Desculpem fugir um pouco do assunto exclusivo deste blog, que é o Santos. Mas, confesso, hoje nem tinha vontade de postar nada. O blog poderia ter uma grande tarja preta e se declarar de luto. Mas não podemos fechar os olhos ao que existe à nossa volta. Se não discutirmos as questões, mesmo as mais delicadas, elas não se resolverão sozinhas.

Ontem o Palmeiras foi campeão invicto da Copa do Brasil, da mesma forma que o Corinthians já tinha sido campeão da Libertadores. Este ano o Santos também já foi tricampeão paulista e daqui a um mês poderá levantar outro título, o da Recopa Sul-americana. Ou seja: dentro de campo o futebol paulista mostra sua força e é o mais poderoso do País. Mas fora dele muita coisa precisa mudar, a começar pela impunidade aos bandidos. Ontem sete palmeirenses foram mortos em Osasco quando comemoravam o título do seu time. Até agora ninguém foi preso.

Os crimes ocorreram em quatro bairros de Osasco, logo após o fim do jogo que deu o título ao Palmeiras. As mortes ocorreram nas ruas Cuiabá (duas mortes), Jade, Santo Expedito, Patrocínio Paulista, Palmital e José Marques de Rezende.

Recentemente dois palmeirenses foram mortos em confrontos com torcedores rivais e, que se saiba, ninguém foi preso. O precedente da impunidade é perigosíssimo, pois ele é que estimula a violência.

Não é questão de se dizer que esta torcida é pior ou mais violenta do que outra, mas é motivo, sim, para se apurar rigorosamente os fatos, para que crimes estúpidos como estes jamais se repitam.

Não me lembro de ter visto algo assim em todo o tempo que acompanho o futebol. É impossível compreender esse desejo de matar torcedores rivais apenas porque estavam felizes. A rivalidade tem limites que devem ser respeitados, mas parece que há seres humanos que não os conhecem, ou se julgam imunes às leis. E isso em um país que sediará a próxima Copa do Mundo!

G4 Paulista, a união das forças

Em 2009 pude ajudar o companheiro José Carlos Peres a promover o almoço no CT Rei Pelé que reuniu os quatro presidentes dos clubes grandes de São Paulo e iniciou os entendimentos que geraram a empresa G4 Paulista, que hoje fatura milhões para o quarteto de São Paulo.

Na oportunidade fiz um texto que foi distribuido aos presentes falando do “melhor time do mundo”, que era justamente a união dos quatro grandes paulistas. Somando-se tradição, títulos, torcida, nenhum outro estado, ou país, possui equipes de tanto poder como São Paulo.

A rivalidade existe e pode ser bem trabalhada, com a valorização dos clássicos e de seus personagens. Porém, há sempre o perigo de torcedores mais exaltados – e pouco esclarecidos – não entenderem o espírito do jogo, o real significado do esporte e confundirem rivalidade com violência.

Infelizmente, é o quadro a que chegamos hoje. Já não é mais caso apenas de discussões e conscientização. Estas serão necessárias, sempre, mas a verdade é que virou caso de polícia. O banditismo chegou ao futebol justamente no momento em que o esporte volta a ser bem popular entre os paulistas. Ou ele será vencido, ou afastará as pessoas de bem dos estádios e das ruas.

E você, o que acha da impunidade que reina no futebol?