Não, não estou sendo pessimista. Apenas realista. O jogo é na Vila belmiro, mas o Grêmio será mais ofensivo e tem um técnico – Vanderlei Luxemburgo – bem menos retranqueiro do que Muricy Ramalho. E Luxemburgo sabe que o antídoto contra o Santos, na Vila, é atacar o Alvinegro Praiano. Para piorar, o Santos jogará desfalcado, e Neymar – que faz sua última partida pelo time antes de viajar com a Seleção Olímpica – está escalado como o único atacante.

Mesmo jogando em casa, Muricy fechará o time e especulará nos contra-ataques. Não espere mais do que uma atuação decepcionante do Santos e, no máximo, um empate com poucos ou nenhum gol.

Elano terá mais uma oportunidade de mostrar algum futebol, mas pouco devemos esperar dele – ainda mais porque no meio-campo do Grêmio há o dinâmico Zé Roberto, que é mais velho do que Elano, mas se apresenta muito mais para a partida e leva uma vida regrada, o que inclui não ingerir uma gota de álcool.

É claro que torcerei muito pelo Santos e espero queimar a língua, mas não vejo como o time possa vencer o Grêmio. A não ser que Neymar jogue mais do que Pelé, que Elano acerte as faltas que erra sempre, que Felipe Anderson acorde para o futebol e a vida…

O nada ousado Muricy escalará o Santos com Rafael, Bruno Peres, Edu Dracena, Durval e Juan; Adriano, Henrique, Arouca, Elano e Felipe Anderson; Neymar. Bruno Feres é mais um lateral que estrea no time. Já perdi as contas de quantos laterais o clube tem. O pior é que a quantidade não corresponde à qualidade. Como sempre, o meio de campo terá uma multidão de jogadores, pois é evidente que o grande objetivo de Muricy é não perder.

Quem encostará em Neymar para tentar fazer alguma tabela? Juan, Arouca, Felipe Anderson? Quem meterá uma bola para Neymar entre os zagueiros? Elano? Veja por aí, caro leitor, como serão sombrias as perspectivas de gol para os santistas. Se ao menos o técnico ousasse um pouquinho e escalasse o garoto Victor Andrade desde o começo, haveria uma tênue esperança. Mas Muricy é pragmático demais para acreditar em sonhos e fantasia – justamente o material de que é feito o futebol.

O Grêmio deverá jogar com Marcelo Grohe, Tony, Werley, Gilberto Silva e Léo Gago; Fernando, Souza, Marco Antônio e Zé Roberto; Kleber e Marcelo Moreno. É um time que não tem uma estrela, como Neymar, mas no todo é uma equipe melhor. Kléber Gladiador e Marcelo Moreno formam uma dupla de ataque perigosa, que dificilmente passará em branco.

Espero muito me enganar, mas não acho que com essas formações o Alvinegro Praiano faça jus ao seu ótimo retrospecto contra o tricolor do Sul. Mesmo jogando na Vila, até mesmo o empate será um resultado difícil de ser conseguido pelo time do professor Muricy. Bem, essa é a minha opinião. E a sua, qual é?

Retrospecto Santos x Grêmio

Por Wesley Miranda

Santos e Grêmio fazem duelo de número 70 na história, com 31 vitórias do Peixe, 16 empates e 23 vitórias gremistas. O Santos marcou 99 gols e sofreu 74.
Em Brasileiros desde seu inicio em 1959, são 53 confrontos com 24 vitórias do Santos, 13 empates e 16 vitórias do Grêmio. 70 gols foram alvinegros e 48 tricolores..

SANTOS: V, E, D

Brasileiro: 24, 13, 16
Libertadores: 1, 0, 1
C. Brasil: 1, 0 , 1
Amistoso e 5, 3, 5
outros*:

Os artilheiros santistas
O artilheiro do confronto só poderia ser Pelé, com 10 gols. O rei do futebol jogou contra o Grêmio em 12 oportunidades onde obteve 6 vitórias contra 4 derrotas e 2 empates.
Abaixo contaremos as histórias de jogos em que ele marcou no total de 5 gols. Os outros gols saíram na vitória de 3 a 1no Robertão de 68, na derrota da Taça de Prata de 69 por 2 a 1, em um amistoso na Vila Belmiro, 2 a 0 e a despedida foi na goleada de 4 a 0 do Brasileiro de 1973.
Na vice artilharia vários jogadores de várias épocas diferentes, como Del Vecchio, Jair Rosa Pinto (autor dos dois primeiros gols do Santos em brasileiros) o gênio Coutinho, o Messias G10vanni (que em uma vitória de 4 a 1 na Vila Belmiro em 1995 marcou os 3 gols) Alessandro Cambalhota, Alberto e Robinho.

