Ganso e Adriano disputam bola no treino de ontem (Foto: Ivan Sorti/ Divulgação Santos FC)

Sem perder há cinco jogos – o que é uma novidade neste semestre –, hoje o Santos pode dar um passo importante rumo à uma vaga na Libertadores de 2013. Uma vitória sobre o Palmeiras, no Pacaembu representaria bem mais do que míseros três pontos. Renovaria a fá da equipe, que ainda terá todo o segundo turno para se recuperar das agruras do primeiro.

O Glorioso Alvinegro Praiano vem de três vitórias nos últimos quatro jogos pelo Campeonato Brasileiro (4 a 2 no Cruzeiro, 3 a 1 no Figueirense, fora de casa, e 3 a 2 no Corinthians. Nesse ínterim empatou com o Atlético Goianiense, no Pacaembu, por 2 a 2. Na última partida jogou melhor, mas empatou em 0 a 0 com a Universidade do Chile, em Santiago, pelo primeiro jogo da decisão da Recopa.

Time por time, o Santos está mais forte do que o adversário desse tradicional clássico paulista de tantas histórias (que Wesley Miranda conta pra gente neste post). Se igualar na vontade e na atenção e fizer com que o jogo seja decidido apenas na técnica, o Alvinegro Praino pode voltar pra casa feliz e esperançoso. Mas o Alviverde merece muitos cuidados.

Mesmo desfalado de quase um time inteiro, o Palmeiras tem um técnico ultracompetitivo e seus jogadores entram em cada partida como se a vida estivesse em jogo. Embalados por sua torcida, então, o time cresce e não para de correr. O Santos tem Neymar, Ganso, André; o Alviverde deverá viver das pontadas de Valdívia, Mazinho, Barcos… Prevejo uma luta renhida pela vitória. Mesmo considerando o Santos superior, não chego a dizer que é o favorito.

Sei lá porquê, mas a verdade é que o Palmeiras se agiganta contra o Alvinegro Praiano. Em nove partidas contra esse adversário, Neymar ganhou apenas duas – as primerias que fez – e perdeu cinco. Está certo que nos últimos confrontos o Santos entrou com o pé mole, como se o jogo não fosse tão importante. Hoje ele é, pois pode manter a sequência de bons resultados, ou jogar por terra as esperanças de lutar pelo título sul-americano no ano que vem.

Times prováveis

Palmeiras: Bruno, Luiz Gustavo, Maurício Ramos, Leandro Amaro e Juninho; Henrique e Correa; João Vítor, Valdivia e Mazinho; Barcos. Técnico: Luiz Felipe Scolari.
Santos: Rafael, Bruno Peres, Bruno Rodrigo, Durval e Juan; Adriano e Arouca; Patito Rodriguez, Ganso e Neymar; André. Técnico: Muricy Ramalho.
Arbitragem: Guilherme Cereta de Lima, auxiliado por Márcio Luiz Augusto e Danilo Ricardo Simon Manis.

Retrospecto dos confrontos entre Santos e Palmeiras

Por Wesley Miranda

Santos e Palmeiras já se enfrentaram em 298 jogos oficiais ao longo da história, com 91 vitórias santistas, contra 129 vitórias alviverdes e 78 empates. O Peixe marcou 435 gols e o Palestra 528.
Em campeonatos Brasileiros desde o primeiro confronto, em 1964, na semifinal da Taça Brasil, foram 59 jogos, com 19 vitórias do Santos, 17 do Palmeiras e 23 empates. O alvinegro marcou 79 gols e o alviverde 76.
De Pelé e Cia a época Parmalat, o confronto entre Santos e Palmeiras não guarda favoritismo. Quem não se lembra do modesto Santos de Guga e Almir que aplicou as duas derrotas que impediram o Palmeiras de conquistar o Brasileiro de 93 de forma invicta? Ou a Academia de Ademir da Guia, capaz de rivalizar em alguns jogos com o grande Santos de Pelé? Até mortes coletivas por ataque cardíaco como no lendário 7 a 6 do Torneio Rio-São Paulo de 1958? O clássico da saudade promete sempre grandes surpresas, emoções e muitos gols!

Os artilheiros
O artilheiro do confronto é Pelé com 33 gols! O primeiro gol do Rei aconteceu já no seu 24º jogo como profissional, e foram dois na vitória de 3 a 0 pelo Rio-SP em 15/05/57. O último gol saiu na vitória de 4 a 0 válida pelo Brasileiro no dia 20/04/74. Essa foi a 30ª vitória de Pelé contra o time palestrino, contra 15 derrotas e 8 empates.
Em seguida vem o lendário ponta Pepe com 15 gols, seguido do gênio Coutinho com 13 gols. 13 gols é a quantidade do maior artilheiro do Palmeiras no confronto, Heitor que jogou no Palmeiras de 1916 a 1931.
Jonas Eduardo Américo, o Edu com 11, o goleador Toninho Guerreiro com 10, Serginho Chulapa com 9, a lenda Araken Patusca, o primeiro “coringa” da história do Santos, Gradim*, Emanulle Del Vecchio, o pé de valsa Dorval, o fenomenal Pagão todos com 8 gols fecham a lista de maiores artilheiros do Santos no confronto contra o alviverde.

