A Teisa está abandonando o navio. Descontente com os resultados dos investimentos em jogadores como Elano, Ibson e Henrique, entre outros, a empresa criada para dar suporte às contratações do Santos resolveu parar de perder dinheiro. É compreensível. Só que como experientes investidores, os sócios da Teisa se esqueceram de uma regra básica de mercado: antes de investir, deveriam se abastecer de todas as informações possíveis. Se consultassem os leitores desse blog, por exemplo, jamais teriam feito as loucuras que fizeram.

Perceba o leitor que o Santos, infelizmente, tem seguido um padrão que invariavelmente tem levado à gastança e à inoperância. Essa administração não fugiu da regra. No começo, estabeleceu-se um teto para os salários e um limite para as contratações. E foi justamente nesse período que o time jogou melhor, com mais determinação, objetividade e solidariedade. Foi o tempo do “Cirque du Soleil”,das goleadas, do futebol ofensivo que encantou o Brasil. Mas isso durou apenas o primeiro semestre de 2010.

Depois, sem possibilidade de segurar alguns de seus jogadores principais – como André e Wesley -, o Santos tratou de contratar jovens promissores. Poucos deram certo, mas ao menos dessa nova leva vieram Danilo e Alex Sandro, titulares de seleções de novos.

Porém, dois anos e meio depois dessa administração, vemos um time repleto de veteranos, com uma folha salarial altíssima, jogando mal, sem capacidade ofensiva e nas mãos de um técnico acomodado.

Quanto se busca as razões de o Santos ter andado para trás, não dá para fugir da evidência de que faltou ousadia para manter o plano original, e faltou ousadia porque não houve quem enxergasse suficientemente o futebol para promover as mudanças necessárias.

A goleada sofrida para o Barcelona foi o sinal de que o futebol do Santos estava obsoleto se comparado às grandes forças do planeta. Aquele resultado vexatório deixou a direção do Alvinegro Praiano diante de uma decisão que envolvia coragem e muito trabalho: Vamos lutar para nos equipararmos ao melhor time do mundo, ou vamos nos contentar em continuar sendo um dos melhores da América do Sul?

Optou-se pela alternativa mais cômoda, pois envolvia menos trabalho. Manter-se como um dos principais times sul-americanos não exigia nenhum esforço. Era só deixar tudo como estava. E o Santos saiu de férias, como se nada tivesse acontecido no Japão.

Naquele momento a diretoria já poderia ter analisado as possibilidades de uma grande reformulação no elenco. Desde aquela derrota percebe-se que alguns jogadores já deram o que tinham de dar.
E além de mexer no elenco, deveriam reformular o conceito de se jogar futebol. Ficou evidente que não era mais possível manter um sistema de jogo baseado em um único jogador excepcional.

Hoje, o Santos se aproxima novamente do ponto de erupção. Não houve planejamento financeiro e hoje o futebol gasta mais do que arrecada, a folha salarial é alta demais e o rendimento apresentado pelo time deixa a desejar. Jogadores terão de sair e precisarão ser substituidos por outros com salários menores. O grande dilema é encontrar esses outros. Para isso é preciso conhecer futebol.

Pelas últimas contratações, percebe-se que o Santos não tem a fortuna de contar com especialistas na área. A Teisa certamente acreditou nas indicações do clube para buscar jogadores, e deve ter se arrependido. Após dois anos e meio, e mesmo com tanto dinheiro investido, os grandes destaques do Santos continuam sendo Neymar, Ganso e Rafael, que já estavam no clube quando a nova administração assumiu. Nenhum outro grande jogador foi revelado ou contratado.

Por isso, hoje, mais do que sair gastando a torto e a direito, o Santos precisa contar com especialistas na matéria-prima que alimenta o clube, que é o futebol. Alguém que saiba distinguir um cabeça de bagre de um craque já seria um bom começo. Se não for possível, aconselho que visitem um centro espírita e tentem fazer contato com Luis Alonso Peres, o genial Lula, técnico que descobriu Pagão, Pepe, Del Vecchio, Pelé, Coutinho, Edu, Clodoaldo…

Você não acha que o Santos precisa de um especialista em futebol?