Anderson Carvalho vai para o Japão; Geuvânio não vai mais para Portugal…

A notícia de que o volante Anderson Carvalho, de 22 anos, está sendo emprestado até o final do ano para o Vissel Kobe, do Japão, por 150 mil dólares (cerca de 305 mil reais), pegou o torcedor santista de surpresa. Dos garotos vindos da base, Carvalho era dos mais confiáveis, a ponto de muitos o considerarem futuro titular da posição. Porém, o técnico Muricy Ramalho decidiu que ele é descartável no momento, já que o elenco conta com outros seis jogadores para a posição, quais sejam: Adriano, Henrique, Arouca, Ewerton Páscoa, Alyson e Alan Santos.

Ironias do futebol. Há um ano, ao entrar na partida contra o Cruzeiro – vencida pelo Santos por 2 a 0 – Anderson Carvalho encantou o mesmo Muricy e deixou ótima impressão entre os torcedores. Mas, se ele vai embora, ao menos o misto de lateral-esquerdo e atacante Geuvânio deve ficar.

Ao receber a documentação para liberar o jogador para o Acadêmica de Coimbra, de Portugal, o presidente Luis Álvaro decidiu abortar a liberação do jovem criado na Vila Belmiro.

“O presidente disse que a rescisão havia chegado até a mesa dele e ele resolveu não dar a liberação. Agora vamos rediscutir o contrato”, disse Cristiano Santana, empresário do jogador.

Mesmo criado no Santos, Geuvânio tem o seu passe dividido entre o Jabaquara (60%) e empresários (40%). Estranhamente o Alvinegro Praiano não possui sequer 1% dos direitos do jogador, que está emprestado ao Santos até o final do ano. Porém, o Santos tem a opção de exercer o direito de compra de 70% de Geuvânio, que atuou em apenas três partidas no time profissional.

O que o Santos quer com seus jovens?

O torcedor se pergunta: será que se Anderson Carvalho fosse mais utilizado, depois de sua ótima atuação contra o Cruzeiro, em setembro do ano passado, ele já não teria se firmado no time? O mesmo não poderia ter ocorrido com Geuvânio, que se saiu bem na última vez que atuou entre os profissionais?

É claro que jovens não estarão totalmente prontos antes de poderem adquirir alguma experiência. Mas se não forem escalados, como poderão se aprimorar? Essas respostas nunca foram um problema para o Santos, que sempre viu nos jogadores de base uma saída para a renovação de seu elenco.

Agora, porém, dirigido por um técnico que está longe de ser perfeito, mas cobra a perfeição de garotos imberbes, o Santos patina em busca de uma política de aproveitamento e valorização de seus Meninos.

Será que foi feita uma análise apurada antes de se permitir a liberação de Anderson Carvalho? Ou ele está indo para o Japão pelo dinheiro, ou realmente para ganhar experiência? E por que a saída de Geuvânio só foi impedida em um arroubo do presidente, quando todos os departamentos responsáveis já tinham decidido pela liberação?

Mais do que diálogo entre os profissionais da área, será que não está faltando organização e planejamento ao Santos com relação a seus Meninos?

Como estão em fase de amadurecimento físico e psicológico, não nos surpreenderemos se alguns desses garotos formados pelo Santos não brilharem em outros clubes grandes do Brasil, como o lateral-esquerdo Carlinhos, hoje um dos destaques do Fluminense.

Porém, se esta geração é realmente fraca, não há o que fazer. Será que este é o caso? Estes Meninos da Vila não merecem mesmo maiores oportunidades no time profissional?

Como você vê a relação dessa diretoria com os Meninos da base?