Ontem depois de abrir 2×0 sobre o Atlético-MG e permitir um amargo empate, não teríamos muito o que comemorar. O time não repetiu as boas atuações que vinha tendo, errou mais do que devia e consequentemente jogará agora até o fim do campeonato sem nenhum objetivo.

Felizmente tivemos Neymar em campo para compensar tudo isso. O garoto entrou motivado, comemorando seu 200º jogo pelo Santos FC. Também já sabia que o brilhante STJD resolveu se meter no campeonato mais uma vez e o suspendeu da partida com a Ponte Preta no próximo domingo, portanto ele tinha ciência que poderia se doar ao máximo que teria um longo período de descanso pela frente.

Logo no início do jogo Neymar de cabeça desviou um lançamento para Felipe Anderson, que encontrou Miralles sozinho na área para marcar o gol mais rápido do campeonato. O gol atordoou os adversários, que passaram a ser pressionados por uma blitz santista no campo de ataque, que resultou em inúmeras oportunidades. Neymar parecia querer fazer algo diferente, e por muitas vezes se mostrou fominha na definição de jogadas dentro da área.

Até que em um lance de gênio, Neymar tocou com a bola de calcanhar entre as pernas de seu marcador, girando rapidamente seu corpo para completar o drible e se antecipando ao segundo zagueiro que vinha sedento em um carrinho, mas que só atingiu seu companheiro. Neymar deixou a cena de pastelão para trás e disparou em direção a área. Mesmo com Miralles totalmente livre, o craque preferiu tirar para dançar o lateral que correu desesperado para cobrir a marcação, e após enganá-lo seguidas vezes, tocou no meio de suas pernas em direção ao contrapé do goleiro, que só viu a bola morrer no cantinho do gol. Um golaço para ficar marcado pra sempre nas nossas lembranças.

O Santos seguiu confortável no jogo e criando chances, tanto que se acomodou e tomou um gol após falha geral da defesa, após Léo tomar um drible da manada (por que drible da vaca foi pouco) e Bruno Peres chegar atrasado em seu marcador.

Depois em mais uma bobeada do ataque, Miralles errou um domínio na meia lua após rebote de bola parada e permitiu um rápido contra-ataque atleticano e após outra trapalhada, dessa vez entre Rafael e Bruno Peres, a bola sobrou livre para o atacante atleticano concluir. Na origem desse lance dois zagueiros atleticanos chocaram suas cabeças e um precisou sair de ambulância do estádio. Devido às dificuldades na remoção do mesmo de campo, o jogo ficou parado por um longo tempo e não foi mais o mesmo depois do retorno.

Apenas Neymar criou mais alguns lances de brilho no jogo, e mesmo com um a mais em campo após mais um choque de cabeça de jogador do Atlético, o Santos parou nas boas defesas do goleiro adversário.

Um resultado ruim em casa,mas que para quem pagou ingresso ou assistiu ao jogo ficou em segundo plano após mais um show de Neymar.

O público de mais de 10 mil pessoas só comprova que a Vila Belmiro precisa de algum tipo de intervenção urgente. O estádio não suporta mais lugares populares. Os setores elitistas dominaram o estádio inteiro. As cadeiras cativas como de costume ficam absolutamente vazias enquanto o resto do estádio está lotado. Os lugares baratos, que possuem a maior demanda, são os que possuem menor oferta de lugares. O público que não tem o hábito de ir ao estádio, e nisso incluo pessoas que viajam de longe, não vai adquirir um lugar que é vendido em pacote anual, muito menos um camarote. Estamos sem lugar em nosso próprio estádio para conquistar e fidelizar novos torcedores. É difícil pensar num futuro promissor dando este tipo de tratamento aos “novos clientes” enquanto os principais adversários no estado estão construindo ou reformando seus estádios.

Notas dos jogadores (Critério – Numa escala de 0 a 10, o 5 representa uma partida comum, somando-se ou subtraindo-se pontos de acordo com o desempenho)

Rafael – 5 – No lance do segundo gol, hesitou em sair e acabou se atrapalhando com Bruno Peres.

Bruno Peres – 4 – Participação negativa nos dois gols adversários

Bruno Rodrigo – 6 – Seguro como de costume, não teve culpa nos gols.

Durval – 5 – Voltou a querer resolver com chutões….

Léo – 5 – Sofreu um drible incrível no primeiro gol. Compensou com boas subidas ao ataque, porém se lesionou em uma delas.

Adriano – 6,5 – Anulou totalmente Ronaldinho Gaúcho. Saiu no fim do segundo tempo para não correr o risco de uma expulsão quando o Santos tinha um a mais

Arouca – 5 – Errou passes e perdeu bolas que não costuma perder. O trabalho de ligação do meio campo que vinha fazendo não funcionou dessa vez, já que a maioria dos jogadores simplesmente procurava Neymar.

Henrique – 5,5 – Um pouco melhor que Arouca ontem, mas também com alguns erros na definição das jogadas.

Felipe Anderson – 6 – Começou muito bem, atuando no mesmo lado de Neymar. Deu a assistência pro primeiro gol e roubou muitas bolas no campo adversário. Depois do empate e da lesão dos atleticanos, sumiu e foi substituído.

Neymar – 10 – Fominha em diversos lances, compensou tudo com uma obra de arte e mais um show para a torcida santista. Sua disposição em jogar com a camisa do Santos comove a qualquer um.

Miralles – 6,5 – Mais uma vez se posicionando bem, marcou gol pela terceira partida consecutiva.

Substituições

Gérson Magrão – 5,5 – Sua marcação acabou com as jogadas do Atlético pelo lado direito, porém não conseguiu se entrosar com Neymar para produzir no ataque.

Bernardo – 5 – Não vejo nele um armador que cria jogadas. Seus passes são na maioria das vezes laterais, mais organizando o jogo do que criando oportunidades. Muricy provavelmente o colocou pela qualidade na bola parada, mas ontem não surtiu efeito.

Bill – Sem nota – Entrou no fim para o tudo ou nada, pouco tempo para avaliar.

Muricy – 5 – O time voltou à tática “bola no Neymar”.

Qual sua opinião sobre o jogo de ontem e o desempenho dos jogadores?