Eu nem digo ganhar ou empatar, pois sei que será difícil. Digo “jogar” futebol como o Santos deve jogar: com coragem, determinação, com a mentalidade voltada para a vitória em qualquer campo e contra qualquer adversário. Se atuar assim, o santista nem se importará muito com o resultado. O que ele não quer é ver um time retrancado, sem inspiração, com medo da própria sombra.

Tudo bem que faltarão apenas Neymar e Arouca, servindo a Seleção sangue-suga do José Maria Marin e do Andres Sanchez, mas a verdade é que sem Neymar o time tem sido outro, bem abaixo do que é quando o Menino de Ouro está em campo. O que nos resta é esperar que os outros jogadores tenham sangue nas veias, vergonha na cara e mostrem que seus salários não dependem de um garoto de 20 anos.

Mas as perspectivas para o Alvinegro Praiano não são boas hoje, às 21 horas, no Engenhão (transmissão do Sportv). O técnico Muricy Ramalho deve escalar a equipe com Rafael, Bruno Peres, Bruno Rodrigo, Durval e Juan; Adriano, Gerson Magrão, Patito Rodríguez e Bernardo; Felipe Anderson e André. Minha opinião é que se não correr e não se doar muito, o Santos volta do Rio com outra derrota no lombo.

É claro que o favorito é o Fluminense, que luta pelo título. O Santos está recheado de jogadores que ainda não convenceram. E nem ao menos espírito de luta – o que estamos vendo emn outras equipes, como Náutico, Sport, Bahia e Figueirense… – esses rapazes estão demonstrando. Hoje é um bom dia para checar quem merece ficar e quem já está fazendo hora-extra no Alvinegro da Vila.

A Suzana, otimista como ela só, acha que hoje, só porque as chances são mínimas e os jogadores estão em xeque, o Santos vai ganhar. Será? Tomara. É o tipo de jogo que ou vai, ou racha!

Retrospecto de Santos x Fluminense

Por Wesley Miranda

Santos e Fluminense se enfrentaram 84 vezes em pouco mais de 94 anos de confronto. O duelo segue equilibrado, com ligeira vantagem para o time do Rio. O Santos tem 32 vitórias contra 19 empates e 33 vitórias do Fluminense. O Peixe marcou 137 gols e o tricolor 143.

Em Brasileiros, desde o primeiro confronto, no Robertão de 1967, são 47 jogos, com 16 vitórias do Alvinegro Praiano contra 10 empates e 21 vitórias do tricolor. O time de Vila Belmiro anotou 66 tentos e o das Laranjeiras 71.

Artilheiros do confronto
Os maiores artilheiros da história do Santos, Pelé (1.091) e Pepe (405), marcaram cinco gols cada em jogos contra o Fluminense. Na vice artilharia, o arquiteto da bola, Dom Antoninho Fernandes, aparece com quatro gols. Com três gols vêm Pagão, Toninho Guerreiro, Serginho Chulapa, Giovanni, Deivid, Kleber Pereira e Zé Eduardo.

Primeiro jogo
O primeiro confronto entre Santos e Fluminense foi um amistoso na Vila Belmiro há pouco mais de 94 anos, no dia 9 de junho de 1918, com quebra de recorde de renda, com 5.850$000 réis.

Apesar do entusiasmo da torcida, o Santos sofreu a maior goleada da história do confronto: 6 a 1. O único gol santista foi do craque Arnaldo Silveira. O time do Rio tinha acabado de conquistar o bicampeonato carioca (o 7º em 12 anos) e seria tri em 1919.

Primeiro encontro em competição
Depois de mais dois amistosos nos anos 30, com um empate na Vila Belmiro por 1 a 1 em 1930 (gol de Evangelista) e uma derrota nas Laranjeiras por 4 a 2 em 1931 (dois de Feitiço), o Santos, enfim, conquistou sua primeira vitória frente ao tricolor. E foi no recém criado Rio-SP, em 1933, na Vila Belmiro. O Santos venceu por 4 a 3, em 15/07, com gols de Victor Gonçalves (2) e Raul Cabral Guedes (2).

No dia 02/08, marcaram um amistoso no estádio das Laranjeiras e o Fluminense deu o troco, vencendo por 4 a 2 (Logu e Gybi marcaram para o Santos). No returno do Rio-SP, jogando no estádio das Laranjeiras, nova vitória santista: 2 a 1 no dia 08/10, com gols de Giby e Mário Seixas.

A estreia do Canhão
Pela segunda rodada do Torneio Rio-SP de 1954, no dia 23/05, Santos e Fluminense se enfrentaram no Pacaembu. Vitória do Fluminense por 2 a 1 com dois gols de Quincas, tendo Vasconcelos marcado o único tento santista. Mas o fato histórico da partida foi a estreia de um jovem de 19 anos que entrou no lugar de Boca, que já havia entrado no lugar de Del Vecchio. O técnico do Santos, o italiano Giuseppe Ottina, dava a primeira oportunidade para o menino José Macia, o Pepe.

