Neymar, até no rachão ele capricha (Foto: Ricardo Saibun, Divulgação Santos FC)

Está chegando o momento que vai separar os homens dos meninos; os campeões que deixarão o nome na história e os perdedores que serão esquecidos. Logo mais, às 19 horas, em um Pacaembu recheado de paixão, o Santos enfrenta a Universidad do Chile pelo título inédito da Recopa Sul-americana. Com a estrela Neymar e as voltas de Léo, Adriano e Bruno Peres, o Alvinegro Praiano é favorito. Mas o adversário, que tem um técnico que prefere jogar no ataque, merece todo o respeito.

É o tipo de jogo em que se deve entrar com determinação para conseguir uma boa vantagem já no primeiro tempo, mas, por outro lado é preciso ter cuidado com a rápida ofensiva do adversário.

Em jogos decisivos como esse a excessiva precaução do técnico Muricy Ramalho costuma ser eficiente, pois impede que a equipe corra riscos desnecessários ao sair afobadamente para o ataque. Se der para marcar gols logo de cara, melhor; se não der, o Santos provavelmente saberá martelar com paciência até que eles surjam. É óbvio que o adversário viverá de golpes de surpresa e de contra-ataques.

Dos titulares, apenas o zagueiro Edu Dracena, ainda na enfermaria, desfalcará o Santos, que deverá iniciar a partida com Rafael, Bruno Peres, Bruno Rodrigo, Durval e Léo; Adriano, Arouca e Felipe Anderson; Patito, Neymar e André. Destes, Patito e André são os mais substituíveis. Se não estiverem bem, é quase certo que Victor Andrade e Mirales entrarão no segundo tempo.

A Universidad do Chile, treinada pelo argentino Jorge Sampaoli – que muitos santistas gostariam de ver dirigindo o Alvinegro Praiano – deverá atuar com Herrera, Gonzalez, Martinez, Rojas e Rodriguez; Aránguiz, Marinha, Minério e Ubilla; Gutiérrez e Lorenzetti.

O time chileno é bom e o seu forte é o conjunto, mas costuma sentir a pressão quando chega perto de uma final de torneio internacional, pois só ganhou um deles em toda a sua existência. Mesmo no Chile, a maioria das pessoas que acompanham o futebol não acreditam que La U vencerá o Santos.

Para Sampaoli, o Santos jogará “a sua vida” nesta partida, já que não tem mais condições de se classificar para a Copa Libertadores do ano que vem e a Recopa é sua última oportunidade de conquistar mais um título no ano de seu Centenário. Nisso ele está completamente certo.

Minha análise é de que este jogo será propenso a uma vitoria do Santos, não tanto pela qualidade técnica das equipes, mas devido ao estado emocional do adversário, que tenderá a sentir mais o peso da decisão. Como equipe, La U é mais ajustada, mais equilibrada, mas o Santos tem um time com jogadores mais tarimbados e tem, principalmente, Neymar, que costuma decidir. Creio em uma vitória santista por dois gols de diferença, mas a lógica é que seja chorada, por um golzinho só.

Uma decisão não é um jogo comum e não se satisfaz com desempenhos comuns. O jogador precisa estar mais ligado, mais motivado, mais inspirado, mais, muito mais determinado a vencer. E um time que joga em casa pode se embalar pelos gritos e cantos de seus torcedores. É só deixar-se tomar por esta energia e se atirar, com consciência, em busca da vitória. Ela não nos desemparará. Vai pra cima deles Santos!

Retrospecto dos jogos entre Santos e Universidad de Chile

Por Wesley Miranda

Santos FC e Universidad de Chile se enfrentaram 12 vezes ao longo da história, com sete vitórias do Peixe contra três vitórias dos chilenos e dois empates. O clube brasileiro marcou 28 gols e o clube chileno 11.

Em Libertadores, foram quatro jogos, com três vitórias do Santos contra uma vitória da Universidad de Chile. O Peixe marcou 10 gols e a La U três.

Quem balançou as redes da La U

O artilheiro do confronto é Pelé com a expressiva marca de 12 gols em sete jogos contra a La U, média de 1,7 por partida. O Rei venceu em cinco oportunidades, perdeu uma e empatou outra.

