Neste domingo veremos a reedição do clássico brasileiro de maior repercussão nos últimos tempos. O Santos recebe o Corinthians na Vila Belmiro naquele que Pelé define como “o grande jogo”. Algo me diz que, ao contrário do que aconteceu na última partida, desta vez o Santos terá o controle do duelo. Para isso, porém, Muricy Ramalho deve escalar os que estão jogando melhor.

Para mim, Patito Rodríguez deve ser o titular e Ganso deve começar no banco de reservas. Também acho que Mirales está melhor do que André e merece ser escalado no time que começa o jogo.

Uma vitória é fundamental para o Santos se animar em busca de uma vaga na Copa Libertadores do ano que vem, ao mesmo tempo que atrapalhará os planos do adversário de ainda lutar pelo título.

Retrospecto de Santos x Corinthians

Por Wesley Miranda

O clássico mais antigo de São Paulo completará ano que vem 100 anos, e já chegou ao confronto oficial de número 303 na história, com 96 vitórias do Santos contra 123 vitórias do Corinthians e 84 empates. O alvinegro praiano marcou 472 gols e o alvinegro da capital, 557.
Em Brasileiros desde o primeiro encontro, no Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967, são 46 jogos, com 16 vitórias do Santos contra 16 vitórias do Corinthians e 14 empates. O Peixe marcou 64 gols e sofreu 60 gols.

Artilheiros santistas do confronto
E o artilheiro do confronto é Pelé com 50 gols! O Corinthians é a maior vitima do Rei do futebol que disputou 48 jogos vencendo metade deles, empatou 15 e perdeu apenas 9. Marcar 50 gols em um mesmo time é um recorde sul-americano. Pelé marcou 4 gols na mesma partida em 3 oportunidades: 6 a 1 de 1958, 7 a 4 em 1964 e 4 a 4 de 1965.
O vice-artilheiro do confronto é o gênio Coutinho, que nunca perdeu para o rival atuando com Pelé. Ele marcou 13 gols em 16 disputado, média de 0,81 gols por jogo. Em seguida vem José Macia, o Pepe, com 12 gols em 26 jogos, média de 0,46 gols por jogo. Feitiço, Odair Titica e Válter Vasconcelos com nove gols, e Camarão, Antoninho Fernandes e Guga com oitos gols fecham a lista de maiores artilheiros contra o Corinthians.
Veja um vídeo com o maior artilheiro do confronto

O primeiro encontro
Depois da derrota na estreia em Campeonatos Paulistas frente ao Germânia por 8 a 2, o técnico e zagueiro do Santos, Urbano Caldeira, decidiu fazer algumas alterações no “team”. A grande alteração foi a substituição do goleiro francês Julien Fauvel para a entrada de Durval Damasceno. Deu certo, e no dia 22 de Junho de 1913, o Santos venceu o Corinthians por 6 a 3 com quatro gols dos futuros selecionáveis(a seleção brasileira só começou em 1914) Adolpho Millon Jr (2) Arnaldo Silveira (2) e completando a goleada, Nilo e o próprio Urbano Caldeira.

Jogo insólito
Nos 100 anos de história, o Santos já jogou alguns jogos não oficiais combinado com Vasco, Flamengo, seleções de Argentina, Chile, Paraguai…. mas nenhum jogo foi tão insólito quanto o de 1925. Um combinado Santos/Corinthians.
Um amistoso no Parque Antártida com um duplo combinado, entre Palestra Itália/Sirio contra Santos/Corinthians…
Vitória do 1º combinado por 3 a 2. Os gols do segundo combinado saíram de jogadores santistas, Camarão e Hugo, o zagueiro do time da capital, Pinheiro, marcou contra o gol que deu números finais no placar, no 2º tempo da prorrogação.

Forasteiro Campeão
Depois de perder a decisão do Paulista de 1930 para o rival por 5 a 2 na Vila Belmiro, o Santos tinha a enorme chance de se redimir e conquistar o Paulista de 1935 contra o Corinthians no Parque São Jorge. O Santos FC e sua torcida temiam muito por um costumeiro favorecimento para os times da capital, pratica muito comum, especialmente no período pré-profissional (antes de 1933). Para garantir que a marmelada não acontecesse um grupo de estivadores santistas foram juntos com o time, dispostos a tacar fogo no estádio se preciso!
Mas em campo, o Santos se impôs e conquistou a vitória por 2 a 0 com gols de Raul Cabral aos 35 do primeiro tempo e Araken Patusca aos 17 do segundo tempo. Pela primeira vez um clube fora da cidade conquistava o Paulistão.

