Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: julho 2012 (page 1 of 6)

Ao menos garra nunca faltará!

A garra é o último recurso que pode levar um atleta à vitória. Quando faltam talento, organização e planejamento, o espírito de luta ainda pode fazer milagres.

O Santos já se valeu desta força interior muitas vezes: no bicampeonato mundial contra o Milan, em 1963; na virada contra o Corinthians, na decisão do título brasileiro de 2002; na vitória consagradora sobre o Fluminense em 1995… e no triunfo de domingo contra a Ponte Preta.

Quando Roger empatou para o time de Campinas, aos trinta e sete minutos do segundo tempo, nada parecia poder impedir que a vaca fosse para o brejo. O talentoso Victor Andrade tinha sido substituído por Miralles e Muricy Ramalho era vaiado pelos torcedores. Porém, a necessidade dramática da vitória fez o Santos se atirar todo ao ataque e a volúpia do gol acabou provocando o surpreendente gol de Miralles.

Às vezes a gente se esquece de que o Santos, exemplo de arte e beleza no futebol, tem também um coração enorme, capaz de proezas impossíveis para as outras equipes. Não é à toa que o Alvinegro Praiano é o único time grande do Brasil que não está sediado em uma capital.

Por isso é que, por mais que a situação esteja ruim, o santista costuma repetir que “time grande não cai”. Tenho certeza de que o Santos se manterá na divisão especial do Campeonato Brasileiro, pois, por mais que falte tudo o que o santista aprendeu a admirar no futebol, sempre haverá a garra para nos salvar.

Além da garra, o que podemos esperar mais deste time do Santos?


É preciso atravessar essa Ponte… E o show de Neymar

Na partida de hoje, às 18h30m, contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro, o Santos tem três possibilidades: uma vitória com goleada, uma vitória em jogo difícil, uma vitória injusta. De qualquer forma, é imprescindível que seja uma vitória. Qualquer outro resultado será ruim.

O técnico Muricy Ramalho, de contrato renovado com o clube, diz não se preocupar com as pressões contra alguns jogadores e manterá o mesmo time que tomou um vareio do Atlético Mineiro no meio da semana. A única mudança deverá ser o retorno de Durval no lugar de David Braz.

Assim, o Santos deverá atacar com os indefectíveis João Pedro e Bill e o meio-campo continuará com três volantes: Adriano, Arouca e Henrique. O único meia será o novato e instável Felipe Anderson.

Preve-se um jogo nervoso, quase desesperado, em que o gol será bem-vindo de qualquer maneira (afinal, fazx quatro jogos que o santista não sabe o que é comemorar um). A estética ficará em segundo plano. Não espere um jogo bonito. Há grandes possibilidades de a partida, se não for outro 0 a 0, seja decidida nas chamadas bolas paradas, ou devido a falhas, ou em chutes de longa distância.

A Ponte também não está grandes coisas. Com duas derrotas e um empate nos últimos quatro jogos, o time de Gilson Kleina já começou o campeonato preocupado com o rebaixamento. Entretanto, está com um saldo interessante contra os grandes de São paulo, pois já venceu Corinthians e São Paulo, ambos por 1 a 0. Certamente será um adversário perigoso.

Retrospecto dos confrontos entre Santos e Ponte Preta

Por Wesley Miranda

Santos e Ponte já se enfrentaram 115 vezes ao longo da história, com 65 vitórias praianas, 27 campineiras e 23 empates. O Peixe marcou 227 gols e a Macaca 130.

Em Brasileiros, desde o primeiro encontro, no Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1970, são 18 jogos, com oito vitórias do Santos contra seis vitórias da Ponte Preta e quatro empates. O time das praias fez 34 gols e o do interior, 2.

O artilheiro santista no confronto
Na liderança da tábua de artilheiros santista está José Macia, o Pepe, com 15 gols, seguido por Pelé, com 12, Tite, com oito, e Coutinho, com sete. Dorval e Vasconcelos, ambos com seis, e Álvaro, com cinco, completam a lista de maiores goleadores do Peixe no confronto contra a Macaca. Segue o restante:

Os primeiros confrontos
O primeiro encontro dos alvinegros aconteceu no dia 04/04/1926, na Vila Belmiro. O time campineiro surpreendeu e ganhou por 4 a 3. Aníbal Torres, mais conhecido por Camarão, marcou dois gols do Santos e Requião completou.

