Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Month: julho 2012 (page 2 of 6)

Athié Jorge Cury ensina Luis Álvaro a sair da crise


Athié como soldado de São Paulo na Revolução Constitucionalista de 1932

Ontem tomei uma decisão drástica. Fui a um centro espírita perto de casa e cismei que queria falar com Athié Jorge Cury. A moça quis saber se eu tinha hora marcada e eu, irreverente, perguntei se as almas tinham tanto compromisso assim. Um pouco contrariada ela falou com a médium e esta, diante de minha decisão de pagar à vista, no cartão, foi convencida de me trazer a palavra do grande presidente do Santos Futebol Clube.

Como vocês devem saber, Athié foi um notável goleiro, dirigente esportivo, comerciante da bolsa de café de Santos e político que chegou a deputado federal pelo PSP. Presidiu o Santos de 27 de fevereiro de 1945 a 28 de fevereiro de 1971, sucedendo Antônio Ezequiel Feliciano da Silva. Nascido em Itu, São Paulo, em 1º de agosto de 1904, faleceu em Santos em 1º de dezembro de 1992, aos 88 anos.

Com Athié na presidência o Santos reinou na Terra, pintou e bordou contra os grandes times da época, manteve Pelé e todos os seus luminosos craques, tornou-se o primeiro bicampeão mundial, fez da Seleção Brasileira a mais poderosa do mundo, deslumbrou plateias de todas as cores, chegou, enfim, a um ponto até hoje inatingível para as outras equipes.

A médium, uma senhorinha de não mais de 1,50m, clarinha, como se nunca tomasse sol, ajustou os óculos à minha frente, pegou na minha mão, pediu que eu lhe passasse informações sobre o falecido e, depois de muita concentração, dispôs-se a falar.

Antes, uma explicação: nesse tipo de consulta os espíritos se manifestam através do médium.

Fiquei com receio de estar perturbando a paz celestial do querido Athié e quando a médium determinou que eu iniciasse o diálogo, primeiro pedi desculpa por estar incomodando e, como a gente faz antes de falar ao celular, perguntei se ele tinha um minutinho… A mulher fez uma careta, fechou os olhos e respondeu com uma voz que eu jurei ser a mesma do saudoso dirigente:

– Desembucha, meu filho…

– Sabe, senhor presidente, não sei se o senhor tem acompanhado as notícias, mas o nosso Santos tem passado uma fase difícil e achei que o senhor poderia dar uns conselhos para o Luis Álvaro Ribeiro, o atual presidente do Alvinegro Praiano… Tentei falar com ele, mas me disseram que estava de férias…

– Claro que tenho acompanhado, meu filho. Não estou de corpo presente, mas de espírito sempre estarei ao lado do nosso amado Santos. Esse menino, que vocês chamam de Laor, poderia ser um político, pois solta umas frases boas, mas para dirigir o meu Santos tem de ter mais coragem e visão. Esse negócio de entrar de férias em um momento crítico positivamente não dá.

– Mas o conselho gestor ficou tomando conta…

– Sei… Isso não vai dar certo. Se às vezes uma pessoa sozinha demora para tomar uma decisão, imagine sete…

Antes que eu fizesse uma nova pergunta, a médium consultou o relógio e avisou, com uma voz cavernosa, que o “ser de luz” avisou que em breve teria de se juntar aos outros no reino celeste e não poderia permanecer muito tempo. Tratei de ser mais rápido…

– Parece que o senhor tem um compromisso…

– É, vamos bater a nossa bolinha das quartas-feiras. Velho hábito, sabe…

E antes que eu duvidasse que ele pudesse jogar futebol aos 88 anos, corrigiu-me, impaciente:

– Aqui temos a idade que queremos, jovem. Sou um garoto defendendo o gol do meu Santos, o melhor time dos céus. E também o de maior torcida. Aliás, temos mais de 98% das preferências entre os anjos e santos…

– 98%? Espantei-me. Mas e os daqueles outros dois times?

– Aqueles não estão entre nós. Estão em outro lugar, mais embaixo…

Compreendi, acabrunhado e feliz, e lasquei a pergunta principal:

– No seu tempo o Santos também passou por algumas crises, como em 1966, quando perdeu o Paulista, a Taça Brasil, e por isso o técnico Lula acabou sendo demitido. O que o senhor faria para superar a crise atual?

– Sessenta e seis foi um ano difícil… Vários jogadores estavam parando, por idade. O Pelé se machucou na Copa de 1966, servindo a Seleção Brasileira, e só jogou em metade dos jogos do Paulista, no qual terminamos em terceiro lugar, a cinco pontos do Palmeiras. Na Taça Brasil fomos surpreendidos na final por aquele esquadrão do Cruzeiro, que tinha os meninos Tostão, Piazza, Dirceu Lopes, Natal… Mas, mesmo com um time renovado, ganhamos o Rio-São Paulo.

– O senhor não explicou como superou a crise – insisti, educadamente.

– A mesma fórmula de sempre, meu jovem: jogadores formados no próprio clube e contratações dos melhores apenas para as posições carentes. Em 1966 revelamos Clodoaldo, Joel Camargo e Edu, todos convocados para a Copa do México, quatro anos depois. Para a zaga trouxemos o Ramos Delgado, para o gol o Cláudio e assim continuamos a ter o melhor time.

– O senhor acha que o Santos está contratando bem agora?

– A médium deu um sorrisinho e fiquei com a nítida impressão de que Athié sorria, ironicamente, através dela.

– Muita quantidade e pouca qualidade. Falta olho clínico, meu filho. Para quem teve Del Vecchio, Pagão, Coutinho e Toninho Guerreiro, colocar as esperanças em Bill… Mas se vai vestir a camisa do Glorioso Alvinegro Praiano, que Deus o proteja. Faremos a nossa parte daqui de cima…

Quando eu iniciava outra pergunta com “mas o senhor…”, a médium colocou o indicador na boca, pedindo silêncio. Após alguns segundos saiu do transe e avisou que a entidade tinha ido jogar bola com os amigos e mandara um “afetuoso abraço”.

Perguntei a ela se seria possível incorporar o espírito do Athié definitivamente em outro corpo. Digamos… o do Laor. Ela ficou séria e disse que não, que isso seria quebrar as regras da natureza. O espírito só poderia se pronunciar por períodos curtos e por meio de sessões como aquela. Se eu quisesse, poderia fazer um plano mensal, com desconto, desde que a entidade não se importasse de ser chamada tantas vezes. Pensei melhor e achei que não deveria ficar importunando o garoto Athié Jorge Cury, que naquele momento já deveria estar se esticando em pontes acrobáticas para evitar que a meta do Santos celestial fosse vazada.

Agora veja e ouça Athié dizendo que Pelé jamais seria vendido:

http://youtu.be/c4bVSD4XFvo

E você, se pudesse, o que perguntaria a Athié Jorge Cury?