Com dois gols, Dorval, Totonho e Robinho aparecem na sequência. Fecham a lista de quem fez os gols santistas no confronto: Coutinho, Zito, Pepe, Mengálvio, Lima, Del Vecchio, Toninho Guerreiro, Edu, Ricardinho e Flávio.

Primeiro encontro

O primeiro jogo entre Santos e Universidad de Chile aconteceu em 06/02/1963, em um amistoso no Estádio Nacional de Santiago. Vitória dos donos da casa por 4 a 3, com Pelé (2) e Coutinho anotando os tentos santistas.

Se de um lado o Santos era a base da seleção Brasileira que tinha conquistado a Copa do Mundo de 1962, no Chile, do outro, a La U era a base da seleção anfitriã que ficou com o terceiro lugar.

www.youtube.com/watch?v=WpWT-2vht0c

Hexagonal do Chile 1965 – Show do Santos

O troco santista veio no tradicional Hexagonal do Chile e o Peixe ganhou por 3 a 0 no dia 02/02/1965. Marcaram para o Peixe o ponta Dorval, o capitão Zito e o Rei Pelé.

A equipe do técnico Lula formou com Laércio, Joel e Geraldino; Lima, Haroldo e Zito; Dorval (Peixinho), Mengálvio, Toninho, Pelé e Pepe (Ismael).

O Peixe conquistou o torneio nesse jogo contra a La U. Mas foi contra a Thecoslováquia, finalista da Copa de 1962, que o Santos fez uma de suas melhores exibições na história: 6 a 4 com gols de Pelé (3), Coutinho(2) e Dorval.

Na campanha, o Santos enfrentou também a Universidad Católica (2×1), River Plate (2×3) e Colo Colo (3×2).

Libertadores 1965 – Aplaudido pela torcida adversária

Mesmo sendo a base de seleção chilena, com nove jogadores, a La U sucumbiu novamente diante do poderoso Santos na estreia da Libertadores: 5 a 1 no dia 13/02/1965. Os gols do Alvinegro Praiano foram marcados por Pelé (3), Pepe e Mengálvio. A supremacia foi tão grande que os 49 mil torcedores presentes no estádio Nacional aplaudiram o quadro de Vila Belmiro, que formou com Gylmar, Joel, Geraldino, Lima, Haroldo, Zito, Dorval, Mengálvio, Toninho, Pelé e Pepe. O técnico Luis Alonso Peres, Lula.

Mais um do Rei

No jogo do returno, o primeiro encontro em solo brasileiro entre Santos FC e Universidad de Chile, todos esperavam mais uma goleada em cima da forte La U. Mas o time chileno se defendeu bem e sofreu apenas um gol de Pelé. O time santista, que venceu por 1 a 0 no Pacaembu, formou com Gylmar, Lima, Olavo, Joel Camargo, Geraldino; Zito e Mengálvio, Dorval, Toninho, Pelé e Pepe.

www.youtube.com/watch?v=JZu0-fshRoo

A maior goleada

E foi mesmo em um amistoso, no dia 09/02/1966, em Santiago, que o Santos aplicou a maior goleada do confronto em mais um show do Rei do futebol: 6 a 1 com gols de Pelé (3), Lima, Del Vecchio e Dorval.

A La U conquistou seis títulos chilenos entre os anos de 1959 a 1969, recebendo da imprensa o apelido de “Balé Azul”, mas, nesse dia, dançou no ritmo do samba.

Hexagonal do Chile 1967 – Clodoaldo ganha espaço

No dia 07/02/1967, as equipes se enfrentaram pelo Hexagonal do Chile. Empate em 1 a 1, tendo Toninho Guerreiro anotado o tento santista.

O Santos do técnico Antoninho Fernandes formou com Cláudio; Carlos Alberto, Oberdan, Orlando e Rildo; Zito e Lima; Amauri (Clodoaldo), Toninho, Pelé e Edu.

Corró começava a se destacar no Santos e logo herdaria a consagrada camisa cinco de Zito.

Octogonal do Chile 1968 – Nicolau Moran

Em mais um confronto no tradicional torneio, agora em formato Octogonal, o Santos conheceu a derrota por 2 a 1 com Jonas Eduardo Américo, o ponta Edu, marcando o tento santista. Pelé não atuou nessa partida.