* O termo Curinga no futebol ganhou força com Lima no time mágico. Pouco antes do mineiro de São Sebastião do Paraíso, o jundiaiense Dalmo Gaspar jogava em todas as posições de defesa. Mas muitos anos antes (1936/1944) Adhemar de Oliveira, o Gradim, também conhecido como Amélia, atuava em todas as posições, especialmente no comando de ataque, onde marcou 97 gols em 271 jogos. Tamanha polivalência o levou para a Copa de 1938.

Finais e Decisões
Em jogos que valiam o título, o Santos levou vantagem no Paulista de 1968 ao ganhar o título em pleno Parque Antárctica. O Palmeiras conquistou em 1927, 1959 e em 1996.
Em decisões, a vantagem é santista, eliminando o rival nas semifinais da Taça Brasil de 64 e 65, no quadrangular do Robertão de 1968, no quadrangular do Paulista de 1969, nas semifinais do Rio-SP de 1997, do Paulista de 2000 e 2009.
O time alviverde eliminou o Santos na Copa do Brasil de 98 e no Paulista de 99, ambos em semifinais.

Primeiro confronto – Água salgada no vinho palestrino
O primeiro confronto aconteceu em 1915, e serviu de teste para qualificação. O Palestra Itália pediu sua filiação à APEA, mas a entidade exigiu um teste prático da qualidade do time para aceitá-lo, marcando um confronto contra o quadro santista, que já era sócio da APEA.
As equipes se enfrentaram no Velódromo de São Paulo em 03/10/1915, e o Santos ganhou por 7 a 0 com gols do exímio cabeceador Ary Patuska (3), o autor do primeiro gol do Santos em jogo treino Anacleto Ferramenta (2) e o autor do primeiro gol oficial Arnaldo Silveira, além de Aranha. Com esse resultado, o Palestra Itália teve de esperar mais um ano para estrear no Campeonato Paulista.

O jogo mais emocionante de todos os tempos
No dia 6 de março de 1958, Santos e Palmeiras fizeram no Pacaembu aquele que recebeu a alcunha de jogo mais emocionante da história. Tamanha foi essa emoção, que foram contabilizadas cinco ataques cardíacos de torcedores. A partida não foi valida pelo campeonato nacional, e sim pelo Torneio Rio-SP.
E quem abriu o marcador foi o Palmeiras com Urias aos 18 minutos. O empate santista veio através de um garoto de dezessete anos que já despontava como um craque, Pelé aos 21. Pagão fez 2 a 1 para o Santos aos 25, mas Nardo empatou para o Palmeiras no minuto seguinte. Então, o Santos abriu frente, e antes do termino da primeira etapa fez 5 a 2 com Dorval aos 32, Pepe aos 38 e Pagão aos 46 minutos.
No intervalo do prélio, o técnico do Palmeiras Osvaldo Brandão, teve que tirar o goleiro Edgar e colocar o jovem Vitor. O arqueiro que tinha sido batido por cinco vezes não queria voltar para o segundo tempo. Oswaldo também colocou o uruguaio Caraballo.
E o que era quase impossível, aconteceu, Paulinho aos 16 minutos, Mazola aos 19 e 27, Urias aos 34 viraram o jogo para o Palmeiras, 6 a 5.
Foi então que apareceu o canhão da Vila, José Macia, o eterno Pepe, que empatou de cabeça. Parecia bom, mas Pepe mesmo fez o sétimo tento e deu números finais: Santos 7 x 6 Palmeiras!
Pelé ainda era um menino prestes a estourar, mas nesse dia o Rei foi José Macia!
O Santos do técnico Lula formou com Manga; Hélvio e Dalmo; Fioti, Ramiro (Urubatão) e Zito; Dorval, Jair, Pagão (Afonsinho), Pelé e Pepe.

Primeiros duelos em Brasileiros
Santos e Palmeiras se encontraram pela primeira vez em Brasileiro pelas semifinais da Taça Brasil 1964. Então atual campeão Paulista de 1963, o Palmeiras garantiu o direito de estrear nas semifinais. O Santos, tricampeão da Taça Brasil, venceu os dois jogos das Quartas-de-finais contra o campeão mineiro de 1963, o Atlético (4×1 e 5×1).