A CBF devolve Rafael ao Santos: machucado e triste

Disputar esta Olimpíada pela Seleção Brasileira era um sonho para o jovem goleiro Rafael Cabral. Em todas as entrevistas ele dizia isso. E demonstrava uma vontade fora do comum de fechar o gol e ajudar o Brasil nessa conquista inédita. Porém, como sabemos, ele machucou o cotovelo direito em um treino e foi cortado da Seleção. Ficam as perguntas: Ao menos há um seguro? O Santos será ressarcido, ou, mais uma vez, será usado e prejudicado pela Seleção Brasileira?

Digo mais uma vez porque, para quem não se lembra, a última contusão séria de Paulo Henrique Ganso também foi servindo a Seleção. E em 2005, o santista não esquece, Carlos Alberto Parreira convocou três santistas para um amistoso sem valor algum e desfalcou seriamente o Santos no jogo em que bastava uma vitória, na Vila, sobre o Atlético Paranaense, para passar à semifinal da Libertadores.

Desta vez informação oficial é a de que Rafael se machucou no treino de ontem, quando ao se atirar sobre a bola, em um cruzamento, caiu sobre um boneco que é usado nesse tipo de prática. Detalhe: o boneco é de ferro!!! Com tanto material disponível, usar um boneco de ferro só pode ser coisa de debiloide. Bem, à noite o goleiro disse que sentiu dores e dificuldade de dobrar o braço direito (o curioso é que ele dobrou o braço normalmente durante a entrevista). Foi avaliado pelo médico da Seleção, José Luis Runco, e depois uma ressonância magnética teria confirmado a avaliação do médico. Em seguida a comissão técnica se reuniu com o jogador e decidiu sobre seu corte e sua volta para o Brasil.

Conhecendo o modus operandi da Seleção Brasileira há décadas – que usava o médico para cortar jogadores quando não havia motivos técnicos para tal –, deixo outras questões no ar: A contusão é tão grave a ponto de impedir que o goleiro atue por duas semanas? E mesmo que não tenha mesmo condição de se recuperar a tempo, não seria justo mantê-lo no grupo, ao menos como prêmio por sua dedicação e amor à Seleção Brasileira?

Cobri um Mundial de Basquete em que Marquinhos, o pivô do Sírio, jogou o tempo todo com uma fratura no braço. E foi campeão. Não digo que Rafael tivesse de jogar com uma fratura, mas será que em uma semana já não teria condições de atuar? E se ele terá mesmo de seguir um tratamento mais longo, por que a CBF não lhe dá a possibilidade de se tratar lá em Londres e poder torcer pela Seleção em meio aos jogadores? Rafael tem uma ótima cabeça e pode ser muito útil como motivador do time.

Sua entrevista para falar do corte foi exemplar. Mostrou-se triste, mas resignado. Lembrou que já havia passado por situação semelhante ao quebrar a perna em um treino pouco antes de estrear no time principal do Santos. Disse que quando finalmente teve a oportunidade, o time conquistou muitos títulos. Repito: seu exemplo, sua força de caráter são trunfos dos quais a Seleção não deveria prescindir.

Para o Santos, o prejuízo é enorme. Recebe seu goleiro machucado e perde a oportunidade de vê-lo valorizado, o que fatalmente atrairia o interesse de clubes estrangeiros. Como o Alvinegro é bem servido na posição, a venda de Rafael poderia trazer dinheiro suficiente para se contratar jogadores para posições carentes, como a meia e o ataque.

Mas isso, historicamente, não é novidade. Nos tempos áureos do futebol brasileiro, em que quase todo o seu time era convocado, o Santos deixou de participar de três Libertadores por pressão da CBD, que queria os santistas servindo o Escrete. Não é à toa que em três jogos a Seleção Brasileira atuou com oito titulares do Santos, time que, ao lado do Botafogo, mais contribuiu para as conquistas das Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970.

Veja, nos dois vídeos abaixo, o exemplo do caráter e da dedicação de Rafael. No primeiro, após a derrota do Santos para o Colo Colo, em Santiago do Chile, por 3 a 2, vai até o alambrado e conversa com os revoltados torcedores santistas. Mesmo muito pressionado, se mantém calmo e promete a eles que o time se classificaria para a fase seguinte, o que realmente viria a ocorrer.

No outro, fecha o gol contra o América do México, no México, segurando o 0 a 0 que levou o Santos para as quartas de final da competição – que ao final daria ao Alvinegro Praiano o seu terceiro título da Copa Libertadores da América.

Rafael com os torcedores após a derrota para o Colo Colo, no Chile:http://youtu.be/Smqtj7Htc9Q

Rafael fechando o gol contra o América do México:http://youtu.be/I3HqqTzqHVg

E você, o que achou do corte de Rafael da Seleção Olímpica?


Uma entrevista hipotética com o presidente Luis Álvaro Ribeiro

Ué, mas ele falou? Não, não falou, mas deveria. E como fica muito chato só ler críticas à diretoria do Santos neste blog e não ler nenhuma defesa consistente, eu mesmo defenderei o Luis Álvaro. Sim, não se espante. Não é nenhum serviço de puxa-saquismo. Será apenas um exercício de lógica e racionalidade. Todos sabemos que as atitudes têm uma razão de ser. Então, vamos juntos, com a melhor das boas vontades, colocarmo-mo-nos no lugar do presidente do Santos e tentar entender o porquê de suas últimas ações, como renovar o contrato de Muricy Ramalho e Edu Dracena; trocar Elano por Miralles; não contratar Romarinho e Martinez; ignorar solenemente a oferta de Riquelme e aceitar, mais uma vez, o acordo com a TV imposto pela Rede Globo.

Usando essa notável capacidade humana que se chama empatia, vamos nos nos colocar no lugar de Luis Álvaro Ribeiro e responder às questões que hoje afligem o torcedor santista.

Blog do Odir (que doravante será designado pela sigla BO): Bem, comecemos pela renovação de Muricy. Se o técnico não consegue armar um time ofensivo, estilo que está no DNA do Santos, por que mantê-lo por mais um ano e meio? Se ganhava 700 mil reais por mês e renovou, então deve ter tido um aumento. Pergunta: Ele vale isso, presidente? Não seria melhor contratar um outro pela metade do preço e usar parte do dinheiro para trazer jogadores?

Resposta hipotética de Laor (que a partir da segunda intervenção será abreviada por RHL): O Muricy ganhou três títulos em um ano e meio, o que dá um título por semestre. Depois do Lula, que outro técnico teve um retrospecto desses no Santos? E ele não é defensivista, visto que há três meses o Santos era um dos times que mais tinha feito gols este ano. Ele está fazendo o que pode com o elenco que tem. Precisamos lhe dar mais recursos e estamos trabalhando nisso. Confiamos no Muricy e sabemos que ele ainda armará times vitoriosos.