O Santos descontou quatro anos depois, no segundo confronto, em 20/04/1930, na Vila Belmiro: 5 a 3, com gols de Feitiço (2), Franco II (2) e Paulino. Segundo o pesquisador Guilherme Nascimento, esse jogo foi pró asilo dos inválidos.

No ano seguinte, foi a vez do Santos jogar fora de seus domínios, no dia 18/01/1931, nova vitória santista por 3 a 1, com gols de Camarão, Mario Seixas e um gol contra – o primeiro dos nove gols contra da Ponte Preta na história do confronto.

As maiores goleadas da história do Santos
Quando pensamos em Santos e suas goleadas, lembramos especialmente do autor de 1.091 gols na história do time: Pelé. Mas, curiosamente, o Alvinegro Praiano tem no seu histórico duas goleadas por 12 a 1, uma frente ao Ypiranga, em 1927, com aquele famoso ataque do 100 gols, e a outra em cima da Ponte Preta, em 1959, e Pelé não esteve em nenhuma dessas duas maiores goleadas da história santista. Contra a Ponte Preta, no dia 19/11/1959, na Vila Belmiro, bastou Coutinho e Pepe estarem em campo.

O jogo
Dalmo, Pagão e Mourão não tiveram preocupação na parte defensiva, e até o defensor Formiga foi mais ao ataque. Zito e Jair, mesmo sem muitas condições físicas, fizeram valer a técnica que tinham. No ataque, Dorval destoou um pouco de seus companheiros e chegou a perder algumas chances. Mas Agnaldo, que teve a enorme responsabilidade de substituir Pelé, foi bem, marcando dois gols. Pepe anotou quatro e Coutinho cinco dos doze gols.

No ano de 1959, o Santos estabeleceu o ataque mais arrasador de sua história, com 342 gols nos 99 jogos realizados naquele ano!

Vinte e dois gols em três jogos contra a Ponte Preta
Depois da goleada de 12 a 1, em 1959, os times voltaram a se enfrentar na Vila Belmiro na estreia do Campeonato Paulista de 1960, no dia 17/07. E o Santos goleou novamente, de uma forma mais “contida”: 6 a 3, com gols de Pepe (2), Pelé, Mengálvio, Dorval e Darci, que marcou contra a favor do Santos.

No dia 23/10/1960, Santos e Ponte se enfrentaram no Moisés Lucarelli pelo returno do Paulistão. O Peixe abriu o marcador no primeiro minuto de jogo com o fenomenal Pagão. Pelé ampliou aos 27 minutos, e estabeleceu a vitória parcial de 2 a 0. Logo no começo da segunda etapa, Armandinho devolveu o gol relâmpago e diminuiu antes do primeiro minuto. Mas Pepe, de pênalti, aos 14 minutos, e o gênio Coutinho, aos 42, decretaram a goleada por 4 a 1. Ninguém poderia imaginar que esse confronto ficaria tanto tempo sem acontecer depois dessa goleada.

Veja alguns segundos desse prélio e o gol de Pagão!

Pelé e o recorde de público
Com ausência de uma década de duelos, o primeiro confronto do Santos de Pelé depois do longo jejum no Moisés Lucarelli fez o estádio receber um público oficial de 33.500 torcedores. Porém, mais de 40 mil torcedores estavam presentes na vitória do Santos por 1 a 0, com gol de Douglas Franklin, em 16 de agosto de 1970. E esse é o recorde de público do Majestoso.

A despedida do Rei
Na partida do Paulistão do dia 02/10/1974, justamente contra a Ponte Preta, que Pelé decidiu até então encerrar a carreira. Estádio que foi palco de muitas alegrias, a Vila Belmiro lotou para ver pela última vez o Atleta do Século em ação com a camisa santista. O Rei, que jogou contundido, aguentou só até aos 23 minutos da primeira etapa. Pelé se ajoelhou no centro do gramado, abriu os braços em uma forma de agradecimento, se despediu emocionado e emocionando.

Pelé, que decidiu encerrar a carreira jovem, aos 34 anos, para parar no auge, poderia, sim, jogar no Santos no mínimo por mais quatro, cinco anos. Reveja esse jogo contra a Ponte Preta, no dia 20/05/1973, no último título Paulista do Rei e tire suas conclusões (o número 9 é Eusébio, que faleceu aos 58 anos, em 2010, em um acidente automobilístico).

Os Meninos da Vila X maior Ponte da história
A Ponte era um timaço em 1978, tinha Dicá e três jogadores que foram para a Copa de 78, na Argentina: o goleiro Carlos e os zagueiros Oscar e Polozzi. Um excelente time, um dos maiores do Brasil no fim dos anos 70. Esse time fez alguns grandes duelos decisivos com os meninos da Vila de Chico Formiga no longo Campeonato Paulista de 1978.

