O Campeonato Brasileiro deveria ser a competição mais importante do País, pois reúne os melhores times e dura seis meses e 21 dias. Mas está na quinta rodada e ainda não começou. A maioria dos times mais poderosos, entre eles os quatro grandes de São Paulo, continuam usando reservas. Ocorre que Santos e Corinthians priorizam a Libertadores, enquanto São Paulo e Palmeiras, neste momento, dão preferência à Copa do Brasil. Isso gera situações insólitas, que colocam esses quatro entre a cruz e a espada.

Vejamos o caso do Santos, que hoje usará um time completamente reserva contra o Flamengo, no Engenhão, naquilo que pode se chamar de “a crônica de derrota anunciada”. Enquanto o torcedor se pergunta, com razão, se todos os titulares deveriam mesmo ser poupados, já que muitos precisam de ritmo e outros nem são tão titulares assim, o técnico Muricy Ramalho treinou um time com Aranha; Éwerthon Páscoa, Bruno Rodrigo e Gustavo Henrique; Crystian, Anderson Carvalho, Alan Santos, Felipe Anderson e Gérson Magrão; Rentería e Dimba, com as opções de incluir os laterais Maranhão e Paulo Henrique e o jovem atacante Victor Andrade.

O que este time desentrosado poderá fazer contra o time mais forte e experiente do rubro-negro carioca, treinado pelo matreiro Joel Santana? Um empate de 0 a 0 já poderá ser saudado como um retumbante sucesso. Mas sofrer uma goleada vexatória não está fora de cogitação.

O mesmo risco correrá o Corinthians, adversário do Santos na semifinal da Libertadores,. O alvinegro da capital, último colocado no Brasileiro, irá com um time reserva para enfrentar a Ponte Preta em Campinas, e a lógica diz que deverá perder também. São Paulo e Palmeiras estão na mesma situação. Muito próximos da final da Copa do Brasil, penam para não se distanciarem muito do bloco dianteiro no campeonato nacional. Desta forma, o calendário trama para que os primeiros sejam os últimos!

Entre vencer a Libertadores e ser rebaixado no Brasileiro

Os quatro grandes de São Paulo vivem uma situação que seria cômica, não fosse trágica. Ou vencem as competições que priorizam e se classificaram para a Copa Libertadores de 2013, ou não só terão muitas dificuldades de conseguir a vaga no Campeonato Brasileiro, como correrão até riscos de rebaixamento.

Imaginemos que Palmeiras e Corinthians percam hoje. Isso os manteria com apenas um ponto ganho, enquanto o Vasco, que enfrentará o Palmeiras na Arena Barueri, passará para 15 pontos, o que quer dizer quatro vitórias e dois empates à frente, diferença que pode ficar ainda maior caso os times paulistas passem para a final da Libertadores e da Copa do Brasil e continuem usando reservas no Brasileiro.

O Santos não está em uma situação muito melhor. Eu diria que nova derrota hoje deixa o Alvinegro Praiano muito longe da luta pelo título brasileiro e dificulta demais até sua classificação para a Libertadores de 2013, pois para isso terá de empreender uma campanha de recuperação na competição nacional, fôlego do qual não foi capaz nos últimos anos.

Imaginemos, por fim, um quadro ainda mais dramático: Santos ou Corinthians passam para a final da Libertadores, continuam utilizando reservas no Brasileiro e acabam perdendo a decisão da competição sul-americana. Resultado: só lhes restará buscar a vaga para a Libertadores de 2013 no próprio Brasileiro em que estarão entre os piores classificados. E, para complicar, seus jogadores estarão desanimados pela derrota em uma decisão tão importante.

Por isso, um mísero – e eu diria quase milagroso – pontinho conquistado hoje pelos Meninos do Santos no Rio deverá ser comemorado como um troféu, pois valerá ouro na hora em que o Alvinegro Praiano tiver de voltar suas atenções para aquele que deveria ser o campeonato de futebol mais importante do Brasil.

Retrospecto de Santos x Flamengo

Por Wesley Miranda

Santos e Flamengo fazem o duelo de número 109 em 91 anos de clássico! São 41 vitórias do Peixe, 29 empates e 38 vitórias flamenguistas. O Alvinegro Praiano marcou 168 gols e sofreu 151!

Em Brasileiros desde o primeiro confronto, em 1964, são 58 jogos, com 20 vitórias do Santos, 17 empates e 21 vitórias do Flamengo. 69 gols foram alvinegros e 62 rubro-negros.

Santos: V, E, D
Brasileiro: 20, 17, 21
Rio-SP: 11, 4, 9
Copa do Brasil: 2, 0, 0
Libertadores: 0, 0, 2
Copa Sul-americana: 1, 2, 0
Copa dos Campeões: 1, 1, 1
Amistosos: 6, 5, 4
Outros: 0, 0, 1

O artilheiro
O artilheiro do Santos no confronto é simplesmente Edson Arantes do Nascimento, com 12 gols. O Rei do futebol enfrentou o rubro-negro Carioca em 16 oportunidades vencendo 8, empatando 3 e perdendo 5. Por duas vezes marcou 3 gols, a primeira em 1961, na vitória santista por 7 a 1 em pleno Maracanã – história que contarei abaixo. Também contarei sobre a segunda vez que o rei marcou 3 gols, em plena final da Taça Brasil de 1964!
O vice artilheiro do confronto é o famoso artilheiro dos gols bonitos, Dodô, com 7 gols.