BO: Sim, mas justo no campeonato mais longo, que dá mais tempo para se trabalhar, que é o Brasileiro, ele tem fracassado rotundamente. O Santos foi mal no ano passado e está péssimo este ano. Dos 11 jogos, só marcou gols em quatro. Por muito menos o senhor mandou o Adilson Batista embora…

RHL: Mas o Muricy tem mostrado resultados. Não adianta ficar trocando de técnico. Todo time que faz isso não vai a lugar algum. E neste Brasileiro o time está muito desfalcado. Além dos três na Olimpíada tivemos muitos casos de contusão.

BO: Mas se o Santos se orgulha de ser um grande revelador de jogadores, não deveria ter um técnico que goste de trabalhar com os jovens que vêm da base?

RHL: Não é questão de gostar ou não gostar. Se o jogador for bom, joga. Se o Muricy acha que o garoto ainda não está pronto, não pode colocá-lo no time e queimá-lo. É preciso ter paciência com os meninos.

BO: Se é preciso ter paciência com os meninos, se já se sabia que Neymar, Ganso e Rafael iriam para a Olimpíada, por que o clube não se planejou para este Campeonato Brasileiro? Por que o time se enfraqueceu tanto?

RHL: Além das contusões, tivemos de nos desfazer de jogadores que pouco rendiam, que nos custavam muito e que já tinham caído em desgraça com o torcedor. Vocês mesmos fizeram uma enquete neste blog e concluíram que Elano, Borges e Maranhão deveriam ser dispensados. Os três não estão mais no clube. Não era isso que queriam?

BO: Sim, mas não houve reposição à altura. Como dispensar um jogador sem a perspectiva de um substituto? Respeito sua opinião, mas para o torcedor ficou a certeza de que faltou planejamento. E quanto ao Edu Dracena, por que renovar por mais três anos com um zagueiro de 31 anos?

RHL: O Edu tem sido o nosso melhor zagueiro e vinha jogando muito bem este ano. Ele se cuida e com 34 anos ainda estará jogando bem e ainda mais experiente. O que aconteceu com ele foi uma fatalidade do futebol. Ninguém tem uma contusão séria dessas por querer. Acontece.

BO: Realmente, há coisas que são imprevisíveis. Agora, gostaria que o senhor nos explicasse a troca de Elano por Miralles. Deixa ver se nós entendemos bem: o Elano ganhava cerca de 440 mil reais por mês e estava jogando mal. O Santos queria se desfazer dele e trazer um jogador bom mas menos caro. Mas aí faz a troca pelo Miralles e concorda em continuar pagando metade do salário do Elano. Ora, mas metade do salário do Elano é 220 mil mensais. Somando-se com o salário do Miralles, cerca de 200 mil, chega-se praticamente ao mesmo valor que era pago ao Elano. Ou seja: foi como se o Santos simplesmente trocasse o Elano pelo Miralles. Será que não dava para negociar melhor a transação de um jogador que foi titular da Seleção Brasileira na última Copa? Quem é Miralles para ser trocado pau a pau com Erlano?

RHL: O Elano, como este blog mesmo denunciava, estava jogando bem abaixo do que pode, a ponto de em alguns jogos ser reserva do Felipe Anderson. Então, esperamos uma boa proposta por ele, mas ela não veio. Surgiu a oportunidade de trocá-lo pelo Miralles, que poderia ser um bom substituto para o Borges. Este Miralles já esteve nos nossos planos, no ano passado, e a torcida chiou quando o Grêmio o contratou antes de nós. Se ele vai corresponder ou não, não depende de nós. Jogadores de futebol vivem de fases.

BO: E por que a diretoria preferiu Bill a Romarinho e não trouxe Juan Martínez, mais barato, para depois trazer o Patito Rodríguez?

RHL: Do Bill teremos 100% do passe, do Romarinho teríamos uma parte. Por outro lado, vemos mais utilidade no Bill do que no Romarinho. O Muricy quer um jogador com presença de área e achamos que o Bill seria o cara. Quanto ao Martínez, o pai dele engrossou a negociação porque o filho cismou de ir para o alvinegro da capital. E ele não é nenhum garoto, daqui a três meses fará 27 anos. O Patito é bem mais jovem, tem 22 anos, mais técnico, e seu investimento não foi feito pelo Santos.

BO: O torcedor não entende como o Bill, que era o quarto reserva do alvinegro da capital, pode ser a solução para o Santos… Bem, mas e o Riquelme? Por que não contratar um meia de nível tão alto, que aceitaria vir para o Santos apenas pelo salário, e poderia ser o substituto do Paulo Henrique Ganso, que está de saída?

RHL: Em primeiro lugar, o Ganso não está de saída. Só sairá se pagarem a multa. Temos um contrato com ele até 2015. Quanto ao Riquelme, não consideramos que ele esteja no perfil do Santos. Está no fim de carreira e não se empenharia como o faz pelo Boca. Não nos interessamos. E se ele realmente estivesse disposto a vir por apenas 250 mil reais por mês, como a sua fonte informou, então deveria ter acertado com outro clube, mas não acertou com nenhum. Então, na prática, os valores eram bem maiores.

BO: Minha fonte assegurou que no caso do Santos ele viria por 250 mil reais por mês mesmo. Bem, mas o assunto mais relevante, para mim, é a relação dos clubes com a TV que detém os direitos de transmissão, hoje a Globo. Não acha que ao aceitar essa divisão desigual, que privilegia dois times e coloca os outros em um patamar bem inferior, os clubes, Santos inclusive, estão assinando, a médio prazo, a espanholização do futebol brasileiro?

RHL: Como você pode dizer que os valores são tão desiguais? Você teve acesso aos contratos? Isso que a mídia divulga por aí não é verdade. O Santos só recebe 18% a menos do que os que mais recebem…

BO: Não é isso que se sabe, presidente…

RHL: De qualquer forma, a divisão é feita pelo ibope e esses times que ganham mais realmente dão mais audiência. Fazer o quê?

BO: Mas esses dois não jogam sozinhos, presidente. Por que não unir os outros em torno de uma proposta mais justa, como a da Inglaterra, que divide o valor total da seguinte forma: metade para todos os participantes do campeonato, um quarto para os de maior audiência e um quarto para os mais bem colocados? Isso não valorizaria o mérito esportivo e não impediria que alguns clubes ficassem bem mais ricos do que os outros só porque têm mais torcida?

RHL: O Santos não poderia recusar o dinheiro da TV e tentar uma revolução na qual, provavelmente, ficaria sozinho e seria o único prejudicado. Isso tem de ser feito com calma, com a participação de todos, de modo que haja consenso.

