Por Francisco Carvalho.

Hoje, por falta de algo importante em que pensar, matutei sobre fatos históricos, sobre genocídios produzidos pela estupidez vigente e justificados por uma palavra qualquer.

Na idade média, era comum a igreja católica acusar alguém de heresia, arrancar-lhe “confissões” sob tortura e condená-lo, juntamente com a família, a arder na fogueira.Cristãos não viam nada demais em queimar hereges vivos. E ninguém se preocupava em saber o significado da palavra herege.

De meados dos anos sessenta até meados dos anos oitenta uma palavra, sobrenatural pelos poderes que possuía, levou muito brasileiro ao cárcere e à morte: subversão. Para obrigar mulheres a denunciar amigos e parentes, o governo permitiu que cassetetes se transformassem em instrumento de estupro. E o povo aceitava a tortura e o extermínio dos subversivos, sem se dar ao luxo de pesquisar o significado da palavra subversivo.

Neste ano de 2012 os torcedores santistas resolveram taxar de mercenário o jogador Paulo Henrique Ganso. E, como na idade média e na ditadura, uma vez rotulado, justificam-se humilhação pública e apedrejamento moral.
Para não cair na vala comum dos nossos antepassados, recorri à enciclopédia para saber em que consiste, realmente, ser um mercenário. A definição a seguir é da Larousse:
MERCENÁRIO adjetivo. 1) que trabalha apenas por estipêndio ou remuneração. 2) Ávido de ganho, desejoso de lucro, interesseiro.
Tentei encontrar alguém, dentro da estrutura do Santos, que não se encaixasse na definição de mercenário da Enciclopédia Larousse. Não encontrei. É mercenário o faxineiro com seu salário mínimo, é mercenário o Adriano, descontente com seus trinta mil, é mercenário o Neymar com seus milhões mensais, são mercenários o Muricy Ramalho e o presidente Luís Álvaro, pois todos têm interesses materiais, muito aquém da ideologia e do altruísmo.

Neste ponto recorro, novamente, à pergunta plagiada do livro de Erich Von Danikenn.
ERA O GANSO MERCENÁRIO?
Fosse eu o jogador Paulo Ganso e apossar-me-ia do bordão do Tavares, personagem do Chico Anisio:- Eu sou; mas quem não é?

Herege, subversivo, mercenário… Expressões que não deveriam servir como justificativa para assassinatos, torturas, humilhações.
Como diria Walfrido Canavieira:“Palavras são palavras, nada mais que palavras”. Ou, pelo menos, deveriam ser.


Qual a sua opinião sobre o Ganso e sua postura com o Santos? Mercenário? Mal Orientado? Descontente?