Giuseppe Ottina saiu do comando do Santos após quatro derrotas em quatro jogos do Rio-SP. Coube então, ao seu substituto, Luis Alonso Peres, o Lula, ex-treinador da base que já trabalhara com o então menino Pepe, dar continuidade no trabalho e lançá-lo para o mundo.

O nascimento do gol de placa
No dia 05/03/1961, em partida válida pelo Rio-SP, no Maracanã, um gol entrou para a história. Pelé driblou sete jogadores do Fluminense e fez o famoso gol de placa. A expressão foi inventada pelo jornalista Joelmir Beting e a placa de bronze em homenagem ao tento foi instalada no Estádio Maracanã. Nascia ali o gol de placa. Pelé já tinha marcado um tento no jogo e Pepe completou os 3 a 1.

O Peixe formou com Laércio; Fioti, Mauro, Dalmo e Calvet; Zito e Mengálvio (Nei); Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe (Sormani).

Infelizmente, não se tem imagens do gol, e o curioso é que as TVs Tupi, Record, Atlântida e o Canal 100 gravaram o lance. No filme “Pelé eterno” reproduziram o gol. Reparem no vídeo que o jogador que interpreta o gênio Coutinho é nada mais nada menos que o monstro Arouca.

Homenagem aos cariocas
Para homenagear os torcedores cariocas que tanto apoiavam o Santos em decisões internacionais no Maracanã, a diretoria santista teve a brilhante ideia de cada jogador entrar em campo com uma camisa de um clube carioca. Gilmar (Santos); Ismael (Madureira), Olavo (Vasco da Gama), Lima (Campo Grande) e Joel Camargo (Flamengo); Mengálvio (América), Peixinho (Bangu), Rossi (São Cristovão), Toninho (Portuguesa), Pelé (Olaria) e Pepe (Fluminense).

A partida realizada pelo Rio-SP no dia 22/03/1964 terminou 1 a 0 para os comandandos de Lula, com Pepe, que ironicamente entrou com a camisa do Fluminense, anotando de pênalti o gol santista. Do lado do Fluminense, um jovem lateral direito começava a despertar a atenção dos dirigentes santistas: Carlos Alberto Torres.

A invasão santista
O time mágico do Santos invadiu o coração de torcedores do mundo todo, em especial da torcida carioca que lotava o Maracanã com média de mais de 100 mil torcedores.

Vitória em cima do futuro campeão I
Todas as vezes que o Fluminense obteve o título Brasileiro, perdeu para o Santos durante a competição. Na primeira delas, no dia 18/11/1970, o Santos venceu o Fluminense por 1 a 0 no Pacaembu pelo Roberto Gomes Pedrosa . O gol da vitória foi do carioca Abel Verônico.

O Peixe, com cinco jogadores que tinham recém conquistado a Copa de 1970, formou com Cejas; Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel Camargo e Rildo (Turcão); Clodoaldo e Léo; Árlem, Edu, Pelé e Abel.

Vitória em cima do futuro campeão II
Depois de empatarem em 1 a 1 a primeira partida no Morumbi, na estreia do Campeonato Brasileiro, no dia 29/01/1984, com Serginho Chulapa anotando o tento santista e Washington para o tricolor das Laranjeiras, Santos e Fluminense voltaram a se enfrentar no Maracanã no dia 26/02/1984. Vitória do Peixe por 1 a 0 com gol de Gersinho.

O Peixe do técnico Formiga formou com Rodolfo Rodriguez; Toninho Carlos, Davi (Pagani), Betão, Toninho Oliveira; Pita, Lino, Ronaldo Marques, Márcio Fernandes, Gersinho(Serginho Dourado) e Luís Gustavo.

Duelo das vacas magras
No Brasileiro de 1993, as duas equipes fizeram um duelo eletrizante no estádio das Laranjeiras. Com destaques para Guga, com dois gols para o Santos, e Nilson, com dois gols para o Fluminense. O Santos bateu o tricolor em seus domínios por 4 a 3. Completaram o placar: Axel e Sérgio Manoel (Santos) e o zagueiro Andrei (Fluminense).

O Peixe do técnico José Macia, o Pepe, formou com Velloso; Índio, Lula, Marcelo Fernandes e Eduardo; Axel, Gallo, Darci (Ranielli) e Márcio Griggio; Guga (Neizinho) e Sérgio Manoel.

Na ocasião, as duas equipes viviam seus momentos mais delicados de suas respectivas histórias. O Santos completaria em dezembro nove anos de jejum de títulos e o Fluminense oito anos.