Semifinal do primeiro turno: com um golaço de falta de Ailton Lira, o Santos venceu por 1 a 0 e foi para a final do turno contra o Corinthians.

Semifinal do segundo turno: a Ponte venceu por 2 a 1, com gols de Lúcio e Jorge Campos. Claudinho fez o gol santista.

Na penúltima rodada do terceiro turno, o Santos bateu a Ponte por 2 a 0, com gols de Juary e, de novo, Ailton Lira, de falta, marcando outro golaço.

O Santos ainda contou com uma vitória da Ponte sobre o Juventus para se classificar para a semifinal como o segundo do grupo.

Além desses três confrontos, Santos e Ponte se enfrentaram no início do Paulista. No dia 03/09, no Moisés Lucarelli, mais de 33 mil pessoas viram o empate em 2 a 2. Os gols do Santos saíram já perto do fim do jogo, com João Paulo, aos 38 minutos, e Juary, aos 40.

Na rota do título

Na campanha do lendário título Paulista de 1984, o Santos somou 79 pontos em 114 disputados(69,29% e aproveitamento) e ficou com o título, o 15º estadual de sua história.

E contra a Ponte do goleiro Sérgio Guedes foram duas vitórias:

A primeira: 22/07, Brinco de ouro, 1 a 0 com gol do zagueiro Pedro Paulo

A segunda: 15/11, Vila Belmiro, 2 a 1 com gols do zagueiro Márcio e do suplente Ronaldo.

No mesmo 29 de julho, só que há 25 anos
Em jogo válido da 34ª rodada do Paulistão de 1987, o Santos goleou impiedosamente a Macaca por 6 a 1 na Vila Belmiro. O atacante Luis Carlos marcou quatro tentos nessa partida, e Mendonça os outros dois.

Kléber Pereira em dia de Pepe
Em 5 de abril de 2009, no Majestoso, o Santos precisava vencer a Ponte, vice do Paulista de 2008, para se classificar para as semifinais. Kléber Pereira marcou primeiro aos 38 minutos de jogo, colocando o Santos em vantagem no primeiro tempo. Na volta do intervalo, a Ponte Preta do goleiro Aranha fez mais que só cumprir tabela ao fazer dois gols relâmpagos e virar o jogo. O resultado eliminava o Santos e classificava a Portuguesa. Mas, aos 37 minutos do segundo tempo, Kléber Pereira iniciou a reação com o gol de empate e consolidou a classificação ao converter um pênalti aos 43 minutos! Um jogo histórico do time das viradas.

A última decisão
Apesar de estar dividindo a atenção com a Libertadores, o Santos era o grande favorito das quartas de final do Paulista de 2011. Mas a Ponte, invicta contra os grandes, vendeu caro a derrota, mesmo jogando na Vila Belmiro. O gol da classificação saiu aos 20 minutos, dos pés do iluminado Neymar.

O último confronto
Pela primeira fase do Campeonato Paulista 2012, Santos e Ponte se enfrentaram no dia 25/02, na Arena Barueri. O Peixe queria confirmar sua boa fase e conseguir a quinta vitória consecutiva. A Macaca lutava para se manter no G8.

Um dos maiores jogos do Santos no ano de 2012 só teve gol aos 27 minutos, com Neymar, e ampliado com Ganso, aos 34.

Na segunda etapa, Uendel, aos seis minutos, diminui para a Ponte, mas Ferron, aos 11, marcou contra o terceiro do Peixe! O zagueiro Edu Dracena ainda marcou dois gols e Neymar completou a goleada com mais um gol!

No fim, 6 a 1 para o Santos e a Ponte teve três jogadores expulsos: Cicinho, Guilherme e Renato Cajá.

Apesar da goleada, a Ponte Preta fez boa campanha, e só foi eliminada no derby campineiro nas semifinais.

O mundo já sabe quem é Neymar

Este post é sobre o jogo do Santos, mas não dá para ficar sem falar da memorável exibição de Neymar, hoje, contra a Bielorrúsia. Um golaço de falta, duas assistencias magistrais e inúmeras jogadas que encantaram o público britânico deram uma boa ideia, ao mundo, de quem é e do que ainda pode conseguir no futebol o Menino de Ouro da Vila Belmiro.

