Se o santista pode, hoje, falar de boca cheia que o Alvinegro Praiano jamais jogou uma partida sequer na segunda divisão, deve essa façanha a Milton Teixeira, presidente do clube de 1983 a 1987. Ele prometeu a Giulite Coutinho, presidente da CBD, que se permitisse que o Santos participasse da Taça de Ouro – nome do Campeonato Brasileiro em 1983 -, montaria um time para ser campeão.

Giulite acreditou no amigo e Teixeira não decepcionou. o Santos cumpriu um Campeonato Brasileiro estupendo e só não foi campeão porque pegou na final um Flamengo que tinha um bom time, no qual se destacava Zico, e ainda era vergonhosamente ajudado pela arbitragem quando jogava no Maracanã. De qualquer forma, aquele Santos de Serginho Chulapa, artilheiro do campeonato, botou pra quebrar.

O time não foi campeão brasileiro, mas conquistou o Campeonato Paulista no ano seguinte, batendo na última rodada o alvinegro de Itaquera, cuja torcida, iludida pela mídia bajuladora, já contava com o título que lhe daria o tricampeonato. Aquele Santos de Rodolfo Rodrigues, Márcio, Toninho Carlos e Serginho ganhava na bola e no pau. Não tinha pra onde correr. Os adversários sentiam na pele.

Depois, o dinheiro acabou, Milton Teixeira deixou de tirar do próprio bolso para colocar no clube e o Santos viveu uma fase ruim. Porém, sempre fui grato pelo que ele fez pelo Santos em 1983 e 84, época em que girava muito pouco dinheiro no futebol e só mesmo um mecenas conseguiria tornar aquele Santos competitivo. Escrevo sobre ele porque, como já devem saber, ele faleceu ontem, aos 81 anos.

Fundador do Complexo Educacional Santa Cecília, Milton Teixeira escreveu 12 livros e era membro da Academia Santista de Letras. Foi sepultado no Cemitério do Paquetá, em Santos, onde viveu.

Antes que digam que só estou escrevendo sobre a morte do já saudoso presidente porque sou “marcelista”, eu aviso que reverenciar os líderes marcantes que o clube já teve, ao menos na hora de sua morte, é uma obrigação de todos nós, santistas civilizados. Fiquem tranquilos os que estão no poder, porque se o Luis Álvaro morrer antes de mim, também receberá a devida homenagem.

O pênalti que Arnaldo transformou em obstrução

O Santos do presidente Milton Teixeira esteve bem perto de ser campeão brasileiro em 1983. Na decisão do título, depois de vencer no Morumbi por 2 a 1, jogo em que merecia fazer no mínimo mais dois gols, o Alvinegro Praiano saiu perdendo no Maracanã, mas teve um lance claro de pênalti a favor que não só poderia lhe dar o empate, como deveria ter provocado a expulsão do zagueiro Marinho. Porém, o árbitro Arnaldo “A regra é clara” César Coelho, inventou uma obstrução em um lance de escandaloso atropelamento. Veja de novo e tire suas próprias conclusões:

Ainda há quem queira expulsar Neymar do Brasil

Mandaram-me um link de um artigo de um jornalista que tenta convencer a diretoria do Santos que é um bom negócio vender Neymar. Não me lembro de ter lido algo escrito ou falado por este jornalista que tenha sido favorável ou minimamente simpático ao Santos. Sua má vontade com o Glorioso Alvinegro Praiano é incomensurável. Só por aí o que ele diz ou escreve sobre o Santos não deveria ser levado em conta. Depois, como o Luis Álvaro já disse, o Santos não é uma instituição financeira. Se ele já tem um dos três melhores jogadores do mundo, vai vendê-lo pra quê? Papo furadíssimo.

Qual a diferença de um Comitê Gestor e um Freio de Mão?

O freio de mão só precisa de uma pessoa para puxar. Bem, acho que a intenção de se criar o tal comitê foi das melhores. Queriam criar um sistema que impedisse os desmandos de um dirigente lunático. Okay. Mas quem defende a gente da morosidade e da inoperância do comitê gestor?

No futebol as decisões têm de ser rápidas. Na hora das contratações fica claro que o Santos se sente mais perdido do que cachorro caido de mudança. Era para trazer o Martínez, mas o clube pagou mais caro pelo Flaquito, ou melhor Patito. Ao invés do Romarinho, compraram o Bill. Recusaram Riquelme, pelo salário, por não fazer parte do perfil do Santos. Ora, qual é o perfil do Gérson Magrão?

Para o bem do Santos, as decisões do futebol têm de depender de uma ou duas pessoas, e que se falem sempre. Não dá para resolver tudo em uma reunião semanal. Amanhã mesmo o time fará um jogo decisivo contra o Flamengo. Era hora de se criar um plano de emergência para lotar a Vila. Todo time na, ou perto da zona de rebaixamento, está fazendo isso. Mas o Santos, olimpicamente, não faz nada.

Lanterna do segundo turno

Com três derrotas e um empate, o Santos é o último colocado do segundo turno do Brasileiro, empatado em todos os critérios com o humilde Atlético Goianiense. Por muito menos o técnico do Vasco pediu demissão. Enquanto isso, Muricy Ramalho, cuja colher de chá de renovar com o Santos provocou um sorriso de orelha a orelha no presidente santista, comanda o time solenemente para o buraco.

Recebo comentários e mais comentários de quem tenta falar com a direção do Santos, com a ouvidoria do Santos, e não consegue. Às vezes o Alvinegro Praiano parece um navio fantasma. Tentarei conseguir o e-mail do Carlinhos da Padaria e vamos recorrer a ele para mudar de técnico, contratar jogadores, administrar o clube. Aliás, quem sabe o Carlinhos não quer ser presidente do Santos?

E você, o que acha disso?