O torcedor do Santos está descontente. O time não rende bem e todo jogador que a diretoria tenta contratar, vai outro time lá antes e leva. Riquelme se oferece só pelo salário e o comitê gestor diz que ele não está no perfil do Santos. Mas e o Bill, está? O técnico Muricy Ramalho, especialista em retrancas, que não consegue fazer o time marcar gols, deve renovar por mais um ano e meio. Enfim, a situação não é fácil. Porém, hoje é dia de esquecer tudo isso e acreditar em uma boa e redentora vitória contra o Botafogo, às 19h30m, na Vila Belmiro.

Em outros tempos, precisando da vitória como está, o treinador tiraria um volante e colocaria um jogador mais ofensivo, mas Muricy escalará o meio-campo com os mesmos Adriano, Henrique e Arouca de sempre. Este último terá mais liberdade para avançar. O único meia será Felipe Anderson. No ataque, Dimba e Miralles terão outra oportunidade de mostrar o mínimo de entrosamento.

Há males que vêm para o bem. Expulso, o lateral-esquerdo Juan não joga e será substituído por Léo, que ao menos sabe inflamar o time. Acho que dá para ganhar com a formação que entrará em campo, mas depois de tanto zero a zero, acho que nosso milionário treineiro deveria ser mais ousado. Por que não tirar o Henrique e dar uma oportunidade real ao garoto Victor Andrade? Essa simples mexida poderia adicionar o tempero que o time precisa para sair dessa rotina sem-sal que mantém na competição.

No Botafogo do técnico Oswaldo de Oliveira, um time mais ajustado, que ganhou três dos quatro jogos que fez fora de casa e está em quarto lugar, o torcedor verá novamente Renato, campeão brasileiro pelo Santos em 2002. E verá também a estréia de Rafael Marques na posição de centroavante. Em tempo: esse Vítor Júnior é o mesmo que já passou pelo santos há alguns anos.

Os times mais prováveis são: Santos: Aranha; Bruno Peres, Edu Dracena, Durval e Léo; Adriano, Henrique, Arouca e Felipe Anderson; Dimba e Miralles. Botafogo – Jéfferson, Lucas, Antônio Carlos, Fábio Ferreira e Márcio Azevedo; Lucas Zen, Renato, Andrezinho, Fellype Gabriel e Vítor Júnior; Rafael Marques. A arbitragem será de Cláudio Francisco Lima e Silva, de Sergipe, auxiliado por Márcio Eustáquio Santiago (Fifa-MG) e Cristhian Passos Sorence (GO).

Antes de mostrar um apelo dos jogadores do Santos para que o torcedor compareça à Vila Belmiro, eu também convoco os santistas de Santos que costumam assistir aos jogos do time nos bares e restaurantes, que façam um esforço para ir à Vila. O grito do torcedor de bar não chega ao jogador.

Retrospecto dos confrontos entre Santos e Botafogo

Por Wesley Miranda

Santos e Botafogo já se enfrentaram 95 vezes em jogos oficiais. O Santos obteve 35 vitórias contra 33 vitórias botafoguenses e 27 empates. O Peixe marcou 164 gols e sofreu 145.
Em Brasileiros, desde o primeiro confronto na Taça Brasil de 1962, foram 50 jogos, com 17 vitórias paulistas, 16 vitórias cariocas e 17 empates. O time de Vila Belmiro marcou 70 gols e o time de General Severiano 56.

Artilheiros do Santos
Para variar, Pelé é o artilheiro, com 13 gols, o Rei do Futebol enfrentou o Botafogo em 23 oportunidades, com nove vitórias, seis empates e oito derrotas.
Em seguida vem o pé de valsa Dorval com 9, o canhão Pepe com 8 e o gênio Coutinho com 7. Com 5 gols vem o ponteiro Tite e o meia Diego.

