Meus amigos, o torcedor calejado pressente quando a chapa vai esquentar. Até que eu não estava ligando muito para a ausência de Ganso no jogo contra o Sport, mas sem Neymar – com indisposição estomacal – a rapadura não será mole para o Alvinegro Praiano na terra do poeta Manuel Bandeira.

Sem Neymar o Santos não só não tinha vencido nenhuma partida fora de casa neste Brasileiro, como também não tinha marcado nenhum gol. E o Sport, mesmo na zona de rebaixamento, com 16 pontos, é um time que diante de sua torcida vira realmente um leão. Neste campeonato o rubro-negro pernambucano já venceu Palmeiras e Portuguesa e empatou com o alvinegro de Itaquera.

O muy amigo técnico Muricy Ramalho escalará os garotos Felipe Anderson e Victor Andrade nos lugares de Ganso e Neymar. Então, se o Santos empatar, será um ótimo resultado; se vencer, um milagre e se perder ou for goleado, o técnico poderá falar que os jogadores da base ainda estão verdes. Nessas horas eu me pergunto: por que não deu ao Felipe e ao Victor a oportunidade de jogar ao lado de Neymar? Por que eles só entram agora, novamente na fogueira?

Bem, já deu pra perceber que não acredito em uma vitória do Santos. O adversário lutará do primeiro ao último minuto pela vitória e não creio que o nosso time tenha forças para suportar a pressão do adversário. No máximo o Santos voltará para casa com um glorioso empate.

Times prováveis

Sport: Magrão, Cicinho, Edcarlos, Diego Ivo e Renê; Tobi, Rithely, Moacir e Hugo; Felipe Azevedo e Gilsinho. Técnico: Waldemar Lemos.

Santos: Rafael, Bruno Peres, Durval, Bruno Rodrigo e Juan; Adriano, Arouca, Patito Rodriguez e Felipe Anderson; Victor Andrade e André. Técnico: Muricy Ramalho.

Arbitragem: Francisco Carlos Nascimento (Fifa/AL), auxiliado por Lilian da Silva Fernandes Bruno (Fifa/RJ) e Rodrigo Henrique Correa (RJ). O árbitro é o mesmo que deu aquele pênalti mandrake no Ibson que provocou a derrota do Santos para o Flamengo, no Engenhão, por 1 a 0. Algo me diz que, na dúvida, vossa senhoria penderá para o time da casa. Depois me cobrem…

Retrospecto Santos x Sport

Por Wesley Miranda

Santos e Sport Recife já se enfrentaram 34 vezes ao longo da história, sendo 17 vitórias do Peixe, 11 empates e seis vitórias do Leão. O Alvinegro marcou 54 gols e o Rubro Negro 33.
Em Brasileiros, desde o primeiro confronto, válido pelas semifinais da Taça Brasil de 1962, são 29 jogos, com 15 vitórias do Santos, oito empates e seis vitórias do Sport. O Peixe marcou 45 gols e o Leão 26.

Artilheiros do Santos no confronto
Há grandes camisas nove da história no topo da tábua de artilheiros do Santos no confronto.
O gênio Coutinho, com os cinco gols nas semifinais da Taça Brasil de 1962, é o artilheiro isolado. O centroavante Guga, com quatro gols, é o vice-artilheiro.
Viola, artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1998, e Kléber Pereira, artilheiro do Brasileiro de 2008, ambos com 21 gols, figuram bem entre os maiores artilheiros do Santos FC no confronto, com três gols cada.

O primeiro encontro
O primeiro confronto aconteceu em um amistoso na Vila Belmiro no dia 30/12/1941, com vitória santista por 4 a 3, com gols de Carabina (2), Antoninho Fernandes e Ruy. O atacante Pirombá, que depois seria contratado pelo Santos, marcou os três gols do Sport.