BO: Há ao menos a idéia de começar a se conversar sobre isso?

RHL: Não.

E você, o que achou das respostas hipotéticas do Laor?


O Santos que o santista quer. Em 10 mandamentos

O santista, que é um dos torcedores mais inteligentes, antenados, participativos e de melhor poder aquisitivo do Brasil, está sempre disposto a apoiar o time, desde que, porém, alguns mandamentos sejam respeitados. Os 10 mais importantes deles são:

1 – Que o time seja ofensivo. Santista detesta ver o time retrancado, jogando para empatar em 0 a 0, especulando contra-ataques improváveis. Mesmo quando esse resultado serve para uma classificação, ou para um título, ele é mal visto. Fechar-se todo na defesa é, para o santista, sinal de inferioridade. No final da Taça Brasil de 1964, quando se tornou tetracampeão brasileiro ao empatar com o Flamengo em 0 a 0, no Maracanã, teve jogador que, em vez de comemorar, reclamou no vestiário do esquema defensivo imposto pelo técnico Lula. Está no sangue do santista ver o time no ataque, pra cima do adversário.

2 – Que ele, torcedor, seja ouvido nas contratações. Ou que, pelo menos, essas contratações respeitem a vontade da maioria dos torcedores. Se há uma coisa que irrita o santista é ver jogadores suspeitos chegando ao clube, principalmente com passes e salários elevados. Por exemplo: a primeira notícia é a de que o Santos compraria 100% do passe desse Patito Rodríguez por quatro milhões de reais. Acabou comprando apenas 50% por seis milhões, e ainda depois de conseguir uma garantia bancária. O rapaz pode dar certo? Tomara. Mas é uma grande incógnita.

3 – Que ele saiba como a diretoria gasta o dinheiro. Sim, porque santista detesta quando, de uma hora para outra, fica sabendo que o clube está endividado até o pescoço, quase caminhando para a falência. E o pior é que os dirigentes ficam na moita e negam as dívidas até o fim. Às vezes não dizem nada e é o presidente seguinte que acaba denunciando estar assumindo uma “terra arrasada”. Esse papo virou rotina na Vila Belmiro.

4 – Que os jogadores da categoria de base sejam aproveitados, valorizados. Ora, esse não é o DNA do Santos? O slogan do Centenário não é “Meninos para Sempre?”. Pois então, que o clube tenha um plano de preparação e aproveitamento dos meninos, que comece na base e siga até o profissional. Por que contratar um jogador meia boca, gastando um dinheirão, se pode dar oportunidades a jogadores criados no próprio clube, sem nenhum custo adicional? E se esta deve ser a política do Santos com relação aos jovens, não é melhor ter um técnico que concorde com ela?

5 – Que seu presidente cumpra o que prometeu na campanha. Se há algo que deixa o santista realmente irritado é confiar nas promessas de alguém, é se apaixonar por um novo líder, e depois perceber que ele disse apenas o que o torcedor queria ouvir, mas esqueceu tudo quando finalmente conquistou o poder. Quando isso acontece o santista se sente usado, e não há sentimento que fere mais o orgulho de uma pessoa do que este. Por isso ele continua se perguntando: Cadê os 40 milhões de reais?

6 – Que seu presidente e sua diretoria sejam valentes, corajosos, sagazes, que enfrentem o sistema viciado do futebol com o poder que a rica história do Santos e a força da comunidade santista lhes outorga. O santista detesta ver o seu time roubado em campo e fora dele e notar que os dirigentes do clube nada fazem, que colocam o rabinho entre as pernas e aceitam o que a CBF e a tevê lhes oferece. O santista quer que seus dirigentes tenham atuação política decisiva, que liderem as mudanças no futebol brasileiro, acabando com as desigualdades que hoje existem.

7 – Que os seus veteranos de ouro, os integrantes do melhor time que já existiu, sejam respeitados e devidamente aproveitados. O torcedor fica triste ao perceber que verdadeiras lendas vivas, homens de um valor incalculável para o Santos, como Zito, Mengálvio, Pepe, Coutinho, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, Dorval, Edu, Joel Camargo, Ailton Lira, entre outros, sejam marginalizados ou esquecidos por meras questões políticas. Eles estão acima de picuinhas factuais, eles são eternos. Reconhecer isso é uma grandeza que o santista espera de qualquer um que assuma o comando do Santos.

8 – Que o problema do estádio seja enfrentado de uma vez por todas. O santista detesta ver que toda nova gestão promete alguma coisa com relação ao estádio, mas depois de eleita parece esquecer o assunto e continua postergando a questão, igualzinho fazia a anterior. O melhor é jogar no Pacaembu? A decisão é ter um grande estádio na Baixada Santista? A melhor opção é aumentar a Vila Belmiro? Ou o ideal é ter um estádio na região Sul da cidade de São Paulo, onde se concentram mais santistas do que em Santos? Enfim, o torcedor quer que essas questões sejam discutidas e uma decisão seja tomada.

9 – Que, mais do que um plano para aumentar o quadro associativo, haja um planejamento para a atender ao sócio, para tratá-lo com eficiência e agilidade. Hoje tem muita gente desistindo de ser sócio por absoluta falta de competência do setor, que nem sequer responde às chamadas, aos e-mails e não dá retorno a quem já preencheu os formulários. O santista também quer ver o clube ajudar para que embaixadas santistas se espalhem pelo Brasil e pelo mundo, e assim a torcida do Santos seja mais atuante e mostre realmente o seu poderio, hoje escondido pela dificuldade de articulação dos santistas. O santista não quer que privilégios políticos interfiram na criação das embaixadas.

10 – Mais do que querer, o santista sonha, enfim, participar mais ativamente das decisões do clube, saber o que está acontecendo e poder opinar sobre os assuntos mais relevantes. Queria ter um canal de acesso ao presidente e aos diretores, queria que sua voz fosse ouvida para dar sugestões e também impedir que atitudes erradas fossem tomadas. E ele se irrita profundamente quando percebe que quem comanda o seu clube é um grupo de pessoas que ele nem conhece, em quem não votou – com exceção do presidente Luis Álvaro Ribeiro – que decidem tudo sem ouvir a opinião dele, torcedor, o único que só dá ao Santos e nada tem recebido em troca.

E para você , como funcionaria o Santos ideal?

Em tempo: atendendo a pedidos, a Promoção dos Livros do Centenário foi estendida até amanhã à noite. Depois, os três livros voltarão ao preço normal.

Hoje se der 0 a 0 não vou reclamar

É duro admitir isso em um blog de santistas para santistas, mas hoje, ás 18h30m, em São Januário, o favoritismo é do Vasco. Com um time melhor armado, no segundo lugar do Brasileiro, o time carioca tem tudo para conseguir a vitória. O nosso Santos jogará com o mesmo time que conseguiu um brihante empate em 0 a 0 com o Botafogo, na Vila Belmiro.