É particularmente difícil para nós, santistas, conviver com essa má vontade de muitos contra Neymar. Mas já estamos acostumados. Essa inveja explítica também perseguiu e ainda tenta incomodar Pelé, o Rei do Futebol. Mas Pelé driblou a sordidez alheia, assim como Neymar vem fazendo.

Enfim, é lindo perceber que no final a beleza, a arte e o bem sempre vencem. Mordam-se, invejosos. Neymar é um dos astros desta Olimpíada que é vista pos bilhões de pessoas. E é do Santos Futebol Clube

E pra você, como o Santos deve atravessar essa Ponte?


Como ter um time e um clube sem crises?

O santista, que em um mês deixou de sonhar com o título mundial, no Japão, e vê o seu time, pelo quinto ano seguido, capengando no Campeonato Brasileiro, deve estar se perguntando se há uma fórmula contra esses altos e baixos que acometem as grandes equipes brasileiras.

Por que clubes como Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Bayern de Munique, não passam por situações assim? Por que, entra anbo, sai ano, estão sempre no topo? A resposta não é tão simples, mas inclui, certamente, organização, planejamento e trabalho.

Não vou dizer que “acho” que essas três exigências básicas não estão sendo cumpridas no Santos. Eu tenho certeza de que não. Há um pouco de cada? Sim. Há quem organiza, planeja e trabalha no Alvinegro Praiano? Sim, claro. Nunca se pode generalizar. Mas, no todo, porém, a começar pela cúpula, hoje formada pelos sete elementos do “comitê gestor”, o clube não é regido por essas diretrizes básicas.

Nunca se gastou tanto. E tão mal

O fato de o Santos estar sem dinheiro para contratar jogadores só mostra como tem gastado muito e mal. Além dos profissionais ligados diretamente ao futebol, o setor administrativo nunca foi tão oneroso. Muitos amigos que colaboraram na campanha foram premiados com cargos e salários em niveis bem acima do mercado da cidade de Santos. A bomba estourará na mão dos sucessores do Cirque du Soleil, que terão de se equilibrar no arame e fazer contorcionismos para evitar a falência.

Era possível ter sido mais comedido e responsável. Não o foram e agora, com as dívidas aumentando, querem cortar jogadores ou contratar “de graça”, ao invés de fazer o que é óbvio: racionalizar a folha de pagamentos da área administrativa, que está super inchada.

Falta política para os jogadores de base

Leio que Geuvânio foi vendido. Vendido? Mas é um garoto da base que começava a dar sinais de futebol e mostrava muita vontade. Não seria ideal emprestá-lo, com a possibilidade de traze-lo de volta mais experiente? Não foi assim que Wesley se revelou um grande jogador?

Percebe-se claramente que aquilo que era um pesadelo nos tempos de Vanderlei Luxemburgo, está acontecendo de novo. Há jogadores atuando por acordo com empresários ou grupos econômicos. Investe-se e depois é preciso que o jogador jogue para ser visto, valorizado e negociado. Essa política é contraproducente, pois impede o lançamento dos garotos. Por que nenhum garoto tem oportunidade de jogar no meio-campo, mesmo diante da eterna má fase de Henrique?

É claro que eu sei que nem todos os meninos revelados no Santos têm possibilidade de serem titulares no time profissional. Talvez não tenham nível sequer para serem reservas. Mas merecem oportunidades, atenção, orientação e carinho. Ficaram anos ralando nas categorias de base e agora estão perto do sonho. Precisam ser motivados e não tratados com desdém. Um bom técnico corrige os “defeitos de fábrica”.

O Santos deve ser tratado como uma grande empresa

Pelo que movimenta de capital todos os anos, o Santos tem o porte de uma grande empresa e deveria ser administrado ao menos com o mesmo profissionalismo e competência. Com todo o respeito ao Luis Álvaro, a quem me simpatizo como pessoa, não dá para achar que presidir o Alvinegro Praiano é só ter algumas frases de efeito preparadas para as entrevistas. É preciso planejar e comandar pessoalmente os projetos mais importantes, estar presente nos bons e maus momentos, falar com os funcionários, ir às categorias de base, reunir-se com políticos e empresários e, algo tão frugal que nem deveria ser citado, mas que no Santos é vital: dar expediente.

Eu já achava estranho Marcelo Teixeira trabalhar apenas meio período no clube. Mas agora temos um presidente que some por dias seguidos, semanas inteiras… Uma organização se torna uma nau sem rumo sem o seu comandante. Não dá para tirar férias quando o circo está pegando fogo, não dá para encarar a presidência do Santos como um bico.

