Está rolando o lançamento do livro 3 X Tri. Parabéns ao autor, o Vitor Loureiro Sion, à Magma Cultural e ao Santos! Mais uma obra digna de um clube que tem história!

“Faltou eletricidade”, resumiu Suzana. E ela não estava se referindo aos refletores que se apagaram no final do jogo, mas à falta de energia do time, que parece não ter se conectado com a paixão que vinha das arquibancadas. Neymar não admite, mas está exausto. A Seleção Brasileira exauriu suas forças. Ganso e Arouca voltaram das contusões à meia força. Elano continuou lento e irregular. Alan Kardec tentou, em vão. Só a garra de Adriano e os avanços de Juan foram muito pouco diante de um adversário que se defendeu muito bem e chegou a ser melhor no primeiro tempo, com trocas de passes rápidos e precisos.

Eu diria que o Corinthians quis mais a vitória, mesmo jogando a maior parte do tempo na defesa. Se a partida for analisada pelos melhores momentos, talvez se chegue à conclusão de que o empate seria o resultado mais justo, porém o time mais consciente e menos errático foi o alvinegro da capital.

Mesmo quando ficou com um jogador a mais – devido à expulsão de Sheik, o autor do único e belo gol do jogo –, o Santos não deu a impressão de que chegaria ao empate. E isso não só pela capacidade defensiva do adversário, mas pela impotência do Alvinegro Praiano.

De qualquer forma, ainda há 90 minutos a serem jogados. As chances se tornaram menores, mas ainda existem. Uma vitória pelo mesmo marcador de 1 a 0 levará a decisão para os pênaltis. Numericamente o resultado é plenamente possível, mas não creio que seja só uma questão numérica. É preciso ter uma atitude vencedora, o que faltou a vários santistas nessa primeira partida.

Lições a tirar dessa derrota

Da arbitragem não se pode reclamar. O único defeito é que permitiu que o jogo fosse muito amarrado, o que favoreceu o visitante, que fez cera à vontade. Não houve pênalti em Alan Kardec e Sheik mereceu ser expulso, após duas faltas espalhafatosas sem necessidade.

Também não há o que contestar da performance do adversário, que jogou duro, mas limpo, e teve tranqüilidade para desempenhar o papel que o levou, mais uma vez, ao indefectível resultado de 1 a 0.

É de se lamentar, porém, as reações de alguns torcedores. Não é porque a Conmebol é uma zona e não pune os clubes mandantes, que se pode jogar copo de água no gramado, capacete de soldado, e promover um apagão quanto o time adversário rumava para o gol. Outra coisa é esfumaçar o campo, o que atrapalha os dois times. O torcedor santista consciente não pode compactuar com atitudes assim. Mais uma vez ficou provado que isso não leva a nada. Perdeu, paciência. É preciso saber aceitar os revezes. Essa é a lei inexorável do esporte. Nem sempre se pode ser o vencerdor.

Também não acho que algum jogador santista deva ser crucificado por essa derrota. Todos fizeram o que foi possível, dentro de suas condições clínicas, físicas e técnicas. O único senão pertinente é a formação tática do time. Para quem escolheu a Vila Belmiro para garantir uma boa vitória, o técnico Muricy Ramalho adotou uma estrutura tática tímida demais.

Como o adversário chegava a ter quatro, até seis jogadores em sua própria área, o Santos não poderia jogar sem centroavante. Na verdade, era um jogo para arriscar no mínimo três atacantes. Só com a entrada de Borges no lugar de Elano é que as chances de gol começaram a aparecer.

De qualquer forma, Muricy é o tipo de técnico que sabe esperar o momento decisivo para dar o bote. E, para todos os efeitos, esse momento ainda não ocorreu. Uma vitória de 2 a 1 no Pacaembu e o Santos jogará a sua quinta final de Libertadores. Portanto, por mais que os santistas estejam decepcionados com essa derrota, o jeito é esperar a próxima quarta-feira e continuar acreditando no time, que já saiu de buracos tão ou mais profundos do que este.

Na verdade, assim como aconteceu na primeira partida contra o Vélez Sarsfield – que o Santos também perdeu por 1 a 0 –, o adversário já poderia ter matado o confronto nesse primeiro jogo. Tivesse mais poder ofensivo e o alvinegro da capital faria do segundo jogo, no Pacaembu, apenas uma grande festa. Mas, com essa vitória ínfima, ainda terá de sofrer um bocado para alcançar sua primeira final de Libertadores – obsessão que pode ser um trunfo do Santos no jogo de volta.

E você, que conclusões tirou dessa derrota do Santos?