O Santos não tomou conhecimento da torcida contra, da má vontade do árbitro Leandro Vuaden (que fez vistas grossas à cera do adversário), da parcialidade do bandeirinha Altemir Hausman (que só faltou sair comemorando com os corintianos), do complô dos gandulas (que repunham a bola rapidamente para o time da capital e retardavam quando o lateral ou o escanteio era do Santos) e muito menos do time adversário, que dizia ter uma defesa intransponível.

Como foi previsto neste blog, o Alvinegro Praiano mandou na partida, enquanto o da capital se encolheu atrás como o Juventus da Moóca – e, como na Vila Belmiro, aproveitou a única chance que teve. Sorte também existe no futebol, claro, mas pena que ela tenha agido para tirar o melhor time brasileiro da final da Copa Libertadores.

Do Santos, pouco a reclamar. O time dominou o primeiro tempo e venceu por 1 a 0, em grande jogada de Neymar e Alan Kardec, sem sofrer sustos. Logo aos 2 minutos da segunda etapa, em uma falta boba na lateral esquerda, a bola foi centrada na área e sobrou para Danilo, livre, marcar. Depois, virou o confronto de ataque contra defesa.

Quando escrevi este post eu disse que a atuação de Vuaden tecnicamente não foi ruim. Mas vi depois o gol do Corinthians e fiquei com a claríssima impressão de impedimento. Estranhei que a Globo não tenha repetido a jogada e nem usado o tira-teima. Isso foi muito suspeito.

Mas a falta de Danilo em Alan Kardec, que se desequilibrou com o empurrão do adversário, certamente seria marcada se não fosse dentro da área. Porém, era o tipo de jogo que só uma fratura exposta resultaria em penalidade contra o time da casa. Outro detalhe estranho é que o adversário cobrava todas as faltas muitos metros à frente e o árbitro, complacente, não dizia nada.

No final, o desespero do bandeirinha Altemir Hausmann para que o jogo terminasse com a classificação corintiana foi até engraçado. O rapaz marcou mais faltas do que o próprio árbitro e chegou a indicar para a mesa que o jogo teria apenas dois minutos de acréscimos. A cena em que ele entrou em campo e fez aquele círculo no chão ficará para a história. Uma piada. Além das muitas substituições, a bola ficou parada no mínimo cinco minutos. Mas não se poderia espera outra coisa de uma partida em que a Rede Globo, a Conmebol e os poderes envolvidos queriam muito que pendesse para o alvinegro paulistano.

Num ato falho, A Globo anunciou a vantagem do Corinthians por 1 a 0 ao final do primeiro tempo, quando a superioridade era santista. Mas nada disso foi surpresa. Ao não vencer o primeiro jogo, o Santos se sujeitou a tudo isso.

Não se pode dizer, entretanto, que o adversário não teve méritos. Defesa também é um fundamento importante no futebol. Além de adotar uma formação tática e uma disposição para atrapalhar o adversário que faria inveja ao Once Caldas, o alvinegro paulistano tem achado seus raros gols na hora certa e por isso chega à sua primeira final de Libertadores. Espero, sinceramente, que não decepcione o futebol brasileiro na decisão.

Com relação ao Santos, segue sendo um dos melhores times brasileiros, se não o melhor. É preciso muita personalidade para atuar em um Pacaembu hostil como se estivesse treinando no CT Rei Pelé. Mas o elenco precisa de algumas mudanças e Muricy já deve saber disso.

Agora é dar tudo no Campeonato Brasileiro. Como os titulares já foram muito poupados devido à disputa de duas competições simultâneas, espero que o técnico Muricy Ramalho passe a usar a força máxima no Campeonato Brasileiro, um título que falta para o Santos nesta nova gestão do clube.

Aos torcedores corintianos, que tanto compareceram ao blog nesses dias, eu só posso dizer: já podem tirar as fraldas, vocês estão na sua primeira final de Libertadores. Parabéns por terem se defendido com unhas e dentes e conseguido um heróico empate contra um time superior como o Santos. Não é sempre que a zebra escapa do leão.

E você, o que achou do empate do Santos no Pacaembu?