O primeiro encontro. Gol de Friedenreich
Meses antes de conquistar o primeiro Campeonato Paulista de sua história, o Santos excursionou pelo Rio Grande do Sul para uma série de amistosos. No primeiro jogo no dia 12/05/1935 o Santos empatou em 1 a 1 com o Internacional de Porto Alegre. No segundo jogo da excursão, o adversário foi o Grêmio Futebol Porto Alegrense no extinto Estádio da Chácara das Camélias, derrota do Peixe por 3 a 2. A grande atração da partida e da excursão foi o consagrado e veterano atacante Arthur Friedenreich(com 43 anos), que anotou um dos tentos santistas na derrota, tendo outro experiente jogador, Mário Seixas, anotado o outro tento.

O primeiro jogo em Brasileiros, a primeira decisão
Elaborada em 1958 e criada em 1959 pela CBD presidida por João Havelange, a Taça Brasil tinha como finalidade apontar o campeão nacional e consequentemente o representante do Brasil na Libertadores da América que seria disputada pela primeira vez em 1960. O critério para a disputa dessa Taça Brasil era o título regional. O Grêmio que havia conquistado o campeonato Gaúcho de 1958, e o Santos campeão Paulista de mesmo ano garantiram suas participações na I Taça Brasil.
Nas primeiras fases do campeonato, o Grêmio eliminou o Atlético PR(1×0 e 1×0) e o Atlético MG(4×1 e 1×0) passando para as semifinais.
Por ser do forte eixo Rio-SP e por uma questão de facilitar a disputa(por conta de extensas viagens) o Santos já tinha garantido a presença nas Semifinais do campeonato.
E foi em uma semifinal de Taça Brasil que o alvinegro de Vila Belmiro fez sua primeira partida em campeonato Brasileiro e o adversário foi o até então invicto Grêmio do zagueiro Calvet.
Na primeira partida da decisão, em 17/11/1959 na Vila Belmiro, o Santos aplicou uma goleada de 4 a 1 sobre os Gaúchos. O experiente Jair Rosa Pinto anotou os primeiros dois gols do prélio e da história do Santos em brasileiros, mas Gessi diminuiu para o time tricolor. Faltando 10′ minutos para o termino da partida o gênio Coutinho aumentou e o xerife Urubatão ampliou! Santos 4×1 Grêmio.
No dia 25/11/1959 o Santos viajou para o Sul para a disputa da partida decisiva. O empate de 0 a 0 garantiu o Santos na final contra o futuro campeão Bahia.

A segunda decisão
Campeão Gaúcho de 1962, o Grêmio entrou para a disputa da Taça Brasil 1963. Nas primeiras fases eliminou o Metropol de SC (1×1 e 2×0) e novamente o Atlético MG(1×1 e 2×1)credenciando para as semifinais.
Mas para azar do forte time do Grêmio, no caminho tinha um Santos, atual Bicampeão Brasileiro, Bi da Libertadores e Bi mundial.
No primeiro jogo no Rio Grande do Sul já no começo de 1964, mais de 50 mil pessoas compareceram na esperança da vitória do time tricolor frente ao esquadrão alvinegro de Pelé e Coutinho.

O jogo
O time gaúcho jogando de igual para igual abriu o marcador aos 6′ minutos com Paulo Lumumba. Mas o Santos com o seu esquadrão virou com gols do gênio Coutinho(2) e Pelé. Grêmio 1×3 Santos.
Nesse jogo, o lendário lance em que fez a torcida adversária aplaudir de pé. Pelé “chapelou” um adversário na meia cancha e sem deixar cair no solo tocou para Coutinho, que no alto se livrou de um marcador e voltou de cabeça para o Pelé, e assim foi de cabeça a cabeça até a área. O lance não resultou em gol mas ficou para história.
Sem essas valiosas imagens, mas com outras, veja abaixo esse épico do maior time de todos os tempos, ao som da maior banda de todos os tempos.

