Este é o poster que a Nike está divulgando para homenagear a conquista do Santos. Um executivo da Nike me confidenciou que a multinacional está muito feliz com o Santos, que em pouco tempo já deu um retorno fantástico à sua marca. Pressinto que essa parceria vai ser longa e proveitosa para as duas partes.

Vários dos jogadores do Santos entrevistados ontem, após o memorável tricampeonato paulista – entre eles Neymar e Ganso – repetiram que se sentiam orgulhosos de estar “fazendo história no Santos”. Fiquei com a impressão de que esse é um dos motivos que os prendem à Vila Belmiro. Todo homem gosta de deixar uma herança, um nome, um legado. E o jogador do Santos parece ter mais consciência disso.

Ao ouvir tantas vezes a palavra “história” lembrei-me de meus colegas pesquisadores da vida do Alvinegro Praiano – Guilherme Guarche, Guilherme Nascimento, Marcelo Fernandes, Wesley Miranda, José Roberto Torero, Gabriel Davi Pierin, entre outros – e também me senti recompensado por fazer parte de um grupo de abnegados fuçadores de papeis velhos e perguntadores que tem feito a sua parte para que os feitos dos craques santistas sejam eternizados.

Aos poucos se consolida no Santos uma cultura de se estudar e valorizar a história do clube. No Cruzeiro do Centenário isso ficou evidente, pois os eventos mais concorridos foram justamente os bate-papos com os ídolos sobre os grandes momentos de suas carreiras.

O Santos criou também o Boteco Santista, um encontro muito agradável com os ídolos do clube. Há, ainda, os vídeos do Youtube, a SantosTV. Constato que, progressivamente o clube começa a perceber a importância de sua história como fator de visibilidade e renda. O Memorial das Conquistas é o segundo local mais visitado pelos turistas em Santos (atrás apenas do Aquário). A exemplo do Barcelona, que fatura milhões de euros com seu museu, o Santos é o clube brasileiro com maior potencial para utilizar sua história como um produto altamente rentável.

Há dez anos a situação era bem inversa. Lembro-me que para lançar o livro Time dos Sonhos, em dezembro de 2003, tive de convencer o editor da Códex, Quartim de Moraes, de que um livro contando a história do Santos, sem muitas fotos, com 535 páginas e sem cores (só branco e preto), seria bem recebido pelos santistas. A experiência do Quartim dizia que aquilo parecia uma loucura, mas insisti tanto e acho que fui tão convincente, que ele acreditou e, para sua surpresa, vendeu toda a primeira edição em duas semanas. Hoje completo meu décimo livro editado sobre o Santos e a história do Alvinegro Praiano parece não ter fim…

Livro “100 anos de futebol arte entre” os mais vendidos

Fiquei sabendo nesta manhã que o livro “100 anos de futebol arte” – que poderá ser adquirido neste blog -, um trabalho magnífico da Magma Cultural, que teve sua primeira edição vendida em apenas uma semana, já está indo de vento em popa também em sua segunda edição, pois hoje apareceu na lista dos mais vendidos, categoria “não ficção”, no 11º lugar. E a perspectiva é de que na semana seguinte já apareça entre os dez mais da revista Veja. Isso é fantástico em se tratando de um livro sobre um time de futebol.

Pelo que sei, o livro “100 anos, 100 jogos, 100 ídolos”, que escrevi com o amigo Celso Unzelte, também está indo muito bem. E nos próximos dias será lançada a Agenda Permamente do Centenário, que também tive a honra de escrever. Sei que o clube encomendou a um escritor um livro sobre a conquista do tricampeonato paulista e sei também que o amigo Guilherme Nascimento está concluindo o Almanaque do Santos, com fichas técnicas e verbetes de todos os jogos do time.

Essa preocupação de preservar a história santista tem criado uma cultura diferente entre os torcedores do Alvinegro Praiano. Eles costumam conhecer mais do clube do que a maioria dos jornalistas esportivos e isso tem impedido que sejam manipulados pela “grande imprensa”. Essa conscientização fez os santistas serem importantíssimos na luta pela Unificação dos Títulos Brasileiros e também essenciais para apoiar a decisão da diretoria de manter Neymar e Ganso no Brasil, apesar das ofertas milionárias que teriam seduzido qualquer outro clube brasileiro.

Hegemonia santista no Estadual já está entre as maiores

Você que teve a paciência de ler este post até aqui, merece uma informação nova. Pois lá vai: ao ganhar cinco títulos e ainda conseguir um vice-campeonato em sete disputados, este Santos já é responsável por uma das maiores hegemonias no Campeonato Paulista.

Com os títulos de 2006, 2007, 2010, 2011 e 2012 e o vice de 2009, o Alvinegro Praiano conseguiu uma sequência vitoriosa que só perde para aquelas obtidas pelo mesmo Santos entre as décadas de 1950 e 60.

De 1955 a 1962, portanto em oito anos, o Santos angariou seis títulos e dois vice-campeonatos; entre 1964 e 1969, mais cinco títulos em seis disputas. Na verdade, a supremacia santista abrangeu o período de 1955 a 1969, pois nesses 15 anos o time conquistou 11 títulos estaduais e ainda foi vice-campeão duas vezes. A década de maior predominância também pertenceu ao Santos: de 1960 a 1969 o Alvinegro foi campeão oito vezes, deixando escapar apenas as taças de 1963 e 1966.

A marca que Neymar, Ganso, Arouca, Edu Dracena & Cia alcançaram ontem – com cinco títulos e um vice em sete anos –, só foi obtida, no regime profissional, pelo São Paulo, que de 1943 a 1949 teve a mesma performance. No amadorismo, o feito foi alcançado pelo Paulistano, também cinco vezes campeão e uma vez segundo colocado entre 1916 e 1921.

A grande hegemonia do Corinthians ocorreu de 1922 a 1930, quando, em nove campeonatos, venceu seis (mas não chegou a cinco títulos em sete disputas, pois foi tri, passou três anos em branco e depois foi tri novamente). E a maior do Palmeiras ocorreu quando o clube ainda era chamado de Palestra Itália e conquistou quatro títulos e três vice-campeonatos em sete anos, de 1931 a 1937.

Portanto, mais do que um precioso terceiro Tri no campeonato regional mais competitivo do mundo, o Santos chegou a cinco títulos e um vice em sete anos, o que lhe dá um dos maiores períodos hegemônicos no futebol paulista. Isso sim é fazer história, não é mesmo?!

Agora veja o Tiago Leifert abrindo o Globo Esportivo, em um filme enviado pelo amigo Wesley Miranda:

E para você, qual a importância de o Santos fazer história?