O Santos do professor Muricy Carvalho entrará em campo com Aranha; Bruno Peres, Bruno Rodrigo, Durval e Léo; Adriano, Henrique, Arouca e Felipe Anderson; Dimba e Miralles.

O Vasco, do discreto Cristóvão Borges, deverá iniciar a partida com Fernando Prass, Fagner, Dedé, Douglas e Thiago Feltri; Nilton, Juninho Pernambucano, Felipe e Carlos Alberto; Wiliam Barbio e Alecsandro.

A arbitragem será de Wagner Reway (Aspirante da Fifa-MT), auxiliado por Carlos Berkenbrock (Fifa-SC) e Rosnei Hoffmann Scherer (SC). Osantos tem sido repetidamente prejudicado pelas arbitragens nesse Brasileiro. Jogar em São Januário, durante anos, foi o mesmo que sair perdendo de 1 a 0, pois em todos os jogos lá davam um pênalti a favor do Vasco. Vejamos hoje como vossa senhoria se comportará. Olho nele!

Retrospecto dos confrontos entre Santos e Vasco

Por Wesley Miranda

Santos e Vasco já se enfrentaram 109 vezes na história. O Santos obteve 37 vitórias, contra 40 vitórias do Vasco e 32 empates. O Peixe marcou 177 gols e o time cruzmaltino 174. Em Brasileiros, desde o primeiro confronto na Taça Brasil de 1965, foram 57 jogos, com 21 vitórias paulistas, contra 17 vitórias cariocas e 19 empates. O time de Vila Belmiro marcou 82 gols e o time carioca 77.

Artilheiros do Santos FC
O maior artilheiro do Santos no confronto contra o Vasco é o maior jogador de todos os tempos, Pelé, com 9 gols. O Rei enfrentou o Vasco em 21 oportunidades, vencendo 9, perdendo 8 e empatando 4.
Em seguida vem o gênio Coutinho com 8 gols. O grande ponta Dorval e o goleador Toninho Guerreiro vem em seguida com 6 gols. José Macia, o Pepe e Alessandro Cambalhota aparecem com 5 gols.

O primeiro jogo
O primeiro encontro entre Santos e Vasco da Gama aconteceu justamente na inauguração do palco da próxima partida, o Estádio São Januário. O jogo disputado no dia 24/04/1927 terminou 5 a 3 para o Santos com gols de Evangelista (3), Araken Patusca e Omar.
A direção do Vasco pediu uma revanche, que aconteceu no dia 14/07/1927 no estádio das Laranjeiras. Uma nova vitória do Santos, essa por 4 a 1 com gols de Araken Patusca (2), Evangelista e Feitiço.
Na ocasião, os jogadores do Vasco não admitiam mais uma derrota para o quadro santista e jogaram uma partida com entradas duras e violentas. Com receio da famosa disciplina do presidente Antônio Guilherme Gonçalves, os jogadores santistas não revidaram as duras jogadas do time carioca, proporcionando ao espetáculo a sua grande marca: belas jogadas, ofensividade e gols. O episódio rendeu ao Santos FC a alcunha de time da técnica e da disciplina dado pelo jornalista Carlos Gonçalves do O Globo.

Goleada na Vila antes da excursão
Antes da famosa excursão de 1946 em que o Santos recebeu a alcunha de Rei do Norte do Brasil, quando ganhou 12 partidas e empatou as outras 3, o Peixe fez dois amistosos na Vila Belmiro contra equipes cariocas. No primeiro jogo, perdeu para o seu co-irmão São Cristovão por 2 a 1. Na segunda partida, no dia 17/11/1946 o Santos do técnico argentino Abel Picabéa ganhou do forte Vasco da Gama por 4 a 1 com gols de Adolfrises(2) Rui e Caxambu. Friaça diminuiu para o clube cruzmaltino. O Vasco havia sido campeão carioca invicto de 1945 e conquistaria da mesma maneira o título em 1947. Era o começo do expresso da vitória.

Combinado Santos/Vasco da Gama
Em meados de 1957, um torneio internacional foi criado para angariar fundos para a construção do Estádio do Morumbi. Times como Sevilla(Espanha)Lazio (Itália) Belenenses(Portugal) Dínamo Zagreb(Iugoslávia) e os brasileiros São Paulo, Flamengo, Corinthians e um combinado de Santos e Vasco da Gama disputaram o torneio.
Seria apenas mais um desses torneios que sequer entram nas estatísticas do Santos por usar jogadores de outros times. Mas o torneio teve um “detalhe” especial. No primeiro jogo contra o Belenenses no dia 19/06/1957, o combinado se apresentou com a camisa vascaína por jogar no Maracanã, vitória por 6 a 1, com gols de Pelé(3)Álvaro(2) e Pepe(todos jogadores do Santos). No segundo jogo, no dia 22/06/1957 empate contra o Dínamo de Zagreb em 1 a 1, tendo Pelé anotado o tento do combinado. No terceiro jogo, no dia 26/06/1957, contra o Flamengo, novo empate em 1 a 1, e novo gol de Pelé. Na quarta partida, o combinado jogou em terras paulistanas, agora, com a camisa do Santos empatou com o São Paulo, também em 1 a 1, em mais um tento anotado pelo menino Pelé, e outro legal anulado pelo árbitro.
Com a desclassificação dos times internacionais na primeira fase, os clubes decidiram encerrar o torneio sem que houvesse um vencedor. Mas quem ganhou mesmo, foi o futebol brasileiro, já que com as boas apresentações do então menino Pelé no influente Rio de Janeiro, fez com que ele passasse a figurar nas convocações da Seleção Brasileira e se juntou aos companheiros de clube Zito, Urubatão, Del Vecchio, Pagão e Tite na disputa da Copa Roca de 1957. Era só o começo.

Rio-São Paulo 1959
Santos e Vasco da Gama se enfrentaram pela última rodada do Rio-SP no dia 17/05/1959 no Pacaembu. Para o invicto time carioca, bastava apenas o empate para ser campeão. O Santos precisava vencer novamente, depois de perder para Palmeiras e América(RJ).
O jogo
Culpado pela derrota do Brasil na Copa de 1950, o goleiro Barbosa do Vasco da Gama mesmo aos 38 anos, mostrou no primeiro tempo que era um grande goleiro, e segurou o empate em 0 a 0 que dava ao Vasco o título de bicampeão do torneio.
Mas logo no primeiro minuto da etapa complementar, um jovem de apenas 15 anos que vinha conquistando seu espaço no time titular, cabeceou e venceu o veterano Barbosa. Coutinho abriu o marcador aos 19′ minutos. Outro jovem, esse já consagrado com a conquista da Copa de 1958 e ostentando a alcunha de Rei do futebol, bateu na saída de Barbosa e ampliou para 2 a 0. Pelé marcou o segundo. Mesmo com a vantagem de dois gols, o Santos seguiu pressionando, mas só ampliou aos 42′ minutos, novamente com Coutinho, para sacramentar a vitória e garantir o primeiro Rio-SP da sua história.
O Peixe terminou também com o melhor ataque da competição, ao lado do Flamengo, ambos com 24 gols. O jovem Coutinho foi o artilheiro do Santos com 7 gols, seguido do Rei Pelé com 6, o fenomenal Pagão com 4, o canhão Pepe com 3, o bomba Jair Rosa Pinto com 2, e o pé de valsa Dorval e o eterno capitão Zito com 1 gol cada.