Histórias do artilheiro
Athiê não vendeu Pelé
Em entrevista no dia 24 de Maio de 1969, o Presidente Athiê Jorge Cury negou qualquer possibilidade de vender Pelé, o qual definia como patrimônio nacional.
O Flamengo encaminhou por telegrama ao Santos a proposta de 2 milhões de cruzeiros, há um ano da Copa do Mundo do México.
“Enquanto eu for Presidente do Santos FC o Pelé é inegociável, é patrimônio nacional e não será vendido por preço algum.”

Pelé com a camisa do Flamengo
Ele não foi vendido para o Flamengo, mas fez um jogo por lá e levou 139.953 torcedores ao Maracanã, ainda o maior estádio do mundo, no dia 6 de abril de 1979. Flamengo e Atlético-MG realizaram um jogo beneficente para ajudar as vítimas de uma enchete que castigou o estado de Minas Gerais.
Quando estava 1 x 0 para o Atletico MG, teve um pênalti para o Flamengo, a torcida pediu Pelé, mas, após uma conversa com Zico, ficou decidido que o Galinho, com a camisa nove, cobraria. No segundo tempo Pelé foi substituído por Luizinho e o Flamengo ganhou por 5 x 1.

O 1º encontro
O primeiro encontro entre as duas equipes foi uma sonora goleada do Santos em cima do Flamengo, 6 a 0 em amistoso na Vila Belmiro. Mas não pensem que foi um Flamengo qualquer, e sim a base da seleção brasileira que disputaria a Copa América de 1920.

04/07/1920 Santos FC6 x 0 CR Flamengo (Rio de Janeiro)
Local: Vila Belmiro – Santos (SP)
Competição: Amistoso
Árbitro: Odilon Penteado
Gols: Ary Patuska (2), Haroldo Domingues, Constantino (p) e Castelhano (2)
SFC: Tuffy; Cícero e Bilú; Pereira, Marba e Ricardo; Millon, Constantino, Ary, Castellano e Arnaldo
CRF: Kuntz; Sisson e Telefone; Dourado, Sidney Pullen e Japonês; Machado, Galvão Bueno, Choco, Geraldo e Junqueira.
Créditos de ficha: Guilherme Nascimento

A maior goleada do confronto
Foi em um 11 de Março de 1961 que o Santos aplicou a maior goleada da história do confronto. A partida valeu pelo Rio SP de 1961 e foi disputada no Maracanã, na presença de 90 mil pagantes. O duelo foi só 6 dias depois de Pelé marcar o gol de placa contra o Fluminense no mesmo Maracanã.

Flamengo 1 x 7 Santos
Local: Maracanã – Rio de Janeiro (GB)
Renda: Cr$ 6.675.580,00
Publico: 90.218
Juiz: Olten Aires de Abreu
Pepe 23′ e 57′(pênalti) Pelé aos 31′, 49′ e 64′, Coutinho aos 51′, Dorval aos 55′ e Henrique aos 53′ marcou para o Flamengo
CRF: Fernando; Joubert, Bolero e Jordan; Nelinho (Jadir) e Carlinhos; Joel, Gerson, Henrique (Luis Carlos), Dida e Babá (Germano).
Técnico: Fleitas Solich
SFC: Laércio; Dalmo, Mauro (Formiga) e Fioti (Feijó); Zito (Urubatão) e Calvet; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe
Técnico: Lula

Taça Brasil 1964
Flamengo e Santos ao longo da história travaram batalhas épicas em finais, que vêm desde os tempos de Pelé na conquista do Brasileiro de 1964. No primeiro jogo, no Pacaembu, para um público de 26.897 torcedores, 4 a 1 para o Santos, com 3 gols do rei e um de Coutinho. Paulo Choco, que substituiu Berico diminuiu para o Flamengo.
Ficou fácil e bastou o empate de 0 x 0 no Rio para o Santos ficar com a taça e o Tetracampeonato brasileiro.

Em 1983
Serginho Chulapa era a sensação do Campeonato Brasileiro, do qual terminou como artilheiro, com 22 tentos. Na primeira partida da decisão, vitória santista por 2 x 1, com gol dele e de Pita para o Santos. Baltazar diminuiu para o Flamengo. Público inimaginável para os dias atuais, 114.481 torcedores
Na grande final…….alguns culpam o excesso de confiança que culminou na derrota por 3×0, muitos culpam Arnaldo Cezar Coelho (a regra é clara) por inventar e marcar falta dentro da área, mas em dois toques, ao invés do pênalti. O jogo estava 1×0 e o Santos poderia ter mudado a história do jogo, mas ao contrario, os jogadores ficaram revoltados com o lance e perderam a concentração no jogo. O Flamengo que já tinha um belo time, ganhou um belo reforço e venceu por 3 a 0. A regra é clara?

