A escolha da Vila Belmiro para o primeiro jogo da semifinal da Copa Libertadores fez alguns porta-vozes do alvinegro da capital insinuarem que o Santos estava pensando pequeno, pois deveria escolher o Morumbi. Ora, a Vila Belmiro é o estádio do Santos, construído com trabalho e dinheiro dos próprios santistas. Um estádio que já foi o maior do Brasil no começo da década de 1920, após as obras capitaneadas pelo célebre Urbano Caldeira. Além do mais, não é de bom alvitre o roto falar do rasgado, pois o próprio Corinthians já obrigou o Santos, recém-campeão do mundo, a jogar na sua diminuta Fazendinha.

Não, não estou falando do jogo que deu o primeiro título paulista ao Santos, conquistado com uma vitória por 2 a 0 em 17 de novembro de 1935. Refiro-me à partida disputada em 4 de novembro de 1962, quando o Santos tinha acabado de ser campeão do mundo, seus jogos lotavam estádios de todas as dimensões, mas o Corinthians, temeroso de enfrentar o Alvinegro Praiano no Pacaembu, marcou a partida pelo Campeonato Paulista para o acanhado Alfredo Schuring, o Parque São Jorge, ou Fazendinha.

Vivia-se o ano de 1962, o do Cinqüentenário do Santos, e o time estava ganhando tudo. Naquela temporada já tinha conquistado a Copa Libertadores e o Mundial Interclubes e ainda seria campeão paulista e brasileiro. Sem ganhar do Grande Alvinegro pelo Campeonato Paulista desde 1957, o alvinegro da capital resolveu levar o clássico para seu pequeno estádio na Zona Leste de São Paulo, confiando na pressão de sua torcida para quebrar o tabu.

Como em 1962 era permitido vender ingressos para torcedores em pé, naquela tarde de domingo o clube paulistano conseguiu espremer, perigosamente, 33 mil pessoas nas suas arquibancadas. Multidão que foi à loucura quando o meia-esquerda Cássio abriu o marcador aos 16 minutos de partida. Porém, Coutinho aos 21 e Pelé aos 35 minutos colocaram as coisas no lugar ainda no primeiro tempo. E assim terminou o confronto.

O Santos, do técnico Lula, jogou essa partida com Gylmar, Lima, Olavo e Dalmo; Calvet e Zito; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. O Corinthians, treinado por Fleitas Solich, formou com Aldo, Augusto, Eduardo e Ari Clemente; Amaro e Oreco; Bataglia, Silva, Nei, Cássio e Lima. O árbitro foi Airton Vieira de Moraes, e a renda, Cr$ 3.928.500,00.

Como se sabe, o tabu – o mais longo entre times grandes do Brasil – durou mais seis anos após essa desesperada tentativa corintiana de quebrá-lo no seu pequeno estádio. O Santos prosseguiu vencendo o rival na Vila Belmiro, no Pacaembu, no Morumbi… Mas ficou para a história a tentativa patética de vencer o melhor do mundo em um estadiozinho precário. Outros podem ter esquecido, mas este blog não.

Patrícia Amorim reconhece que clube não pagava Ronaldinho

Fiquei estarrecido com um depoimento que acabei de ver e ouvir da presidente do Flamengo, Patrícia Amorim. Ela reconhece que o clube assumiu a dívida de um patrocinador, não pagou, e depois ainda ficou mais alguns meses sem pagar o jogador Ronaldinho Gaúcho. Alegou que não pagava, mas que o clube “mantinha boas relações com o jogador”. Ora, qual o mérito de um mau pagador que continua mantendo boas relações com o credor?

Palmas para o Ronaldinho, que ainda jogou tanto tempo e suportou tanta pressão mesmo sem receber um centavo do Flamengo. Quando fez aquela excelente atuação contra o Santos, por exemplo, naqueles memoráveis 5 a 4, o rapaz já estava sem receber do rubro-negro carioca. E Patrícia Amorim ainda pede uma mobilização nacional dos flamenguistas… Eu pergunto: mobilização a favor do calote? Mobilização contra um jogador que trabalhou de graça?

Acho que o poder subiu à cabeça de Patrícia Amorim. Aliás, esses clubes que se julgam “nações” e “repúblicas” são propícios para o surgimento de caudilhos (e caudilhas) metidos a líderes populares, que querem se colocar acima das leis do País. Ora, dona Patrícia: PAGUE O HOMEM! Tinha contrato? Que seja cumprido! Deixe de querer que o Flamengo fique acima das leis brasileiras. Deixe de promover o calote!

Você já conhecia essa história do Parque São Jorge? O que acha dela?