Até o sóbrio capitão Edu Dracena chegou à conclusão, depois do sofrido jogo de ontem, contra o Sport, que o Santos deveria ter ousado mais no ataque. Ele queria ver um outro jogador tentando jogadas individuais, como Neymar. Veja bem: nem o Santos, nem qualquer time das Américas, tem um jogador como Neymar, mas, quando ele não está em campo, outros devem tentar fazer o que ele faz.

Destes que jogaram ontem pelo Santos, quem poderia ter partido para o drible, para a conquista de espaços por meio da habilidade? Alan Kardec, Felipe Anderson, Bernardo, Juan? Pois eu, se fosse o técnico, lhes diria antes do jogo que, surgindo a oportunidade, que fossem para cima do marcador com confiança. Um atacante com a bola e em velocidade levará vantagem na maioria das vezes.

E se após pacientes e sucessivas tentativas ficar claro que este time não tem alguém que seja ao menos uma sombra de Neymar, então que se contrate um outro bom atacante, pois não dá para um time que se pretende poderoso depender tanto de um jogador só.

O Santos dependia menos de Pelé do que este depende de Neymar

Pelé foi o atleta do Século XX, é o melhor jogador de futebol de todos os tempos, mas mesmo assim o Santos não dependia tanto dele como hoje depende de Neymar.

Havia Dorval, Pepe, Pagão, Edu, Toninho Guerreiro e, mais do que todos, Coutinho. O camisa 9 podia criar jogadas de ataque como Pelé. Quem tiver curiosidade, acesse o Youtube e veja que o primeiro gol do Santos na finalíssima da Copa Libertadores de 1962, contra o Peñarol, foi uma jogada toda de Coutinho, que recebeu de Pelé, fingiu que daria continuidade à tabela, mas girou, deixou o zagueiro para trás e bateu cruzado, abrindo o caminho para a viutória por 3 a 0.

Na mesma Libertadores de 1962 o Santos ganhou o primeiro jogo da decisão com o Peñarol (2 a 1) sem Pelé e no campo do adversário. E na decisão do Mundial de 1963 o Alvinegro Praiano levantou o caneco sem Pelé, Calvet e Zito, com Pepe, Lima, Coutinho e Almir decidindo a parada. Portanto, o Peixe continuava sendo um grande time e fazendo muitos gols mesmo sem o Rei.

É claro que Pelé foi o artilheiro-mor do futebol, mas na maior goleada que aplicou em Campeonatos Paulistas – 12 a 1 na Ponte Preta, em 1959 -, Pelé não estava em campo e Coutinho marcou cinco gols.

Hoje, falta ao técnico MUricy Ramalho criar um sistema de jogo e preparar jogadores para manter o Santos ofensivo e artilheiro mesmo sem Neymar. Dorival Junior conseguia isso. Tanto, que na goleada de 9 a 1 sobre o Ituano, em 2010, o Menino de Ouro não estava em campo.

Creio que primeiro deveria tentar fazer isso com os jogadores que tem, dando-lhes liberdade e confiança para tentar o drible. Se não der certo, o Santos precisa contratar ou revelar novos atacantes.

E você, o que faria para tornar o Santos ofensivo sem Neymar?