Quem diria! O técnico que não confia na base do Santos e que repete toda hora que os jogadores têm defeito de fábrica, deve a surpreendente vitória de 4 a 2 sobre o Cruzeiro aos garotos Felipe Anderson, Victor Andrade e Leandrinho. Os três podem não ser perfeitos, mas têm alma, têm amor pelo futebol e pelo gol, coisa que os jogadores preferidos por Muricy Ramalho parecem não ter.

Felipe Anderson abriu o marcador com um chute espetacular. Aliás, além do Ganso, ele é o único santista que faz gols de fora da área, que tem confiança e habilidade para marcar chutando de longe.

Depois, Victor Andrade, apenas 16 anos, mas muito entusiasmo e carisma, marcou o seu primeiro gol no time profissional. Vimos ainda o gol de Durval, depois de um bate-rebate na área do Cruzeiro provocado por uma bola bem cruzada por Felipe Anderson. Por fim, em um contra-ataque e após outro passe medido de FA, Bill também deixou a sua marca.

Não fosse a energia dos Meninos, que suprem a inexperiência com uma vontade e uma ousadia que não se vê em muitos veteranos, a vitória não viria e Muricy Ramalho e a direção do clube voltariam a ser severamente questionados pelos torcedores.

Há males que vêm para o bem

Não fossem os desfalques – Neymar e Ganso na Olimpíada, Fucile e Henrique machucados – e certamente Muricy demoraria séculos até dar uma oportunidade real a jovens como Leandrinho, Victor Andrade, Felipe Anderson e Bruno Peres (que veio do Guarani). Assim, apesar da péssima colocação no Brasileiro, quem sabe essa fase de agruras não sirva para revelar mais alguns Meninos da Vila.

No mais, achei que Bill foi bem. Ao menos procurou o jogo, fez o chamado pivô e procurou se entender com os Meninos. Borges não teria feito mais do que isso. O que me preocupou é a falta de sensibilidade de Adriano. Ele corre, luta e tal, mas precisa pensar um pouco mais. os dois gols do Cruzeiro sairam de faltas bobas cometidas por ele. Sua dificuldade para sair jogando é tremenda.

Com o aparecimento de novos jogadores de meio-campo com características mais ofensivas – como Felipe Anderson e Leandrinho – creio que a melhor formação para o Santos deva se basear em dois volantes e dois meias, e não em três ou quatro volantes, como é a preferência de Muricy. Assim, conforme a maioria dos santistas defende à exaustão, Henrique deve sair.

Houve planejamento ou não houve?

Em uma atitude que fugiu do seu natural comedimento, Muricy voltou a dizer que faltou planejamento ao Santos, discordando assim, publicamente, do presidente Luis Álvaro. Parece que um está tentando jogar a culpa no outro por esta fase ruim que o time vem passando. Porém, a verdade é que ambos são culpados. Mas não são os únicos. Se há um comitê gestor, este tem a maior responsabilidade. Sorte deles que os Meninos estão salvando o time de um vexame ainda maior.

Cadê os santistas?

Um público de 3.200 pagantes para um jogo Santos e Cruzeiro, em uma noite agradável, na Vila Belmiro, é piada. Nas décadas de 1960 e 70 a torcida era menor e a Vila vivia lotada. O santista de Santos é acomodado demais (com exceção dos que foram ao jogo, claro). Não dá para um time grande depender de um mercado consumidor tão omisso quanto Santos. Enquanto essa média de público não melhorar, o Santos não deveria jogar mais na Vila Belmiro.

Veja os melhores momentos de Santos 4, Cruzeiro 2:

http://youtu.be/40KzOh1kSUE

Você acha que os Meninos estão pegando o jeito?