Quem acompanha este blog não ficou surpreso com a derrota do Santos para o Atlético Mineiro, por 2 a 0. Não estranhou as tropicadas do estreante Bill – de quem o Santos, em um lance ousado dos sete gênios do comitê gestor, comprou 100% do passe –, das caneladas de João Pedro, que veio da Traffic, e do desarranjo total do time, que parecia reunido pela primeira vez para um jogo entre casados e solteiros. Muito menos se admirou com as explicações de Muricy Ramalho, o técnico mais bem pago da América do Sul, que novamente não conseguiu fazer seu time jogar futebol e ao menos marcar um golzinho fora de casa, e no fim alegou que “esse não é o Santos”.

Talvez, se Muricy tomasse o soro da verdade, pudesse ter dito: “Esse não é o Santos e eu não sou o técnico do Santos. Depois de fazer até aqui a campanha mais vexatória do Santos em um Campeonato Brasileiro, pego o meu boné e vou embora. Não cobrarei multa alguma, pois acho que o clube já vem me pagando muito pelo trabalho precário que venho realizando. Aos santistas, peço desculpas pela vergonha que tenho feito vocês passarem. Sem o Neymar eu não tenho tática alguma. Nem o chuveirinho está dando certo dessa vez. Foi bom enquanto durou. Adeus”.

Para completar, o presidente Luis Álvaro Ribeiro, depois de tomar o mesmo soro, poderia confessar: “Não tenho mais saco para presidir um time que só perde. Como vou soltar minhas frases de efeito? Reconheço que não entendo bulhufas de futebol, mas contratei um monte de gente a peso de ouro, todos registrados pela CLT, e o time e o clube continuam cheios de problemas. O dinheirão que entrou já foi todo pelo ralo. Pensei que o Muricy fosse resolver, mas já vi que sem o Neymar ele não sabe como armar o time. Para falar a verdade, já estou pensando nas minhas próximas férias. Acho que vou para Curaçao ou para a Riviera Francesa. Esse negócio de futebol fica muito chato quando a gente tem de explicar as derrotas”.

Bem, eles não disseram isso. E, pelo que conhecemos deles, jamais dirão. Não têm humildade para reconhecer que a culpa de o Santos estar nessa situação é, principalmente, deles dois. Se queriam os méritos nos títulos, se bateram no peito para dizer “eu fiz isso, eu fiz aquilo, eu fui campeão, eu tenho sorte”, agora precisam ser honestos e reconhecer que são os grandes culpados por esses vexames seguidos que o Santos tem dado nesse Brasileiro.

Os jogadores? Não vou culpar nenhum deles. Não pediram para serem contratados, não pediram para serem escalados e não pediram para entrar em campo sem um treinamento adequado e sem uma orientação tática decente. São um bando, voluntarioso, mas sem qualquer planejamento ou liderança.

Com essa campanha horrenda o Santos está repetindo o retrospecto de 2008, quando namorou o rebaixamento durante todo o campeonato. É evidente que faltam jogadores de qualidade e não dá para esperar mais. Está na hora de aparecer ao menos uma parte daqueles 40 milhões de reais prometidos na campanha (lembram-se, senhores?). Sem um atacante decente e um meia minimamente eficaz, talvez nem Neymar e Paulo Henrique Ganso consigam salvar o Alvinegro Praiano do destino sombrio que se avizinha – e justo no ano de seu centenário.

Tirem os traseiros das cadeiras e trabalhem, senhores. Quem avisa, amigo é.

E você, o que acha da situação do Santos neste Brasileiro?