Foi um jogão. Aberto, disputado, aguerrido mas sem violência. Terminou 4 a 3 para os argentinos, com notável exibição de Messi, autor de três gols, mas poderia ter sido uma vitória da Seleção Olímpica do Brasil, que fez sua melhor partida sob o comando de Mano Menezes.

Neymar, que finalmente foi escalado no meio, se saiu muito bem. Armou jogadas, tabelou, ajudou na marcação, amarelou dois defensores e fez cruzamentos para dois gols brasileiros. O mais importante, porém, é que o Menino de Ouro saiu inteiro e está pronto para o primeiro jogo da semifinal da Copa Libertadores, próxima quarta-feira, na Vila mais famosa do mundo.

Ainda não dá para comprar Neymar com Messi e talvez nunca dê. O brasileiro é o melhor jogador em atividade na América do Sul – participativo, determinado, rápido, habilidoso e inteligente -, mas Messi, quase cinco anos mais velho, também tem todas essas qualidades, e num grau acima.

Messi é mais baixo e mais forte (1,69m, 67 quilos, contra 1,74m, 64 quilos de Neymar). O fato de ter o centro de gravidade mais baixo e pernas mais musculosas torna menos difícil para o argentino correr com a bola dominada. Quem já viu provas de ginástica olímpica sabe que as melhores, as que têm mais facilidade para o equilíbrio, são as mais baixinhas e troncudinhas.

Hoje, repito, não há comparação entre Messi e Neymar, ou Messi e Cristiano Ronaldo. Mas não se pode esquecer que o argentino é mais velho do que o brasileiro exatos quatro anos, nove meses e 12 dias. Nesse tempo todo é óbvio que Neymar adquirirá mais força, potência, velocidade e maturidade. Aos 25 anos o santista deverá estar no auge. Como ele estará jogando, então, só os deus do futebol podem responder.

Para o futebol brasileiro, porém, ele já está em um nível tão superior, que boa parte da imprensa esportiva, exercendo o seu velho sentimento de povo colonizado, costuma insistir para que vá para a Europa. Ainda bem que ele, Oscar, Ganso, Lucas e outros meninos bons de bola ainda estão por aqui. O futebol que já foi o melhor do mundo não merece viver só de refugos.

E você, gostou de Neymar e da Seleção Olímpica do Brasil?