Um time de futebol é paixão, sim, mas não pode ser apenas movido pelas paixões. Estas, devem ser motivadoras, claro, mas o que determinará o ponto a que este clube deve chegar é a capacidade de criar projetos, encontrar soluções para os eternos dilemas que o afligem e trabalhar arduamente para concretizá-los. Isso é o que se vê nos grandes clubes europeus citados no início deste post.

O presidente tem dito que o Santos não está gastando mais do que arrecada. Admitindo-se que ele não esteja enganado ou mal informado, eu diria que o problemna, no momento, não é esse. Pela fortuna que arrecadou em 2011, era para o clube ter saudado boa parte de suas dívidas – que continuam aumentando – e reforçado o elenco. Permitir que a dívide cresça em proporção geométrica e manter e contratar jogadores medíocres é a receita pronta do fracasso que o sucessor assumirá.

Talvez eu esteja pedindo demais dessas pessoas que hoje dirigem o Santos, pois cada um dá apenas o que pode dar e provavelmente eles achem que estão fazendo o máximo e que eu é estou sendo chato e injusto. Porém, se estão fazendo o máximo que podem, sinto dizer-lhes, mas o máximo deles não chega a ser o mínimo do que o Santos precisa. E se encararem essas críticas apenas pelo lado construtivo, verão que ela encerra grandes verdades e, talvez, tenham a humildade de rever o caminho temerário que estão traçando para o nosso clube do coração.

E para você, por que o Santos não se livra das crises?


Aconteceu o que a gente já esperava. Infelizmente…

Quem acompanha este blog não ficou surpreso com a derrota do Santos para o Atlético Mineiro, por 2 a 0. Não estranhou as tropicadas do estreante Bill – de quem o Santos, em um lance ousado dos sete gênios do comitê gestor, comprou 100% do passe –, das caneladas de João Pedro, que veio da Traffic, e do desarranjo total do time, que parecia reunido pela primeira vez para um jogo entre casados e solteiros. Muito menos se admirou com as explicações de Muricy Ramalho, o técnico mais bem pago da América do Sul, que novamente não conseguiu fazer seu time jogar futebol e ao menos marcar um golzinho fora de casa, e no fim alegou que “esse não é o Santos”.

Talvez, se Muricy tomasse o soro da verdade, pudesse ter dito: “Esse não é o Santos e eu não sou o técnico do Santos. Depois de fazer até aqui a campanha mais vexatória do Santos em um Campeonato Brasileiro, pego o meu boné e vou embora. Não cobrarei multa alguma, pois acho que o clube já vem me pagando muito pelo trabalho precário que venho realizando. Aos santistas, peço desculpas pela vergonha que tenho feito vocês passarem. Sem o Neymar eu não tenho tática alguma. Nem o chuveirinho está dando certo dessa vez. Foi bom enquanto durou. Adeus”.

Para completar, o presidente Luis Álvaro Ribeiro, depois de tomar o mesmo soro, poderia confessar: “Não tenho mais saco para presidir um time que só perde. Como vou soltar minhas frases de efeito? Reconheço que não entendo bulhufas de futebol, mas contratei um monte de gente a peso de ouro, todos registrados pela CLT, e o time e o clube continuam cheios de problemas. O dinheirão que entrou já foi todo pelo ralo. Pensei que o Muricy fosse resolver, mas já vi que sem o Neymar ele não sabe como armar o time. Para falar a verdade, já estou pensando nas minhas próximas férias. Acho que vou para Curaçao ou para a Riviera Francesa. Esse negócio de futebol fica muito chato quando a gente tem de explicar as derrotas”.

Bem, eles não disseram isso. E, pelo que conhecemos deles, jamais dirão. Não têm humildade para reconhecer que a culpa de o Santos estar nessa situação é, principalmente, deles dois. Se queriam os méritos nos títulos, se bateram no peito para dizer “eu fiz isso, eu fiz aquilo, eu fui campeão, eu tenho sorte”, agora precisam ser honestos e reconhecer que são os grandes culpados por esses vexames seguidos que o Santos tem dado nesse Brasileiro.

Os jogadores? Não vou culpar nenhum deles. Não pediram para serem contratados, não pediram para serem escalados e não pediram para entrar em campo sem um treinamento adequado e sem uma orientação tática decente. São um bando, voluntarioso, mas sem qualquer planejamento ou liderança.