Os primeiros confrontos
O primeiro encontro entre os alvinegros aconteceu no dia do aniversário de seis anos de fundação do Santos FC, 14/04/1918 na Vila Belmiro. O Botafogo já havia conquistado dois campeonatos cariocas – 1910 e 1912 –, por e via judicial, nove décadas depois, conquistaria o título de 1907. O Santos tinha sido bicampeão santista em 1913 e 1915.
Em campo, o Alvinegro Praiano deu um baile no clube carioca, aplicando um sonoro 8 a 2, com gols de Ary Patusca (3), Millon (2) Haroldo, Marba e Arnaldo Silveira. Petiot e Menezes marcaram os gols botafoguenses.
Misericordioso
A grande nota do jogo é impensável para os dias atuais: quando a partida estava 6 a 1 para o Santos, o árbitro marcou um pênalti duvidoso em favor dos santistas e Arnaldo Silveira, propositalmente, cobrou a penalidade para fora. Foi abraçado pelos jogadores cariocas pelo gesto.
Demorou mais sete anos para os dois clubes se enfrentarem, até que em 06/12/1925, em outro amistoso na Vila Belmiro, o Santos goleou por 4 a 1 com gols de Omar(2) Alfredo e Camarão.
Quase dez anos depois foi a vez do Santos conhecer os domínios do clube carioca, e dessa vez em 03/08/1935 foi a vez do Botafogo golear, 9 a 2 tendo Junqueirinha anotado os tentos santistas.
Apesar de viver ótima fase, com o título Carioca em 1930 que não vinha desde 1912, e o Tetra de 32 a 35 o resultado chama atenção até os dias atuais como a maior goleada do confronto. O pesquisador Guilherme Nascimento conta que a partida foi noturna e a iluminação de General Severiano era a famosa luz de “boate”, o que gerou reclamação por parte dos jogadores santistas, que literalmente não viram a cor da bola.
Tanto é que, no dia 25/08/1935 o clube carioca jogou na Vila e saiu derrotado por 2 a 1 com dois gols de Delso, e no dia 27/08/1935 empate em 2 a 2, tendo Logu anotado os dois tentos do Santos.

Final Internacional
Em solo espanhol, no Estádio Municipal de Riazor, em Lã Coruna, no dia 21/06/1959 as duas equipes deram uma prévia do que se tornaria rotina anos depois, já os dois alvinegros estavam entre os melhores do mundo. Foi com 40 mil pessoas no estádio que o Santos goleou o Botafogo de Nilton Santos, Garrincha, Didi, Quarentinha e Zagallo por 4 a 1, com gols de Pepe(2), Pelé e Coutinho e conquistou o rico troféu Tereza Herrera.

O maior jogo do mundo
Então atual campeão Brasileiro de 1961, o Santos teve que eliminar nas semifinais o Sport Recife (1 a 1 em Recife e 4 a 0 no Pacaembu com 4 gols de Coutinho) para decidir a final contra o forte Botafogo de Manga, Rildo, Nilton Santos, Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo.
No primeiro duelo, disputado no Pacaembu, a tônica foi o equilíbrio, e o placar de 4 a 3 mostrou bem isso. Os tentos marcados por Pepe (2) Coutinho e Dorval abriram a vantagem do Santos para o título Bastaria apenas um empate no segundo jogo, no Rio, para a conquista do binacional.
A segunda partida foi disputada doze dias depois, no Maracanã, e para cumprir tabela, foi válida também pelo Torneio Rio-SP, conquistado antecipadamente pelo Santos.
Imprimindo um forte jogo, o Botafogo virou o primeiro tempo ganhando por 1 a 0 com gol de Edison. Na segunda etapa ampliou para 3 a 0 com gols de Quarentinha e o possesso Amarildo. O único tento santista foi marcado contra por Rildo já perto do final. O resultado provocou a terceira partida que seria disputada dois dias depois, no mesmo Maracanã.
Injustamente lembrando sempre como técnico de vida fácil por dispor de melhor time de todos os tempos, Lula mostrou nesse jogo sua força no comando. Incumbiu o ponta Dorval de marcar Zagallo quando o Santos tivesse sem a bola. A estratégia surpreendeu a equipe carioca e o Santos virou o primeiro tempo ganhando por 2 a 0, com gols de Dorval e Pepe. Na etapa complementar, Coutinho e Pelé(2) completaram a goleada! Santos 5, Botafogo 0.
Sem reação, a torcida adversária aplaudiu de pé aquele que foi chamado pela imprensa como o maior jogo do mundo.

