Disputar esta Olimpíada pela Seleção Brasileira era um sonho para o jovem goleiro Rafael Cabral. Em todas as entrevistas ele dizia isso. E demonstrava uma vontade fora do comum de fechar o gol e ajudar o Brasil nessa conquista inédita. Porém, como sabemos, ele machucou o cotovelo direito em um treino e foi cortado da Seleção. Ficam as perguntas: Ao menos há um seguro? O Santos será ressarcido, ou, mais uma vez, será usado e prejudicado pela Seleção Brasileira?

Digo mais uma vez porque, para quem não se lembra, a última contusão séria de Paulo Henrique Ganso também foi servindo a Seleção. E em 2005, o santista não esquece, Carlos Alberto Parreira convocou três santistas para um amistoso sem valor algum e desfalcou seriamente o Santos no jogo em que bastava uma vitória, na Vila, sobre o Atlético Paranaense, para passar à semifinal da Libertadores.

Desta vez informação oficial é a de que Rafael se machucou no treino de ontem, quando ao se atirar sobre a bola, em um cruzamento, caiu sobre um boneco que é usado nesse tipo de prática. Detalhe: o boneco é de ferro!!! Com tanto material disponível, usar um boneco de ferro só pode ser coisa de debiloide. Bem, à noite o goleiro disse que sentiu dores e dificuldade de dobrar o braço direito (o curioso é que ele dobrou o braço normalmente durante a entrevista). Foi avaliado pelo médico da Seleção, José Luis Runco, e depois uma ressonância magnética teria confirmado a avaliação do médico. Em seguida a comissão técnica se reuniu com o jogador e decidiu sobre seu corte e sua volta para o Brasil.

Conhecendo o modus operandi da Seleção Brasileira há décadas – que usava o médico para cortar jogadores quando não havia motivos técnicos para tal –, deixo outras questões no ar: A contusão é tão grave a ponto de impedir que o goleiro atue por duas semanas? E mesmo que não tenha mesmo condição de se recuperar a tempo, não seria justo mantê-lo no grupo, ao menos como prêmio por sua dedicação e amor à Seleção Brasileira?

Cobri um Mundial de Basquete em que Marquinhos, o pivô do Sírio, jogou o tempo todo com uma fratura no braço. E foi campeão. Não digo que Rafael tivesse de jogar com uma fratura, mas será que em uma semana já não teria condições de atuar? E se ele terá mesmo de seguir um tratamento mais longo, por que a CBF não lhe dá a possibilidade de se tratar lá em Londres e poder torcer pela Seleção em meio aos jogadores? Rafael tem uma ótima cabeça e pode ser muito útil como motivador do time.

Sua entrevista para falar do corte foi exemplar. Mostrou-se triste, mas resignado. Lembrou que já havia passado por situação semelhante ao quebrar a perna em um treino pouco antes de estrear no time principal do Santos. Disse que quando finalmente teve a oportunidade, o time conquistou muitos títulos. Repito: seu exemplo, sua força de caráter são trunfos dos quais a Seleção não deveria prescindir.

Para o Santos, o prejuízo é enorme. Recebe seu goleiro machucado e perde a oportunidade de vê-lo valorizado, o que fatalmente atrairia o interesse de clubes estrangeiros. Como o Alvinegro é bem servido na posição, a venda de Rafael poderia trazer dinheiro suficiente para se contratar jogadores para posições carentes, como a meia e o ataque.

Mas isso, historicamente, não é novidade. Nos tempos áureos do futebol brasileiro, em que quase todo o seu time era convocado, o Santos deixou de participar de três Libertadores por pressão da CBD, que queria os santistas servindo o Escrete. Não é à toa que em três jogos a Seleção Brasileira atuou com oito titulares do Santos, time que, ao lado do Botafogo, mais contribuiu para as conquistas das Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970.

Veja, nos dois vídeos abaixo, o exemplo do caráter e da dedicação de Rafael. No primeiro, após a derrota do Santos para o Colo Colo, em Santiago do Chile, por 3 a 2, vai até o alambrado e conversa com os revoltados torcedores santistas. Mesmo muito pressionado, se mantém calmo e promete a eles que o time se classificaria para a fase seguinte, o que realmente viria a ocorrer.

No outro, fecha o gol contra o América do México, no México, segurando o 0 a 0 que levou o Santos para as quartas de final da competição – que ao final daria ao Alvinegro Praiano o seu terceiro título da Copa Libertadores da América.

Rafael com os torcedores após a derrota para o Colo Colo, no Chile:http://youtu.be/Smqtj7Htc9Q

Rafael fechando o gol contra o América do México:http://youtu.be/I3HqqTzqHVg

E você, o que achou do corte de Rafael da Seleção Olímpica?