Imagino o teor dos comentários depois desta derrota que para muitos será considerada catastrófica. Além de ter o time completo contra o desfalcado Bahia, o Santos ainda jogava em casa e vinha de três vitórias consecutivas – entre elas sobre Corinthians e Palmeiras – enquanto o adversário, na boca da zona de rebaixamento, tinha sido dominado e saiu vaiado de campo após a última partida, em que empatou em casa com o Figueirense. Mas futebol a gente sabe como é.

O mesmo Bahia se tornou o primeiro campeão brasileiro, em 1959, após vencer o Santos na Vila Belmiro e no Maracanã. Trata-se, portanto, de uma camisa que tem orgulho e história. E toda equipe com esses predicados deve ser muito respeitada.

Respeitar, no futebol, envolve aproveitar a maioria das oportunidades de gol que surgem e, ao mesmo tempo, esmerar-se na marcação do adversário. Obviamente o Santos não levou o Bahia tão a sério como encarou os clássicos paulistas. Só no primeiro tempo, além do gol, os santistas desperdiçaram mais cinco chances para marcar. E na segunda etapa, ao sofrer o empate, o time se descontrolou.

O Bahia comprovou que um time motivado é capaz de milagres. A estréia do bom técnico Jorginho já operou o primeiro. Por outro lado, derrotas assim deixam no torcedor santista a incerteza quanto à qualidade de seus jogadores e de sua comissão técnica.

Na enquete que fizemos neste blog os torcedores votaram pela dispensa de Durval e Juan, entre outros. Mas eles continuam sendo escalados, apesar de não inspirarem confiança. Hoje a lateral-esquerda do Santos foi o mapa da mina para a virada do Bahia.

O goleiro Rafael continua se colocando muito mal nas cobranças de falta e sofrendo gols que outros goleiros, mais experientes, não sofrem. Realmente não há a mínima diferença entre ele e Aranha. Na verdade, o reserva é mais seguro, sai melhor do gol e repõe melhor a bola.

Quanto a Ganso, era previsto que Muricy Ramalho não teria coragem de substitui-lo. Quando teve de trocar alguém, o técnico preferiu o lado mais fraco da corda, ou seja o gringo Patito. Pelo jeito, só mesmo uma emergência fará Muricy escalar um meio-campo mais jovem e agressivo, com Felipe Anderson, Patito (ou Victor Andrade), Neymar e André. Insistir no Ganso só irá desgatar ainda mais o ex-maestro.

Por falar em Muricy, outro dia fui ironizado por ter dito que o Santos deveria ter contratado o Ney Franco. Ele começou mal no São Paulo e já foi execrado por alguns. Hoje, se olharmos a tabela, veremos que o São Paulo é o único paulista que pode brigar pelo título, ou ao menos tem boas chances de conseguir uma vaga na Libertadores – possibilidade que ficou mais remota para o Santos depois dessa derrota para o Bahia. E o detalhe é que Franco recebe metade do salário do Muricy.

Na verdade, nenhum técnico brasileiro deveria ganhar mais do que 200 mil reais por mês. Pagar 800 mil para o Muricy é uma indecência, uma atitude de quem não respeita o dinheiro. Se os clubes grandes conversassem mais, além de resolverem a insólita questão da tevê, poderiam estipular um teto salarial para os técnicos. Hoje eles estão supervalorizados, apesar de não demonstrarem um aprimoramento profissional que justifique tais vencimentos.

Bem, juro que quando o Bahia começou a apertar, no início do segundo tempo, percebi que a vaca ia pro brejo. O Santos parecia um esburacado queijo suíço e o Juan não se tocava de que o adversário estava jogando nas suas costas. Mas não se pode tirar o mérito do adversário, que teve coragem e virou um jogo heróico, que o manteve ao menos mais uma rodada livre na terrível zona da degola.

Veja os gols de Santos 1 x Bahia 3:

Méritos do Bahia ou falhas do Santos? Você decide!