Libertadores
O Botafogo “herdou” a vaga na Libertadores de 1963 mesmo com o vice na Taça Brasil de 1962, já que o Santos era o atual campeão do torneio sul-americano.
E novamente, os dois maiores times do mundo na época se enfrentaram em uma decisão, desta vez a semifinal da Libertadores. Jogando no Pacaembu no dia 22 de Agosto de 1963, o Santos só empatou com o Botafogo. Jair Felix marcou para o time carioca, e Pelé, marcou o gol de empate aos 45 minutos do 2º tempo.
Na 2ª partida no dia 28/08/1963, o Santos enfrentaria Garrincha, Nilton Santos, Manga, Rildo fora de seus domínios, e precisando vencer para ir à final, contra o Boca Juniors.
Antes dos 35 minutos da primeira etapa o Santos já vencia por 3 a 0, com três gols de Pelé. O curinga Lima aumentou no segundo tempo! Santos 4 a 0, mantendo a sina de golear o rival em jogos decisivos.

Disputa na Venezuela
Os dois times se enfrentaram na Copa Circuito de Jornalistas no início de 1966. E dessa vez o Botafogo levou a melhor vencendo os dois jogos 1×2 e 0x3. O Santos estava em fase de transição, muitos veteranos estavam parando e alguns meninos surgindo, como Clodoaldo, Edu e Joel Camargo.

Rio-SP divididos
Santos e Botafogo dividiram dois torneios Rio-SP em sua história. O primeiro, em 1964, terminou com os dois times rigorosamente empatado com 14 pontos. Houve a necessidade de jogos de desempate. Na primeira partida, em 10/01/1965 o Botafogo ganhou do Santos por 3 a 2 no Maracanã. Como o calendário das equipes já era preenchido com excursões internacionais (principal fonte da época) não teve o segundo jogo em São Paulo. Sendo assim, as federações declaram as duas equipes campeãs.
Em 1966, o Santos sem Pelé e com dois jogadores expulsos desde os 30 minutos do primeiro tempo, empatou em 0 a 0 com o Corinthians, no Pacaembu. No Rio de Janeiro o Botafogo evitou a conquista do Vasco da Gama com a vitória de 3 a 0. Sendo assim, houve um quadruplo empate entre os quatro alvinegros: Santos, Botafogo, Vasco e Corinthians com 11 pontos. Não houve desempate devido aos preparativos da Copa de 1966.
No Rio-SP o Santos é um dos maiores vencedores com cinco conquistas: 1959, 1963, 1964, 1966 e 1997. O Botafogo tem quatro títulos:1962, 1964, 1966 e 1998.

Base do Tri da Copa do Mundo
Mais do que esquadrões que encantaram o mundo, Santos e Botafogo foram bases das conquistas dos primeiros três títulos da Seleção Brasileira em Copas do Mundo.
1958
Pelé, Zito e Pepe (Santos); Garrincha, Didi e Nilton Santos (Botafogo).
1962
Pelé, Zito, Gylmar, Mauro Ramos, Mengálvio, Coutinho e Pepe (Santos); Garrincha, Didi, Nilton Santos, Amarildo e Zagallo (Botafogo)
1970
Pelé, Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Joel Camargo e Edu (Santos) Jairzinho, Roberto Miranda e Paulo César Caju (Botafogo).

Paulinho, vira Paulinho “Maclaren”
Sem o mesmo brilho da década de 1960, Santos e Botafogo se enfrentaram no Maracanã no dia 23/03/1991 em partida do Campeonato Brasileiro. O Santos venceu o Botafogo por 3 a 0 com 3 gols de Paulinho ainda na primeira etapa. Nesse jogo o centroavante do Santos, que acabaria artilheiro do certame com 15 gols, comemorou como se tivesse manobrando um carro de F1. Vivia a expectativa do GP Brasil, e Ayrton Senna largaria na pole no dia seguinte. Virou Paulinho McLaren. (por problemas de direito, foi introduzido uma letra “a” no apelido do atacante santista.