Curiosidade
Antoninho Fernandes foi um dos maiores jogadores da história do Santos. Meia cerebral, recebeu o apelido de “Arquiteto da bola”, tamanha era sua facilidade de arquitetar as jogadas do time. De 1941 a 1954, foram 400 jogos marcando 145 gols (12° que mais fez gol).
Após pendurar as chuteiras, virou auxiliar de Lula, até substituí-lo em 1967. Foram 380 jogos no comando do Santos até 1971, com 228 vitórias, 78 empates e 74 derrotas.

O Campeão do Norte do Brasil
Só no mandato de Athiê Jorge Coury foi possível a primeira viagem de avião da delegação santista. A ocasião foi mais que especial na história do clube: a excursão ao Norte do Brasil em 1946.
Nessa excursão, que começou em novembro e terminou em fevereiro de 1947, o Santos do técnico argentino Abel Picabéa e liderado pelo cerebral meia Antoninho Fernandes mostrou toda sua força, ganhando doze jogos e empatando três em quinze disputados. Contra o Sport Recife, no dia 08/12, o Santos obteve um de seus três empates na excursão: 0 a 0.
Veja abaixo os resultados da excursão
Santos FC 3×1 América FC (PE); Santos FC 4×0 Santa Cruz (PE); Santos FC 0x0 Sport Recife; Santos FC 3×2 Santa Cruz (RN); Santos FC 6×0 ABC (RN); Santos FC 5×2 Ceará; Santos FC 2×2 Ferroviário(CE); Santos FC 4×0 Fortaleza; Santos FC 4×1 Fortaleza; Santos FC 3×0 Maranhão; Santos FC 5×1 Sampaio Correa; Santos FC 0x0 Moto Clube; Santos FC 4×3 Tuna Luso; Santos FC 4×1 Paysandu; Santos FC 3×2 Remo.
Os bons resultados renderam ao Santos a alcunha de “Campeão do Norte do Brasil”.
Reconhecendo o sucesso da equipe, a torcida santista fez uma grande recepção ao time, semelhante a da conquista do título Paulista de 1935. Era um prenúncio do que iria ocorrer repetitivamente no mandato de Athiê (1945 a 1971).

Pelé no Sport Recife?
Reza a lenda que Pelé, ainda promessa, foi oferecido ao Sport em 1957. Sem saber de quem se tratava, José Rosemblit, diretor do Sport, recusou.

No início e no fim
E foi do futuro Rei o gol da vitória de 2 a 1 no dia 08/10/1957, em amistoso na Ilha do Retiro. Esse foi apenas o 41º gol oficial do promissor Pelé pelo Peixe, em um total de 1.091 gols com a camisa do Santos.
Contra o time pernambucano, o Rei do Futebol jogou seis vezes, vencendo três e empatando três, anotando dois gols. O segundo gol de Pelé contra o Leão da Ilha aconteceu no empate em 1 a 1 no dia 06/04/1974, em partida válida pelo Brasileiro. Esse foi o gol de número 1.082 pelo Santos.

O primeiro encontro em Brasileiros
O primeiro confronto entre Santos e Sport Recife em Brasileiros aconteceu nas semifinais da Taça Brasil 1962.

Para chegar à final, o campeão pernambucano de 1961 enfrentou o Ceará (2×0 e 1×1) e Campinense da Paraíba (0x0 e 2×0). O Santos, atual campeão da Taça Brasil e Paulista de 1961, já garantiu vaga na semifinal.
No primeiro jogo, no dia 12/12/1962, empate em 1 a 1 na Ilha do Retiro. Djalma abriu o marcador para o Sport aos 37 minutos do primeiro tempo. Coutinho empatou para o Santos aos 36 minutos do segundo tempo.
O Peixe do técnico Lula formou com Gilmar; Olavo, Mauro e Hemilton; Dalmo e Zito; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Quatro do Feitiço da Vila
Na partida da volta, no Pacaembu, em 16/12/1962, vitória santista por 4 a 0, com quatro gols de Coutinho, todos no primeiro tempo: aos 8 minutos, aos 15, aos 23 e aos 40.