A quebra do jejum
Depois da conquista de 1935, o Santos ficou 20 anos esperando por um novo título Paulista. E ele veio com a vitória em cima do Taubaté na Vila por 2 a 1 com gols de Álvaro aos 15 minutos e Pepe com o gol do desempate aos 20 minutos do segundo tempo! E a disputa era contra o Corinthians que venceu o rival Palmeiras mas ficou com o vice.

A era Pelé sob o comando de Luis Alonso
Nenhum time sofreu tanto com o Santos de Pelé no comando de Lula do que o Corinthians. De principal time do estado, passou a lutar com o São Paulo para ser a terceira força.
Da estreia do Rei no time titular em 1957 até a saída de Lula, foram 34 jogos, com 20 vitórias santistas, contra 5 vitórias do Corinthians e 9 empates.
A diferença que refletia nos confrontos, consequentemente refletia nas conquistas! Enquanto o Santos conquistava títulos com enfadonha tranquilidade, o Corinthians colecionava vexames! O mais puro contraste de alvinegros.
Os grandes triunfos do Santos sobre o rival foram o Paulista de 64 quando os times terminaram o primeiro turno empatado, mas já quase no fim do segundo turno, o Santos aplicou uma sonora goleada de 7 a 4 com quatro de Pelé e três de Coutinho, e praticamente garantiu o título e eliminou o rival! O outro “triunfo”, foi um empate na decisão do Rio-SP 66, sem Pelé, com Coutinho e Mengálvio expulsos o Santos empatou contra o Corinthians de Garrincha no Pacaembu em 0 a 0 e impediu o título do rival. Flávio do Corinthians, ainda perdeu um pênalti! Sem datas para continuar a disputa foram declarados campeões, Santos, Corinthians, Botafogo e Vasco, todos empatados com 11 pontos!

A era Pelé sob o comando de Antoninho
O auxiliar de Lula assumiu o Santos em 1967, com uma enorme responsabilidade: renovar um elenco vencedor. Jogadores como Zito, Coutinho, Pepe, Mauro Ramos, Gylmar tinham que ser substituído por nomes equivalentes. E com isso o rival passou a equilibrar um pouco mais nos confrontos:
Sob o comando de Antoninho Fernandes foram 21 jogos com 8 vitórias do Santos, 6 vitórias do Corinthians e 7 empates.
Mas uma dessas derrotas foi para o técnico Lula, então técnico do rival. E foi depois de 11 anos sem vitórias em campeonatos Paulistas.
Apesar do equilíbrio, o Santos seguiu contrastando com o rival no quesito títulos. Inclusive foi com a ajuda do rival que o Santos conquistou o Paulista de 1967. O Corinthians de Lula e São Paulo se enfrentaram na última rodada, e uma vitória dava o título ao tricolor depois de 10 anos de jejum. O jogo seguiu 1 a 0 para o São Paulo até os 44 do segundo tempo, quando Benê empatou e provocou uma partida extra de desempate entre Santos e São Paulo. O Peixe venceu por 2 a 1 e se sagrou campeão!
O grande triunfo santista em cima do rival, foi no Paulistão 69. Depois de terminar a primeira fase em primeiro lugar, o Corinthians enfrentou o Santos no primeiro jogo do Quadrangular que tinha os quatro grandes de São Paulo. Confiante, Paulo Borges chegou a declarar que o grande adversário era o Palmeiras de Ademir,e se esqueceu do Santos de Pelé, resultado: Santos 3×1 Corinthians. com um de Edu e dois de Pelé! Todos golaços!

A era Pelé sob os comandos de Mauro Ramos e Pepe
Era o fim de uma era do Santos, era o fim de uma era do futebol brasileiro!
A diretoria santista promoveu ex-jogadores e ídolos como técnicos: o zagueiraço Mauro Ramos e o eterno Pepe. Sob o comando dos dois, frente ao Corinthians foram 2 vitórias, 4 derrotas e 4 empates. Desvantagem nos confrontos, mas vantagem em títulos, já que o Peixe ainda conquistou o título Paulista de 73!

Feios, Sujos e Malvados
Os Meninos da Vila de Chico Formiga formavam um time excepcional, dono de um futebol total, discoteca, irreverente… Mas ficaram um tempo sem vencer o alvinegro da capital, o que só aconteceu no final de 1983, por 2 a 0 com gols de Pita, que jogou muito, e Vagner, contra.
Mas foi mesmo com um grupo experiente que o Santos conseguiu seu maior triunfo. Comandado por um conciliador (Castilho) que contava com uma muralha atrás (Rodolfo Rodrigues), um cão de guarda no meio (Dema), um matador no ataque (Serginho Chulapa), sem falar de Paulo Isidoro, Humberto, Zé Sergio, Lino, Toninho Vieira, Marcio Rossini… Um simples empate, e a taça desceria a serra. Quando a bola rolou, quase 112 mil pessoas viram um jogo truncado, sendo decidido pelos dois principais nomes do time: a muralha funcionou como sempre,e o matador apareceu aos 27 minutos do 2º tempo para marcar o gol do título! E o Santos acabava com o jejum de 6 anos sem títulos paulistas, de novo contra o adversário!
Vale a pena rever o gol do santista Chulapa e os últimos minutos daquela decisão.

