O Odir me deu a liberdade para de vez em quando escrever algo por aqui. Hoje vou abrir a discussão pra partida de amanhã, espero que não se importem, já que a qualidade do texto provavelmente não será a mesma do Odir!

Santos x Internacional/RS jogarão na Vila, às 16:20 (estou curioso pra saber o motivo dos 20 minutos além do horário comum). Um jogo sem muitos atrativos, já que não teremos o craque Neymar, suspenso, mas pelo dia e horário não é de se duvidar que tenhamos um público razoável, principalmente motivado pela promoção na venda de ingressos para sócios.

Esse jogo me remete a uma das melhores partidas do Santos no ano, isso se não for realmente a melhor, o Santos X Inter na Vila pela fase de grupos da Libertadores. O Muricy vivia martelando nas entrevistas depois da vergonha contra o Barcelona que o Santos iria aprender a jogar daquela maneira, valorizando a posse de bola e trabalhando os passes, mas na prática nunca víamos algo parecido, exceto nesse jogo. Vimos um Santos incisivo, marcando pressão e tomando a bola do adversário rapidamente e trabalhando passes no campo de ataque. Um volume de jogo que gerou várias chances de gol, mas que curiosamente só se consolidaram nos golaços em jogadas individuais de Neymar.

É claro que vimos partidas com mais gols no ano, principalmente pelo paulista, mas uma exibição consistente como essa, contra um dos elencos mais caros do país e em plena Libertadores encheu a todos de esperanças no quarto título.

Nossa escalação no dia foi: Rafael; Fucile, Dracena, Durval e Juan; Arouca, Henrique, Ganso e Ibson; Neymar e Borges.

Difícil explicar por que não vimos mais nenhuma exibição como essa durante a Libertadores.

E isso nos leva a dúvida pro jogo de amanhã. Que personalidade esperar do Santos? Um time técnico, esmagando o adversário em seu próprio campo? Um time aguerrido, raçudo, como vimos contra o Grêmio semana passada? Ou um time apático, sem personalidade, como nos acostumamos durante todo o campeonato?

Provavelmente teremos: Rafael; Éwerton Páscoa, Bruno Rodrigo, Durval e Gérson Magrão; Arouca, Henrique, Bernardo e Felipe Anderson; Miralles e André.

Novamente iremos com laterais improvisados. Esforçados e aplicados taticamente, passam um pouco mais de confiança na parte defensiva, mas na parte ofensiva ficam devendo bastante quando comparamos com os laterais de destaque do campeonato brasileiro. (O Magrão é lateral de origem, mas se o cara diz que prefere jogar no meio campo eu entendo automaticamente que ele se considera pior na lateral)

No meio, a volta do Henrique, sem ritmo de jogo, pode atrapalhar um pouco as coisas na marcação, mas deve melhorar um pouco o passe em relação ao Adriano. O Bernardo ganhou a vaga do Patito e finalmente vai ter uma chance jogando desde o começo. Com o contrato no fim é capaz que busque um pouco mais o jogo, veremos.

No ataque, acompanhando o André pela primeira vez, e isso estou presumindo, vamos ter o Miralles jogando na posição que deu destaque pra ele no Colo-Colo, atuando menos centralizado.

Um time extremamente diferente do primeiro semestre. Considero num nível mediano pensando no campeonato brasileiro atual. Com a vantagem de jogar em casa acredito que podemos buscar a vitória, mas isso passa primeiro pela questão da personalidade. Um time apático, sem saber muito o que fazer, dificilmente vai inflamar a torcida.

Vamos confiar mais uma vez no Muricy pra que finalmente ele resolva resgatar uma personalidade no time, atuando da forma como o santista gosta.

Já convido os amigos a enviarem suas análises, avaliações e notas dos jogadores ao final da partida.


Retrospecto dos confrontos entre Santos e Internacional/RS

Por Wesley Miranda

Santos FC e Internacional já se enfrentaram 61 vezes na história. O Alvinegro ganhou 24 contra 20 vitórias coloradas e 17 empates. O time santista marcou 81 gols e o time colorado 77.

Em Brasileiros, desde o primeiro encontro, no Roberto Gomes Pedrosa de 1967, são 51 jogos, com 21 vitórias do Santos FC contra 17 do Internacional e 13 empates. O Peixe marcou 65 gols e o Colorado 62.

