos no aeroporto por umas 50 pessoas, entre jornalistas e fãs. Aceitaram cumprimentos, fotos e perguntas. O mais procurado, claro, foi o jovem do moicano. Sem proteção policial, só foi acompanhado pelos seguranças do clube. Ele resistiu ao assédio com sorrisos, polegares para cima e uma generosa atitude. Foi puro magnetismo ao ritmo do bom humor. Homem da moda, montou seu show em Buenos Aires e sonha com um recital do Santos no Amalfitani”.

O Clarín, por sua vez, publica a reportagem “Neymar, esse desafio”, destacando que o craque brasileiro será marcado pelo jovem Gino Peruzzi, de 19 anos. A matéria chama o Santos de “resplandecente”.

Ao contrário de muitas publicações brasileiras, o jornal esportivo Olé traz matérias que reconhecem que reconhecem as qualidades do atual campeão da Libertadores e valorizam o espetáculo. Em uma das retrancas há uma entrevista com o ex-jogador Willington, que fez o gol do Vélez no empate de 1 a 1 com o Santos, disputado no mesmo estádio de hoje, em 1969. Pelé marcou para os santistas. Leia a matéria no link:

http://www.ole.com.ar/velez/unico_0_701929862.html

Um dos colunistas do Olé, Marcio Santos, escreveu o seguinte artigo na edição de hoje:

Neymar marca la diferencia

Santos tiene grandes jugadores como Elano, Ganso, Kardec, pero el que siempre termina marcando la diferencia es Neymar. Es una estrella que genera mucha expectativa en todos lados. Quizás en la Argentina, por la rivalidad eterna contra Brasil, no genere una gran revolución. Pero en países como Bolivia y Perú fue ovacionado por una enorme cantidad de personas. De todas maneras, todavía le queda mucho camino por recorrer y en nuestro país la mayoría dice que Messi es el mejor del mundo en la actualidad. Esta noche, se enfrentan dos equipos poderosos. Vélez tendrá un partido muy complicado y deberá cuidarse de todos, pero sobre todo de lo que haga Neymar.

Futebol, mentiras e videotape

Tem repercutido bastante o gol anulado do Vasco, ontem, que daria ao time carioca a vitória por 1 a 0, grande vantagem no confronto com o alvinegro da capital. Como não vi o jogo, vi e revi o lance pela Internet, tanto com as câmeras da Globo, como com as da Fox. Na boa, não dá para afirmar que houve impedimento e, em caso de dúvida, o time que está no ataque não pode ser prejudicado.

Muitos torcedores fizeram questão de lembrar que o árbitro Sandro Meira Ricci é o mesmo que favoreceu descaradamente o Corinthians em uma partida decisiva contra o Cruzeiro, pelo Campeonato Brasileiro de 2010. No jogo, disputado no Pacaembu, Ricci deu um pênalti inexistente em Ronaldo no final do jogo que acabou decidindo a partida e tirando do time de Minas a possibilidade de lutar pelo título.

Há também quem critique o tira-teima da TV Globo, que desta vez parece ter sido editado antes de ir pro ar. O comentarista de arbitragem, Arnaldo César Coelho, primeiro afirmou que o gol tinha sido legal e depois de ver o tira-teima, mudou de ideia. Na Fox, Carlos Eugênio Simon disse que o gol foi legal.

Creio que a parceria que a Rede Globo tem com o Corinthians e o interesse de alas da CBF em ajudar o alvinegro da capital acabam interferindo, sim, na arbitragem dos jogos do time. É óbvio que, em dúvida, um árbitro não quererá contrariar tantos interesses.

Confrontos entre Santos e Vélez e os argentinos

Por Wesley Miranda

Santos e Vélez Sarsfield se enfrentaram apenas 3 vezes na História, com 2 empates e uma vitória do time argentino. O Peixe marcou 3 gols e o El Fortín marcou 4.
O Santos já enfrentou argentinos em 98 oportunidades, vencendo 53 partidas contra 18 empates e 27 derrotas. São 19 clubes diferentes e 2 combinados.
A Argentina é o pais internacional que o Santos mais jogou, 64 partidas, vencendo 30 jogos, empatando 13 e perdendo 17.

SANTOS CONTRA CLUBES ARGENTINOS
V, E, D
River: 9, 0, 6
Boca: 6, 2, 4
Indepe: 4, 3, 6
Racing: 7, 3, 4
Newells:3,1,0
San. L: 2, 1, 1
Gymna: 2, 3, 0
Rosário:2, 1, 0
Estudi. 2, 0 , 0
Vélez: 0, 2, 1
Tucuman: 3, 0, 0
Huracan: 3, 0, 0
Talleres: 3, 0, 1
S.Martin: 2, 0, 1
Colon: 0, 0, 1
G.Cruz: 1, 0, 0
Argentino Jrs: 1, 1, 0
Sarmiento: 0, 1, 0
Barracas: 1, 0, 0

Brasil: 17, 3, 8
Argentina: 30, 13, 17
Neutro: 6, 2, 2

Em Libertadores foram 8 jogos com 4 vitórias santistas e 4 derrotas.

O primeiro embate contra o Vélez
O primeiro confronto do Santos contra o Velez aconteceu no dia 06/12/1969 em um amistoso em Buenos Aires. O Santos abriu o marcador aos 19 minutos do primeiro tempo com Pelé de pênalti, o gol de número de 1002 da história do maior jogador de futebol da história. No segundo tempo, também de pênalti Willington empatou o prélio em 1 a 1.