Com essa campanha horrenda o Santos está repetindo o retrospecto de 2008, quando namorou o rebaixamento durante todo o campeonato. É evidente que faltam jogadores de qualidade e não dá para esperar mais. Está na hora de aparecer ao menos uma parte daqueles 40 milhões de reais prometidos na campanha (lembram-se, senhores?). Sem um atacante decente e um meia minimamente eficaz, talvez nem Neymar e Paulo Henrique Ganso consigam salvar o Alvinegro Praiano do destino sombrio que se avizinha – e justo no ano de seu centenário.

Tirem os traseiros das cadeiras e trabalhem, senhores. Quem avisa, amigo é.

E você, o que acha da situação do Santos neste Brasileiro?


Santos ataca de Bill!


Aposta da diretoria, Bill estreia no Santos. Se for tão matador quanto o outro, beleza.

Meus amigos, hoje é aquele dia em que mesmo o 0 a 0 – placar preferido do técnico Muricy Ramalho – será recebido com alegria pela galáxia santista. O adversário é o Atlético Mineiro, líder do campeonato, que joga em sua casa e é amplo favorito.

Quanto ao nosso Santos, hoje volta David Braz e estreia Bill. Não, não é Bill Gates e nem Bill Clinton (e nem “Cherno Bill”, como um engraçadinho denominou). É o Bill jogador, que estava encostado no outro alvinegro e do qual o Santos comprou 100% do passe, em um lance ousado de seu comitê gestor. Se nosso Bill revelar-se tão matador quanto o lendário Buffallo Bill, estará ótimo.

O cowboy norte-americano matou índios e búfalos a dar com pau. Do nosso impetuoso Bill só esperamos muita trombada lá na frente e uns golzinhos de vez em quando. Se puder ser hoje, beleza. Mesmo as péssimas contratações do Santos merecem total apoio a partir do momento em que vestem o manto sagrado. E Bill terá ao seu lado, no tímido ataque muriciano, o argentino Miralles, que até agora não disse a que veio. Torçamos… Um dia a sorte tem de mudar…

O time mais provável que o professor Muricy Ramalho colocará em campo será formado por Aranha, Bruno Peres, Bruno Rodrigo, David Braz e Léo; Adriano, Henrique, Arouca e Felipe Anderson; Miralles e Bill. Como podem perceber, a dupla de zaga é toda reserva, com Bruno Rodrigo e a volta de Bruno Braz, aquele que veio do Flamengo na troca por Ibson. Que os deuses do futebol os protejam.

o Atlético Mineiro, dirigido por Cuca, deverá ser escalado com Victor, Marcos Rocha, Réver, Leonardo Silva e Júnior César; Pierre, Serginho, Danilinho e Ronaldinho Gaúcho; Bernard e Jô. Talvez o ex-Menino da Vila André entre no decorrer da partida.

O jogo será realizado no Estádio Independência, em Belo Horizonte, a partir das 21 horas. A arbitragem será de Antônio Denival de Morais (PR), auxiliado por Roberto Braatz (Fifa/PR) e José Carlos Dias Passos (PR). Esse Roberto Braatz é aquele que todos consideram um dos melhores bandeirinhas do Brasil, que erra muito pouco, mas sempre que erra costuma prejudicar o Santos. Olho nele!

Retrospecto: nos jogos importantes só deu Santos

Por Wesley Miranda

Santos e Atlético MG já se enfrentaram oficialmente 82 vezes ao longo da história. O Peixe conquistou 29 vitórias contra 31 vitórias do Galo e 22 empates. O time de Vila Belmiro marcou 116 tentos e o mineiro 125.
Em Brasileiros, desde o primeiro confronto, na Taça Brasil/1964, são 52 jogos, com 17 vitórias do Santos contra 20 vitórias atleticanas e 15 empates. Foram 67 gols santistas e 77 mineiros.


Os artilheiros santistas do confronto
Liderando a tábua de artilheiros em confrontos contra o Atlético-MG está Pelé, com 10 gols. O Rei do Futebol enfrentou o galo em 16 oportunidades, vencendo oito, empatado quatro e sendo derrotado outras quatro vezes.
Na vice artilharia está Toninho Guerreiro, com sete gols, seguido por Kléber Pereira e a joia Neymar, com cinco gols. Veja o restante:

O primeiro encontro
O primeiro prélio das duas equipes aconteceu em um amistoso disputado na Vila Belmiro, no dia 05/10/1938. Vitória do quadro santista por 2 a 0, com gols de Rui e Aurélio.