Tabu na Vila
O Santos FC nunca perdeu para o Inter jogando na Vila Belmiro. Em 15 jogos, foram 11 vitórias.

Jejum
O Colorado não vence o Santos desde 2009 quando jogando no Beira Rio, no dia 15/11 venceu por 3 a 1. Desde então são sete confrontos com duas vitórias do Peixe e cinco empates.

Artilheiro do Santos FC no confronto
O artilheiro santista no confronto é Neymar, com cinco gols. Em sete jogos contra o Internacional, a joia venceu dois, contra uma derrota e quatro empates. Na vice artilharia vem Pelé, com quatro gols. O Rei atuou em oito partidas, vencendo cinco, perdendo duas e empatando uma. Com três gols cada, dois centroavantes com bastante faro de gol: Paulinho Mclaren, o artilheiro do Brasileirão de 1991, com 15 gols, e Kléber Pereira , o artilheiro do Brasileirão de 2008, com 21 gols.

 

Primeiros encontros
Por se tratar de dois times centenários e de grande destaque no cenário nacional, a marca de 61 partidas é pequena, já que o primeiro confronto aconteceu apenas em 1935. Um empate em 1 a 1 no Rio Grande Sul, tendo Sacy marcado o primeiro gol do Santos FC na história do duelo.

O segundo confronto demorou mais 14 anos para acontecer: 4 a 0 para o Santos FC jogando no Rio Grande Sul. Gols do arquiteto da bola Antoninho Fernandes, Arthurzinho, Telesca e Juvenal.

O terceiro confronto só foi acontecer 12 anos depois, em 1958. Mais uma vez no Rio Grande do Sul, e, dessa vez, com vitória gaúcha por 5 a 1. Essa é até hoje a maior goleada do Inter no confronto.

Maior goleada do Santos FC
Quase nove anos depois, um novo confronto foi possível graças ao Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967, o Robertão, o Brasileiro da época! E foi, digamos, com um gostinho especial, já que era março e o Santos já tinha jogado na Argentina, Colômbia, EUA, Chile e Peru e, nas duas primeiras rodadas do Robertão, em Minas (Atlético-MG) e Rio Grande do Sul (Grêmio), mas ainda não tinha atuado para sua torcida! O jogo no Pacaembu, na noite de 15 de março de 1967, apresentou uma goleada por 5 a 1 no quadro santista, com gols de Toninho Guerreiro, Copeu (2), Edu e, para delírio da torcida, Pelé, de pênalti, aos 43 minutos! O suficiente para os jornais estamparem em suas capas: o Rei voltou!

O Peixe de Antoninho Fernades formou com Gylmar, Carlos Alberto, Oberdan, Orlando (Haroldo) e Rildo; Mengálvio (Clodoaldo) e Lima (Buglê); Copeu, Toninho, Pelé e Edu.

Eram outros tempos
No dia em que o Rei do Futebol completava 28 anos, Santos e Internacional se enfrentaram no estádio Olímpico pela primeira fase do Robertão 1968. Mais de 57 mil pessoas estiveram presentes, recorde de público no Rio Grande do Sul. Na entrada em campo, a banda homenageou o Rei tocando o tradicional “Parabéns a você” e a torcida colorada acompanhou em coro. Um gigante bolo foi oferecido para a comemoração: 2,20 m x 1,80 m. Uma bela homenagem, que mostrava que, acima do clube, do estado, estava o mérito desportivo e o reconhecimento. Eram outros tempos.

Com a bola rolando, o Santos venceu por 3 a 1 com gols do aniversariante Pelé, Edu e Toninho Guerreiro.

Nessa partida histórica do dia 23/10/1968, o Santos formou com Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo: Clodoaldo e Negreiros; Douglas, Pelé, Toninho (Edu) e Abel. Técnico: Antoninho.

Decisão
Pelo quadrangular do mesmo Robertão de 1968, Santos e Internacional se encontraram novamente no estádio Olímpico no dia 04/12.

Aos 32 minutos, Edu acerta um belo cruzamento e Toninho Guerreiro, de cabeça, serve para Pelé abrir o marcador. Élton empatou poucos minutos depois. Já no fim do prélio, aos 41 minutos da segunda etapa, Guerreiro foi derrubado por Jorge Andrade dentro da área. O exímio cobrador Carlos Alberto Torres decretou vitória santista por 2 a 1.

