Mesmo jogando em casa e com um jogador a mais durante os últimos 15 minutos, creio que o Santos não perdeu dois pontos e sim ganhou um contra o São Paulo, pois deu a impressão de que poderia jogar mais um centenário inteiro e não conseguiria marcar um gol no tricolor da Vila Sônia.

Nem vou dizer que este ou aquele jogador não merecia vestir a camisa do Glorioso Alvinegro Praiano, pois a maioria parece que foi juntada às pressas para um bate-bola na praia. E mais uma vez sou obrigado a concordar com a sábia opinião do torcedor sobre muitos dos preferidos de Muricy Ramalho.

O voluntarioso Gérson Magrão até que começou bem, mas depois foi caindo, caindo… E culminou mais uma desastrosa atuação ao tentar matar uma bola no meio de campo e dar uma canelada na coitada, jogando-a dez metros adiante, nos pés de um jogador adversário.

Felipe Anderson voltou a dar uma no cravo e outra na ferradura. Ele tanto pode fazer uma ótima jogada, como entregar a bola mansamente para seu marcador, como se fosse um principiante. E continua dormindo profundamente em alguns momentos do jogo. Houve um lance em que Victor Andrade cobrou rapidamente a falta para ele, que nem percebeu quando a bola bateu no seu pé. Esperto, Victor pegou a bola e saiu jogando, enquanto Felipe ficou estático, reclamando não sei do quê.

Mas Victor Andrade não é um Neymar. Tudo bem que tem apenas 16 anos e, mesmo sem experiência, ao menos vai pra cima, coisa que Patito Rodríguez evita. É duro admitir, mas concordo com quem disse que o Santos contratou o argentino errado. Esse tal de Martínez, que foi para o alvinegro de Itaquera, é muito mais jogador que o franzino Patito, que tem um estilo que lembra aquele Defederico, lembra?

Gostei da entrada de Bernardo. É mais jogador que o nosso Felipe Anderson. Não é de tentar o drible e ir pra cima, mas segura melhor a bola e tem mais personalidade. E quanto a André?

É o melhor centroavante que o Santos tem, sem dúvida. Consegue sair da área a preparar alguma jogada, mas hoje falhou justamente quando foi preciso mais agilidade e leveza. Tivesse cinco quilos a menos de nádegas e talvez tivesse chegado na bola cruzada por Bruno Peres, que foi bem.

Hoje a defesa não comprometeu, ou falhou muito pouco. Gostei de David Braz e Ewerton Páscoa (é claro que os novos tempos me tornaram menos exigente!). E Léo não só lutou, mas soube usar a cabeça para manter a posse da bola, manha que os novatos não têm.

Quanto ao que Léo falou sobre o Ganso, também achei dispensável. Não é assunto para se discutir pela imprensa. Ele já deve ter percebido que o Santos está propenso a negociar o Ganso, mas por um valor justo. A situação é delicada. O clube não pode colocar o jogador à venda, o que o desvalorizaria, mas também não pode renovar seu contrato pagando uma fortuna, pois a bolinha que o Ganso tem jogado não merece isso. Enfim, o imbróglio continuará até que surja um clube que pague sem pechinchar.

Quanto à zona de rebaixamento, o perigo aumenta, pois Bahia e Sport venceram. Entre o Santos e os quatro que devem cair só há o Coritiba. A vitória sobre o Flamengo se tornou obrigação. Quem sabe agora os gênios do comitê gestor não bolam um jeito de lotar a Vila Belmiro. Se tiverem dificuldades para pensar em algo, é só ligar para os dirigentes do Figueirense.

E você, o que achou de mais este 0 a 0 do Santos de Muricy?