Taça Brasil 1964 – Duelo de Titãs
Na primeira partida, no dia 04/11, no Estádio do Pacaembu, o Santos venceu por 3 a 2 com gols de Coutinho, Pepe e Pelé. Gildo e Ademir da Guia marcaram os tentos palmeirenses.
O alvinegro formou com Gilmar, Ismael, Mauro, Lima e Geraldino; Zito e Mengálvio; Toninho, Coutinho, Pelé e Pepe.
Antes da segunda partida, no dia 07/11, as equipes se enfrentaram na Vila Belmiro pelo Campeonato Paulista, e a vitória do Palmeiras por 3 a 2 fez aumentar a esperança da torcida alviverde. Coutinho marcou os dois gols do Santos na despedida do zagueiro Calvet.
Mas na segunda partida, disputada no dia 10/11, novamente no Estádio do Pacaembu, o time santista entrou com brio e goleou seu grande rival por 4 a 0 com gols de Pepe(2) Peixinho e Coutinho.
O Santos formou com Gilmar, Ismael, Mauro, Lima e Geraldino; Zito e Mengálvio; Peixinho, Coutinho, Pelé e Pepe.
O Santos terminou com o tetracampeonato Brasileiro em cima do Flamengo.

Taça Brasil 1965 – Bis
Para se encontrarem novamente na semifinal da Taça Brasil, o Palmeiras, vice campeão Paulista de 1964, teve que despachar o bom Grêmio em uma melhor de três jogos (4×1,1×5 e 2×0). O Santos detentor do título Brasileiro e Paulista, se garantiu nas semifinais.

Show de Guerreiro
No dia 03/11, no Estádio do Pacaembu, o Santos venceu a primeira partida das semifinais por 4 a 2 com 3 tentos de Toninho Guerreiro que fez uma de suas melhores exibições. O ponta esquerda Abel também deixou o seu. No lado alviverde os gols foram de Ademar Pantera e Rinaldo.
O Peixe formou com Gilmar; Carlos Alberto, Mauro Ramos, Orlando e Geraldino; Lima e Mengálvio; Dorval, Toninho, Pelé e Abel.

Com o regulamento
Só a vitória interessava ao rival alviverde no dia 10/11 no Estádio do Pacaembu. Para o Santos um simples empate lhe garantiria a classificação na disputa do Pentacampeonato. Pelé, abriu o marcador aos 6 minutos da primeira etapa. Ademar Pantera, aos 21 minutos do segundo tempo ainda conseguiu o empate. O resultado em 1 a 1 levou o Santos para final contra o Vasco da Gama.
O Peixe do técnico Lula formou com Gilmar, Carlos Alberto, Mauro, Orlando e Geraldino; Lima e Mengálvio; Dorval, Coutinho (Del Vechio), Pelé e Pepe.

Também em 1965
Acreditando em um sucesso da Academia frente ao Santos, uma firma paulistana dirigida por fanáticos palmeirenses decidiu premiar o campeão Paulista de 1965 com um belo e rico troféu, uma bola de ouro orçada em 50 milhões de Cruzeiros. Mas o Santos repetiu o sucesso de 1964, e conquistou o Bicampeonato com duas rodadas de antecedência, levando para Vila Belmiro o troféu mais valioso do futebol brasileiro.

Roberto Gomes Pedrosa 1968 – O sexto título Brasileiro
Apesar do “Robertão” de 1968 ter sido decidido em um Quadrangular com Santos, Palmeiras, Internacional e Vasco da Gama, foi mesmo em um clássico no dia 08/12, no Morumbi, que o Santos praticamente assegurou o título.
Na primeira partida do Quadrangular, o Santos venceu o Internacional no Sul por 2 a 1 com gols de Pelé e Carlos Alberto Torres de pênalti. No Morumbi, o Palmeiras venceu o Vasco da Gama por 3 a 0. Quem vencesse o clássico, dava um enorme passo para a conquista.
Apesar de todo o favoritismo dado pela imprensa, o Palmeiras não segurou o Santos que venceu por 3 a 0 com gols do ponta Abel, Edu e Toninho Guerreiro. O Santos do técnico Antoninho Fernandes formou com Cláudio; Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Lima; Edu, Toninho, Pelé e Abel (Manoel Maria).

Na última rodada, no dia 10/12, o desanimado Palmeiras, que tinha que vencer seu jogo e ainda torcer contra o Santos, perdeu para o Internacional no sul por 3 a 0. O Santos consolidou sua sexta conquista de Brasileiro vencendo o Vasco da Gama no Maracanã por 2 a 1 com gols de Toninho Guerreiro e Pelé.