O Peixe, que terminaria campeão Brasileiro de 1968, formou com Cláudio, Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Lima (Negreiros); Edu, Pelé, Toninho e Abel. Técnico: Antoninho.

Santos FC no Beira Rio
Se o Internacional nunca conseguiu a vitória jogando na Vila Belmiro, o Santos já obteve quatro triunfos no estádio do Beira Rio em 27 jogos. Foram 11 empates e 15 vitórias coloradas.

A primeira vitória santista no Beira Rio aconteceu no dia 28/11/1973, pelo Campeonato Brasileiro. O Peixe bateu o time gaúcho por 2 a 0, com gols de Mazinho e Pelé, que marcou seu último gol no colorado.

O Peixe do técnico José Macia formou com Carlos; Hermes, Marinho Peres, Vicente e Roberto; Carlos Alberto, Léo e Nenê (Brecha); Mazinho, Pelé e Edu.

Decisão em 1974
Pelo quadrangular do Brasileiro de 1974, no dia 24/07/1974, o Peixe bateu o Inter por 2 a 1 jogando no Morumbi, com gols de Brecha e Fernandinho. O resultado manteve o Santos na disputa pelo título e dificultou muito a vida do time colorado. Esse foi o último encontro de Pelé contra a equipe gaúcha.

O Santos do técnico Tim formou com Cejas; Hermes, Vicente, Marinho e Zé Carlos; Clodoaldo, Brecha e Pelé; Fernandinho, Claudio Adão (Nenê) e Mazinho.

Fim do tabu
Pelé tinha parado em 1974 e, desde então, o Santos FC não tinha mais vencido equipes de Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro em Brasileiros. E foi contra o atual campeão, o forte Internacional de Falcão, que o Peixe encerrou o jejum em 27/03/1980, no Morumbi, pela oitava rodada do grupo C: 1 a 0 com gol de Nilton Batata. A vitória deu também o título do grupo e colocou o Santos como segundo na classificação geral!

O Santos do técnico José Macia formou com Marola; Paulinho, Joãozinho, Neto, Nelsinho Batista e Miro; Toninho Vieira e Pita, Aloísio Chaves, Nílton Batata e João Paulo.

Jejum do Internacional
Depois do Brasileiro de 1980, voltava o tradicional jejum de confrontos: foram oito anos sem se encontrarem, mesmo disputando o Brasileirão. Isso agravou e muito o jejum de vitórias do time colorado, que ficou de 1978 a 1995 sem vitórias sobre o Santos. Nesse período, foram disputados sete jogos, com quatro vitórias santistas e três empates.

O jogo mais curioso desse jejum certamente foi o encontro de 1992. Logo aos 18 minutos iniciais, o goleiro paraguaio Gato Fernandez tentou catimbar em cima de Paulinho McLaren, batendo a bola perto de seus pés. Paulinho esperou a hora certa do segundo quique da bola, acabando a brincadeira e colocando para o fundo do barbante. Pronto, ali começou a confusão, e, no meio dela, foram expulsos Marquinhos, Gérson (aquele mesmo revelado pelo Santos FC na Taça SP 84) e o próprio causador do problema, Gato Fernandez. Mas, mesmo jogando contra apenas oito jogadores, o Santos encontrou dificuldades para furar a defensiva do Inter e só aumentou o placar aos 12 minutos do segundo tempo, com Cilinho, que também marcou aos 15, e Axel, aos 21 minutos. Todos em arremates e rebotes de longa distância devido ao “congestionamento” da defesa colorada. Faltando menos de 10 minutos para o fim do prélio, os jogadores do Inter Canhoto e Lima se “contundiram”. Com seis jogadores em campo pelo lado do Inter, o árbitro José Roberto Wright encerrou a partida.

O Santos do técnico Geninho formou com Sérgio; Carlinhos (Guga), Pedro Paulo, Luís Carlos e Marcelo Veiga; Axel, Zé Renato e Sérgio Manoel; Almir (Serginho Fraldinha), Paulinho e Cilinho.

Goleada do Santos FC
Brasileirão 1997, grupo B, segunda fase, Santos e Internacional. No Morumbi, o Santos aplicou um sonoro 4 a 0, com gols de Alexandre, Muller, Marcos Assunção e o ex-colorado Caíco. Mas a nota principal do jogo foi a expulsão de Luxemburgo pelo árbitro Cláudio Vinicius Cerdeira. O técnico reclamou da atuação do árbitro, que desfalcou o Santos de cinco titulares.