Prazer, eu sou o Rei
Maracanã, sábado, dia 16/02/1963, Santos e Vasco se enfrentavam pelo Rio-SP. Era a estréia do time santista no torneio. Com 12′ minutos do segundo tempo, Sabará ampliava o marcador para, Vasco 2×0 Santos(Ronaldo tinha marcado o primeiro aos 38′ do primeiro tempo). Entra em “campo” mais uma das grandes histórias do Rei do futebol.
Não contente em apenas ganhar do atual campeão mundial, o zagueiro Fontana que havia entrado no lugar de Barbosinha, passou a provocar Pelé, perguntando para o seu companheiro de zaga Brito: Me disseram que tinha um rei em campo, você viu? E era assim, toda vez que passava na frente do camisa 10 santista.
A partida parecia perdida, quando aos 41 minutos, Pelé diminuiu para 2 a 1. Aos 42′ minutos, Pelé passou por Brito, passou por Fontana e empatou o jogo, calando os mais de 29 mil vascainos presentes no Maracanã.
Ao invés de comemorar com seu gesto habitual de socar o ar, Pelé foi até os barbantes do gol de Ita, pegou a bola, se dirigiu a Fontana, e disse: Prazer, eu sou o Rei.
Outra versão da história, conta que Pelé ofereceu a bola de presente para a mãe de Fontana. Lenda ou fato, essa foi a única vez que Pelé marcou 2 tentos em cima do time cruzmaltino. Já da para imaginar o motivo.
O Santos terminou campeão do Rio-SP 1963 com uma rodada de antecedência ao vencer o Flamengo no Maracanã por 3 a 0, com gols de Coutinho, Dorval e Pelé, que terminou como artilheiro do certame com 14 gols.

Pentacampeão exclusivo
O primeiro encontro entre Santos e Vasco em Brasileiros, aconteceu na decisão da Taça Brasil de 1965.
Até então, atual Tetracampeão Brasileiro, o Santos eliminou nas semifinais o Palmeiras (4 a 2 e 1 a 1). O Vasco da Gama chegou na final depois de eliminar o Náutico (2×2 e 1×0) do artilheiro da competição Bita (9 gols).
A primeira partida, disputada no Pacaembu, no dia 01/12/1965 terminou com uma goleada para a equipe santista, 5 a 1 com gols de Dorval(2) Toninho Guerreiro(2) e Coutinho para o Santos, tendo Célio anotado o único gol carioca.
Mesmo com a goleada sofrida em São Paulo, bastava um vitória simples para o clube da Colina provocar uma terceira partida. Ela não veio, “lá atrás” Gylmar em ótima jornada, fez belas intervenções, e, “lá na frente”, Pelé, que havia sido muito bem marcado no primeiro jogo, marcou aos 21 minutos do segundo tempo, o gol do título.
Depois do gol santista, o nervosismo tomou conta dos jogadores cariocas e contagiou os santistas. O árbitro da partida, Armando Marques, expulsou Zezinho, Ananias e Luizinho pelo Vasco e o curinga Lima, o lateral esquerdo Geraldino, o zagueiro Orlando Peçanha e o Rei Pelé pelo Santos.
As expulsões não mudaram o marcador, e o Santos se sagrou o legitimo Pentacampeão Brasileiro, feito inalcançável até o presente momento.

A conquista do sexto Título Brasileiro
Três anos depois de decidirem a Taça Brasil de 1965, Santos e Vasco voltavam para o mesmo Maracanã para a decisão do Roberto Gomes Pedrosa 1968. A partida foi valida pelo quadrangular que tinha além de Santos e Vasco, Palmeiras e Internacional.
Na última rodada, Palmeiras e Inter tinham chances de conquistar o título, desde que, o Vasco ganhasse do Santos. Para o time carioca ficar com a taça, a vitória tinha que ser por 3 gols de diferença, e uma combinação do resultado do jogo entre Inter e Palmeiras que acontecia simultaneamente no Sul.
Tranquilo na disputa, o Santos abriu 2 a 0 ainda no primeiro tempo, com gols de Toninho Guerreiro e Pelé. Bianchini ainda diminuiu para o Vasco no começo da segunda etapa, mas o resultado de 2 a 1 deu ao Santos FC o sexto título nacional!

O milésimo do Rei
A partida do dia 19/11/1969 poderia ter sido só mais uma na história entre Santos e Vasco, já que não valia título e as duas equipes não vinha bem no campeonato. Mas o “simples” detalhe de ser esse, o jogo em que Pelé marcou o seu 1000º gol, transforma a partida na mais importante da história!
Pela expectativa do milésimo gol, 65 mil torcedores estiveram presentes no maior estádio do mundo. Mas foi o Vasco da Gama que abriu o marcador aos 16′ minutos com Benetti. Pelé ainda acertou o travessão, mas o primeiro tempo terminou 1 a 0 para o Vasco.
Logo aos 10 minutos da segunda etapa, Renê marcou contra o gol de empate santista. E Pelé seguiu pressionando em busca do tento. O time santista jogou para que Pelé marcasse. Carlos Alberto Torres, Rildo, Lima, Manoel Maria, Edu, Abel todos procuravam colocar o Rei em condições de marcar. Até que, do pé de Clodoaldo Tavares Santana, sai o passe que colocou o Rei na cara do goleiro Andrada. O zagueiro Renê derrubou Pelé e cometeu o pênalti. Expectativa no Maracanã.
Como em uma disputa de penalidade, o restante dos jogadores do Santos se posicionaram em cima da linha de meio campo. Naquele momento, eram só, o Rei, a bola, as traves e o goleiro argentino Andrada. Pelé ao seu estilo, bateu no canto esquerdo do arqueiro e marcou o tão sonhado milésimo gol.