O matador
Nas épocas de vacas magras, o torcedor tinha poucos motivos para comemorar, e um deles era o matador Guga! Exímio cabeceador, sempre bem colocado, ganhou o coração da torcida por fazer muitos gols, em especial contra o Corinthians. Em 11 jogos, foram 8 gols, média de 0,7 por jogo contra o rival. Uma das maiores da história do Santos.
E em dois jogos, foram seis gols. O primeiro em 25/10/1992, a vitória de virada por 3 a 1 com três gols de Guga. Quebrou um jejum de quatro anos sem vitória em cima do rival, e o seu terceiro gol foi inesquecível!
O outro jogo foi em 1994, e também de virada, o Santos bateu o Corinthians por 4 a 3, com três gols de Guga e um de pênalti do volante Dinho! Outro destaque da partida foi o goleiro Edinho, que fez no mínimo três defesas incríveis!
Veja um vídeo homenagem com o matador Guga

Voltando para casa
Mesmo tendo o seu estádio próprio desde os primórdios de sua história, o Santos durante muitas décadas abriu mão de sua casa quase que por completo em confrontos contra o Corinthians .
Só na geração Giovanni, que depois de muita resistência, a Vila Belmiro foi palco de um novo Santos e Corinthians. No Paulista de 1995, 3 a 1 para o Santos e no Brasileiro 3 a 0. Desde então, a história do confronto se equilibrou e no novo século, tende ao Santos.
Em uma dessas “volta para casa”, o Santos conquistou o Torneio de Verão 1996. Um torneio de pré temporada, com as presenças de Santos, vice campeão Brasileiro 1995, Corinthians, campeão Paulista 1995, Cruzeiro, então futuro campeão da Libertadores 1996, e Grêmio, futuro campeão Brasileiro 1996.
Depois de vencer nos pênaltis o time gremista, o Santos chegou na final contra o Corinthians. A vitória santista no dia 24/06/1996 foi por 3 a 1 com gols de Giovanni, Kennedy e Camanducaia, conquistando o torneio!

A geração Diego e Robinho
Na maior final entre os dois clubes, deu Santos. Com requintes de genialidade de um adolescente ainda em formação, mas com precoce talento, uma histórica tradição de Vila Belmiro. Aliada com uma exibição de gala de seu número 1, o Santos ganhou as duas partidas da final do Brasileiro de 2002 e quebrou de novo seu jejum de título em cima do rival.

Foram cinco vitórias santistas em 2002, o que torna o Santos FC o maior algoz do Corinthians em uma só temporada. Em 1977 a Ponte Preta também ganhou 5 jogos, mas perdeu justamente os 2 decisivos.
O santista não pode reclamar de 2002.
Rio-SP – 1×0 gol de Willian
Amistoso – 3 a 1 – André Luís, William e Renato
Brasileiro – 4×2 Alberto(2) Elano(2)
1ª Final – 2×0 Alberto e Renato
2ª Final – 3 a 2 – Robinho, Elano e Léo!
De quebra, Robinho, em 8 jogos, venceu 7 e empatou 1. Ficou invicto, sem falar no jogo anulado de 2005!

7 a 1 ou 8 a 1 em 4 vitórias?
Depois de ganhar do Santos por 7 a 1 no Pacaembu no polêmico Brasileiro de 2005, a torcida corintiana passou a festejar o resultado com bandeiras e camisas comemorativas. Mas foi no confronto seguinte, que o Santos iniciou uma nova sequências de vitórias.

No dia 12/02/2006, no Morumbi, pelo Campeonato Paulista, todos esperavam uma nova goleada do Corinthians de Tevez, mas o técnico Luxemburgo surpreendeu e armou o time com três zagueiros. A tática do técnico santista apareceu mesmo quando Geílson aos 33 minutos do segundo tempo, marcou o gol da vitória em rápido contra ataque, e garantiu a vitória santista mesmo com um jogador a menos!

Importante resultado na conquista em formato de pontos corridos do Paulista de 2006.

2×0
Atuando na Vila Belmiro, no dia 28/05/2006 pelo Brasileiro, o Santos ganhou do Corinthians por 2 a 0 com gols de Cléber Santana e Rodrigo Tabata.