O Santos do técnico Luxemburgo formou com Zetti; Ânderson, Jean, Sandro e Dutra; Marcos Assunção, Narciso, João Santos (Caíco) e Alexandre (Baiano); Müller e Macedo (Caio).

O artilheiro dos gols bonitos
Em uma das quatro vitórias do Santos no Beira Rio aconteceu um dos gols mais bonitos do confronto! Na vitória de 2 a 1, no dia 02/10/1999, Dodô virou o jogo aos 37 do segundo tempo com um gol que vale ser conferido, um lindo chapéu no zagueiro Lúcio. Elson já tinha empatado aos 22 do segundo tempo.

O time da viradas formou com Zetti; Michel, Cláudio, Andrei e Gustavo; Claudiomiro, Élson, Marcos Basílio (Eduardo Marques) e Adiel (Lúcio); Paulo Rink (Aílton) e Dodô. Técnico: Paulo Autuori

Algoz do Santos
Apesar da vantagem alvinegra em confrontos, o Inter eliminou o Santos em duas Copas do Brasil. Em 1997, o Santos venceu por 2 a 0, com gols de Macedo e Robert, na estreia do enfim reformado gramado da Vila. No Beira Rio, o Santos perdeu pelo mesmo placar e a disputa foi para os pênaltis. Depois de Marcos Assunção, Robert e Sandro perderem suas penalidades, o Inter eliminou o Santos ganhando por 3 a 2.

Em 2002, na Vila Belmiro, empate em 3 a 3 com gols de Oséas (2) e Odvan na primeira partida. No Sul, o Santos perdeu por 1 a 0 e deu adeus à competição.

Segunda jamais
A situação do Santos no Brasileiro de 2008 era complicada, e o jogo contra o Internacional era o divisor de águas. Na 35ª rodada, o Inter veio à Vila e perdeu por 1 a 0, com um gol pra lá de estranho. Michael Jackson Quiñónez arrematou muito torto, mas Gustavo Nery desviou contra o próprio gol, aos 24 minutos do segundo tempo. Com o resultado, o Santos abriu seis pontos da zona da degola. O Peixe não venceu mais nos últimos três jogos (uma derrota e dois empates), mas essa vitória foi suficiente para manter o Alvinegro na primeira divisão!

O Santos do técnico Márcio Fernandes formou com Douglas; Wendel, Adaílton, Domingos e Kleber (Adriano); Roberto Brum, Pará, Bida e Molina (Quiñonez); Cuevas (Michael) e Kléber Pereira.

Mesmo com a péssima campanha em 2008, o Santos venceu seus dois jogos contra o Internacional. No primeiro turno, em Porto Alegre, na estreia de D’Alessandro, Maikon Leite marcou o único gol do jogo.

Um jogo épico
Em partida válida pelo Campeonato Brasileiro de 2011, o Colorado do técnico Dorival Jr abriu 3 a 0 jogando no Beira Rio. Parecia que a vitória era inevitável. E foi só aos 31 minutos do segundo tempo que Borges diminuiu. Parecia inacreditável, mas Alan Kardec fez o segundo aos 35 e Borges empatou aos 41, com um golaço, seu 14º gol no certame! Um épico na história do confronto.

O Santos de Muricy formou com Rafael, Pará (Alan Kardec), Edu Dracena, Durval e Léo (Cristian); Adriano (Felipe Anderson), Henrique, Danilo e Ganso; Neymar e Borges.

Show de Neymar
Em partida válida pela primeira fase da Libertadores 2012, na Vila Belmiro, Neymar fez mais uma de suas belas exibições, marcando os três gols da vitória santista por 3 a 1 na Vila Belmiro. Os dois últimos tentos da joia foram de placa.

O Peixe formou com Rafael; Fucile (Bruno Rodrigo), Edu Dracena, Durval e Juan; Henrique, Arouca, Ibson (Elano) e Paulo Henrique Ganso; Neymar e Borges (Alan Kardec).

No jogo de volta da primeira fase, Alan Kardec marcou o gol de empate para o Peixe no 1 a 1 no Beira Rio.