O último gol do rei em Brasileiro
E foi há exatos 38 anos, 21/07/1974, que Pelé, marcou seu último gol em Campeonato Brasileiro. A partida contra o Vasco da Gama, o mesmo do milésimo gol, no mesmo Andrada, no mesmo Maracanã, só que com o placar inverso, 2 a 1 para os cariocas. O jogo era valido pela primeira rodada do quadrangular final do Brasileiro de 1974.
O 1º tempo foi amplamente dominado pelo time cruzmaltino, que saiu na frente aos 15 minutos com Luis Carlos. Na volta do intervalo, com a entrada de Claudio Adão no lugar de Nenê, o domínio foi do Santos. O gol de empate, saiu aos 30′ minutos em cobrança de falta de Pelé. Porém, aos 43 minutos, em cobrança de escanteio, Roberto Dinamite desviou, e garantiu os 2 a 1. Mais de 98 mil pessoas estiveram presente nas arquibancadas do Maracanã.
O Vasco terminou como campeão Brasileiro daquele ano, o primeiro de seus quatro títulos.

Paulinho 3×3 Bebeto
Mesmo em tempos difíceis, chamado como épocas das vacas magras, o Santos fez grandes jogos que não saem da memória da torcida. Um desses jogos, foi um Santos e Vasco da Gama no estádio do Maracanã, no dia 07/06/1992 valido pela segunda fase do Brasileiro.
O duelo de gols entre o centroavante Paulinho Maclaren (artilheiro do Brasileiro 1991 com 15 gols) e o consagrado atacante Bebeto (artilheiro do Brasileiro 1992 com 18 gols), com 3 gols cada, empatou um jogo histórico em que o futebol saiu o vencedor.

Rio-São Paulo 1997
A estréia do Rio-SP 97 foi no estádio do Morumbi, empate em 2 a 2 com o Vasco da Gama. O resultado, foi injusto, o Vasco era um bom time, ganharia o Brasileiro naquele ano, mas o Santos dominou o jogo do começo ao fim.Carlinhos e Macedo marcaram para o Santos, que sairia com a vitória por 2 a 1, porém o regulamento inovador para diminuir o número de faltas no futebol, favoreceu o time cruzmaltino. Após a 15ª falta, fosse onde fosse, gerava um tiro livre direto da entrada da grande área, e foi assim que, o Vasco chegou ao empate. Injusto, mas o torcedor saiu satisfeito com o que viu. Era o começo do trabalho de Luxemburgo.
O jogo da volta
O segundo jogo foi disputado em São Januario, e o resultado foi outro empate, esse 3 a 3, com gols de Alessandro Cambalhota(2) e Macedo. O Vasco fez 2 gols com o inovador tiro livre. O resultado levou a disputa para os pênaltis e o Santos venceu por 4 a 3.
O Santos terminou como campeão do Rio-SP 1997. Foi a quinta conquista santista no torneio.

Supercopa da Libertadores 1997
Santos e Vasco da Gama nunca se enfrentaram em uma Libertadores. Em 2012, por muito pouco o encontro não aconteceu.
Mas em 1997 os times se encontraram pela última edição da Supercopa da Libertadores. O torneio que reunia os campeões da América ganhou nessa edição, a participação do clube carioca, graças ao reconhecimento da Conmebol a conquista do título Sulamericano de 1948, torneio antecessor a Libertadores de 1960.
Santos, Vasco, River Plate e Racing integraram o grupo 3. Em jogos de turno e returno, só o melhor se classificava para a segunda fase.
No dia 28/08, o Santos perdeu de 2 a 1 para o Vasco jogando em São Januário. Marcelo Passos fez o gol do Santos.
No dia 16/10 na Vila Belmiro, o Vasco triunfou novamente por 2 a 1. O paraguaio Baez marcou o gol santista.
Apesar das duas vitórias, o Vasco foi eliminado junto com o Santos. O River Plate, que terminaria campeão em cima do São Paulo passou em primeiro lugar no grupo.
A nota é que, a única derrota no torneio do time argentino que tinha sido campeão da Libertadores 1996, aconteceu para o Santos na Vila Belmiro, no dia 22/10 por 2 a 1 com gols de Élder e Macedo.

Rio-São Paulo 1999
Depois do Santos eliminar o Botafogo nas semifinais vencendo os dois jogos (1×0 e 2×0) e o Vasco, eliminar o São Paulo(2×3 e 3×1) as duas equipes voltavam a decidir um título do Rio-SP.
No primeiro jogo, no estádio do Maracanã, no dia 28/02/1999, o Vasco da Gama até então atual campeão da Libertadores, ganhou por 3 a 1 com gols de Mauro Galvão, Juninho Pernambuco e Zezinho, tendo Alessandro Cambalhota anotado o gol santista.
Mesmo tendo que reverter o resultado adverso, mais de 30 mil torcedores santistas compareceram no Morumbi no dia 03/03. Mas foi o Vasco, no fim da primeira etapa, que abriu o marcador com o lateral Zé Maria. Na segunda etapa, um gol relâmpago do Santos. Antes do primeiro minuto, Alessandro Cambalhota empatava, marcando seu quinto gol na competição e se tornando um dos artilheiros do certame. O Vasco segurou, e ainda ampliou com Juninho Pernambucano aos 29′ minutos. Essa foi a terceira conquista de Rio-SP do clube carioca.

O oitavo título Brasileiro
Como esquecer do Vasco da Gama na conquista do título Brasileiro de 2004? Se na última rodada, o Santos teve que vencer o clube carioca para assegurar o sofrido título, na penúltima, teve que torcer muito para o time carioca vencer o adversário direto na corrida pelo certame. Com o gol do zagueiro Henrique, aos 21 minutos do segundo tempo, o Vasco ganhou do Atlético PR e se livrou da ameaça do rebaixamento. Ao mesmo tempo, o Santos ganhava do São Caetano por 3 a 0, e assumia a liderança do campeonato.
No dia 19/12/2004 o Santos enfrentava o aliviado Vasco da Gama, com a volta do aliviado Robinho. O Santos abriu 2 a 0 ainda no primeiro tempo, com gols de Ricardinho em cobrança de falta, e Elano de cabeça. No segundo tempo, Robinho chegou a coroar a sua presença com o seu 22º gol no certame, mas o bandeira anotou impedimento inexistente, mais um gol anulado naquele campeonato. Nem mesmo o gol de Marco Brito para o Vasco, diminuiu a empolgação da torcida santista, que explodiu no Benedito Teixeira em São José do Rio Preto na conquista do oitavo título Brasileiro da história do Santos. De quebra, o Santos marcou 103 gols e detém o recorde da competição.

O último confronto
Motivado com as voltas de PH Ganso e Borges, o Santos em preparação para disputa do mundial, enfrentou o Vasco da Gama na Vila Belmiro, no dia 06/11/2011, pela 33ª rodada do Brasileiro. Para Neymar, era a chance de mostrar que poderia ser eleito o melhor do mundo pela FIFA. Para o Santos, era a chance de reverter a derrota do primeiro turno em São Januário por 2 a 0.
O jogo
Neymar abriu o marcador logo aos 3′ minutos em cobrança de falta. Sem apresentar forças para reagir, o time carioca viu Borges ampliar para 2 a 0 aos 28 minutos do segundo tempo, dando números finais ao prélio. O gol de número 23 do centroavante, quebrando um recorde santista que era de Serginho Chulapa que havia marcado 22 gols no Brasileiro de 1983.