O primeiro título interestadual
No começo da década em que iria acontecer o big bang do futebol brasileiro, o Santos conquistou seu primeiro título interestadual. Foi no começo de 1951, em Minas Gerais, em um quadrangular que reunia além do paulista Santos, a elite do futebol mineiro: Atlético-MG, Cruzeiro e América.
O jogo de estreia contra o tricampeão mineiro (entre 1943 e 45), o Cruzeiro, aconteceu no dia 26/02. Vitória santista por 4 a 3. O segundo jogo, contra o América, único decacampeão mineiro da história (1916 a 25) e campeão estadual de 48, aconteceu no dia 01/03. Vitória santista por 1 a 0.
O último e decisivo jogo foi contra o forte Atlético-MG, bicampeão mineiro (1949 e 50) e coroado campeão do gelo. O galo mineiro também ganhou suas duas partidas: do América por 3 a 2 e do Cruzeiro por 3 a 0.
A partida foi disputada no Estádio Otacílio Negrão de Lima, no dia 04/03. O Santos venceu por 2 a 0, com gols de Nicácio e Odair Titica, e conquistou de maneira invicta o seu primeiro interestadual.
Esse foi considerado um marco para a torcida santista, assim como foi a excursão para o norte do Brasil.

Aniversário do Santos
No dia 15/04/1951, o Atlético-MG disputou um amistoso na Vila Belmiro em comemoração ao 39º aniversário do Santos FC. O Peixe ganhou novamente: 3 a 0 com gols de Nicácio (2) e Pinhegas.
O Santos conquistava sua segunda vitória frente ao quadro atleticano em pouco mais de um mês.

Quartas de final de 1964
Mesmo sendo o Tricampeão Brasileiro com a conquista da Taça Brasil de 1963, o Santos FC estreou na disputa de 1964 nas quartas de final. O Palmeiras, como campeão Paulista de 1963, garantiu a estreia na semifinal.
Para chegar as quartas de final, o campeão mineiro de 1963, o Atlético, eliminou o capixaba Rio Branco (1×1 e 1×0) e o catarinense Metropol (1×0 e 2×1)
O primeiro jogo da decisão aconteceu em Belo Horizonte, no dia 18/10. Com Peixinho no lugar de Dorval e Toninho no lugar de Coutinho, o Santos goleou o Atlético por 4 a 1, com gols de Pepe (2), Pelé e Toninho Guerreiro. Com o resultado, para o Santos bastava apenas um empate no segundo jogo para avançar as semifinais. Para o time mineiro, uma vitória simples para provocar o terceiro jogo.
O segundo jogo da decisão, no estádio do Pacaembu, no dia 25/10, terminou em nova goleada santista: 5 a 1, com gols de Toninho Guerreiro (2), Pelé (2) e Peixinho. O Peixe se classificava para jogar as semifinais contra o Palmeiras de Ademir da Guia, Dudu, Ademar Pantera… e, respectivamente, o Flamengo na final, conquistando o tetracampeonato.

Torneio Roberto Santos (Taça cidade de Salvador)
Para preencher o calendário dos times que não estavam classificados para a segunda fase do Brasileiro de 1975, o Governo do Estado da Bahia promoveu um torneio com as respectivas equipes: Santos, Bahia, Vitória, Atlético-MG, Vasco, Remo, Figueirense e Coritiba.
Na primeira fase, o Santos enfrentou no primeiro jogo o Bahia, e empatou em 1 a 1, com Pelé voltando a vestir a camisa do Santos. O Rei era embaixador do Torneio. Em seguida, o Figueirense, vitória de 3 a 2.
No último jogo do grupo, o Atlético-MG, e vitória santista por 1 a 0. Os dois times passaram para as semifinais, e, em mais um confronto, um empate em 1 a 1, com Santos conquistando a vaga na final nas penalidades por 4 a 3.
Na final, o Santos derrotou o Vitória por 3 a 0 e saiu campeão do Torneio Roberto Santos.

Semifinais do Brasileiro de 1983
Depois de eliminar o Goiás nas quartas (0x0 e 2×2) com a vantagem de dois resultados iguais, o Santos se qualificava para jogar as semifinais com o Atlético-MG, que eliminara o Sport Recife (0x0 e 4×1).
O time mineiro, com Reinaldo, João Leite, Luisinho, Nelinho e Éder, jogava por dois resultados iguais e a vantagem da segunda partida em seus domínios.
Na primeira partida, disputada no Morumbi em 12/05, o Santos saiu na frente com Serginho Chulapa aos 47 minutos do primeiro tempo. Na segunda etapa, Éder deixou tudo igual aos 13 minutos. Aos 24, Serginho Chulapa deu números finais ao jogo!

