Engraçado que ontem, na tão profissional, moderna e bem organizada Eurocopa, o jogador da Alemanha estava de costas para a bola, que bateu no seu braço, e mesmo assim o árbitro deu pênalti. Na Vila Belmiro o corintiano estava de frente para a jogada quando espalmou a bola, cortando o cruzamento, e o árbitro mandou o jogo seguir. Mas, tudo bem, aqui já se sabia o que as arbitragens fariam nas semifinais da Libertadores. O que me despertou mais interesse no jogo da Alemanha, na verdade, nem foi isso, e sim a ousadia do técnico alemão, algo que Muricy Ramalho deveria imitar.

O técnico da Alemanha, Joachim Löw, mesmo com o bom retrospecto da equipe, mudou completamente o seu ataque para o jogo contra os gregos: trocou o centroavante artilheiro Mario Gomez e os pontas Lucas Podolski e Thomas Muller por Lose, Réus e André Schürrle, que não tinham jogado juntos na competição. Essa ousadia, hoje, é impensável no Santos, um time imobilizado pelo pragmatismo de Muricy.

Um time que teve o ataque mais famoso da história do futebol, com os lendários Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, deveria ser proibido de jogar com menos de três atacantes. Isso deveria estar no estatuto do clube. Atacar só com “Neymar e mais um” é muito pouco para a equipe que fez mais gols na história. Se o técnico não se toca, a diretoria de futebol e o marketing devem agir.

Sim, porque o maior marketing do Santos é ser ofensivo – mais até do que a grife dos Meninos da Vila, que nem sempre brilham. O que tem incomodado o torcedor, basicamente, é essa falta de atrevimento, essa falta de apetite pelo gol, uma marca que sempre acompanhou o Santos.

Se um time tem quatro ou até cinco jogadores no meio de campo, pode crer que um ou outro vai ficar enrolando, sem apoiar ou marcar como se deve. O santista já percebeu que Elano tem se escorado nos companheiros o tempo todo, mais ou menos o que faz Paulo Henrique Ganso, que na última partida deveria ter sido substituido, pois não marcou, errou passes e ainda perdeu a bola ao tentar dribles inúteis.

O torcedor quer um time ofensivo e valente

Muricy Ramalho quer garantir os seus 700 mil por mês; a diretoria quer se manter no poder; os jogadores querem receber o salário em dia com o menor esforço possível, mas os torcedores, os santistas de verdade, pois acompanham o time sem interesse, estes querem que a alegria de jogar futebol volte à Vila Belmiro. E essa alegria só voltará quando o Santos recuperar a sua alma guerreira e atacante.

É hora de mudanças, é hora de racionalizar esse elenco, que já tem jogadores demais e qualidade de menos; é hora de fazer o time recuperar o seu DNA. Joguinhos de 0 a 0 e 1 a 0 são bons para outros clubes que se contentam com o resultado. O santista sempre foi mais exigente – e até por isso o Alvinegro Praiano tem um currículo bem melhor do que a maioria de seus concorrentes.

Para o torcedor é mais gratificante ver um ataque com Neymar, Dimba e Victor Andrade, ou Felipe Anderson, do que continuar esperando que alguns jogadores correspondam à fama. Enquanto na Alemanha uma linha ofensiva inteira pode ser trocada de uma vitória para outra, no Santos jogadores em má fase há muitos meses continuam com lugar cativo. O torcedor não suporta mais esses favorecimentos.

A partir de segunda-feira vamos iniciar neste blog uma enquete para saber quais jogadores o torcedor do Santos quer que continuem, ou que saiam do clube. Vá pensando sobre isso. Fizemos essa enquete há dois anos e o resultado foi excelente, pois ajudou a diretoria a depurar o elenco de jogadores como Marquinhos, Roberto Brum e Marcel, que eram autênticos pesos-mortos.

É necessário que esse balanço seja feito de novo. O Santos precisa de uma oxigenação, precisa retomar a ousadia, a volúpia do gol. Esta tem sido sua receita histórica de sucesso e não pode ser abandonada.

Você não acha que o Santos precisa voltar a ser mais ofensivo?