A paz nos estádios é possível! Olha só que cena bonita: torcidas de Santos e Guarani, juntas, indo para o Morumbi, domingo (Foto enviada por Alan Leite.)

Em 2005, quando havia a possibilidade de que o Santos tivesse um estádio construído em Diadema, às margens da Rodovia dos Imigrantes, a Tessler Engenharia, que seria encarregada do projeto, fez uma pesquisa séria, científica, abrangente, profissional, para estabelecer o tamanho da torcida do Santos entre a Grande São Paulo e a Baixada Santista.

Milhões de dólares estavam em jogo e os investidores não colocariam dinheiro em um negócio tão vultoso se não tivessem certeza do retorno. Pois bem, a Tessler chegou à conclusão de que naquela época, portanto há sete anos, o Santos tinha 1,5 milhão de torcedores na Grande São Paulo e 500 mil na Baixada Santista. Por isso o estádio tinha de ser construído a meio caminho entre São Paulo e o litoral, mais perto do seu maior público consumidor.

Hoje, após quatro títulos paulistas (não estou contando este em disputa, claro), uma Copa do Brasil e uma Copa Libertadores da América, além da projeção de tantos novos jogadores de destaque, entre eles Rafael, Arouca, Wesley, Léo, Elano, André, Danilo, Paulo Henrique Ganso e o maior de todos, Neymar, é óbvio ululante que a torcida do Santos aumentou.

Impossível dizer de quanto foi esse crescimento, mas o número de crianças e mulheres no Morumbi, domingo, provam que muita gente nova tem se engajado à nobre causa santista. Não me surpreenderia se esse aumento elevasse o universo dos santistas na região para perto de três milhões de pessoas, o suficiente para lotar 100 Pacaembus ou 150 Morumbis (não estou contando os do Interior de São Paulo, Sul de Minas e Mato Grosso e Norte do Paraná, que costumam vir aos jogos decisivos do Santos).

No Brasil, santistas brigam pela terceira posição


Torcida do Santos domingo, comprimida no setor azul da arquibancada (Foto: Suzana Silva)

Primeiro bicampeão mundial, base da Seleção Brasileira nos anos 60, time de Pelé, Neymar e tantos outros craques, o Santos tem uma expressão nacional e é o de menor rejeição no País. Por outro lado, outros quatro grandes times têm torcidas concentradas nos seus Estados.

Grêmio e Internacional têm grandes torcidas, mas restritas ao Rio Grande do Sul, um pouco no Paraná e outro pouco em Santa Catarina. Extremamente bairristas – a ponto de cantar o hino de seu Estado antes dos jogos – e um tanto avessos a negros e nordestinos, os dois times gaúchos têm pouquíssimos simpatizantes nas outras regiões do País. Tratam-se, portanto, de fenômenos regionais.

Os dois de Minas Gerais – Cruzeiro e Atlético – têm um pouco mais de abrangência. Porém, vivem fase técnica tão ruim, que não despertam o interesse dos novos torcedores. A mesma falta de interesse tem reduzido drasticamente a quantidade de novos torcedores de Palmeiras e Vasco, outrora entre os maiores contingentes do País, hoje em franca decadência.

No Rio há, ainda, Botafogo e Fluminense, que desde os anos 60 têm torcidas menores do que o Santos, quadro que se fortalece a cada ano. Com a opção da tevê por assinatura e do pay per view, boa parte dos torcedores desses times no Norte/Nordeste hoje têm a opção de acompanhar as equipes de seus Estados, reduzindo o colonialismo cultural que vinha desde os tempos da Rádio Nacional, nos anos 40.

Restam as torcidas do Flamengo, ainda a maior, mas em queda, e a do Corinthians, que se mantém em segundo ajudada pela estranha parceria com a Rede Globo. Em terceiro ainda aparece a do São Paulo, mas bastante pressionada pela santista que, pelo andar da carruagem, assumirá em breve essa posição.

Em tempo: Para comprovar o que digo tenho os números fartos e abrangentes da Timemania – cujos volantes são preenchidos em 68% das cidades brasileiras – a única enquete fidedigna do Brasil no que se refere a torcidas de futebol. Se você acredita nessas outras pesquisas que ouvem meia dúzia de gatos pingados e concluem que times gaúchos ou mineiros, assim como times que há uma década não sabem o que é ganhar um título importante, têm mais torcida do que o Santos, então não temos nada a discutir. Fique com sua opinião. Neste blog não acreditamos em mentiras oficializadas.


Hoje tem lançamento do livro “Os dez mais do Santos”, de Thiago Arantes, na Saraiva do Shopping Praiamar. Eu recomendo! O Thiago apura e escreve muito bem!

E pra você, santista, qual é o tamanho real da torcida do Santos?