Por Gustavo Kosha

Ontem a Vila Belmiro foi palco de mais um bom jogo entre Santos x Atlético/MG. Foi palco de mais um show de Neymar. Mas infelizmente, devido aos acidentes acontecidos, principalmente com o atleta Rafael Marques do Atlético/MG, o foco da imprensa mudou do jogo para o atendimento médico ao atleta.

Ouvi e li na imprensa, jornalistas formadores de opinião execrarem o estádio Urbano Caldeira por conta da dificuldade que a ambulância teve para entrar em campo para o atendimento ao atleta.
Minha opinião sobre o caso:
O atleta Rafael Marques teve MUITA (sim, MUITA com letras maiúsculas) sorte de ter sofrido um acidente na Vila Belmiro.
Ao contrário do que relataram muitos jornais, principalmente um famoso no meio esportivo, o atleta do Atlético/MG não demorou 10 minutos para ser atendido. (Aliás, cabe aqui uma ação do departamento jurídico do Santos, exigindo provas de que o atleta tenha demorado tanto tempo para ser atendido). Muito pelo contrário. Ele foi atendido IMEDIATAMENTE após o acidente e por 2 (sim, DOIS) médicos (um do Atlético e um do Santos).
Além dos 2 médicos dos clubes, 2 bombeiros e mais 2 médicos entraram em campo para prestarem o pronto atendimento ao atleta. Todos nós que estávamos vendo o jogo somos testemunhas disso. A pergunta que faço é: em que outra situação, ou em que outro lugar, o atleta ou qualquer outra pessoa teria a sua disposição, imediatamente depois de um acidente, o acompanhamento de tantos profissionais?
A imprensa, e todos aqueles que criticaram e pediram o fim dos jogos no estádio da Vila Belmiro deveriam olhar um pouco mais para a saúde brasileira. Existem milhares de hospitais espalhados pelo país que não possuem condições básicas para atender quem quer que seja, quanto mais casos de urgência. Faltam médicos em todo o Brasil. Não é necessário procurar muito para achar casos de hospitais assim. Será que é a Vila Belmiro mesmo que oferece risco à atletas ou torcedores? Ou seria a saúde pública brasileira que está deteriorada de uma maneira geral? Ao me ver, cabe uma reflexão muito mais profunda nesse caso.
Quanto a ambulância, de fato houve uma falha na reforma da Vila Belmiro, impedindo a sua entrada. Isso deve sim ser avaliado pela diretoria santista. Mas daí a se proibir jogos no estádio, isso é uma besteira sem tamanho. Se fossemos ver por esse prisma os jogos deveriam também ser proibidos no Morumbi e no Pacaembú, principalmente os realizados às 19:30, já que a essa hora é praticamente impossível circular nos arredores nesse estádio, e caso algum atleta sofra algum acidente em um jogo hipotético realizado em algum desses estádios, a essa hora, com certeza a ambulância poderia até entrar no estádio, mas devido ao trânsito dos arredores não conseguiria sair.
A imprensa precisa ser mais responsável. As diretorias dos clubes também, mas acima de tudo, nossas autoridades precisam ser mais comprometidas com o povo. Não se pode exigir de um estádio o que não se oferece à população de um país inteiro.
Gustavo Kosha é publicitário, pai da Nina, sócio remido e tocedor do SANTOS FUTEBOL CLUBE.