Campeonato Brasileiro 1993 – Dentro ou fora do alçapão
Em 1993, com o forte patrocínio da Parmalat, o Palmeiras tinha o melhor time do Brasil. Sobrou na campanha do Brasileiro: em 22 jogos, venceu 16, empatou 4e perdeu apenas 2. Esses dois jogos que atravessaram nessa campanha perfeita, foi contra o Santos que evitou o título invicto do time do Parque Antártica.
A primeira vitória aconteceu no dia 26/09 valido pela 5ª rodada, no Estádio da Vila Belmiro. O Peixe venceu de virada por 3 a 1 com gols de Serginho Manoel, Ranielli e Almir. O Peixe formou com Veloso, Índio, Ricardo Rocha, Júnior e Eduardo; Gallo, Axel, Cuca e Sérgio Manoel; Almir e Guga.

A segunda vitória aconteceu no dia 11/11/1993 pela 13ª rodada, no Estádio Palestra Itália. O único tento do prélio foi do centroavante Guga. O Santos do técnico Pepe formou com Velloso; Índio, Júnior, Lula e Silva; Gallo, Axel, Darci e Sérgio Manoel; Zé Renato (Márcio Griggio) e Guga.

Campeonato Brasileiro 1995 – Giovanni dá a letra
Depois de perder para o Vitória por 4 a 0 no Barradão, a equipe comandada pelo maestro Giovanni, viu reduzidas suas chances de classificação. Somente uma arrancada perfeita evitaria a eliminação. E ela veio com seis vitórias em sete jogos.
Nessa série que tinham fortes equipes como o Flamengo fora( 3×0), Corinthians(3×0), Botafogo(3×1) o jogo mais duro aconteceu no dia 22/11, no Pacaembu, contra o então atual Bicampeão Brasileiro Palmeiras. E o Peixe venceu por 1 a 0 com gol do meia Vágner aos 33 minutos da primeira etapa depois de lindo toque de letra de Giovanni.
O Santos do técnico Cabralzinho formou com Edinho, Marcelo Silva, Narciso, Ronaldo Marconato e Marcos Adriano; Gallo, Carlinhos, Vágner (Camanducaia) e Robert (Marcelo Passos); Jamelli e Giovanni.

Paulistão 2000 – O time das viradas
Apesar de não ser uma partida valida pelo Brasileiro, a semifinal do Paulista de 2000 não sai da memória do torcedor do time das viradas. O Santos já tinha sido eliminado em 1999 pelo time alviverde quando esteve com a vaga na mão ao estar vencendo um jogo que poderia empatar. Tudo levava a crer que aconteceria de novo no Paulistão de 2000, no dia 04/06, quando jogando no Morumbi o Palmeiras vencia por 2 a 0 até os 24 minutos do segundo tempo.
As coisas começaram a mudar de figura, quando Eduardo Marques acertou um petardo para diminuir. A esperança da maior parte da torcida presente no Morumbi naquela manhã de domingo, aumentou quando o volante Anderson empatou aos 33. O empate ainda classificava o Palmeiras que tinha melhor campanha. Foi então que, aos 45 minutos, a tão sonhada classificação para uma final de Paulista depois de 16 anos aconteceu, Dodô pegou o rebote e deu números finais ao emocionante jogo; 3 a 2. Lágrimas nas arquibancadas, o torcedor santista que acreditou no impossível e não arredou pé, viu uma das maiores viradas da história.
O Santos do técnico Giba formou com Fábio Costa; Baiano (Eduardo Marques), André Luis, Claudiomiro e Rubens Cardoso; Preto, Anderson, Robert e Valdo; Valdir (Dodô) e Caio (Deivid).

Campeonato Brasileiro 2006 – Goleada na Vila
Santos e Palmeiras duelaram na Vila Belmiro, no dia 03/09. Atual campeão Paulista, o Santos lutava para encostar no líder São Paulo. O Palmeiras do técnico Tite, apesar de invicto há 11 rodadas, procurava se recuperar na tabela. O Peixe goleou impiedosamente o rival por 5 a 1 com gols do zagueiro Luiz Alberto(2)do centroavante Wellington Paulista(2) e do atacante Jonas.
O Santos comandando pelo treinador Luxemburgo formou com Fábio Costa; Denis, Luiz Alberto, Ronaldo Guiaro e Kléber; Maldonado, Cléber Santana, André Luiz (Carlinhos) e Rodrigo Tabata; Rodrigo Tiuí (Jonas) e Wellington Paulista (Renatinho).

O último encontro em Brasileiros
Na última partida em Campeonato Brasileiro, no dia 09/10/2011, o Santos venceu o Palmeiras na Vila Belmiro por 1 a 0 com gol de Borges aos 30 minutos do segundo tempo.

E pra você, o que dará no clássico Santos e Palmeiras?