O santista, que em um mês deixou de sonhar com o título mundial, no Japão, e vê o seu time, pelo quinto ano seguido, capengando no Campeonato Brasileiro, deve estar se perguntando se há uma fórmula contra esses altos e baixos que acometem as grandes equipes brasileiras.

Por que clubes como Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Bayern de Munique, não passam por situações assim? Por que, entra anbo, sai ano, estão sempre no topo? A resposta não é tão simples, mas inclui, certamente, organização, planejamento e trabalho.

Não vou dizer que “acho” que essas três exigências básicas não estão sendo cumpridas no Santos. Eu tenho certeza de que não. Há um pouco de cada? Sim. Há quem organiza, planeja e trabalha no Alvinegro Praiano? Sim, claro. Nunca se pode generalizar. Mas, no todo, porém, a começar pela cúpula, hoje formada pelos sete elementos do “comitê gestor”, o clube não é regido por essas diretrizes básicas.

Nunca se gastou tanto. E tão mal

O fato de o Santos estar sem dinheiro para contratar jogadores só mostra como tem gastado muito e mal. Além dos profissionais ligados diretamente ao futebol, o setor administrativo nunca foi tão oneroso. Muitos amigos que colaboraram na campanha foram premiados com cargos e salários em niveis bem acima do mercado da cidade de Santos. A bomba estourará na mão dos sucessores do Cirque du Soleil, que terão de se equilibrar no arame e fazer contorcionismos para evitar a falência.

Era possível ter sido mais comedido e responsável. Não o foram e agora, com as dívidas aumentando, querem cortar jogadores ou contratar “de graça”, ao invés de fazer o que é óbvio: racionalizar a folha de pagamentos da área administrativa, que está super inchada.

Falta política para os jogadores de base

Leio que Geuvânio foi vendido. Vendido? Mas é um garoto da base que começava a dar sinais de futebol e mostrava muita vontade. Não seria ideal emprestá-lo, com a possibilidade de traze-lo de volta mais experiente? Não foi assim que Wesley se revelou um grande jogador?

Percebe-se claramente que aquilo que era um pesadelo nos tempos de Vanderlei Luxemburgo, está acontecendo de novo. Há jogadores atuando por acordo com empresários ou grupos econômicos. Investe-se e depois é preciso que o jogador jogue para ser visto, valorizado e negociado. Essa política é contraproducente, pois impede o lançamento dos garotos. Por que nenhum garoto tem oportunidade de jogar no meio-campo, mesmo diante da eterna má fase de Henrique?

É claro que eu sei que nem todos os meninos revelados no Santos têm possibilidade de serem titulares no time profissional. Talvez não tenham nível sequer para serem reservas. Mas merecem oportunidades, atenção, orientação e carinho. Ficaram anos ralando nas categorias de base e agora estão perto do sonho. Precisam ser motivados e não tratados com desdém. Um bom técnico corrige os “defeitos de fábrica”.

O Santos deve ser tratado como uma grande empresa

Pelo que movimenta de capital todos os anos, o Santos tem o porte de uma grande empresa e deveria ser administrado ao menos com o mesmo profissionalismo e competência. Com todo o respeito ao Luis Álvaro, a quem me simpatizo como pessoa, não dá para achar que presidir o Alvinegro Praiano é só ter algumas frases de efeito preparadas para as entrevistas. É preciso planejar e comandar pessoalmente os projetos mais importantes, estar presente nos bons e maus momentos, falar com os funcionários, ir às categorias de base, reunir-se com políticos e empresários e, algo tão frugal que nem deveria ser citado, mas que no Santos é vital: dar expediente.

Eu já achava estranho Marcelo Teixeira trabalhar apenas meio período no clube. Mas agora temos um presidente que some por dias seguidos, semanas inteiras… Uma organização se torna uma nau sem rumo sem o seu comandante. Não dá para tirar férias quando o circo está pegando fogo, não dá para encarar a presidência do Santos como um bico.

Um time de futebol é paixão, sim, mas não pode ser apenas movido pelas paixões. Estas, devem ser motivadoras, claro, mas o que determinará o ponto a que este clube deve chegar é a capacidade de criar projetos, encontrar soluções para os eternos dilemas que o afligem e trabalhar arduamente para concretizá-los. Isso é o que se vê nos grandes clubes europeus citados no início deste post.

O presidente tem dito que o Santos não está gastando mais do que arrecada. Admitindo-se que ele não esteja enganado ou mal informado, eu diria que o problemna, no momento, não é esse. Pela fortuna que arrecadou em 2011, era para o clube ter saudado boa parte de suas dívidas – que continuam aumentando – e reforçado o elenco. Permitir que a dívide cresça em proporção geométrica e manter e contratar jogadores medíocres é a receita pronta do fracasso que o sucessor assumirá.

Talvez eu esteja pedindo demais dessas pessoas que hoje dirigem o Santos, pois cada um dá apenas o que pode dar e provavelmente eles achem que estão fazendo o máximo e que eu é estou sendo chato e injusto. Porém, se estão fazendo o máximo que podem, sinto dizer-lhes, mas o máximo deles não chega a ser o mínimo do que o Santos precisa. E se encararem essas críticas apenas pelo lado construtivo, verão que ela encerra grandes verdades e, talvez, tenham a humildade de rever o caminho temerário que estão traçando para o nosso clube do coração.

E para você, por que o Santos não se livra das crises?