Nunca tinha visto – ou ouvido – a cidade de São Paulo comemorar tanto um gol de time argentino. Nunca imaginei que o Boca Juniors pudesse ser tão amado pelos brasileiros.

No lance do gol do Boca, o zagueiro Chicão impede que a bola entre tocando-a propositalmente com a mão. É caso claríssimo de expulsão. Nunca tinha visto um lance assim em que o jogador não tivesse sido expulso – o que faria Chicão desfalcar o alvinegro da capital no jogo do Pacaembu.

Sempre muito ajudado quando joga em La Bombonera, nunca tinha visto o Boca ser prejudicado pela arbitragem em seu próprio campo. Além de fazer vistas grossas à expulsão de Chicão, foi marcado impedimento em um lance em que o próprio zagueiro corintiano cabeceou a bola para um atacante do Boca; não se interrompeu a partida quando torcedores do Corinthians jogaram sinalizadores na direção do goleiro do Boca, permitiu-se a cera do goleiro Cássio a outras coisinhas.

Nunca tinha visto o sempre ponderado Riquelme reclamar tanto da arbitragem. No caso, a do chileno Enrique Osses. Disse o ídolo do Boca: “O árbitro se comportou como um idiota. Nunca me queixo dos árbitros, mas desta vez não teve como. Espero que ele nunca mais apite nossos jogos. Ele já tinha tornado a nossa vida impossível no Rio de Janeiro (no empate por 1 a 1 com o Fluminense, no retorno pelas oitavas de final da Libertadores). A Copa também se ganha com os árbitros. Eles (Corinthians) foram inteligentes. Colocaram um árbitro que os ajudou”.

Nunca tinha visto uma emissora de tevê puxar tanto o saco de um time, como a Fox fez com o alvinegro paulistano. Nem a TV Corinthians seria tão parcial.

Também nunca tinha visto um jogador estreante entrar com tanta tranqüilidade e ser tão afortunado em um jogo de Libertadores como Romarinho. Em pensar que, como Sócrates, é mais um santista de nascimento e coração que tem tudo para brilhar no alvinegro paulistano. Só pelas atuações contra Palmeiras e Boca Juniors o rapaz já pagou os 600 mil reais que custou o seu passe.

Nunca tinha visto um time brasileiro armar uma retranca tão eficiente. Lembrou-me quando a gente jogava pelada na rua com um golzinho sem goleiro. Quando um jogador ficava em cima da linha, era quase impossível marcar. Tite armou um esquema parecido.

Apesar de todo o esquema extra-campo planejado para trazer o título para o Corinthians, a verdade é que eu nunca tinha visto esse time jogar tão tranqüilo em jogos decisivos da Libertadores. Estou com um forte pressentimento de que na próxima quarta-feira nós veremos algo que nunca tínhamos visto, que é o alvinegro da capital perder a sua centenária virgindade. Já estava na hora.

Ainda não cataloguei todas opiniões sobre quem deve ficar ou sair do Santos, mas prometo que na segunda-feira publicarei texto sobre o assunto.

E o que você tem visto no futebol que nunca viu antes?