Se o primeiro confronto das semifinais já não rendeu história suficiente, o segundo foi tão, o ainda mais marcante.
Jogando no Pacaembu apenas três dias depois no dia 19/01/1964 o Grêmio viu o José Macia, o Pepe, abrir o marcador aos 6′ minutos com uma de suas famosas bombas de falta. O valente Grêmio, a exemplo do Santos no sul virou para 3 a 1 e em apenas 5 minutos com gols de Paulo Lumumba(2) e Marino. Ainda na primeira etapa, Pelé diminuiu para 3 a 2. Na etapa complementar, o rei anotou mais 2 gols aos 13′ e aos 40′ e para completar a festa, foi para o gol depois de Gylmar ser expulso.

Duelo de artilheiros máximo
Depois desse confronto pela Taça Brasil de 1963, as duas agremiações só foram se encontrar no Robertão de 1967. Jogando no Estádio Olímpico valido pela segunda rodada do certame no dia 12 de Março, o prélio terminou empatado em 1 a 1 com gols de seus goleadores máximos. Do lado do Santos, Pelé, que é até hoje o maior artilheiro santista com 1.091. Do outro lado, Alcindo, até hoje o maior artilheiro da história do Grêmio com 264 gols.
Mais de 44 mil pessoas assistiram a partida, e a renda de NCr$ 95.375,00 foi recorde no Rio Grande do Sul!
Alcindo Martha de Freitas jogou também no Santos de 71 a 73 onde marcou 46 gols.

A terceira decisão
Depois de eliminar o São Paulo (time com melhor campanha na primeira fase) pelas quartas de finais, o jovem Santos de Emerson Leão agora tinha pela frente o experiente Grêmio do técnico Tite pelas semifinais do Brasileiro 2002. O time gaúcho tinha eliminado o conterrâneo Juventude (0x0 e 1×0).
No primeiro confronto na Vila Belmiro, o Santos não se intimidou com a força sulina e com gols do príncipe Alberto(2) e do menino Robinho, ganhou de 3 a 0 dando enorme passo para a grande final.

Mas ainda faltava o jogo no Sul, e mesmo tendo que ganhar por três gols de diferença, a esperança gremista de reverter o resultado era grande.
O time de meninos ofensivos e inexperiente deu lugar a um time cauteloso e experiente. A tática certeira de segurar o ímpeto gaúcho que só conseguiu o único gol do jogo aos 23′ minutos do segundo tempo com o ex santista Rodrigo Fabri deu certo, e o Santos voltava a disputar uma final de brasileiro depois de 7 anos e garantia a volta a Libertadores depois de 18 anos.

A quarta decisão – Nosso único revés
Depois de uma irretocável primeira fase de Libertadores quando ganhou os 6 jogos e sofreu apenas 1 gol, o invicto Santos que tinha eliminado o Caracas nas Oitavas e o América do México nas Quartas era o favorito na disputa com o irregular Grêmio pelas semifinais da Libertadores 2007.
Mas em casa o time gaúcho tinha perdido apenas 1 partida no ano.

O jogo
O jogo seguiu equilibrado até o zagueiro Aválos segurar Diego Souza dentro da área e cometer pênalti. Na cobrança, Tcheco que é um grande jogador pelo lado Sul do Brasil deslocou Fábio Costa e abriu o marcador. O segundo gol do Grêmio foi uma grande vacilada do zagueiro Adaílton que errou o passe e perdeu bola para o atacante Carlos Eduardo que puxou o ataque e marcou. A situação do Santos de Zé Roberto e Luxemburgo ficava delicada para o segundo jogo.