Reação começou contra o Flamengo
Depois da derrota de 4 a 0 para o Vitória no Barradão, o Santos viu sua chances de classificação reduzida. O próximo jogo da tabela seria contra o Flamengo de Sávio e Romário no Maracanã, e o Santos sem Jamelli e sem G10vanni. Surpreendentemente o Santos aplicou 3 a 0, com gols de Marcos Adriano emprestado pelo Flamengo, Camanducaia e Robert ainda no primeiro tempo. Era o Centenário do time Carioca.

Essa foi a primeira vitória do Santos de uma sequência de seis dos sete jogos finais do Brasileiro de 1995, o que resultou na classificação para as semifinais.

Rio-SP 1997
Na última decisão, mas por outro campeonato, o Rio-SP 1997, 24.236 espectadores viram o Santos ganhar a 1ª partida por 2 a 1, gols de Alessandro e Macedo. Marcelo Ribeiro manteve viva a esperança de reverter o resultado no Rio com um gol aos 40 do 2º tempo.
Na segunda partida o Santos saiu na frente com o lateral Ânderson, mas viu o Flamengo virar ainda no primeiro tempo, com dois gols do baixinho Romário. Um simples empate dava o título ao Santos, mas a torcida rubro-negra já contava com ataça quando o artilheiro de um gol só Juari acertou um petardo de fora da área aos 32 do segundo tempo, e deu o título ao Santos! Era o quinto Rio-SP, fazendo o clube ser o maior detentor de títulos da competição.

Quartas-de-Finais da Copa do Brasil 2000
O Flamengo era bi campeão Carioca recente, por outro lado o Santos amargava mais um quase ao perder para o São Paulo a final do Paulista 2000.
Mas em campo, o jogo do dia 21 de Junho de 2000, no Maracanã, pelas quartas-de-finais da Copa do Brasil não refletiu isso. A partida marcou a melhor exibição do atacante Caio Ribeiro (hoje comentarista da TV Globo) com a camisa do Santos. Aos 28 minutos ele deu bela assistência para Dodô emendar de primeira e abrir o marcador. O segundo gol foi outra bonita jogada de Caio, que arrancou, driblou dois adversários e colocou Dodô livre para marcar o segundo aos 31.
A coroação
No 2º tempo, depois de belo cruzamento de Robert, Caio que foi ídolo na gaveá marcou um golaço de voleio.

Rincón ainda perdeu um pênalti sofrido por Claudiomiro. Mas foi Caio Ribeiro que voltou a brilhar aos 22 minutos, de cabeça, após cobrança de escanteio. Santos 4 x 0 Flamengo, no Maracanã.

O jogo da volta
Na Vila Belmiro, no dia 24 de Junho o Santos consolidou a classificação com nova goleada, 4 a 2. Marcaram para o Santos o lateral direito Marcinho e 3 vezes Dodô. Petkovich e Mozart diminuiram para o Flamengo.

Um jogo épico, onde a vitória foi do futebol
Um bela exibição de Neymar que rendeu o golaço de placa que ganhou o prêmio Puskas 2011 e a maior apresentação de Ronaldinho Gaúcho com a camisa do time da Gaveá. Duas grandes figuras do futebol brasileiro dos últimos anos e só isso não resume o que aconteceu na Vila Belmiro no dia 27 de Julho de 2011.
Veja essa crônica narrada por Milton Gonçalves

Lançamento do livro 100 anos, 100 jogos, 100 ídolos na Releajo

Estive ontem em Santos, com a Suzana, para dois compromissos. Primeiro, uma reunião com o Cidão, do Sesc, sobre a exposição “Imagens de uma paixão”, da qual sou um dos curadores. Tratam-se de fotos da torcida do Alvinegro Praiano, em homenagem ao Centenário do clube. Vi algumas fotos selecionadas e posso adiantar que estão fantásticas. Todo santista deve fazer um esforço para comparecer ao evento, que presta homenagem à figura mais importante do Santos Futebol Clube: o seu torcedor.

Depois, ao lado do amigo e notável pesquisador Celso Unzelte, estive lá na Realejo do amigo José Luiz Tahan para o lançamento, em Santos, do livro “100 anos, 100 jogos, 100 ídolos”, obra oficial do Centenário do Santos. Como sempre, estes eventos atraem as pessoas interessadas na história do futebol e do Santos. Pude rever o Iai, o José Henrique, o Khayat e, entre outros, conhecer o senhor José Fernandes, filho do grande Antoninho Fernandes, o Arquiteto da Bola (o filho do Antoninho é este senhor à direita do Celso Unzelte). Enfim, mais uma tarde maravilhosa cercada de amigos!

Você já pensou no risco que os quatro grandes paulistas correrão no Brasileiro?