Apesar da derrota, o Santos saiu com o título, vencendo a Seleção da Tchecoslováquia (4 a 1), Universidade Católica (4 a 1), Vasas – Hungria (4 a 0), Racing – campeão mundial 67 (2 a 1), Colo-Colo (4 a 1) e Alemanha Oriental (3 a 1).

O Octogonal recebeu o nome Taça Nicolau Moran, o ex-jogador santista e então dirigente faleceu nessa excursão, um dia antes do Santos enfrentar o Colo-Colo.

Hexagonal do Chile 1970 – A volta de Coutinho

Nesse que foi o último encontro de Pelé com a La U, vitória santista por 2 a 0 com dois gols do Rei, no dia 30/01/1970. O Santos formou com Joel Mendes, Carlos Alberto, Ramos Delgado (Djalma Dias), Joel Camargo e Rildo; Lima, Nenê (Marçal); Manoel Maria, Douglas, Pelé e Abel.

Apesar de não ter atuado nesse jogo, Coutinho estava de volta e em forma. Revivia com o Rei o auge da dupla, conquistando o título para o Peixe pela terceira vez.

O Santos também jogou com Colo-Colo (3 a 4), Dínamo de Zagreb (2 a 2), América do México (7 a 0) e Universidade Católica (3 a 2).

Hexagonal do Chile 1977 – Uma nova esperança

Sem o consagrado time dos sonhos, mas com um elenco promissor, o Santos voltou a disputar o Hexagonal do Chile e voltou a vencer a Universidad de Chile por 2 a 0 com dois tentos de Totonho. Com esse resultado, o time do técnico Urubatão conquistou a competição pela quarta vez. Totonho terminou como artilheiro santista com cinco gols. Ailton Lira veio em seguida, com quatro, e Nilton Batata na sequência, com dois gols.

Na campanha, o Santos também enfrentou o Colo-Colo (3 a 1), Everton do Chile (4 a 0), River Plate (2 a 0) e F.K. Áustria (0 a 1).

Intervalo de confronto e volta a Libertadores

Tanto a La U quanto o Santos viveram suas maiores glórias nos anos 60. Porém, o clube chileno chegou ao “ostracismo” com o jejum de títulos de 1969 a 1994, agravado pelo descenso em 1989. Aos poucos, o clube chileno foi retomando o seu lugar, e, na Libertadores 2005, voltou a enfrentar o Santos depois de 28 anos.

O confronto aconteceu em uma oitavas de final. O Santos conheceu a derrota por 2 a 1 no velho Estádio Nacional em 19/05/2005. Ricardinho anotou o tento santista no prélio.

O Santos do técnico Alexandre Tadeu Gallo formou com Henao; Paulo César (Fabiano), Ávalos, Hallison e Léo; Fabinho, Zé Elias (Basílio), Bóvio e Ricardinho; Robinho e Deivid.

www.youtube.com/watch?v=QtEDEXT7wqQ

Bastava apenas um empate para a La U passar para as quartas de finais da competição.

A partida da volta

No dia 25/05/2005, jogando na Vila Belmiro, Santos FC e Universidad de Chile fizeram seu último confronto. O Santos venceu por 3 a 0 com gols do lateral Flávio e dois de Robinho, e passou para as oitavas de finais da competição.

O Peixe formou com Mauro; Flávio (Basílio), Ávalos, Halisson e Léo; Bóvio, Fabinho, Zé Elias (Leonardo) e Ricardinho; Deivid (Tcheco) e Robinho.

www.youtube.com/watch?v=JpiZpbkZ4Uo

Apesar de toda a tradição, o título da Sul-Americana em 2011 é o de maior prestígio da equipe chilena, que foi semifinalista da Libertadores 2012.

Recopa Sul-americana 2012

Na primeira partida da final de 2012, no dia 22/08, Santos e Universidad de Chile não saíram do 0 a 0 no Estádio Nacional em Santiago. Mesmo jogando fora de casa, o Santos dominou a partida e Neymar ainda perdeu uma penalidade aos 18 minutos da primeira etapa.

O Santos do técnico Muricy Ramalho formou com Rafael; Bruno Peres, Bruno Rodrigo, Durval e Juan; Adriano, Arouca, Patito Rodríguez (Felipe Anderson) e PH Ganso; Neymar e André (Miralles).

E você, o que espera do Santos nesta decisão da Recopa?