Ganso se foi. Beleza! O rapaz só estava atrapalhando o ambiente. Era o que mais reclamava. Jogar que é bom, nada. E quem ficou com dozinha do mal agradecido, pode ir junto. O Santos tem um título a disputar daqui a cinco dias e não pode perder tempo com o passado. E Ganso já era passado há muito tempo.

A Recopa Sul-americana é muito importante, sim, pois para disputá-la é preciso antes ganhar a Copa Libertadores. Com cinco títulos sul-americanos oficiais (três Libertadores, uma Conmebol e uma Recopa Sul-americana na versão antiga), o Alvinegro Praiano pode enriquecer este já invejável currículo, somar dois títulos no ano do seu Centenário e se tornar o único time brasileiro duas vezes campeão em 2012.

Ganhar da Lusa em um Pacaembu lotado é importante, para dar tranquilidade e para permitir que o foco seja voltado para a perigosa Universidad do Chile, o rival da quarta-feira.

Estruturalmente, a questão mais importante, agora, é o que fazer com o dinheiro da venda do Ganso. Espero que não seja usado só para pagar dívidas, pois isso mostraria que o clube não está gastando apenas o que arrecada, como preconiza o presidente Luis Álvaro Ribeiro.

Se a grana for utilizada para contratações, trazer Diego e Robinho seria o óbvio, mas não estou certo de que seria o melhor negócio. Diego nunca jogou na Europa o mesmo futebol que mostrou no Santos entre 2002 e 2003 e tem pedido muito alto sempre que é sondado para voltar à Vila.

O Santos não arrisca contratações mais criativas porque não confia nas indicações de Muricy Ramalho. Mas há no clube alguém que sabe distinguir um craque de um cabeça de bagre: este profissional é o Ricardo Crivelli, o Lica, e enxerga futebol como poucos. Suas dicas são infalíveis.

Um dia, em 2009, Lica me disse que tinham oferecido ao Santos, de graça, um tal de Jucilei. Ele foi ver o rapaz e ficou muito bem impressionado. Porém, sabe-se lá por quê, o Santos, à época dirigido por Marcelo Teixeira, resolveu não contratar o jogador, que depois foi campeão pelo alvinegro da capital, fez uma ponte na Seleção de Mano Menezes e acabou vendido para o exterior.

O que o Santos precisa, mesmo, é de um jogador rápido, habilidoso e inteligente para fazer dupla com Neymar, além de um meia técnico e passador, como o Ganso nos bons tempos (não este que vinha se arrastando em campo). No mais, preparando, orientando e utilizando melhor os atletas que já possui, a comissão técnica poderá montar um time muito forte. Só tem de falar menos e trabalhar mais.

A ausência (física) de Laor

Eu, assim como a maioria dos santistas, não estamos entendendo esse cargo que o Laor aceitou na Fifa e que o tira do Brasil justamente na hora de se negociar o Ganso e iniciar a preparação para a decisão da Recopa. Tudo bem que, como explicou Silvia, a irmã do presidente, hoje há skype, celular “e o escambau”, mas o sócio do Santos não reelegeu o presidente para ele se ausentar de momentos importantes da vida do clube. Há um comitê gestor? Sim, mas não foram nos homens do comitê que o associado votou.

Fico à vontade para criticar porque também não entendi quando o mesmo cargo – de organizador do Mundial de Clubes – foi dado a Marcelo Teixeira. Só que antes o Santos ainda tinha chances de ser campeão do mundo. Agora o representante brasileiro é o Alvinegro de Itaquera. Além de pura vaidade, o que pode fazer um presidente do Santos trabalhar para um campeonato disputado pelo rival?

Por outro lado, será que não estamos exigindo demais de um dirigente que, pela nova configuração administrativa do clube, tem menos poder de decisão do que o comitê gestor, na prática o verdadeiro comandante do Santos? Sim, tudo indica que Laor é um tipo de presidente de honra, mas quem decide mesmo pelo clube são os tais do comitê, que a maioria dos santistas nem sabe direito quem são.

Por outro lado, será que esses cargos, que dão direito a essas viagens, não são uma forma de compensar o trabalho não remunerado de Laor e os membros do comitê – que pelo estatuto do clube não podem receber salários por suas funções? Não sei. Mas que passa uma imagem de pouco comprometimento, passa. E imagem, principalmente em um mundo tão focalizado pela mídia, como o do futebol, é tudo.

E você, o que pensa sobre contratações e as viagens do Laor?