3×0
No segundo turno, no dia 05/10/2006, no Pacaembu, o Santos ganhou novamente do Corinthians, dessa vez com o placar mais dilatado; 3 a 0 com gols do lateral Kléber, Leandro e Zé Roberto.

2×1
Fechando a série de quatro vitórias, pela 16ª rodada do Paulista de 2007, o Santos venceu por 2 a 1 na Vila Belmiro com gols de Zé Roberto e Jonas, e praticamente eliminou as chances do rival de disputar a fase semifinal.

Os meninos cresceram
O Corinthians vinha em ascensão depois de disputar a segunda divisão em 2008. E jogando contra o Santos dos inexperientes Ganso e Neymar conquistou o Paulista de 2009 ganhando na Vila por 3 a 1 e empatando em 1 a 1 no Pacaembu.
Dois anos e muitos jogos depois, os time se enfrentaram na final do Paulista de 2011. Neymar já não era mais nenhum menino que iria se inibir como aconteceu em 2009. E poucos dias antes de conquistar o Tricampeonato da Libertadores, mesmo com Ganso se contundindo no 1º jogo da final, 0 a 0 no Pacaembu, o Santos se sagrou bicampeão Paulista ao derrotar o rival por 2 a 1 na Vila Belmiro.

Confira no vídeo os gols de Arouca e Neymar. Ao final, um tributo a todos os times do Peixe que conquistaram o Paulista até 2011!

A última decisão
Depois de derrotar o Santos na Vila, por 1 a 0 na primeira partida da semifinal da Libertadores de 2012, bastava ao Corinthians o empate para para chegar pela primeira vez em uma final de Libertadores. Para o Santos disputar sua quinta final, vitória por dois gols. Neymar abriu o marcador já no fim do primeiro tempo, mas o gol de Danilo na segunda etapa foi o resultado suficiente para garantir ao Corinthians a passagem para final da competição.

Neymar artilheiro da Libertadores
Com o gol marcado contra o Corinthians, Neymar se tornou artilheiro da competição junto com Alustiza do Deportivo Quito, ambos com 8 gols.
Essa foi quarta vez que um santista terminou artilheiro da Copa Libertadores:
1962: 6 gols: Coutinho, Alberto Spencer (Peñarol) Enrique Raymondi (Emelec)
1965: 7 gols: Pelé
2003: 9 gols: Ricardo Oliveira, Marcelo Delgado(Boca Juniors)
2012: 8 gols: Neymar, Alustiza (Deportivo Quito)

Esse gol também colocou o Neymar como vice artilheiro do Santos em Libertadores junto com Robinho, ambos com 14 gols. Pelé é o primeiro com 16 gols.

CURIOSIDADES

Troca de Alvinegros
Apesar da rivalidade não foram poucos os jogadores que trocaram de alvinegro ao longo da história. Vamos citar alguns:
Santos – Corinthians
Tuffy Neugen (Satanás Negro), Cláudio Cristóvão Pinho (maior artilheiro da história do rival) o ponta Tite, Edu, João Paulo (Papinha da Vila), Serginho Chulapa, Mauricio Assolini, Jamelli, Alessandro Cambalhota, Gustavo Nery, Deivid, Paulo Almeida, Alberto, Robert, Fábio Costa e os laterais direitos Pedro, Dennis e Alessandro.

Corinthians – Santos
Gylmar dos Santos Neves, Almir Pernanbuquinho, Amaral, Ataliba, Sócrates, Hugo de Leon, Wladimir, Viola, goleiro Nei, Rincón, Edmundo, Marcelinho Carioca, Ricardinho, Fábio Baiano, Betão, lateral Kléber, Fabinho, Luizão, Doni,
Sem falar no caso de jogadores que atuaram pelos 4 grandes como Neto, Luizão, Muller, Cesár Sampaio, e Antonio Carlos.

Na era profissional: Santos 20×18 Corinthians
Muito se fala que o Corinthians é o maior campeão Paulista de todos os tempos, com 26 títulos, mas pouco se comenta um fato importante.
Depois que foi instituído o profissionalismo no futebol brasileiro (1933), o rival, que já tinha 8 títulos, conquistou mais 18, enquanto o Santos conquistou 20 paulistas no mesmo período, dois a mais que o Palmeiras (18) igual ao São Paulo (20).

Homônimo Corinthians
Segundo o pesquisador Evaldo Rodrigues, o Santos já enfrentou quatro Corinthians em sua história além do tradicional rival: o de Presidente Prudente, o de Santo André, o de Salto e um Corinthians gaúcho contra o qual jogou em 1948.

E você, o que espera do Santos contra o Corinthians?