Segundo título no ano do Centenário, liderança absoluta no ranking da Conmebol, nono título internacional oficial; nova exibição primorosa de Neymar, escolhido o melhor em campo; média mantida de duas taças por ano desde 2010… Isso tudo não é pouco e justifica a comemoração pela conquista da Recopa Sul-americana, com a vitória de 2 a 0 sobre a bela equipe da Universidad de Chile, no mesmo Pacaembu em que o Santos é o time mais vezes campeão.

Porém, o que me agradou mais na noite aquecida pela paixão dos santistas foi a esperança de que André ainda se torne um grande centroavante e Felipe Anderson, que fez sua melhor partida como profissional, possa preencher a vaga deixada por Paulo Henrique Ganso.

Como disse o comentarista Mário Sérgio, da Fox, Felipe não é de prender a bola, pensar o jogo e enfiar passes precisos, como o Ganso, mas, a exemplo de Kaká, sabe dinamizar a partida, é rápido e pode se especializar em bater bem a gol. Contra La U ele até ajudou na marcação.

André se entende bem com Neymar e o lance do primeiro gol mostrou isso. Porém, é inadmissível que um jovem como ele tenha tanta dificuldade de se movimentar. Parece acima do peso, ou fora de forma. Tornando-se mais ágil e rápido, pode se tornar até melhor do que era em 2010, pois agora está mais experiente e sabe proteger a bola, fazendo a parede para quem chega de frente.

Espero que André encare esse comentário não como uma crítica, mas como um conselho. Afinando o corpo, ganhando mais leveza e velocidade, ele será um dos melhores centroavantes do Brasil.

O primeiro gol, uma obra-prima coletiva

Falei tanto do primeiro gol do Santos, aos 27 minutos do primeiro tempo, porque foi uma obra-prima de trabalho coletivo. Léo, um leão em campo enquanto teve condição física, roubou a bola na defesa, dominou com a esquerda, com o mesmo pé esquerdo passou a bola entre as pernas de seu marcador e logo, de direita, esticou na ponta para Felipe Anderson.

O garoto de 19 anos dominou com a direita e com o mesmo pé jogou a bola na frente, ganhando a frente do adversário. Seu próximo toque, de esquerda, foi um passe medido, para trás, nos pés de Neymar.

O Menino de Ouro dominou, parou a bola e tocou para André, que, dentro da área, de costas para a meta, deu um toque de volta e ao mesmo tempo saiu da frente, deixando ângulo para o chute de Neymar, que mais uma vez foi preciso, no canto direito de Jhonny Herrera.

Depois ainda houve o pênalti desperdiçado por Neymar ao final do primeiro tempo, após lance criado por ele. Ainda seguindo a mesma filosofia de aconselhar, eu diria que o melhor seria o Santos ter outra opção de cobrador de penalidades, pois o índice de erros de Neymar supera 30%, o que é muito alto para o chamado cobrador oficial.

Mas, apesar de algumas instabilidades, o Santos continuou criando oportunidades no segundo tempo e o gol de Bruno Rodrigo, após falta cobrada por Felipe Anderson, acabou definindo o jogo e o título da Recopa. Depois, em vários contra-ataques – alguns deles desperdiçados por Patito Rodríguez, outros por Neymar – o Santos poderia ter até goleado, mas não seria justo com o campeão chileno.

Para o Patito, eu diria que é essencial que se fortaleça muscularmente. Não é normal um jogador profissional perder a bola no primeiro esbarrão e muito menos chutar tão fraco. Se continuar assim, logo, logo, perderá a posição para o garoto Victor Andrade.

Bem, mas agora não é hora de admoestações. O time todo correu, lutou e os mais de 20 mil santistas que foram ao Pacaembu sairam felizes e esperançosos. Se mostrar esse espírito nos jogos restantes do Brasileiro, o Santos pode não se classificar para a Libertadores de 2013, mas ao menos mostrará que é um time que merece respeito, com ou sem a presença de Neymar.

Ficha Técnica

Decisão da Recopa Sul-americana de 2012
Pacaembu, São Paulo, 19 horas

SANTOS 2 X 0 UNI­VER­SIDAD DE CHILE

SANTOS – Ra­fael; Bruno Peres (Éwerton Páscoa), Bruno Ro­drigo, Durval e Léo (Gerson Ma­grão); Arouca, Adriano, Fe­lipe An­derson, Pato Ro­drí­guez (Mi­ralles); Neymar e André. Téc­nico: Mu­ricy Ra­malho.
GRÊMIO – Jhonny Her­rera; Ace­vedo (Paulo Ma­ga­lhães), Gon­zález, Rojas, Mena; Mar­tínez, Ro­drí­guez (Fran­cisco Castro), Arán­guiz (Ma­rino) e Lo­ren­zetti; Ubilla e Gu­tiérrez. Téc­nico: Jorge Sam­paoli.
GOLS – Neymar, aos 27 mi­nutos do pri­meiro tempo; Bruno Ro­drigo, aos 15 mi­nutos do se­gundo.
ÁR­BITRO – Martin Vás­quez (URU).
CAR­TÕES AMA­RELOS – Adriano, Durval (Santos); Rojas, Mar­tínez, Gon­zález, Lo­ren­zetti (Uni­ver­sidad de Chile).
PÚ­BLICO – 23.876 tor­ce­dores (22.388 pa­gantes).
RENDA – R$ 651.890,00.

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