O Peixe formou com Gilmar; Dalmo, Mauro e Hemilton; Calvet e Mengálvio; Dorval, Tite, Coutinho, Pelé e Pepe. Com o resultado, o Santos se qualificou para fazer a final contra o Botafogo de Garrincha e Nilton Santos.
O gênio Coutinho terminou como artilheiro do certame com sete gols. Coutinho é o jogador mais jovem a atuar nos profissionais do Santos, com 14 anos, 11 meses e 6 dias. Pelo Santos, Coutinho também foi artilheiro do Rio-SP de 1961 e 64 (campeão), em ambos com nove gols.

O gênio da área Coutinho atuou no Santos de 1958 a 1967 e 1969 a 1970. Em 457 partidas, marcou 370 gols (3º maior artilheiro da história do Santos).

Campeão cai na Vila
Campeão Brasileiro de 1987 (modulo amarelo), o Sport jogou com o Santos na Vila Belmiro no dia 06/11/1988 e perdeu por 3 a 0, com gols de Mendonça, Davi e Giba. Essa foi a primeira vitória do técnico Marinho Peres no comando do Peixe que, apesar da vitória, não aspirava mais a classificação para outra fase.
O time do Sport Recife fez boa campanha no certame, sendo eliminado apenas nas quartas de finais pelo futuro campeão Bahia.
O Peixe do técnico Marinho Peres, que entrou com dois centroavantes e três zagueiros, formou com Nílton; Davi, Cassio, Luís Carlos; Juninho, César Ferreira, César Sampaio, Mendonça; Hélio, Tuíco (Giba) e Leonardo Manzi (Ijuí).
Marinho Peres jogou no Santos de 1972 a 1974. Em 94 jogos, marcou 5 gols. Excelente zagueiro, Marinho foi um dos líderes da conquista do título Paulista de 1973, chegando a disputar a Copa do Mundo de 1974 como capitão da Seleção Brasileira. De lá, foi negociado com o Barcelona da Espanha.
Como técnico, foram 20 jogos no comando de 1988 a 1989, com nove vitórias, cinco empates e seis derrotas.

Guga sai do banco e resolve
Depois de dois empates na Vila, 1 a 1 com o Vasco pelo Brasileiro e 0 a 0 com o Nacional de Medellín pela Supercopa, o Santos entrou sobrecarregado para o jogo contra o Sport Recife no dia 09/10/1993. O clima era tão tenso que o grupo se dividiu. Parte do elenco defendia o técnico Antônio Lopes e a outra parte não. O artilheiro Guga declarou estar jogando isolado no ataque, e talvez por isso o treinador promoveu a entrada do jovem Neizinho em seu lugar.
Com a bola rolando, o time sentiu o clima e não saiu do zero no primeiro tempo. Na segunda etapa, o técnico Antônio Lopes colocou Guga no time titular. Em dois minutos (18 e 19), o atacante marcou dois gols e ainda ampliou aos 32, de pênalti.
Antônio Lopes caiu depois da eliminação do time na Supercopa e em seu lugar entrou José Macia, o Pepe. Guga terminou como artilheiro do certame com 14 gols.
O Peixe formou com Velloso; Índio, Júnior, Ricardo Rocha (Marcelo Fernandes) e Eduardo; Axel, Márcio Griggio e Darci; Almir, Neizinho (Guga) e Sérgio Manoel.

O time das viradas
Com um time desfalcado de seus principais jogadores, o Santos enfrentou o Sport Recife no dia 08/10/1995 na Ilha do Retiro. Geraldo abriu o marcador para os donos da casa aos 23 minutos do primeiro tempo. Na etapa complementar, o Peixe virou com Carlinhos aos 13 e Wellington aos 36.

