Solta esse time, professor. Chega de retranqueira (foto Ivan Storti/ Comunicação Santos FC)

Não me lembro de ter visto o Santos marcar apenas três gols em nove jogos, como agora. Foram dois nas últimas quatro partidas da Copa Libertadores e apenas um nos cinco jogos do Campeonato Brasileiro. Como diria Boris Casoy, isso é uma vergonha! Eu completo: isso não é o Santos! Então, hoje, com a volta dos titulares – entre eles Neymar -, não dá para espera outra coisa do que uma vitória contra o mistão do Coritiba, a partir das 18h30m, na Vila Belmiro.

Papai fresco, e em tratamento de fortalecimento muscular, Paulo Henrique Ganso será poupado. Elano terá mais uma das enésimas chances de mostrar que quer voltar a ser um jogador de futebol relevante. Adriano terá nova oportunidade de acertar um passe, Borges e Alan Kardec tentarão mostrar que aprenderam a matar uma bola, Rafael se esforçará para fazer uma reposição decente, Durval tentará evitar os chutões e Henrique se esforçara para chegar uma vez à linha de fundo (não sei, mas acho que ando meio enfastiado com alguns jogadores do Santos. Desculpem o mau humor…)

Juro que eu gostaria de ver um ataque com Neymar, Dimba e Victor Andrade – e não gostaria de ouvir uma ralhação de Muricy Ramalho com os garotos. O santista anseia algo assim, ousado. Esse espírito é que fez do Santos um time indomável. Escalar um jogador como Borges e esperar que ele toque três vezes na bola o jogo todo, e mesmo assim seja útil, é muita tolerância com a mediocridade.

O time que o professor deve levar a campo é Rafael, Henrique, Edu Dracena, Durval e Léo (Juan); Adriano, Arouca e Elano; Alan Kardec, Borges e Neymar. O mistão do Coritiba, do bom (e barato) técnico Marcelo Oliveira, deverá atuar com Vanderlei; Jonas, Demerson, Luccas Claro e França; Junior Urso, Chico, Tcheco e Lincoln (Rafael Silva); Anderson Aquino e Marcel.

O árbitro será Péricles Bassols Pegado Cortez (Fifa-RJ), auxiliado por Ediney Guerreiro Mascarenhas e Marco Santos Pessanha, ambos do Rio de Janeiro. Que eu saiba, estes não tiveram a orientação de não marcar pênaltis a favor do Santos. Portanto, as regras do futebol voltam a valer.

Retrospecto Santos x Coritiba

Por Wesley Miranda

Santos e Coritiba se enfrentaram 39 vezes ao longo da história. E a vantagem é amplamente santista, com o dobro de vitórias: 22, contra 11 do Coxa e 6 empates. O alvinegro marcou 72 gols e o alviverde 49.

Mesmo a equipe paranaense tendo participado da Taça Brasil de 1960 (o Coritiba perdeu a vaga no sorteio depois de três empates com o Grêmio) e de 1961 (eliminado pelo Palmeiras em três jogos decisivos), em Brasileiros o primeiro confronto contra o Santos aconteceu apenas em 1969 e o Peixe ganhou por 3 a 1, com gols de Pelé (2) e Edu. O Rei ficou a apenas 5 gols de marcar o milésimo.

No campeonato nacional foram 29 jogos com 17 vitórias alvinegras, 3 empates e 9 vitórias alviverdes. O Santos balançou as redes adversárias 50 vezes e o Coritiba 36.

O primeiro jogo e o artilheiro santista
O primeiro confronto entre as equipes aconteceu no dia 20 de maio de 1941 e marcou o artilheiro santista do histórico. Segundo o professor Guilherme Nascimento, Carabina, autor de 6 gols, marcou 5 vezes de cabeça, façanha que só foi igualada por Odair Titica em 1948, na vitória do Santos sobre o Comercial(SP) por 5 a 4. Carabina foi artilheiro do Santos na temporada de 1941, com 30 gols.
O vice artilheiro, com 5 gols, é Pelé, que jogou 7 partidas contra a equipe paranaense, ganhando 4 jogos, empatando 2 e perdendo 1.

O presente de Lela
No aniversário de 73 anos do Santos, no Couto Pereira, pela 10ª rodada do 2º turno, a partida estava empatada em 1 a 1, gols dos zagueiros Márcio Rossini para o Santos e Vavá para Coritiba, quando o atacante Lela (pai do meia Richarlyson do Atlético MG e do atacante Alessandro do Vasco) acertou um chute cruzado no gol de Marola que deu a vitória ao time da casa. O Coritiba conquistaria o Campeonato Brasileiro daquele ano de 1985, batendo o Bangu na final.

Copa União 1987
Em partida realizada pela Copa União 87, o Santos venceu o Coritiba no Pacaembu com gols de Chicão e Osmarzinho. Essa foi uma das duas vitórias do Santos no campeonato que acabou eliminado junto como Coxa na primeira fase com 11 e 12 pontos respectivamente.

WO e rebaixamento
Em 1989 o Coxa se negou a aceitar uma mudança de calendário que fazia com que jogasse um dia antes do Vasco – adversário com quem brigava pela classificação no grupo. Emprotesto, o Coritiba não compareceu ao jogo contra o Santos em Juiz de Fora e foi punido pela CBF com a derrota por 1 x 0, a perda de mais 5 pontos e a queda automática para a Série B.

Briga pela 8ª vaga
No Brasileiro de 2002, Santos e Coritiba disputaram uma vaga nas quartas de final. O Santos, que perdeu para o São Caetano por 3 a 2 dependeu do já rebaixado Gama, de Dimba (tio do Dimba atual), que venceu o time paranaense por 4 a 0. Caso o Coritiba vencesse, estaria classificado.

A volta do Guerreiro
Aos 38 minutos do segundo tempo, após dois anos e cinco meses de luta contra a leucemia, entrava em campo Narciso. A partida disputada no dia 25 de Outubro de 2003 no estádio Couto Pereira já estava 4 a 0 para o Santos, mas não impediu que a torcida adversária o aplaudisse de pé. Narciso atuou no Santos de 1994 a 2004 em 267 partidas marcando 13 gols.

Briga pela permanência na Série A
Se em 2002 os times disputavam uma vaga nas quartas, em 2009 os times se enfrentaram para permanecer na serie A. A vitória do Santos por 4 a 0 no dia 22 de novembro de 2009 garantiu o Alvinegro Praiano na elite e colocou o Coxa próximo à zona de degola. E a queda aconteceu dois jogos depois. Neymar marcou pela primeira vez dois gols na mesma partida jogando na Vila.

Brilharam aqui e lá
Filho do jogador Juvenal Ferraz de Negreiros que jogou pelo Peixe nos anos de 33 e 34 (17 partidas e 10 gols) Walter Ferraz de Negreiros, ou só Negreiros, subiu aos profissionais em 1967, junto com Clodoaldo e Douglas. O polivalente Negreiros jogou 129 partidas pelo Santos e marcou 13 gols entre 1967 a 1972. No Coxa, fez parte do time que conquistou o Hexacampeonato Paraense (1971 a 76)
Destaque santista de 1990, Kazuyoshi Miura teve ótima passagem pelo Coritiba quando conquistou seu primeiro título na carreira, o Paranaense de 1989, ao lado de Carlos Alberto Dias, Serginho, e os ex-santistas Chicão, Oswaldo e Tostão II, além do técnico Edu Coimbra. No Peixe, o japonês atuou em 35 partidas e marcou 4 gols.

E você, o que espera de Santos e Coritiba, hoje na Vila?