Santos 1×2 Vélez Sarfield 30/10/1996
Passaram 27 anos para os times se enfrentarem novamente. E foi nas semifinais da Supercopa da Libertadores em jogo disputado em Uberlândia, Minas Gerais. E o Santos conheceu sua derrota ao ver o goleiro Chilavert marcar o gol da vitória no último minuto de jogo em pênalti cometido pelo zagueiro Jean. Posse marcou o 1º dos argentinos aos 12′ do primeiro tempo e Alessandro Cambalhota marcou o tento de empate aos 22′.

Vélez Sarsfield 1×1 Santos 14/11/1996
No jogo da volta na Argentina, o Santos lutou para reverter o resultado adverso, mas viu o artilheiro do confronto Posse abrir o marcador aos 25′ do primeiro tempo. Robert ainda empatou aos 32′ do segundo tempo, mas o empate garantiu o time argentino na final do torneio contra o Cruzeiro.

Argentinos santistas
Apesar de toda a rivalidade entre Brasil e Argentina não foram poucos argentinos que vestiram o manto sagrado. Alguns com muito destaque, outros que só marcaram passagem:
Nos anos 30: Menutti, Rojas, Torres e Magon.
Nos anos 40: Agnelli, Sosa, Capuano, Dacunto e destaque para Molina que balançou as redes 13 vezes e Echevarrieta que é até hoje o líder do ranking de gols estrangeiros no Peixe com 20 gols.
Nos anos 50: Negri, Picot e Alberto.
Nos anos 60: o melhor jogador argentino que atuou no Brasil, José Manuel Ramos Delgado, El Negro!!
Nos anos 70: Outra lenda que marcou época, o goleiro Cejas. Além de Cesár Menotti e Ricardo.
Nos anos 80: Luke.
No novo milênio Galván, Frontini e Trípodi.

O 1º confronto contra um argentino
Comemorando o aniversário de 17 anos do Santos FC, marcou-se um amistoso contra o time argentino do Barracas. O comércio santista parou na tarde do dia 24/4/1929 e a Vila Belmiro teve público recorde para ver a famosa linha de 100 gols bater o time argentino pela contagem mínima de 1 a 0, gol de Feitiço.

A 1ª excursão internacional
A primeira excursão internacional do Santos FC foi no começo do ano de 1954 na Argentina. A primeira partida foi no dia 21 de março, e o jogo aconteceu em La Plata, contra o Gymnasia y Esgrima. O amistoso terminou empatado em 1 a 1 e o gol santista foi marcado por Del Vecchio. Ao total da excursão o Santos fez 8 partidas, vencendo 3, empatando 3 e perdendo 2.

Conquistas Sul-americanas
Três dos quatro importantes títulos sulamericano do Santos FC foram conquistados em solo argentino.
Em 1962 após vencer o Peñarol em Montevidéu por 2 a 1 com 2 do gênio Coutinho e “empatar” na Vila por 3 a 3, sendo “campeão” chegando a dar a volta olímpica, a diretoria foi informada que o árbitro Carlos Robles tinha encerrado a partida quando o time uruguaio estava vencendo por 3 a 2, ou seja antes de Pagão marcar o gol do empate. Para decidir o título escolheram um campo neutro e o Monumental de Nunes da Argentina foi escolhido.
O Santos com o recuperado Pelé, não deu chances para o time uruguaio e venceu por 3 a 0. O time alvinegro foi aplaudido de pé pela torcida argentina.
Na decisão da Libertadores de 1963, o adversário foi o forte Boca Jrs. Jogando no Maracanã, o Santos venceu os hermanos por 3 a 2, deixando um ar de que poderia sentir o peso de jogar a decisão em La Bombonera na partida da volta.
A pressão foi grande, e é contada até hoje como uma das grandes batalhas que o Santos já travou em campo. Mas de virada, com gols de Coutinho e Pelé, o Santos ganhou por 2 a 1 e se sagrou Bi campeão da Libertadores. A façanha é tão grande, que 49 anos depois, a vitória contra o Boca em La Bombonera é lembrada.
No ano seguinte, no dia 05/05 o Santos voltou a vencer o Boca Jrs em La Bombonera por 4 a 3 em amistoso com gols de Peixinho(2) Pelé e Zito.
Se vencer o Boca em seus domínios já é uma façanha para poucos brasileiros, vencer dois jogos é mais raro ainda. Mas em uma final de Libertadores, é um orgulho que nem todos podem ter.
A conquista da Conmebol 1998, também veio em solo argentino, depois de vencer na Vila por 1 a 0 com gol de Claudiomiro, o Santos travou mais uma batalha épica de sua história. Contra tudo e contra todos garantiu o 0 a 0 e voltou a conquistar um título internacional.

A estréia das estrelas de Bi Mundial
O amistoso entre Santos e Boca Jrs no dia 23/05/68 comemorou o bi campeonato paulista 67-68 e foi a estréia das duas estrelas alusivas ao Bi Mundial.
Falando em estrelas no uniforme, não há registros de nenhum clube brasileiro que tenha usado estrelas alusivas de títulos antes das duas do Peixe que simboliza o Bi- Mundial. Embora o Santos tenha supostamente usado as estrelas entre 1964 e 1965, o Santos só passou a ganhar fama com suas estrelas nesse jogo.
Seguindo o sucesso, em Novembro de 1968, a seleção brasileira passou a usar duas estrelas em alusão ao Bi (1958-1962), em um amistoso contra o combinado da FIFA. Mas só em 71, se tornou enfim estrelado com a conquista do Tri. E a idéia de reintroduzir as estrelas veio do pai e do tio de Antonio Bulgarelli dono da marca Athleta que por décadas forneceu material a diversos times brasileiros.

E hoje, o que acontecerá no jogo entre Santos e Vélez?