Épicas partidas em 1995
Santos e Botafogo se enfrentaram três vezes no Brasileiro de 1995. A primeira partida no dia 29/11/1995 fez parte de uma incrível sequência de cinco vitórias que resultaram na classificação do Santos para as semifinais. O Santos ganhou na Vila Belmiro por 3 a 1, com gols de Vágner, Giovanni e Jamelli. Parecia que nada tiraria o título do Alvinegro Praiano.
Até a derrota na primeira partida da final no Rio de Janeiro por 2 a 1, foi visto como bom resultado, já que o Santos tinha feito melhor campanha e necessitava apenas inverter o resultado.
No dia 17/12/1995 Santos e Botafogo se enfrentaram no Pacaembu na disputa do título. O Botafogo saiu na frente aos 24 minutos com um gol irregular, com Túlio em impedimento. O Santos só empatou aos 2 minutos da segunda etapa, com Marcelo Passos depois de Marquinhos Capixaba fazer assistência com a mão. Já perto do fim do jogo e do campeonato, veio o gol que daria o título para o Santo. Marcelo Passos cobrou falta e Camanducaia, em posição legal, marcou de cabeça. Daria… Curiosamente, aquele que foi o único tento legal da partida foi anulado pelo árbitro Márcio Rezende de Freitas, aumentando por mais alguns anos a agonia da torcida santista e alegrando a torcida do Botafogo, que não conquistava um título brasileiro desde a Taça Brasil de 1968, mesmo ano em que o Santos tivera sua última conquista nacional, a do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, ou Robertão.

Outras decisões de Rio-SP
Em 1998 de novo uma semifinal, essa pela Rio-SP, o Santos empatou no Rio a primeira partida por 0 a 0 e na segunda houve novo empate, por 2 a 2. Marcos Assunção e Ronaldo Marconato para o Santos, Túlio e Djair para o Botafogo. Nos pênaltis deu Botafogo por 4 a 3.
No ano seguinte foi a vez do Santos eliminar o time de General Severiano, também no Rio-SP e também na semifinal. Na primeira partida, no Morumbi, o Santos ganhou por 1 a 0, gol de Marcos Assunção. No Maracanã o Alvinegro Praiano venceu novamente, e por 2 a 0, gols de Alessandro Cambalhota e Viola.

Os melhores do mundo
No fim de 2000 a FIFA elegeu os melhores times do século XX . O Santos ficou em 5º no geral e primeiro nas Américas. O Botafogo em 12º empatado com outros seis times.

Inicio da conquista
Após 1995, a torcida do Santos demorou sete anos para soltar da garganta o título de Campeão Brasileiro, que veio com a conquista de 2002. E quis o destino que essa conquista começasse em cima do Botafogo na Vila no dia 10/08/2002. Vitória de 2 a 1, com gols de Elano e do garoto Diego na partida de estreia do Brasileiro. O Botafogo terminou aquele campeonato rebaixado para série B. Pura ironia do destino…

O último encontro
Santos e Botafogo se encontraram no dia 19/10/2011 em partida adiada da 21ª rodada. Focado na disputa do Mundial Interclubes, o Santos não disputava o Brasileiro com a mesma força do adversário. O Botafogo lutava para ser líder de um campeonato que não conquistava há 16 anos.
Logo aos 15 minutos, Neymar, em bela jogada individual marcou mais um de seus golaços. Borges aos 28′, ainda na primeira etapa, deu números finais e marcou o seu 22º gol no campeonato, igualando Serginho Chulapa, artilheiro do Brasileiro de 1983 com 22 gols. Borges terminaria na artilharia com 23 gols.

E para você, o que rolará na Vila Belmiro entre Santos e Bota?