O jogo da volta
Apesar do alçapão ferver Diego Souza não pipocou e marcou em rara chance do Grêmio aos 23′ minutos. O gol gremista aumentava a missão santista, que precisava reverter para 4 a 1 devido aos gols qualificados.
Nos acréscimos da primeira etapa, o atacante Renatinho empatou. Logo aos 15′ minutos do segundo tempo, de novo Renatinho marcava virando para o Santos. Aos 32′ minutos foi a vez de Zé Roberto marcar em rebote. Faltando 15 minutos para o termino do prélio era possível sonhar com mais um gol. Mas ele não veio e o Santos teve o único revés diante do Grêmio em disputa eliminatórias.

A última decisão
Com 10 anos de invencibilidade jogando no Olímpico contra o Santos**, o Grêmio do técnico Silas, recebeu o peixe por mais uma semifinal de campeonato, dessa vez por uma Copa do Brasil.
O jogo
Ganso bateu corner da esquerda para André abrir o marcador de cabeça. Apenas 5′ minutos depois, o maestro santista puxou contra ataque e colocou André para bater na saída de Victor! Em 20 minutos de jogo o Santos abria 2 a 0 e ficava a impressão de que poderia ampliar ainda mais, mesmo na casa do adversário. E essa impressão aumentou quando Durval cometeu pênalti em Willian Magrão. Na cobrança, Jonas ex Santos bate e Felipe defende. O goleiro santista fez uma de suas melhores partidas pelo Santos.
Na etapa complementar Dorival Jr tira Marquinhos para entrada de Rodrigo Mancha. A substituição custou caro para equipe e para a carreira do volante. Em dois lances perdidos por ele no meio o atacante Borges marcou 2 gols. Dorival tentou corrigir tirando o volante 10′ minutos depois para entrada de Rodriguinho, mas Jonas ex Santos virou aos 21′ e de novo Borges ampliou aos 30′. Com o 4 a 2 foi a vez dos tricolores pensarem que a fatura estava liquidada. Mas a sobrevida santista veio com Robinho aos 37′ em bela assistência de Paulo Henrique Ganso. Santos 4×3 Grêmio.

O jogo da volta
Cercado por muitas provocações Gaúchas(Neymar cai-cai, elimination, futebol gaúcho é força não dancinha), os jogadores do Santos entraram mais motivados para o segundo jogo na Vila Belmiro. Mas o gol não saiu no amarrado primeiro tempo, e apenas no segundo tempo com P.H. Ganso aos 6′ minutos com um belo chute da intermediária. O gol desmantelou o esquema defensivo do time gaúcho e aos 24′ Robinho marcou um golaço de cobertura. Com os 2 gols de vantagem a fatura parecia liquidada, foi então que em falha do goleiro Felipe, Rafael Marques pegou o rebote e diminuiu aos 29′. A tensão na Vila Belmiro só foi quebrada aos 40′ minutos quando em contra ataque de Wesley que fintou o selecionável Victor para dar números finais. Santos 3 x 1 Grêmio.

* Outros confrontos
Além de amistosos, jogos de Brasileiros, Libertadores e Copa do Brasil, as duas equipes já se enfrentaram em outras ocasiões., inclusive decisões de menor expressão.
18/07/1995 – Santos 0x0 Grêmio – Estádio Mané Garrincha – Copa dos Campeões Mundiais
05/07/1996 – Santos 1×0 Grêmio – Estádio Mané Garrincha – Copa dos Campeões Mundiais
22/01/1996 – Santos 2×2 Grêmio – Pênaltis 3 a 0 – Vila Belmiro – Torneio de Verão
13/11/1999 – Grêmio3x1 Santos – Estádio Olímpico – Torneio seletivo da Libertadores
17/11/1999 – Santos 0x1 Grêmio- Vila Belmiro – Torneio seletivo da Libertadores

**10 anos de invencibilidade gremistas
O jejum da vitórias do Santos no Olímpico acabou no dia 25/08/2010 com a vitória de 2 a 1 com gols de Neymar e Rodriguinho.
Apesar do bom resultado, esse jogo é marcado com a contusão de Paulo Henrique Ganso, que resultou em 199 dias de afastamento do gramado. Depois disso, o meia que até então era junto com o Neymar estrela do time, não voltou a apresentar o mesmo futebol que o consagrou em 2010.
Guardada as proporções, Ganso virou uma especie de Pagão do novo milênio. Ambos importantes, craques indiscutíveis, mas propensos a contusões frequentes.

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