E você, também vibrará com mais um 0 a 0 hoje?


Que não seja um Patito de Youtube

Hoje se encerra a janela de transferências e o Santos, que perdeu Elano, Borges, Maranhão e Alan Kardec, trouxe o Patito. Mas quem é Patito? O rapaz se chama Patrício Rodriguez, tem 22 anos e sempre jogou no Independiente, da Argentina. Meia-atacante, em 91 jogos oficiais marcou 10 gols na carreira.

Pelos comentários do site do Diário Olé, que reproduzo abaixo, sua contratação não foi lamentada pelos torcedores do time argentino. Ao contrário. Muitos se surpreenderam com o alto valor que o Santos pagou por seu passe – 4 milhões de dólares, um milhão a mais do que o Corinthians gastou para trazer Juan Manuel Martinez, do Vélez Sarsfield, um jogador em alta e bem mais experiente do que o Patito.

A diferença é que o santos comprou 100% do passe do jogador, enquanto o alvinegro da capital adquiriu apenas 50% do passe de Martínez.

Seus defensores dizem que ele – que jogava no Independiente com a camisa 11, a mesma de Neymar –, ficava muito preso à esquerda do campo e não tinha com quem fazer jogadas, pois seus companheiros não tinham a mesma técnica. Se for mesmo assim, quem sabe ele e Neymar se entendam, pois vivem o mesmo problema.

O garoto ficou muito feliz com a vinda ao Santos e em matéria do mesmo jornal Olé, que também reproduzo, está radiante com a possibilidade de fazer dupla com Neymar (se bem que muitos argentinos não acreditem nisso e achem mais provável que o Patito esquentará banco no Alvinegro Praiano.

Veja o filme com algumas boas jogadas de Patito Rodríguez, sua mataria no jornal Olé e depois alguns comentários de torcedores do Independiente – a maioria deles comemorando sua venda para o Santos para o que para eles é uma fortuna.

Sem querer ser chato, e já sendo, lembro que com esse dinheiro daria para trazer Juan Manuel Martínez e garantir mais de um semestre de salários de Juan Román Riquelme. Imagino que o Santos tenha apostado na rápida valorização do jovem Patito. Torçamos para que o rapaz não seja um novo Defederico e que o único patito da história seja, mais uma vez, o torcedor santista.

“Voy a hacer dupla con Neymar”

Patricio Rodríguez dejó Independiente y es el nuevo refuerzo del Santos: el club brasileño desembolsó 4 millones de dólares por el 100% del pase. Cantero estuvo presente en el momento de la firma, en la sede del club. En chiste, ya pidió la 11 del crack…

“Final y felizmente, viajo en busca de una sociedad con Neymar. Soy un eterno agradecido al mundo Rojo”. Las palabras de Patricio Rodríguez denotan la felicidad que siente por estas horas. El jugador, que abandona Independiente, concretó su pase al fútbol brasileño: este jueves firmó contrato con el Santos.

En la sede del club, Patito, su representante y Javier Cantero, que viajará hacia Tandil, celebraron el acuerdo con el club paulista, que desembolsó 4 millones de dólares por el 100% del pase del jugador. “Contento por haber pensado siempre en Independiente y mostrarlo a través de hechos. Me voy por la puerta grande habiendo sido muy honesto”, continuó escribiendo el protagonista en su cuenta de Twitter. Más tarde agregó: “Dejo la mitad de mi vida en Independiente. Llegué al club a los 9 años, es todo para mi. Me voy muy bien con el club y me va a venir bárbaro conocer otro país y otro fútbol. Siempre quedan cuentas pendientes. Hubiese sido lindo ganar un campeonato o una Copa Libertadores. Pero la Sudamericana al menos me saca la espina de haber logrado algo”.

Y por último chicaneó a su nuevo compañero: “De más está avisarle al Santos FC que si no me dan la 11 me quedo acá! #la11deneymarparapato jajajajaja”. “Hablando en serio, ni me interesa. Sólo quiero llegar, sumarme al plantel y acoplarme a su juego”, cerró.

Cristian Sebastián Soragni
Si Neymar hace jugar a este muerto, claramente va a ser mejor que Messi. Que paquete se llevan los muchachos del Santos…

Federico Lam
gracias pato. Gracias por lo 4 palos que dejaste. Casi una generosidad por parte de los brasileros. Gracias Santos

Hernan Gabriel Fernández
Neymar se esta cortando los huevos….

Leandro Carlo
neymar debe estar re nervioso con la llegada de patito jajajaja

Mariano Emmanuel Torres
Grande pato, gracias por los 4 palos.

Renzo Miccoli
Si es TAN malo (como muchos dice, y comentan) se creen que el Santos va a pagar 4 palos verdes? mmmm hay algo que no esta muy bien aca, no quiero que cuando el pibe empieze a rendir lo pidan de nuevo, o le pidan seleccion. Es un jugador distinto, que no se va a poner el equipo al hombro, pero bien rodeado te hace un desastre, en el rojo naide le seguia el hilo, estaba un cambio mas arriba….
Es mi Humilde opinion.

Nacho Sanchez
el mejor comentario, es lo que yo digo… ademas que jugaba recostado en la izquierda, cuando lo ponian bien en el medio jugaba muy bien porque podia combinar con Fredes y tenia mas cerca a todos.

Nicolas Lo Vento Cai
Gracias por la plata y por querer al club , nada mas. Ahh y por el partido contra olimpo. chau y suerte

Gustav Salvestrini
la unica dupla que vas hacer es con el banco de suplentes.

Lauchaa Laucieri
Que desagradecidos somos con el pibe, una venta despues de tantos años y por 4 palos, no debe ser ningun horrible. Gracias pato, te putie y te ame, pero siempre demostraste querer este club!

Juan Carlos Scalbi
Patito jugaba solo….cuando toque con Neymar y hagan estragos….vamos a ver de que se disfrazan los lengualargas de aca….Patito merecia irse, x la sarta d salames que lo vivian criticando…y que seguramente van a lamentarse dentro de un tiempo…

Ramiro Vélez
Grande Pato! Lo mejor para vos, el futbol brasileño te va a hacer crecer mucho, yo queria que, si es que te ibas, fueras a jugar alla, mas al Santos. Mucha suerte y hasta pronto…

Javier Luis Rivarola
q se cuide Neymar q va empezar hacer banco con la llegada del Patito ajajjaj.

E você, o que achou da compra de Patito Rodríguez?


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