No segundo jogo, no dia 15/05, mais de 113 mil torcedores esperavam o Atlético fazer valer o favoritismo em sua casa. Mas brilhou a estrela de Marola, que garantiu o 0 a 0, evitando a reedição da final de 1980 entre Atlético-MG e Flamengo e repetindo a final de 1964 entre Santos e Flamengo.

Copa Dener
Durante o período da Copa do Mundo de 1994, a federação carioca criou um torneio para homenagear o jogador Dener, que morreu tragicamente em um acidente de automóvel no dia 18/04/1994. Entre os clubes convidados estavam Santos, Atlético-MG, Botafogo, Cruzeiro, Portuguesa (onde Dener foi revelado) e Vasco da Gama (time que defendia quando morreu).
O torneio foi disputado com jogadores reserva, e o Santos estreou com uma derrota para o Botafogo, no Rio, por 2 a 1. Na segunda partida, em Juiz de Fora, o Santos goleou o Atlético-MG por 4 a 0. Na terceira partida, empatou em 3 a 3 com o Vasco no Rio. Na quarta partida, nova vitória em Minas: 1 a 0 no Cruzeiro e, na última rodada: 4 a 0 na Portuguesa, no Canindé.
O regulamento previa uma final em jogo único com os dois melhores da primeira fase. Sendo assim, Santos, com sete pontos, e Atlético-MG, com seis, fizeram a final no dia 16/06/1994, no Rio de Janeiro. O Peixe ganhou novamente do Atlético-MG: 4 a 2, com gols de Luciano (2), Ranielli e Demétrius, e ficou com o título do torneio.
Obs.: o Santos não contabiliza esse jogos nas estatísticas oficiais do clube, pois o torneio foi disputado por um time B do Peixe.

Disputa até a última rodada
No Brasileiro de 1995, Santos e Atlético-MG duelaram por uma vaga nas semifinais até a última rodada do segundo turno. Com a vitória do Galo sobre o Vitória por 3 a 0, em Brasília, bastava apenas um empate entre Santos e Guarani no jogo que acontecia no mesmo horário. Mas o gol salvador de Marcelo Passos a poucos minutos do fim do jogo e o gol nos acréscimos do Messias Giovanni garantiram o Santos nas semifinais.
Apesar da disputa acirrada até a última rodada, Santos e Atlético-MG se enfrentaram apenas no começo do campeonato, no primeiro turno. Vitória santista por 2 a 1, no Mineirão, com gols de Jamelli aos 21 minutos e Camanducaia aos 27 minutos do primeiro tempo.

Duelo de oito gols
Santos e Atlético-MG protagonizaram um jogo emocionante na Vila Belmiro no dia 19/08/1998, válido pelo Brasileiro. O time mineiro chegou a estabelecer três gols de vantagem por duas vezes no decorrer da partida: 3 a 0 e 4 a 1. Mas o Santos, com o colombiano Aristizabal, Viola e Claudiomiro, conseguiu o empate a 15 minutos do fim. Um eletrizante 4 a 4, digno de ser revisto. Esses dois pontos, fizeram diferença na desclassificação do Atlético-MG, que ficou de fora das quartas de final no critério de números de vitórias, perdendo a vaga para o Grêmio.

Quartas de final da Copa do Brasil 2010
Depois de eliminar o Guarani nas oitavas (8×1 e 2×3), o Santos chegava para mais uma decisão contra o Atlético. O time mineiro, comandado por Luxemburgo, eliminou nas quartas o Sport Recife (1×0 e 2×0).
No primeiro confronto, no dia 28/04, no Mineirão, o Atlético ganhou por 3 a 2 com três tentos de Diego Tardelli, tendo anotado para o Santos Robinho no último minuto do primeiro tempo e Edu Dracena aos 37 minutos do segundo tempo. Gols que fizeram a diferença na disputa contra o Galo.

O jogo da volta
Sem muito tempo para comemorar suas conquistas estaduais (o Santos conquistou o Paulista em cima do Santo André e o Atlético-MG em cima do Ipatinga), os times já voltaram a se enfrentar no jogo da volta das quartas de final na Vila Belmiro no dia 05/05.

O Santos abriu 2 a 0 com André aos 16 minutos e Neymar aos 43, mas viu com preocupação quando Correa diminuiu nos acréscimos da primeira etapa. No segundo tempo, logo aos quatro minutos, Wesley devolveu a tranquilidade quando marcou 3 a 1. O gol da classificação para a semifinal:

E para você, o que o Santos de Bill poderá fazer hoje contra o Galo?


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