O maior de todos os tempos
Sem sombra de dúvidas, o maior embate entre as duas equipes aconteceu nas semifinais do Brasileiro de 1995. O Fluminense não estava mais no jejum de títulos, pois havia conquistado o Carioca de 1995. Por sua vez, o Santos comandando por Giovanni lutava bravamente para quebrar o seu jejum.

O time do Rio se classificou para as semifinais do Brasileiro de 1995 no primeiro turno e o Santos se classificou no segundo.

O Peixe do técnico Cabralzinho formou com Edinho; Marquinhos Capixaba, Narciso, Ronaldo Marconato e Marcos Adriano; Carlinhos, Gallo, Giovanni e Marcelo Passos (Pintado, depois Marcos Paulo); Camanducaia (Batista) e Macedo.

Todos conhecem a história épica de um dos maiores jogos do Santos. Aqui, a produção de Cássio Barco e Gustavo Serbonchini, ambos do Globoesporte.com. Emocionante.

Jogo 200 de Elano e goleada
Com a punição de mandos de campo no episódio do copo de água arremessado no técnico Hélio dos Anjos, do Vitória, em jogo na Vila, o Santos jogou contra o Fluminense em São José do Rio Preto, no estádio Benedito Teixeira, no dia 30/10/2004.

O jogo que marcou o jogo 200 do meia Elano foi um baile santista com um sonoro 5 a 0, com gols de Robinho (2), Deivid (2) e Laerte contra. O rei do drible fez uma bela exibição, levando o Santos para o topo da tabela com 72 pontos. Depois desse jogo, Robinho só voltaria a atuar na última rodada, contra o Vasco, devido ao sequestro de sua mãe.

O Peixe comandado pelo técnico Luxemburgo formou com Mauro, Paulo César, Leonardo, André Luís e Léo; Fabínho, Ricardo Bóvio (Zé Elias), Ricardinho (Marcinho) e Elano; Robinho (Basílio) e Deivid.

Virada e goleada no Maracanã
A primeira vitória do Santos no Brasileiro de 2009 foi de virada contra o Fluminense no dia 24/05. Logo aos 9 minutos, Mariano abriu o marcador para os donos da casa. O Santos só chegou ao empate aos 37 minutos, com o colombiano Molina. Mas foi no segundo tempo que o Santos consolidou a vitória com Mádson aos 6 minutos e Kleber Pereira aos 39 e 41 minutos. O Santos do técnico Vagner Mancini formou com Fábio Costa, Luizinho, Fabão, Domingos e Léo (Pará); Roberto Brum, Rodrigo Souto, Paulo Henrique Ganso (Paulo Henrique) e Madson; Molina (Neymar) e Kléber Pereira.

Vitória em cima do futuro campeão III
Já garantido na Libertadores 2011 e com o PH Ganso gravemente lesionado, o Santos não disputou o Brasileiro com o mesmo ímpeto dos campeonatos do primeiro semestre. Oposto do Fluminense, que lutou pelo título até a última rodada. Indiferente da posição da tabela dos times no certame, o Santos ganhou do Fluminense jogando em pleno Engenhão com 3 gols de Zé Love. O Peixe do técnico interino Marcelo Martelotte formou com Rafael; Pará, Vinícius Simon, Durval e Léo; Roberto Brum, Arouca, Danilo e Alan Patrick (Alex Sandro); Neymar e Zé Eduardo (Felipe Anderson).

No primeiro turno, o time carioca comandando pelo técnico Muricy Ramalho havia vencido o Santos na Vila Belmiro por 1 a 0.

Seja bem vindo David Lucca
Santos e Fluminense se enfrentaram na Vila Belmiro em partida válida pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro, no dia 24/08/2011, dia de nascimento do primeiro herdeiro do ídolo Neymar: David Lucca. O Peixe venceu por 2 a 1 com dois gols de Borges, que homenageou o papai Neymar na comemoração do segundo gol.

O Santos do técnico Muricy Ramalho, que enfrentava pela primeira vez o clube no qual foi campeão Brasileiro 2010, formou com Rafael, Danilo, Durval, Edu Dracena e Léo; Arouca, Henrique, Elano (Adriano) e Paulo Henrique Ganso (Bruno Aguiar); Neymar e Borges (Alan Kardec).

O último confronto
No primeiro turno do Brasileiro de 2012, no dia 06/06, Santos e Fluminense empataram na Vila Belmiro em 1 a 1. Renteria marcou o seu segundo gol com a camisa santista, e o segundo gol contra o Fluminense. Ele havia marcado na derrota santista por 3 a 2 no Raulino de Oliveira pelo Brasileiro 2011.

Desfalcado do trio olímpico Neymar, Rafael e Ganso, o Santos formou com Aranha; Maranhão, Edu Dracena, Durval e Juan (Felipe Anderson); Adriano, Arouca, Elano (Geuvânio), Léo e Alan Kardec (Victor Andrade); Renteria.

E pra você, como o Santos deve jogar hoje contra o Flu?