O Santos do técnico Cabralzinho formou com Gilberto, Marcelo Silva, Ronaldo Marconato (Vágner), Jean, Marcos Adriano; Gallo, Narciso, Pintado, Carlinhos; Camanducaia e Whelliton (Batista).

Quartas de final de 1998
Nas quartas de final do Brasileiro de 1998, foram três partidas decisivas. A primeira, no dia 15/11/1998, na Ilha do Retiro, vitória do Sport por 3 a 1. O zagueiro Argel anotou o único tento santista.

O jogo foi marcado por uma confusão quando o árbitro anotou uma penalidade máxima para o time da casa. Viola foi reclamar e acabou brigando com um fotógrafo, acarretando em uma forte ação policial em que o técnico Leão e o centroavante foram agredidos. A partida ficou paralisada por mais de 20 minutos.

Na segunda partida, na Vila Belmiro, no dia 21/11/1998, o Santos venceu por 2 a 1 com gols dos meias Eduardo Marques e Róbson Luis.

Zetti; Baiano, Argel, Sandro e Athirson; Marcos Bazílio, Narciso e Eduardo Marques; Alessandro (Messias), Viola e Róbson Luís. Técnico: Emerson Leão.

Devido ao regulamento, uma nova partida foi realizada e, pela melhor campanha, novamente na Vila Belmiro.

Na terceira e decisiva partida, em 25/11/1998, nova vitória santista: 3 a 0 com gols de Viola (2) e Alessandro Cambalhota. Na comemoração do terceiro gol, Viola revidou a provocação do primeiro jogo, quando os jogadores do Sport, em alusão a mascote do Santos, fisgaram um peixe. Viola, conhecido pelas suas comemorações polêmicas, imitou um leão sendo caçado.

O classificado Santos formou com Zetti; Baiano, Argel, Claudiomiro e Athirson; Marcos Bazílio, Narciso, Eduardo Marques (Élder) e Róbson Luís (Fernandes); Alessandro (Messias) e Viola.

Durval e Emerson Leão do lado de lá
Na partida realizada entre os dois times na Vila Belmiro no dia 04/07/2009, pelo Brasileiro, o Santos de Léo, Ganso e Neymar venceu o Sport Recife do zagueiro Durval e do técnico Emerson Leão. O único gol do jogo saiu aos 43 minutos do segundo tempo, após cobrança de Mádson, Neymar acabou servindo para Ganso marcar.

O Santos do técnico Vagner Mancini formou com Douglas; Wagner Diniz, Fabão, Domingos (Molina) e Leo (Roni); Roberto Brum, Rodrigo Souto, Paulo Henrique e Madson; Róbson (Neymar) e Kléber Pereira.

Durval foi autor de um dos gols da última vitória do Sport sobre o Santos. O jogo aconteceu na Ilha do Retiro no dia 13/05/2007 e o placar foi de 4 a 1 para os donos da casa.
Emerson Leão foi campeão da Copa Conmebol 1998 e do Brasileiro 2002 pelo Santos. No Sport, onde começou a carreira de treinador, fez parte da conquista do Brasileiro de 1987, comandando a equipe em boa parte da campanha, e do estadual de 2000.

O último encontro
No primeiro turno, no dia 27/05/2012, o desfalcado Santos não saiu do zero com o Sport Recife em jogo na Vila Belmiro. O Peixe formou com Aranha; Rafael Galhardo (Maranhão), Edu Dracena, Durval e Juan; Adriano, Arouca, Gérson Magrão (Rentería) e Felipe Anderson; Bernardo (Henrique) e Alan Kardec.
http://www.youtube.com/watch?v=GrGbUTA_bk4

Vila Belmiro
O Santos jamais perdeu para o Sport na Vila Belmiro. Foram 13 jogos com 10 vitórias santistas e três empates. O Peixe marcou 27 gols e sofreu oito.

E você, o que acha de Sport e Santos?